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Blogue da semana

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.02.19

Houve um tempo em que evitava comer porque tinha pressa para ir jogar futebol com os outros. Ou porque era esquisito e não gostava do que me davam. Detestava mioleira (e ainda detesto e fico feliz por saber que hoje em dia esse alimento foi praticamente banido das mesas) e todas as aves (a situação não se alterou, embora abra de quando em vez uma excepção para uma canja ou empada de perdiz feita lá em casa, sem gorduras, peles, cartilagens ou ossinhos). Mas como nesse tempo os meninos não tinham quereres, e se faziam birra ficavam de castigo, ensinaram-me a comer de tudo. Até ter quereres. Não gostei embora me tivesse feito bem.

Anos mais tarde comecei a apreciar outras coisas, como, por exemplo, feijoada, cozido à portuguesa, dobrada, orelha e outras coisas que só de ver e sentir o cheiro naquele tempo me davam náuseas.

Com a idade, por força das circunstâncias da vida e em homenagem ao que na devida altura me ensinaram, acabei por me tornar mais exigente e por ter curiosidade em aprender como muitos pratos se confeccionavam.

E hoje faço-o, sempre que posso e me deixam, com excepção do Natal, quando ainda o tinha, única altura em que me davam o direito de me impor, tornar-me dono do espaço e preparar uns mexidos ou o prato principal da Noite de Natal.

Hoje considero-me um gastrónomo razoável e aqui há uns anos fui entronizado por alguns amigos que comungam dos mesmos interesses numa respeitável confraria, o que estimula ainda mais o meu gosto por uma boa comida e um bom vinho. Prazeres cada vez mais únicos pelos momentos irrepetíveis de degustação e convívio civilizado que proporcionam. Saber comer ou apreciar um bom vinho também são artes que se aprendem ao longo da vida. Primeiro com quem sabe, depois praticando.

O que também me leva a detestar cada vez mais restaurantes pretensiosos com cozinheiros afectados e medíocres, cadeias de fast food, messes, cantinas, e até alguns lugares que mais parecem estábulos ou chiqueiros do que espaços destinados a refeições de humanos, tal a má qualidade da matéria-prima, da confecção e da apresentação do que querem impingir-nos.

Tudo isto para vos dizer que foram estas as razões que me levaram a escolher o Mesa Marcada como blogue da semana. Apesar de ultimamente andar com pouca actividade, espero que os seus autores regressem em força.

Que vos faça bom proveito. E vos estimule os sentidos para um dos pequenos grandes prazeres desta vida.


5 comentários

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De Luís Lavoura a 25.02.2019 às 11:25

também me leva a detestar cada vez mais restaurantes pretensiosos com cozinheiros afectados e medíocres, cadeias de fast food, messes, cantinas

Eu todos os dias úteis almoço numa cantina. E devo dizer que não como nada mal. Como em abundância salada muito variada, coisa que muitos restaurantes não têm. E a comida não é salgada, ao contrário daquilo que acontece em alguns restaurantes. E há prato de dieta e prato vegetariano, opções que alguns restaurantes não prevêem.
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De Pedro Correia a 25.02.2019 às 23:43

Boa escolha, Sérgio. Mas o blogue não anda com pouca actividade, muito pelo contrário.
É até um dos mais activos.
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De Sérgio de Almeida Correia a 26.02.2019 às 01:57

Tens razão, Pedro. Estive a verificar e de facto através do calendário da barra lateral há muitas entradas recentes, mas não percebo porque razão elas não aparecem logo quando se entra no blogue.
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De jpt a 26.02.2019 às 03:04

Belo postal (eu não conheço o blog e vai para o meu sistema feedly, obrigado). Revejo-me algo no texto - o "algo" porque nunca fui muito esquisito de boca (não comia e não como pezinhos de porco e mão de vaca, e chega) mas cheguei a esta vetusta idade com a única ambição de ... escrever um blog de culinária, nobre ofício de que ando a aprender os rudimentos.
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De Sérgio de Almeida Correia a 26.02.2019 às 04:44

Obrigado, jpt.
Vamos todos ficar a torcer por esse novo blogue de culinária.

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