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Ba e a polícia

por jpt, em 28.01.19

ba.jpg

Ba disse que a polícia é uma "bosta" (nota: "bosta" é um termo canónico). Muita gente indigna-se, pois Ba é do BE e não deveria dizer isso. Torço o nariz. Não sei se ele tem razão na interpretação do caso que causou as declarações - pelo que se vê nas curtas imagens, feitas pela vizinhança, é um típico caso de "porrada no beco", com os cidadãos a investirem contra os polícias ali convocados para sanarem a situação. E estes a responderem. E daquele pouco que tenho lido de Ba e seus correligionários - alguns deles demagogos com palco usual no jornal "Público" e galões universitários - acho aquele discurso histriónico e sob uma ideologia execrável: são racialistas, e no caso dos académicos a adesão a essa ideologia é uma estratégia de obtenção de recursos, económicos e estatutários. Mas isso são contas de outros rosários.

Ba é um assessor do grupo parlamentar do BE. É um emprego. Presume-se que o exerça devido a que o BE nele tenha confiança política. Mas não representa a coligação estalinista-maoísta. É empregado. Não é autarca, não é deputado, não é membro do governo. Se o fosse a crítica às suas declarações teria em conta essas funções de representação (e/ou executivas). Neste caso é "apenas" um cidadão a ter declarações. É conotável com a tal coligação? Sim. Mas qualquer cidadão pode ser conotável com um movimento político. Melhor dizendo, tem o direito de ser conotável com um movimento político. Assim sendo, se o que Ba diz é conotável com o BE e se isso é positivo e negativo é apenas problema do tal BE - raciocínio que não se aplica quando deputados da coligação ecoam essas posições, pois a função de representação tem outras implicações. Mas isso, outra vez, são contas de outros rosários. Há quem resmungue que Ba é dirigente da SOS Racismo e como tal não poderia dizer coisas destas. Mas essa é uma organização da sociedade civil, representa-se a si própria, aos seus membros. As declarações de Ba podem ou não ser prejudiciais para a organização, podem ou não vinculá-la, é problema deles.

Ou seja, pode-se criticar o conteúdo das declarações de Ba, a sua pertinência. Mas nunca pôr em causa a pertinência de as proferir. Esta é algo que deverá ser questionado (não é a pertinência do seu conteúdo, é o acto de as realizar) por aqueles que pertencem à sua organização e pelos seus empregadores. E isto é límpido como água cristalina, como se diz na língua dos imperialistas racistas e dos afro-americanos. O coro de ofendidos, que refutam não o conteúdo mas tê-las ele proferido, é um coro ignaro, desafinado. E hipócrita.

Entretanto o deputado do PSD João Moura manda Ba à "bardamerda" (nota: "bardamerda" é um termo não canónico). Moura é deputado. Não deveria dizer coisas destas, é representante do eleitorado. Ou por outras palavras, não é empregado do PSD (ele se calhar sente-se bem empregado, mas isso é outra coisa), é seu representante. Mas, pior do que citar o antigo Primeiro-Ministro Pinheiro de Azevedo (que utilizou o célebre termo em invectiva impessoal, um desabafo, "vão bardamerda com o fascista", que era o termo de moda que os sindicalistas do PCP contra ele utilizavam), é a patetice de Moura, que vem dizer a posteriori que não utilizou o termo com vontade insultuosa. Patetice pura. E conviria que um deputado não fosse tão pateta. Ou que, pelo menos, não o mostrasse.

Mas as declarações deste João Moura são algo bem pior do que patetice. Pois mostram bem o fascistazeco que habita no pobre deputado - e nos seus apoiantes, que os deve ter, caso contrário não seria parlamentar. Ba afirma que tem sido ameaçado. Há imagens dele a ser confrontado por indivíduos do PNR. Estes não foram violentos, foram incisivos, e quem se expõe em público arrisca este tipo de confronto, pois "quem anda à chuva molha-se". Mas as coisas não são tão simples. Por um lado porque Ba afirma que tem sido ameaçado e, infelizmente, isso é de crer. Em segundo lugar porque este PNR é comandado por um homem (a quem a RTP de serviço público dá espaço de antena por se candidar a chefiar uma claque da bola; a quem um Goucha entrevista longamente para tentar ganhar audiências contra a Cristina) - errata: nos comentários um leitor avisa que o PNR não é comandado, mas apenas integrado por esse indivíduo - que foi preso por cumplicidade num assassinato cometido pelos militantes desse partido, cujo móbil foi exactamente o facto do assassinado ser ... negro. Ou seja, é normal que Ba se preocupe. E é totalmente curial que solicite protecção policial.  A polícia existe para isto, é esse o seu dever numa sociedade liberal, democrática, o de proteger a vida dos cidadãos (já agora, precavendo ressalvas de comentadores "inteligentes", sendo eles naturais ou estrangeiros, residentes ou turistas, "originários" ou selenitas, neo-nazis do PNR ou estalino-maoístas com frescuras new age). Ao apoucar esse direito, ao insultar Ba por solicitar protecção, o deputado Moura mostra assim o quão está longe de compreender o que é o chamado Estado de direito, democrático. É um morcão? É. Mas, acima de tudo, e talvez nem o saiba, talvez seja apenas uma besta, mas é uma besta fascistóide.

Há muitos anos, 30 já, Rushdie publicou "Os Versículos Satânicos" e foi condenado à morte pelo poder iraniano. Isto foi antes da I guerra do Golfo e da expansão do terrorismo do fascismo islâmico. A abjecção por essa via era bem menor na Europa. A esquerda europeia balbuciou um pouco com essa "fatwa", entre a ignorância do que aquilo era e o estupor. Os comunistas gostavam do Irão, porque anti-americano. E aqueles que então eram ainda o embrião desta "nova" esquerda identitarista (os neo-comunistas) também. Estes, tal como hoje, à menor aragem já espirravam referências a Foucault. O qual, no seu desprezo pela democracia, pela razão, pelo ocidente e pelos EUA (apesar de adorar os prazeres de Frisco, onde terá adoecido mortalmente) fora um grande defensor da teocracia homofóbica e falocrata iraniana, sob o lema que perseguiu, o "tudo contra o Ocidente" (excepto, claro, os ares "liberais" de Frisco. E a universidade francesa). Um apreço que se mantém, basta ver como estes identitaristas actuais se indignam mais com um barman dizer que "não tem copos com paneleirices" do que com as penas de morte aos nossos, ateus, ou aos homossexuais, lá pelo Irão foucauldiano ou sítios religioso-politicamente aparentados. Nesse ambiente, de "pacto germano-soviético", de colaboracionismo com o fascismo islâmico, por aversão aos EUA e por ademanes a la Foucault, a tal esquerda europeia algo balbuciou. Entre o tal estupor e o desagrado com a "blasfémia", num "não havia necessidade", a la Diácono Remédios, que Rushdie tivesse sido tão desbragado na sua utilização do corão. 

À direita foi diferente. O escritor fora um crítico do poder tatcheriano. E por isso vieram invectivá-lo por pedir protecção estatal (policial), como se isso fosse paradoxal. O desagrado com o escritor advinha também do repúdio pela "blasfémia", esse refúgio anti-liberdade de expressão que o modelo de "secularização" anglófono (génese do multiculturalismo que depois grassou) carrega, isso de que temos de respeitar as religiões (o que é completamente diferente de respeitar a liberdade de culto). Enfim, devido ao seu repúdio pelo direito à blasfémia e com a oposição a Tatcher, a direita anti-Estado de Direito britânica invectivou escritor e sua necessidade de protecção. Depois, com o tempo e a expansão do terrorismo islâmico, esse repúdio baixou. Rushdie passou a ser pensado (quando ainda o é) como uma das vítimas, e não apenas como um alvo (algo) merecido, devido ao seu "desrespeito".

Ba não é Rushdie, claro. E o PNR e outros feixes de holigões não são o estado iraniano nem as organizações fundamentalistas islâmicas. Mas em termos abstractos as situações são algo similares. Até porque temos em Portugal antecedentes de violência rácica por causas políticas, até mortal. E mesmo que não os tivéssemos. Como tal Ba tem não só o direito inquestionável de pedir protecção policial, independentemente do que pensa sobre a acção policial. Tem também o dever, cívico, de se proteger. Incompreender isto é incompreender a democracia. 

Que um deputado não o perceba, que mande Ba à merda por isto, é inaceitável, e mostra o miserável intelecto que tem, e a sua visceral aversão à democracia. E o PSD deveria perceber o que o Pedro Correia aqui deixou, com ironia, isso de que é hora de serrar fileiras. E expurgar-se deste Moura e de holigões similares que por lá andem. Aboletados, em busca de empregos estatais ou comissões.

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50 comentários

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De Luís Lavoura a 28.01.2019 às 10:49

A mim parece-me que jpt exagera um pouco (não muito, mas um pouco).

Moura não mandou Ba à bardamerda. Ele escreveu "Ba, e se fosses ba" no Facebook. Não é bem a mesma coisa. Ademais, pouco tempo depois percebeu que tinha posto a pata na poça, e apagou.

Escrever coisas no Facebook não é bem a mesma coisa que dizê-las. Nas redes sociais muitas pessoas deixam-se levar pela solidão e escrevem coisas que não diriam, que sabem que não deveriam dizer.

Moura deveria, isso sim, era deixar de frequentar o Facebook, como forma de penitência. Isso faria dele, sem dúvida, um homem melhor.
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De Sarin a 28.01.2019 às 14:53

As palavras verbalizadas são ditas muitas vezes no calor do momento, as palavras escritas são descarregadas - mas antes de serem públicas há tempo para as olhar de viés.
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De jpt a 28.01.2019 às 21:11

Bem, como bloguista tenho que explicitar que já escrevi muita asneira que poderia perfeitamente ter evitado - em conteúdo e em tom. O relevante é que não sou político.
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De Sarin a 28.01.2019 às 21:16

Exactamente, jpt! Nem me referi às asneiras que volta e meia se escrevem em caixas de comentários, sejam elas gralhas ou asneiras gralhudas, pois visava especificamente os actores em causa, especialmente o político - embora o assessor seja um político, também, apenas não é eleito. Ou, pelo menos, ainda não foi eleito.
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De jpt a 28.01.2019 às 21:46

são nuances, é um cidadão com actividade política e que trabalha na política. Tem assim outro estatuto e outras responsabilidades Foi o que quis dizer no texto Já aquela Mortágua que também veio destrambelhar será outra coisa
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De Anónimo a 28.01.2019 às 23:10

"que explicitar que já escrevi muita asneira que poderia perfeitamente ter evitado" De acordo.
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De jpt a 29.01.2019 às 00:21

Anónimo, boa risada que me deu, obrigado. Belo comentário, bem oportuno. Pena o anonimato, este é daqueles que mereceria ter o nome próprio.
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De jpt a 28.01.2019 às 10:59

Lavoura: isto é o que eu leio na imprensa - "Bamos lá a Ber se nos entendemos! O Mamadou ba, chamou bosta à Bófia, leia-se polícia de merda, agora sente se inseguro e pede segurança policial", começa por escrever João Moura. Depois, o deputado à Assembleia da República conclui a publicação: "Ó Mamadou e se fosses ba(rdamerda)! [sic]", escreveu na publicação. Que durou apenas umas horas antes de ser apagada."

Ou seja, o pormenor do bardamerda está explicado, foi explícito. Mas de facto isso é o menos. A questão é termos um deputado que pensa cutucável e criticável que Ba peça apoio policial. O FB é um espaço público (quase como um blog, e quase porque se pode publicar em registo fechado e náo blogamos em registo aberto). Ou seja, o deputado fala pessoalmente mas não privadamente. Se ele em casa com a mulher resmungar com Ba será mau (porque implica que não percebe o Estado e a sociedade, sendo deputado). Mas é outra coisa. Aqui opina publicamente - é a diferença entre o pessoal e o privado, que muito se esbateu com a internet.
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De jpt a 28.01.2019 às 11:00

Abandonar o FB como melhoria pessoal é uma solução. Tal como abandonar os blogs.
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De Luís Lavoura a 28.01.2019 às 11:05

Felizmente os blogs (ainda) não são o Facebook. Em especial, aqueles que têm comentários moderados.
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De jpt a 28.01.2019 às 11:22

Lavoura eu tenho página de FB (está suspensa durante uns tempos por minhas razões laborais) com milhares de ligações e ainda por cima publico lá - praticamente só ligações a textos de blog - em registo aberto, ou seja todos podem ver, mesmo as pessoas que não têm ligação comigo. E é lá que há debates sobre os postais - por isso suspendi, não tenho tempo agora para acompanhar. E garanto-lhe, contrariamente ao que muito se diz, o ambiente no FB é muito melhor (presumo que nas páginas das "personalidades públicas" isso seja diferente) do que nos comentários dos blogs. E tem uma razão, no FB são escassos, pelo menos nas interacções entre nós, pessoas vulgares de Lineu, os perfis falsos (aka anónimos). Aqui, mesmo moderados recebem-se constantemente comentários desagradáveis
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De Justiniano a 28.01.2019 às 15:07

Não é que seja justificável a um deputado andar à tanga nas redes sociais, mas o causo verte-se mais, não pelo comentário da bosta, pelo comentário do medo à polícia. Ba já por diversas vezes manifestou, em comentários pessoais ou como dirigente da SOS racismo, inquietação junto da presença policial declarando temor à polícia pelas suas intervenções atemorizantes e implicativas.
A tentativa de piada reside mesmo aí. Numa espécie de apanhei-te anedótico. Imaginem um tipo que tem medo de cães e compra um cão de guarda!!
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De jpt a 28.01.2019 às 21:16

Justiniano a gente pode gozar a cena - num agora "ai agora que estás com miaúfa (grande palavra completamente em desuso, e que eu não dizia há décadas e nunca havia escrito) já chamas pela bófia". Mas isso é uma piada em privado. Pois, de facto, é só uma bojarda (outra palavra que nunca havia escrito, ainda que a diga de vez em quando e acabo de saber, via dicionário, que há uma homófona que significa "Martelo de cabeça quadrada, coberta de pontas, usado para alisar pedra", essoutra "bujarda",
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De Tiro ao Alvo a 29.01.2019 às 17:54

Não é para me gabar, Jpt, mas eu sei o que é uma bujarda. E também sei que uma pedra aburjadada não fica polida, mas rugosa, apesar de lisa, e normalmente é aplicada em degraus de escadas.
E bujarda também se pode dizer de algo de errado/estúpido/impróprio que se diz em voz alta.
Aprende-se muita coisa a ler blogues...
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De jpt a 29.01.2019 às 18:05

Pois, eu nem sabia Fui ver ao dicionario para confirmar como se escreve e lá aprendi a tal diferença entre bojardas (das quais fiz hóbi) e bujarda, do qual não fazia a mínima ideia
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De Sarin a 28.01.2019 às 15:04

Já agora, jpt, o comentário que o Ba escreveu pode ser interpretada de duas formas - chamar bosta à polícia ou chamar bosta aos actos da polícia.
Não defendo qualquer uma das duas, cf digo no meu burgo de um assessor sempre espero melhor capacidade de expressão, mas li o comentário (com este zunzum todo, impunha-se).

Quantas vezes não dizemos "os políticos e as tretas deles" ou "as tretas dos políticos" - o azar é que polícia é do género feminino, torna-se difícil afiançar, afiambrar uma interpretação ou outra.

Claro que cada um tem tendência para interpretar à luz daquilo que cada um diria, e portanto o coro foi empolado - ou. como diria uma minha tia já falecida, emprenharam todos pelos ouvidos. Mas em tudo relacionado com este caso do Bairro dos Chícharos.
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De jpt a 28.01.2019 às 21:20

Sim, de certa forma o homem conseguiu o que queria, todos falam dele. Por outro lado preocupações justificadas - preconceitos raciais na sociedade portuguesa, eventuais más práticas policiais, enquistamentos institucionais para com determinados tipos de estrangeiros, etc. - vão ficando questões enquistadas no combate político do BE, no seu radicalismo demagógico. Se isso é contraproducente ou não para a resolução dessas problemáticas? Diga quem faz vida disso.
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De Sarin a 28.01.2019 às 21:22

Não faço vida disso. Nem sou bloquista. Apenas bloguista, e falei disso mesmo num postal.
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De jpt a 28.01.2019 às 21:48

Hé!, isto não era uma "boca" para si. Apenas referia que a consideração sobre os efeitos desta partidarização dessas questões deverão ser avaliados sobre os que se centram nessas matérias As quais olho de longe
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De Sarin a 28.01.2019 às 21:53

Eu sei que não era!

Apenas disse que tinha escrito exactamente sobre isso hoje. (no meu blogue, não no Rasurando).
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De Tiro ao Alvo a 28.01.2019 às 13:57

Para mim, o Mamadou merece ser criticado por ter pedido a protecção da PSP.
Digo isto por saber que esse senhor defendeu, defende (e faz questão que se saiba) a "desmilitarização imediata da polícia, e o fim imediato das operações do CIR (Corpo de Intervenção Rápida) nos nossos bairros, como primeiro passo rumo à abolição total da PSP e GNR, e sua substituição por mecanismos de garantia da segurança colectiva, baseados nas comunidades" e que, muito recentemente, classificou depreciativavmente a PSP, chamando-lhe "bosta de bófia" - não escreveu “bosta de PSP, escreveu “bosta de bófia”.
Ora, por que assim pensa, o Mamadou deveria ser coerente e dispensar a protecção daquela força de segurança. E devia e deve ser censurado por quem assim não pensa. Parece-me a mim.

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De jpt a 28.01.2019 às 14:13

Não Tiro ao Alvo. As opiniões de Ba podem ser uma bosta. Mas isso não reduz o seu direito a pedir protecção. E se um dia houvesse o tal "policiamento comunitário" (é disso que ele fala, sonhando com sovietes, aka comités de bairro e grupos dinamizadores. Indicados evidentemente pelo seu partido ...) ele então sim pediria apoio ao tal comité dele para o proteger.

A mim surpreende-me é o espanto com as declarações. Ba não é, obviamente, um homem muito refinado, intelectualmente falando. E verbaliza o imaginário bloquista, que gente avisada, como Rosas (um adversário militante da democracia, que continua a tecer loas ao estalinismo - ouviram estes ouvidos em Maputo uma melíflua higienização do estalinismo, não me lixem) ou o Fazenda, souberam meter na gaveta para seduzirem os burguesotes, bairroaltistas e seus sobrinhos.
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De Justiniano a 28.01.2019 às 15:46

O mais extraordinário acerca desta discussão é a tragédia que se anuncia e a normalização estúpida que se faz do "nosso", "deles", como se se admitisse a coexistência de nações ou povos dentro do mesmo Estado e seus territórios. É triste e trágico que não se perceba a insídia desta coisa.
Ainda no outro dia, no eixo do mal, aquela senhora meio esgaçada declarava, à laia e com o tom mais humanista deste mundo, deslumbrada pela sua magnífica bondade e pureza de espírito. Dizia ela, mais ou menos assim: Que se devia dar espaço político aos negros para se representarem e melhor poderem defender os interesses da sua gente, do seu povo!! O JM Tavares adiantou, no outro dia, uma coisa idêntica e o SOS racismo afina por aquela lógica de outras paragens da distopia anglo-saxónica, a da diversidade que aconselharia a mais polícias negros (Esta gente devia a ir a África para verem os polícias negros a redimirem os negros à força da inclemente vergasta. Ou seja só se admite o negro a vergastar no negro. Os nossos e os deles. É uma lógica saudosa dos tempos de uma África do Sul.)!! Esta lógica de progressiva tribalização é, evidentemente, uma tragédia anunciada. E vence aplausos tontos dos mais deslumbrados progressistas que se não apercebem dos dragões que criam!
Trágico!!
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De jpt a 28.01.2019 às 21:24

Eu reparei nessa dos "nossos bairros" que V. citou. Não aludi a isso pois não conheço o contexto das afirmações, que permitiria entender o verdadeiro significado. Mas que parece isso, o dos "nossos bairros" das "nossas comunidades" parece. Não é trágico, é combatível. Esse modelo comunitarista, reaccionário, decalcado dos EUA, o abjecto e inintelectual multiculturalista é o lixo que os académicos com púlpito no Público andam a disseminar pelo país e que o BE tem como agenda.
Não posso deixar de lamentar quando encontro gente que desperdiça o pouco tempo de vida que lhe resta (falo em termos de escala geológica, entenda-se) a ver esse programa de tv a que alude
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De Tiro ao Alvo a 28.01.2019 às 18:37

Jpt, compreendo e aceito a suas explicações, mas o que me parecia expectável é que o Mamadou dispensasse a protecção da PSP.
Além disso permito-me duvidar do grau das ameaças que ele diz ter recebido, havendo a possibilidade de estar em empolar.
Todavia, mesmo sabendo o que ele disse e que pensa essas coisas todas, também me parece que a PSP (e a GNR) devem proteger os Mamadous e todos os outros.
Mas não ficaria chocado se, aos estrangeiros que por aqui andam a fazer o mesmo, Portugal mandasse essa gente de volta para as suas terras.
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De jpt a 28.01.2019 às 21:28

Expectável poderia ser. Mas julgo, e digo-o no texto, que ele tem a obrigação cívica de se proteger. Quanto aos estrangeiros que prevaricam devem ser julgados de acordo com a lei. Não sou jurista mas presumo que para alguns crimes estará perspectivada a expulsão do país. Se não está deveria estar. Entretanto, às vezes, o duende que em mim habita acorda e brame que também se deveriam expulsar alguns (bastantes) nacionais. Depois bebo um ou outro uísque estrangeiro ou uma aguardente nacional e adormeço o raio do duente. O qual, diga-se, anda algo mortiço, deve ser da idade. Ou deste clima belga
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De Anónimo a 28.01.2019 às 17:29

Alguém chame a PJ:

O camarada Ba... usufruiu de vários milhares de euros em ajustes directos,feitos pela CM de Lisboa.

O VAR dá empate BE / PCP


Amendes
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De jpt a 28.01.2019 às 19:18

Amendes
como se depreenderá pelo teor do meu postal (talvez um pouco longo demais mas foi o que me saiu) eu não tenho simpatias pela coligação partidária para o qual Ba trabalha Nem concordo com aquilo que tenho lido de Ba.

Dito isto, o que V. aqui faz é uma calúnia, uma vergonha, uma indignidade. Você sim merece ser mandado à bardamerda. Ao ver o seu comentário e antes de o publicar fui googlar sobre o seu conteúdo, dado que é uma acusação que você decidiu colocar num postal que está sob minha responsabilidade (e num blog colectivo, deste modo co-responsabilizando um conjunto de pessoas dignas) E você tem o desplante de querer conspurcar o nosso bom nome, como divulgadores da sua indigna calúnia. Repito, basta googlar para saber da veracidade e legitimidade da abjecção que você abjecto indivíduo aqui quis deixar, para nosso prejuízo reputacional Googla-se e dá isto, comprovando a falsidade de que você, seu escroque, me quer fazer cúmplice https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/mamadou-ba-recebeu-200-mil-euros-em-ajustes-diretos-da-camara-municipal-de-lisboa

Garanto-lhe seu escroque de merda, dou graças ao inexistente deus para não o ter à minha frente, que me desgraçava
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De Anónimo a 28.01.2019 às 18:33

JPT V.Exª que até escreve bem, exagerou na sua apreciação ácerca do tal deputado que nunca ouvi falar.
Qual a sua apreciação ácerca do Senhor que disse " estou-me cagando para o segredo de justiça"
Cumps.
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De jpt a 28.01.2019 às 21:34

Exagerei na atenção? Deu-me para aí, efeitos da insónia porventura.
Essa frase? Julgo, se bem me lembro, que pertence a Eduardo Ferro Rodrigues. Dita ao telefone, falando com alguém (não sei com quem). Qual o problema? Para mim só haverá problema se a escuta telefónica foi abusiva ou ilegal. De resto um homem é livre de opinar em privado. Eu já disse coisas muito piores. Muitíssimo. Dizê-las, escrevê-las, publicamente é completamente diferente - assim como aquela estafada diferença do Manuel Germano e do género humano (agora nao se pode dizer género neste sentido que nos chamarão machistas ...)
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De Sarin a 28.01.2019 às 22:37

Pessoalmente, gosto muito de espécie d'humano, taxonomicamente mais exacta.
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De jpt a 29.01.2019 às 00:22

será, mas a fonética é menos parente do Manel Germano
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De Anónimo a 28.01.2019 às 19:16

Bá é um tolo.
Lembra o tipo que vai na a1 a 160, e quando é ultrapassado pelo BM que vai a 180, pergunta onde anda a polícia.
Pelo que diz, pensa e faz,
Não tem direito a pedir protecção policial.
Tem direito a protecção policial.

Entretanto, gostaria de saber o que é um país "não racista". E qual.
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De jpt a 28.01.2019 às 21:37

Não posso elucidá-lo sobre isso do país não racista. Mas posso dizer que o jornal Publico publica textos de cientistas sociais investigadores de instituições estatais de investigação científica que escrevem publicamente que só há racismo branco, que os negros (as outras "raças" não cabem nesses proto-ensaios) podem ter preconceitos mas nunca são racistas. É assim que isso por aí vai.
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De Vorph Valknut a 28.01.2019 às 23:01

Jpt,gostava de escrever como escreve...e quem sabe pensar.

Grande texto
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De jpt a 29.01.2019 às 00:26

obrigado pela simpatia
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De Anónimo a 28.01.2019 às 23:54

Jpt, parabéns pelo postal, muito bem escrito.
Sobre a polémica em questão nada tenho a dizer a não ser que os cientistas sociais precisam de ir até á Africa do Sul ver in loco o racismo de que são alvo os moçambicanos.

WW
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De jpt a 29.01.2019 às 00:26

Obrigado pela simpatia. Sim, tem razão. Nestas patacoadas que se escrevem há muito de interesse (pertencer a grupos tem retribuições) e de procura de conforto identitário ("nós" estamos com a "causa" e balbuciam-se inanidades que todos esses "nós" aplaudem. Ou laicam. "E quem não salta é lampião", perdão, de direita/ressabiado, ululam). Mas também tem muito, e é isso que diz, de paroquialismo.
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De Anónimo a 29.01.2019 às 12:46

Se Ba ainda fosse da África Católica Portuguesa, ainda se desculpava, agora pertence à África Islâmica cujo o ódio aos portugueses é natural ainda por cima se arrogam de falar em nome dos Africanos... Não pode!!! Em Portugal quem fala em nome de África é a África católica de matriz portuguesa!! É a única África com credibilidade em Portugal!! O BE a apoiar a visão da África Islâmica em relação aos portugueses... Portugal só vai deixar de ser racista para este parasitas quando se converter a Maomé
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De Sarin a 29.01.2019 às 17:01

Se fosse católico podia chamar bosta aos actos da polícia ou à polícia, por ser islâmico não pode? Portanto, os direitos são aplicáveis ou extinguíveis consoante a religião... este comentário é um exemplo de que o extremismo religioso está bem vivo em Portugal.

Uma pena que, sendo tão extremosamente extremista com a religião de cada um, tenha olvidado o nome com que o padre o ungiu na pia baptismal.
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De jpt a 29.01.2019 às 17:21

Sarin esse seu final de comentário é de antologia. Vou copiar e começar a arremeter aos maus anónimos
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De Sarin a 29.01.2019 às 17:33

Obrigada, jpt. Esteja à vontade para usar - embora ache que só funcione com alguns... aos outros sempre os pode remeter para o art. 26º da CRP, que diz terem todos direito ao bom nome e reputação...
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De Anónimo a 29.01.2019 às 17:07

Ao contrário deste anónimo, o Mamadou nunca falou em religião, que me recorde. Não existe "África católica" ou "África islâmica" visto que essas duas religiões foram exportadas por invasores.
A ideia ainda de que a "África islâmica" odeia portugueses não podia ser mais ridícula visto que a maioria das pessoas no mundo nem sequer sabe o que é Portugal. Meter o BE na conversa é igualmente ridículo.
Os fanáticos católicos e os fanáticos islâmicos têm muito mais em comum do que pensam, nomeadamente na misoginia, na homofobia e na defesa de políticas extremamente reaccionárias. Em ambos os casos, a base da ideologia é o ódio ao outro.
Não é que as acusações que este anónimo faz ao Mamadou e ao BE se adequam mais a si próprio?
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De jpt a 29.01.2019 às 17:19

Anónimo contra o outro anónimo (raisparta, porque não se identificam? Um simples John Smith, Zé Silva, ou coisa assim?): cumpre-me neste postal defender o Ba de calúnias e já o fiz. Contra outras elaborações já é cada um (?; pois isto de anónimos nem o sexo deles a gente sabe) a falar por si. Não vou elaborar sobre esta temática do Padroado e da Concordata e da Evagelização. Deus Nosso-Senhor me acuda ...

Quanto ao que diz das semelhanças entre fanáticos católicos e islâmicos não vou contestar - ainda que os fenómenos históricos que nos são verdadeiramente relevantes muito divirjam. E, sff, não me atirem com a história da inquisição ... Mas sobre isso queria dizer uma coisa: os "democratas" lusos (refractando os identitaristas euro-americanos) acham um mero missal católico uma obra do demo. E os massacres do fascismo islâmico um algo desagradável "uso e costume".

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