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Breves notas sobre os resultados

por Tiago Mota Saraiva, em 25.01.16

Marcelo Rebelo de Sousa ganhou, como se esperava. Teve mais votos que Cavaco em 2011 e, provavelmente, conseguiu ir buscar votos a todos os partidos. Fez um discurso de unidade nas antípodas do do anterior Presidente da República. Saberá ser popular.

 

Sampaio da Nóvoa é, na verdade, uma surpresa. Teve uma percentagem maior do que a maioria das sondagens lhe deram e do que Alegre em 2011. Não atingiu o objectivo de uma segunda volta, mas não sai desta eleição politicamente morto.

 

Marisa Matias é a grande surpresa da noite. Não conseguiu apenas consolidar uma parte muitíssimo significativa dos votos do BE, como terá conseguido penetrar no tradicional eleitorado comunista (veja-se, por exemplo, os resultados das autarquias comunistas de Constância ou Almada). As notícias de uma fuga de votos do eleitorado do BE para Marcelo eram manifestamente falsas.

 

Maria de Belém não foi alvo de um assassinato de carácter, como os seus apoiantes repetiram. Belém revelou-se. Não conseguiu conquistar o eleitorado socialista como pretendia, enfraqueceu o segurismo e demonstrou a fraca expressão eleitoral que a poderosa ala direita do PS tem. Desaparecerá sem fama nem glória da vida política, podendo levar para casa a sua pensão vitalícia.

 

Edgar Silva não deve ser visto como o culpado do mais fraco resultado eleitoral de um candidato com o apoio do PCP. Viu-se pouco o Edgar que trabalha com os que nada têm e que intervém junto do lumpén, para assumir uma postura institucional de porta voz do partido. A sua candidatura demonstrou que o eleitorado do PCP não é estanque, nem é alheio aos discursos políticos das candidaturas de Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa.

 

Tino de Rans não é uma surpresa. Repete, com menos vigor, o resultado de José Coelho das eleições de 2011. 

 

Paulo de Morais e Henrique Neto são figuras instrumentais para o sistema ao lançarem a suspeita de corrupção sobre todos sem concretizar acusações. Foram duas candidaturas com discursos semelhantes, mas sem brilhantismo. Morais destacou-se no resultado, ainda que fique aquém do que o próprio pensava poder alcançar.

 

Jorge Sequeira era o único candidato sem qualquer relação passada com algum partido político. Teve 0,3% dos votos expressos.

 

Cândido Ferreira nem em Leiria, de onde provinha, conseguiu votação significativa. Cumpriu o seu papel de manter dúvidas sobre a licenciatura de Nóvoa, como se o ex-reitor não as tivesse esclarecido de imediato. Fica a dúvida sobre como terá conseguido o número de assinaturas necessárias.

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11 comentários

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De Luís Lavoura a 25.01.2016 às 09:34

Fica a dúvida sobre como terá conseguido o número de assinaturas necessárias.

É simples: há muitas pessoas que são democratas e que, como tal, querem que haja direito à escolha. Assinam para que haja mais candidatos, mesmo que não saibam se irão votar neles.

Se a mim me solicitassem a assinatura para que uma pessoa qualquer se candidatasse, eu não hesitaria em dá-la, mesmo não conhecendo essa pessoa.
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De Tiago Mota Saraiva a 25.01.2016 às 09:54

Nunca subscreveu uma candidatura presidencial. Olhe que não é como uma petição, tem de ir à Junta de Freguesia.
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De Luís Lavoura a 25.01.2016 às 09:37

Marcelo Rebelo de Sousa, provavelmente, conseguiu ir buscar votos a todos os partidos

Está certo disso? Compare o número total de votos em Marcelo com o número total de votos na PAF (e no PSD e no CDS na Madeira) nas últimas eleições. Provavelmente os dois números não diferirão muito.
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De Tiago Mota Saraiva a 25.01.2016 às 09:53

Isso é uma análise do todo. Veja, por exemplo, os resultados comparados nos distritos de Évora e Beja.
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De Luís Lavoura a 25.01.2016 às 09:49

O Tiago omite fazer uma nota sobre a seguinte realidade: o Bloco e o PCP inverteram o seu ordenamento no panorama político português. Antes o PCP era bem maior que o Bloco, agora o Bloco ultrapassou definitivamente o PCP.
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De Tiago Mota Saraiva a 25.01.2016 às 10:01

O Luís diz que eu "omito" algo em que não acredito. Não escrevo que o BE não "ultrapassou definitivamente" o PCP porque não é esse o campeonato que me interessa e porque acredito que o "definitivamente" não existe enquanto as pessoas poderem continuar a votar em liberdade.
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De anonimo a 25.01.2016 às 11:40

Concordo com o Tiago. O PCP ainda pode voltar a ser mais votado que o BE: basta-lhe arranjar candidatas engraçadinhas. Nunca pensei ouvir isto de um líder do PCP.
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De Manuel a 25.01.2016 às 10:42

Eu penso que este resultado do PCP devia soar como alarme e conduzir o actual líder a ancião do partido. Uma imagem nova, ainda que em linha com a história do partido. Acho que o partido precisa de sangue novo.
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De Jorg a 25.01.2016 às 13:51

O xuxa Costa leva mais uma valente arroxada eleitoral na mona, com o rapido "desentumecer" ou"murchar" do (seu) "tempo novo" e suas apesas virtualidades. Aparece (uma 'premiere'...) a falar por ultimo na noite, com o Prof. Marcelo já a ser filmado por motoqueiros para as tvs dentro de um carro em movimento de regresso a casa em estradas com luzes amarelo-nocturnas, (e depois de uma das pitonisas do seu partido), para 'legitimar' não se sabe bem o quê.
Neste 'non-sense, alinha-se o "Beau Monde" ao pôr na lapela a Dra. (ou sra. D.) Marisa, ao mesmo tempo que desancam na Dra. Belem, futura subvencionada da República - é um andar a tecer loas a "Grande Armada" ilustrando-a com as furtividades do desfraldar de velas em bateis 'shabby chic', uma vez que (cruzadores já não se usam, e não há 'verba' para Porta-Avião) as fragatas, vai para dez anos, aparecem sempre gripadas, cheias de catarro e a emitir fumos que infringem básicas exigencies eco-ambientais. É mais honesto e são referir a linearidade do camarada Jerónimo - "Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar".

Sobre Marcelo, ponho-me a adivinhar -a fezada do eleitorado é que ele seja como os Americanos na definição de Churchill, i.e. pode-se contar com ele para acabar a fazer a coisa certa, mesmo que a sua pulsinamidade o force a tentar resolver a coisa de muitas outras maneiras.

Por fim, um profundo agradecimento ao Prof. Cavaco - tivemos um presidente livre, pensando pela propria cabeça, e, importante, anti-esganiçado a quem calibradores da História não perdoam o esvaziar da pífia profecia "espiral recessiva" e "empobrecimento", o não ter dissolvido antes de tempo (ou 'antes das coisas começarem a melhorar') um parlamento com maioria parlamentar, e o defraudar d'ânsia de "revolução" luso-syrizesca - que acaba a mal-parir pouco mais que uma Geringonça balizada por um "smiley" Centeno nas Finanças e um fantoche de Ventríloco da Fenprof na Educação.

Boa Noite e Boa Sorte
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De Anonimo a 25.01.2016 às 15:02

Eu penso que o PCP,perdeu 270mil votos (mais ou menos),em relação ás legislativas porque as pessoas votaram num voto útil, mas não deixam de ser do PCP! Quanto á frase do Jerónimo,em que ficamos? Então, querem que o partido mude, o líder faz ironia e ficam admirados? Ao menos~tem sentido de humor! E não deixa de ter um pouco de razão,quando o BE era dirigido por homens,estava á beira do colapso! (apesar de eu achar que estas dirigentes, têm iniciativa e ideias)!
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De sampy a 26.01.2016 às 01:15

Olha-me este: a acusar os que votaram no Edgar de "votarem num voto inútil".

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