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Back to basics

por Pedro Correia, em 26.01.15

Por vezes, no meio da balbúrdia comunicacional, há que fazer um ponto de ordem. É tempo de ser feito relativamente à Grécia: Syriza é um acrónimo de Coligação da Esquerda Radical. Uma esquerda situada muito à esquerda da chamada "esquerda" social-democrata ou trabalhista, a cuja família pertence o Partido Socialista português. E que nada tem a ver também com a família comunista europeia, de que um dos expoentes é o nosso PCP.

Por outras palavras: o equivalente ao PS na Grécia é o PASOK, que nas legislativas de ontem não recolheu mais de 5%. E o o Partido Comunista grego, homólogo do  PCP, quedou-se nos 5,5%.

"O sucesso tem muitos pais, mas a derrota é órfã", dizia John F. Kennedy. Bem sabemos que é assim. Mas convém não abusar. Por muito que, por cá, socialistas de vários matizes -- de Ana Gomes a Isabel Moreira, de Inês de Medeiros a Elisa Ferreira,  passando por Manuel Alegre -- celebrem a vitória eleitoral do Syriza como se fosse um triunfo da sua própria família política, há que dizer com toda a clareza que isso é um enorme equívoco.

Quem venceu as legislativas na Grécia não foi a esquerda reformista: foi a esquerda radical. O que faz toda a diferença.

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28 comentários

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De É o que temos... a 26.01.2015 às 16:26

Por aqui, até o ex-movimento partido que acha pouco 4800€ mensais "votou" no Syriza.
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De Pedro Correia a 26.01.2015 às 22:05

Cada país tem o "syriza" que merece.
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De Pinto Duro a 26.01.2015 às 16:45

Com o Syriza a mandar cá, a senhora deputada Medeiros já poderia ir passar todos os fins-de-semana a Paris viajando em executiva premium com direito a champanhe e caviar.
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De José a 26.01.2015 às 20:04

Mas essa fulana ainda é deputada? Não tinha dado por isso ... E faz exactamente o quê?
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De João Bugalhão a 26.01.2015 às 17:02

A “canhotada” acordou hoje com uma valente bebedeira de “syriza” (bebida genuinamente grega, mas com sucedâneos por toda a europa). Em Portugal a euforia vai desde o pavão Nicolau Santos à alucinada Catarina Martins, até o comunista João Ferreira acordou com a euforia de alguns vapores (qual foi o resultado do PC grego?). Os socialistas, esses, ainda estão a reflectir sobre se esta bebida será suficientemente forte que aguente a “sua” agenda para a década (em lugar da "casca de carvalho", vão armazená-la em Évora junto do querido líder – o mártir), e o Costa está a pensar em lançar já um imposto sobre ela para autorizar a sua experiência em Lisboa, nem que tenha de fazer de "Tsipras" coração.

Na europa, Holland e Renzi, ainda não digeriram lá muito bem a coisa, e estão com alguma azia. Mas, Vladimir Putin, já apanhou uma valente piela só com o cheiro, e já se ofereceu para importar umas litradas para aquecer o inverno russo que vai frio como o caraças (não tardarão os couraçados russos no porto do Pireu)!

Falta saber quem pagará a conta...
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De campus a 28.01.2015 às 12:17

Gosto da prosa
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De l.rodrigues a 26.01.2015 às 17:04

Se em vez de olhar a coisa como uma espécie de clubite, mas à luz do que cada um tem dito sobre a questão europeia e a sua gestão da crise, e da natureza do euro, talvez compreenda que haja pessoas de outros "clubes políticos" que vejam esta vitória como boa. No fundo, ganhou o futebol.
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De Pedro Correia a 26.01.2015 às 17:52

Aprecio a ironia futebolística, mas há que dar o nome às coisas: esta não foi uma vitória do "centro esquerda": foi uma vitória da esquerda que nada tem a ver com o centro. Compreendo que a partir de agora muitos queiram pendurar-se no carro da vitória, mas hoje é de elementar justiça sublinhar isto.
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De l. rodrigues a 26.01.2015 às 19:32

Mais uma vez (já sabe que nestas coisas sou um chato), chamo a atenção para a substância e não para os nomes. Não quererá o Syriza fazer uma política social democrata? Que partido do chamado "centro-esquerda", os da internacional socialista, se mostraram dispostos a defender a social democracia quando levaram com a troika? Se vamos dar nomes às coisas olhemos para a substância. Diria que o juri ainda está reunido quanto ao Syriza. No imediato, apenas querem que menos gregos tenham fome e falta de cuidados de saúde. Radicalíssimo.
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De Pedro Correia a 26.01.2015 às 22:05

Isso já é outra questão. O meu ponto é deixar claro que, por maiores que sejam as tentativas da social-democracia europeia de vampirizar esta vitória de Tsipras, ele pertence a uma família política diferente. E portanto, em termos europeus, a vitória tem de ser creditada a esse bloco político. Que em nada se confunde com o chamado centro-esquerda. Tal como o Podemos, em Espanha, não é confundível com o PSOE. Nem o BE pode confundir-se com o PS em Portugal.
A clareza é fundamental em política. O Syriza tem esse mérito: intitula-se de esquerda radical e não do centro reformista com umas pinceladas sociais. Neste caso (e até eventual prova em contrário) o que parece é.
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De lucklucky a 27.01.2015 às 06:11

Lindo, para si a definição de Social Democracia é ter défice de 25% do orçamento e vender dívida que depois não é para pagar.

Brilhante, tem de me dizer onde está essa teoria ideologica...
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De Pedro Correia a 28.01.2015 às 22:53

O Syriza aposta no "consumo interno" e no "investimento público". Um programa que tem todas as condições para ampliar o desastre grego sem resolver problema algum. Isto porque se destina a gerar uma dívida ainda mais descomunal do que a actual num país que só este ano terá de pagar 20 mil milhões de euros em serviço acumulado de dívida.
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De Vento a 26.01.2015 às 17:36

Eu não vejo que a vitória do Syriza tenha muitos pais. Ela foi parida por um pai e uma mãe: Sarkozy e Merkel. Os enteados, os restantes que apoiaram os pais na feitura da criança, querendo ser mais filhos que o legítimo filho apressam-se a deitar abaixo a criança. Passos é um exemplo de como reage o filho mais velho perante o regresso e o banquete oferecido ao pródigo. Mas há mais.

Os autores de todas as radicalizações que o mundo conhece continuam convencidos que o sinete deve manter os mesmos relevos e as mesmas iniciais até aqui usadas.
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De Errata a 26.01.2015 às 18:57

Sarkozy foi à vida em 2012, quem lá está agora e dá beijinhos à Merkel chama-se François.
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De Vento a 26.01.2015 às 22:14

"Os enteados, os restantes que apoiaram os pais na feitura da criança, querendo ser mais filhos que o legítimo filho apressam-se a deitar abaixo a criança. Passos é um exemplo de como reage o filho mais velho perante o regresso e o banquete oferecido ao pródigo. Mas há mais.".

Leu mal.
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De Conclusão a 27.01.2015 às 09:42

Li Sarkozy. Mas percebi que há quem ache que Hollande é o messias.
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De Marquês Barão a 26.01.2015 às 18:29

Mário Soares ainda não vociferou?
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De A 200 à hora a 26.01.2015 às 18:53

Esse camarada, que já pode ir três vezes a Évora, não se dignou comparecer hoje na reunião do Conselho de Estado. Exemplos de m##d#.
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De Fernando Torres a 26.01.2015 às 23:07

Começou ontem, com a vitória do Syriza, a purga aos partidos tradicionais.
Não sei se me fica bem escrever a seguinte frase: começou a ruir hoje, o Muro financeiro de Berlim!
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De Pedro Correia a 28.01.2015 às 22:38

Duvido muito, Fernando. As bravatas nacionalistas e populistas - de esquerda e de direita - dão sempre boas fotografias e boas manchetes na imprensa. Mas um país arruinado financeiramente, que aldrabou os parceiros europeus relativamente às suas contas públicas, "marteladas" durante anos a fio, e se viu forçado a pedir 240 mil milhões de euros ao BCE e ao FMI para não entrar em colapso, pode sangrar-se em retórica sem ver nenhum problema de fundo solucionado a menos que descubram petróleo no Monte Olimpo ou nos fundos do Mar Egeu. Não será a Grécia - que representa 2% do PIB da UE - a ditar condições aos parceiros europeus mas o contrário.
As bravatas só são consequentes quando não estamos endividados até ao tutano.
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De Anónimo a 27.01.2015 às 01:25

Pelo que me tenho apercebido eles comemoraram a mudança. A diferença, está entre o mais do mesmo e a mudança radical e pelo que parece, têm a noção disso mesmo. Os ressabiados que não festejaram e não gostaram nada, foram os senhores do nosso governo. Esses, destilaram ironia, hipocrisia, desilusão e quase que quiseram ignorar que algo mudou, nesta EU em decadência e a mando do capitalismo e da Alemanha
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De lucklucky a 27.01.2015 às 12:17

A decadência da Europa é obra da Contra Cultura:

Obra da Esquerda.
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De JPT a 27.01.2015 às 11:05

Caro PC, deixe lá os nossos socialistas agarrarem-se ao Syriza. É da maneira como, daqui a uns meses, vão ao fundo com eles.
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De Pedro Correia a 28.01.2015 às 22:41

Pura hipocrisia política. Aliás não deixa de ser irónico ver socialistas portugueses aplaudirem um governo que tem no seu seio um partido ferozmente anti-imigração e anti-semita. Já para não falar dos valores da "paridade", que receberam trato de polé neste novo executivo de Atenas, onde nem uma mulher ocupa um posto ministerial.
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De Risota a 27.01.2015 às 16:38

"Esta cobertura noticiosa (a de José Rodrigues dos Santos, em Atenas) acabou por valer a dura crítica do professor de Política Internacional, na Universidade de Coimbra, José Manuel Pureza (um sujeito totalmente independente, como se sabe, assim como a independentíssima especialista em direito constitucional com tatuagem no braço, de nome Isabel Moreira -- aparte meu) em direto na noite de domingo, na RTP Informação, e gerar contestação nas redes sociais."

(DN online)
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De Pedro Correia a 28.01.2015 às 22:45

Dirigentes políticos - que nada têm de isento, nem podem reclamar-se como tal - pretendem dar lições de isenção a um jornalista experimentado e consagrado, dizendo-lhe como é que ele há-de fazer as suas reportagens.
Algo verdadeiramente espantoso. E não menos espantoso é haver quem os leve a sério.

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