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Delito de Opinião

Cá se fazem, cá se pagam

Pedro Correia, 21.03.24

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É um caso singular de justiça poética. O maior propagandista do Chega nos últimos dois anos na Assembleia da República, aquele que aproveitou ao máximo o posto de segunda figura na hierarquia estatal para conceder a André Ventura o putativo estatuto de "líder da oposição" em cada debate parlamentar, procurando ganhar pontos mediáticos nesse mano-a-mano propício à abertura de telejornais, sai agora do palco. Destronado precisamente pelo partido que tanto promoveu com a intenção de esvaziar a direita moderada, radicalizar o cenário político e projectar-se como suposto candidato do PS às presidenciais de 2026.

Confirma-se: Augusto Santos Silva, que encabeçava a lista socialista pelo círculo da emigração fora da Europa, não conseguiu ser eleito para a Assembleia da República. Logo ele, que em Janeiro já se afirmava disposto a permanecer na poltrona da tribuna de São Bento.

Cá se fazem, cá se pagam. Santos Silva brincou com coisas sérias, sem sombra de isenção no exercício do cargo, por cálculo pessoal ou partidista. Deu protagonismo, o tempo todo, àquele que surgiu em cena para «dividir a direita». Enganou-se: o PS nada ganhou com isso, e ele ainda menos.

Teve a paga adequada, expressa nos boletins de voto. É o primeiro presidente do parlamento que falha uma reeleição.

Ventura atira-se agora a ele, no estilo que o caracteriza. Confirmando assim um velho adágio: gratidão é virtude inexistente na política. 

Devia mandar-lhe, no mínimo, um cartãozinho de reconhecimento pelos serviços prestados. Fica-lhe mal não fazer isso.

 

Leitura complementar: Doze mil quilómetros já em pré-campanha.

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