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As histórias que lemos sobre este nosso mundo complexo raramente têm sentido ou conteúdo moral que possa ser extraído com facilidade e esta notícia, sem dúvida, obedece à regra. Um tribunal americano recusou a Tommy, o chimpanzé, a concessão de direitos humanos que o poderiam libertar da prisão. Embora esteja privado de liberdade, confinado a uma cela desconfortável e de pequenas dimensões, o juiz considerou que Tommy não pode ser responsabilizado pelos eventuais actos que venha a cometer, como partir coisa, sujar, fazer macaquices. Daí a rejeição do pedido feito por uma organização de defesa dos direitos dos animais.

Tommy não tem qualquer noção do seu caso, embora certamente tenha a percepção física de se encontrar confinado a uma cela, que é todo o seu mundo e onde decorre o essencial da sua experiência de vida. Ele gostaria certamente de ser livre, se pudesse escolher ou se soubesse escolher ou se tivesse qualquer recordação do seu habitat natural, que provavelmente já não existe. Alimentado todos os dias, sem consciência da escravatura, este simpático chimpanzé é talvez mais livre (num certo sentido de não sofrimento) do que muitos humanos e tem mais direitos humanos do que muitos humanos, mas assim vai o mundo em que vivemos, onde os direitos de Tommy se tornam notícia de interesse geral, pois a humanidade aprecia estas ambiguidades contemporâneas, discute com paixão o que lhe parece ser humano naqueles 99% de material genético (milhões de diferenças) idêntico ao nosso, naquele olhar perdido que parece conter alguma inteligência, nem que seja uma fímbria dela, onde nos revemos por um instante; e se fosse eu, ali, dentro daquela mente, de que forma veria as barras da minha cela e os limites da minha existência cativa? Enfim, parece que não estava apenas o chimpanzé ali a julgamento, mas uma parte de nós. Sem esta presunção de inocência, que teria para nos dizer este pedacinho de humanidade? E quanto é suficiente para ser um homem inteiro?


1 comentário

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De cristof a 05.12.2014 às 16:35

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