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"Brincadeiras" que um dia podem correr muito mal

por Alexandre Guerra, em 23.06.16

20160623001277_0.jpg

Lançamento na Quarta-feira de um dos dois mísseis de médio alcance Musudan com a presença de Kim Jong-un/Yonhap 

 

Nos últimos anos vai-se tendo cada vez mais a impressão de que, a acontecer qualquer drama militar de dimensões cataclísmicas, começará numa "brincadeira" para os lados da Ásia oriental. Se é na Península da Coreia (que, "by the way", continua formalmente em estado de guerra), no Mar do Japão ou no Mar Oriental ou Sul da China, ainda está para se ver (esperemos que não). Além dos interesses territoriais inconciliáveis entre várias nações que se jogam naquelas paragens, esta região é, no actual contexto geopolítico e geoestratégico, uma espécie de ponto de confluência de várias "placas tectónicas". Porque, além dos actores regionais directamente envolvidos nas disputas territoriais, tais como a China, o Japão, a Coreia do Norte, a Coreia do Sul, a Rússia, o Vietname, as Filipinas, entre outros, o jogo de alianças e de interesses acaba por envolver também os EUA, sobretudo pela sua ligação aos aliados nipónicos e a Taiwan.

 

Qualquer acidente ou incidente que por ali aconteça (e têm acontecido alguns) pode acender o rastilho para algo de dimensões problemáticas. Da disputa das Ilhas Curilhas, entre o Japão e a Rússia, à das Ilhas Spratly, entre Pequim e várias nações, tais como as Filipinas ou o Vietname, passando pelas "escaldantes" Ilhas Senkaku (ou Diayou para os chineses), sob administração japonesa mas reclamadas por Pequim, os factores de ignição são muitos. São recorrentes os episódios militares hostis, sobretudo por parte de Pequim, com Washington, por exemplo, à distância, a ir dizendo que não permitirá qualquer ameaça à integridade territorial do Japão. Isto já para não falar do "dossier" Taiwan. Mas é principalmente de Pyongyong que vem a maior ameaça sistémica. A Coreia do Norte não abdica da sua retórica bélica e provocadora e tem dado claros sinais de que a acompanha com uma escalada militar. Ainda ontem testou mais dois mísseis balísticos de médio alcance, conhecidos no Ocidente como Musudan, tendo o primeiro falhado, mas o segundo alcançado os objectivos. E trata-se de informação já confirmada pela Coreia do Sul e EUA.

 

Se ainda estou recordado das aulas de Problemática e Controlo de Armamentos, um míssil balístico de médio alcance (MRBM/IRBM) poderá ter um raio de acção entre os 500 quilómetros e os 5000. A partir daí estamos a falar de mísses Intercontinentais (ICBM). Este míssil norte-coreano terá voado 400 quilómetros, o que, segundo os especialistas, representa uma melhoria em relação ao teste anterior. Há poucas dúvidas de que se o regime de Pyongyang continuar a testar os seus mísseis, irá conseguir desenvolver na sua plenitude de forma eficaz estes vectores de lançamento de eventuais ogivas nucleares. E, por isso, o líder norte-coreando, Kim Jong-un já veio dizer que o seu país está em condições de atacar interesses dos Estados Unidos na ilha de Guam, no Pacífico. Se é certo que muitas das vezes a retórica proveniente dos líderes daquele regime é mera propaganda, desta vez, e a julgar por algumas reacções, as palavras de Kim Jong-un estão a ser levadas mais a sério.


4 comentários

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De Luís Lavoura a 23.06.2016 às 18:06

os interesses territoriais inconciliáveis entre várias nações

Não há assim tantos interesses territoriais. Os interesses dizem quase sempre respeito a ilhas desabitadas e ao mar em torno delas. Não há qualquer fronteira terrestre em disputa nem (salvo erro) qualquer ilha habitada. Seria um bocado parvo começar uma guerra por um pedaço de mar, a não ser que esse mar tivesse muitas e bem comprovadas riquezas, o que penso não ser o caso.

É bom não exagerar estas coisas.
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De lucklucky a 24.06.2016 às 04:51

Nacionalismo Chinês vai colocar tudo a ferro e fogo se não for capaz de se travar.

Todos estão a correr a fabricar e comprar armas na Ásia.
Neste momento vária legislação Japanesa está em cima da mesa para as forças armadas terem meios de ataque a longa distância em vez só de meios de defesa.

Lido de outra forma e para começar mísseis que cheguem a Pyongyang. Depois a Pequim. JSDF acabou só existirá no papel daqui a 10 anos ou menos.

Como paralelismo para outra guerra a 1 GM começou depois de grande crescimento económico e da arrogância que lhes está associada. De repente sentiram-se capazes de tudo.

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De cristof a 23.06.2016 às 18:31

Infelizmente para nós (como basbaques dos EUA) as incursões dos EUA no mar da China têm tudo para terminar mal : estão a meter-se com a mais poderosa potencia no mundo, têm a arrogancia mas já não teêm a hegemonia que tinham e refinam a intervenção fora das fronteiras à medida que sentem o superpower a fugir. Não fora a velha paciencia de chinês e a propaganda da caozoada americana sobre o mar da China já tinha dado burrada. O resultado de todas as intervenções dos anglosaxonicos,deram todas muito mal, mas a propaganda não permite reconhecer que devem regressar a casa e deixarem de invadir "terroristas" fora de portas.
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De lucklucky a 24.06.2016 às 04:40

A China anda a construir ilhas artificiais para clamar soberania sobre águas internacionais mas a culpa é dos EUA, isto além da China ameaçar constantemente as Filipinas, Vietname, Taiwan e Japão.

E claro devemos ter respeitinho com os poderosos se eles não forem "brancos" não é? Ou será que é se forem vermelhos? Ou as duas.
Também devemos ter muito respeitinho com o lugar comum do poderoso "urso russo" não é?
Já os EUA podemos mandá~los aquela parte...


E depois temos a retórica patetas da paciência do Chinês, que os lugares comuns dizem uma civilização milenar mas que num ápice adoptaram um culto europeu.

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