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Burquíni: o fim da polémica

por Diogo Noivo, em 07.09.16

Publiquei ontem um texto sobre o burquíni e sobre a controvérsia gerada pela proibição do seu uso nas praias de alguns municípios franceses. Tivesse eu esperado umas horas e tinha-me poupado ao esforço: a polémica morreu. Esta minha afirmação não é semelhante à de Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros, a propósito do galpgate. Neste caso, a afirmação baseia-se em factos.

Hoje tudo ficou esclarecido. Pouco importa se o burquíni é, ou não, um símbolo de um Islão radical. Da mesma forma, é despropositado analisar se o uso desta peça de vestuário constitui um exercício de liberdade de expressão. Estes e outros debates são inúteis para o caso em apreço. A proibição teve na sua base algo muito mais simples (e revelador): ser francês é ser branco e católico. E pronto. Nada como falar claro para acabar com as dúvidas.


8 comentários

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De AntónioF a 07.09.2016 às 16:14

Caro Diogo,
confesso que me assusta haver uma peça de vestuário feminina que na sua génese tem duas palavras (encarnando conceitos de vida) completamente distintos: Burka e Biquíni!
Há cerca de 3/4 anos, no Algarve deparei-me com uma senhora, depreendo que muçulmana, com uma vestimenta similar - penso que a palavra bruquini seja mais recente-, acompanhada pelo seu marido e com uma criança. Confesso que na altura aquilo gerou em em mim algum desconforto, porém uma interrogação me veio logo ao pensamento e que partilho consigo, se não se importar: poderia essa senhora frequentar qualquer praia, de acordo com os seus costumes, se assim não estivesse vestida?
Não lhe sei responder!
Sobre esta temática, os costumes muçulmanos em França / Europa Ocidental, permita-lhe que lhe recomende o livro de Michel Houellebecq, Submissão!

P.S.: Não tem nada a ver com este assunto, ou terá?, mas nesse mesmo ano e nessa mesma praia vi um fulano com um mankini. Hilariante!
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De Diogo Noivo a 07.09.2016 às 18:46

Caro AntónioF,
Partilho o seu desconforto. O burquíni, a burqa e o niqab não me parecem de todo indumentárias apelativas. Contudo, para desconforto (sobretudo para quem o usa), creio que o mankini é insuperável. É uma visão da qual creio que nunca me recuperaria...
Gostos à parte, falamos de uma proibição. Que, por definição, no quadro de um Estado de Direito Democrático, deve estar bem fundamentada – e nunca baseada em opiniões avulsas, impressões ou gostos. E, a meu ver, este é parte do problema quando falamos sobre a proibição do burquíni em praias francesas. A outra parte reside no jacobinismo autoritário de quem proíbe.

A pergunta que faz é pertinente. Aliás, é parte central do debate. Confesso que também não tenho uma resposta definitiva. Mas, nesta e noutras matérias, começar com perguntas (em vez das habituais sentenças) é um bom princípio.
Por último, agradeço a sua sugestão. É um bom livro. No entanto, julgo que o “Burmese Days”, de George Orwell, é mais adequado a este debate. O imperialismo já desapareceu, mas a atitude que lhe estava subjacente parece perdurar.
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De Anónimo a 07.09.2016 às 18:37

Não atinjo onde leu essa frase, excepto, talvez, no título, que, embora entre aspas, não corresponde a qualquer citação das frases constantes do corpo do artigo e publicadas pelo autarca.

O que consta destas últimas frases é razoavelmente distinto do que consta do título do artigo.

Se o jornalismo lusitano é miserável, a qualidade do leitor também não deve ajudar à festa...
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De Anónimo a 08.09.2016 às 10:06

Não é por nada, mas isto é um claro exemplo de má fé (passe a expressão). Está a citar um autarca do FN (um dos 12 parece-me de 36 000 câmaras municipais), formação da extrema direita francesa. Nenhum outro francês que não simpatizante do FN (e mesmo os simpatizantes) apoiaria tais comentários, nem sequer os autarcas que decidiram proibir os burkinis.
A medida é controversa, discutível, certo. Mas o seu comentário é francamente deturpador da realidade e das razões que levaram à proibição.
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De Diogo Noivo a 08.09.2016 às 12:04

Vejo que o contingente anónimo do DELITO não entendeu o tom do post, o que é certamente culpa minha. Não se trata de deturpar declarações, mas de mostrar o quão enviesado está o debate. Mais, trata-se de expor parte dos argumentos que estão na base da proibição, mas que nem todos têm a coragem de admitir.
Escreve o anónimo que “nenhum outro francês que não simpatizante do FN (e mesmo os simpatizantes) apoiaria tais comentários”. Será? David Lisnard, presidente da câmara de Cannes, alegou problemas de higiene para proibir o burquíni, o que é um argumento absurdo sob todos os pontos de vista. Não será esta uma forma encapotar o que disse o indigente da Frente Nacional?
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De Anónimo a 08.09.2016 às 19:53

Claro que não é o mesmo. Do argumento do presidente da câmara de Cannes, por muito absurdo e desculpa esfarrapada que seja, não se pode depreender um motivo racista ou xenófobo pois ele não está presente (a não ser que o Diogo leia mentes à distância).
Uma coisa é achar que a proibição é uma ideia peregrina, opinião que até partilho com o Diogo, outra coisa é misturar tudo para poder dizer o que lhe apetece dizer. Simplesmente não há necessidade.
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De Diogo Noivo a 09.09.2016 às 11:18

Portanto, é obrigatório acreditar que quando Lisnard evocou razões de higiene estava a falar a sério (mesmo que o argumento seja manifestamente absurdo)? E qualquer dedução que se faça sobre esse argumento e com base nos factos que o rodeiam (vejam-se as intenções de Sarkozy a este respeito) cai na esfera do esoterismo, do tipo "ler mentes"?

Caro anónimo, concluo do seu comentário que, pelo menos em política, as palavras apenas têm um único valor, que é facial e imediato. George Orwell escreveu umas coisas sobre isto e talvez não fosse má ideia (re)visitá-las.
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De lucklucky a 08.09.2016 às 19:42

Os que não discriminam quiseram guerra civil e vão tê-la.

http://www.lepoint.fr/societe/toulon-agresses-parce-que-leurs-femmes-portaient-des-shorts-07-09-2016-2066544_23.php

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