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Atentado

por Cristina Torrão, em 20.07.19

Hoje, os edifícios públicos alemães apresentam-se com bandeira hasteada e há festejos em Berlim. Faz 75 anos que o coronel Claus von Stauffenberg tentou assassinar Hitler com uma bomba.

Será legítimo comemorar um atentado? Pode alguém que planeou matar uma pessoa ser considerado um herói? É legítimo acabar com vidas para salvar mais vidas?

Hitler era um psicopata assassino. E se o atentado do coronel Claus von Stauffenberg tivesse sido bem sucedido, teria sido assinado um armistício com os Aliados e as mortes causadas pela II Guerra Mundial ficariam pela metade, já que o últmo ano foi de longe o mais mortífero.

Hitler sobreviveu a vários atentados, este foi um deles. A guerra não terminou mais cedo. Claus von Stauffenberg foi executado nessa mesma noite. E hoje é um herói alemão.

 

 

Nota: esta tentativa de assassínio de Hitler foi retratada no filme Operação Valquíria, de 2008, realizado por Bryan Singer, com Tom Cruise e Kenneth Branagh.

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37 comentários

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De Luís Lavoura a 20.07.2019 às 16:48

as mortes causadas pela II Guerra Mundial ficariam pela metade, já que o último ano foi de longe o mais mortífero

Em que cálculos se baseia a Cristina para afirmar isto?

A maior mortandade causada pela II Guerra foi na URSS, na qual a Alemanha levou a cabo uma política genocida. E essa mortandade já tinha em grande parte sido concluída em meados de 1944.
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De Cristina Torrão a 20.07.2019 às 18:26

Foi o que disse o apresentador do Noticiário da ZDF na quinta-feira.
E é sabido que o assassínio de judeus, nos campos de concentração, foi maior na fase final da guerra. Por um lado, a "máquina estava oleada"; por outro, parece ter havido uma preocupação dos nazis em esconder o que realmente se passava nesses campos (como se fosse possível...).
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De Luís Lavoura a 20.07.2019 às 17:01

se o atentado do coronel Claus von Stauffenberg tivesse sido bem sucedido, teria sido assinado um armistício com os Aliados

(1) Sabe-se lá se teria. Os conspiradores eram (segundo a wikipedia) conservadores e nacionalistas, que queriam que a Alemanha ficasse com a Alsácia, partes da Polónia, a Áustria e os Sudetas. Não é líquido que tais teses - que seriam inaceitáveis para os Aliados - pudessem ser vergadas num armistício.

(2) Armistício com os Aliados talvez, mas com a URSS não - e a guerra com a URSS é que era verdadeiramente mortífera. A URSS não aceitaria fazer armistício com tipos que tinham participado numa agressão genocida contra ela. A URSS estava ali para esmagar a Alemanha, não para fazer conversações com ela.

Enfim, nem eu nem a Cristina sabemos o que teria acontecido.
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De Cristina Torrão a 20.07.2019 às 18:29

O armistício fazia parte dos planos de von Stauffenberg. Como teriam corrido as negociações, isso não se sabe, realmente.
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De Luís Lavoura a 20.07.2019 às 18:37

Armistício na frente ocidental, sem dúvida. Duvido que ele tivesse intenções, ou ilusões, sobre um armistício na frente Leste.
E, sem armistício na frente Leste, não haveria armistício na frente ocidental. Porque os EUA não estavam ali para combater a Alemanha, mas sim para impedir que Estaline ocupasse a Europa toda.
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De Cristina Torrão a 20.07.2019 às 18:54

Bem, a URSS podia ser realmente um problema...
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 13:51

"Porque os EUA não estavam ali para combater a Alemanha, mas sim para impedir que Estaline ocupasse a Europa toda."

Isso não é verdade. Houve tentativas no final da guerra, nomeadamente por Himmler, de assinar um pacto com os aliados para, conjuntamente, avançarem sobre a URSS. Proposta essa rejeitada, pelos americanos , que viam na derrota, no esmagamento alemão, o objectivo.
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De Cristina Torrão a 20.07.2019 às 18:45

Claus von Stauffenberg pretendia evitar a destruição da Alemanha (como veio a acontecer) e talvez salvaguardar algum poder de negociação. Quem sabe, os Aliados teriam cedido neste ou naquele ponto.

Essas partes da Polónia de que fala eram os territórios da Prússia Oriental (o meu sogro era originário dessa região). Nos últimos meses da guerra, deu-se um verdadeiro êxodo dos alemães que lá viviam, assim como dos Sudetas. Os da Prússia Oriental tinham medo dos russos, que se aproximavam, e a maior parte desses fugitivos eram mulheres, crianças e velhos, porque os homens em idade militar tinham sido alistados. Sei que muitos da Prússia Oriental atravessaram uma parte do Mar Báltico que gelava, no Inverno, mas que quebrou em vários pontos, engolindo pessoas e animais (que puxavam os carretos, estes desapareciam inteiros nas águas geladas).
O meu sogro foi alistado com 18 anos, o pai dele também era combatente. A mãe do meu sogro teve de fugir sozinha com seis filhos. Duas raparigas ficaram perdidas da família durante cerca dois anos. O meu sogro ficou preso na União Soviética, também durante dois anos. Teve sorte, sobreviveu. Caso contrário, eu não estaria aqui, pois o meu marido não teria nascido e eu dificilmente viria para a Alemanha.
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De Luís Lavoura a 21.07.2019 às 18:58

O maior naufrágio da história, em número de mortos, foi precisamente o de um navio (não-militar) alemão que, em 1945, transportava refugiados da Prússia Oriental para a Alemanha propriamente dita. Foi torpedeado por um submarino soviético. Morreram cerca de quatro mil pessoas.
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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 19:25

Sim, foi o Gustloff. O meu sogro contava que a mãe dele estava na fila para embarcar nesse navio, com os filhos, mas não arranjou lugar.

Não posso confirmar e, nas famílias, conta-se muita coisa (principalmente, em histórias de guerra), mas não deixa de ser interessante. Se tiver ocasião, ainda falo com a única tia viva do meu marido sobre essa história. Vai ser, porém, difícil, ela mora longe e não contactamos muitas vezes.
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De A. Freitas a 21.07.2019 às 14:43

"(1) Sabe-se lá se teria."
Claro, podia acontecer mas parece-me pouco provável. Havia muita gente na Alemanha interessada na guerra. Com ou sem Hitler queriam-na. A versão (corrente sobretudo entre quem não percebe nada de História nem de Política) de que guerra se deveu aos maus fígados de Hitler não tem substância. Espalhou-se essa ideia mas só serve para branquear o imperialismo alemão. De qualquer modo parece-me justo homenagear quem tentou opor-se à guerra, incluindo Claus von Stauffenberg que deve ser visto nesta perspectiva e não como quem quis matar o ditador. E não esqueçamos de que quando homenageamos um vencedor não significa que estejamos a regozijar-nos com a morte e sofrimento dos que foram derrotados (muitos deles inocentes).
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De Luís Lavoura a 20.07.2019 às 17:40

Sobre este assunto, vale a pena ler

http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2019/07/o-atentado.html
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De Cristina Torrão a 20.07.2019 às 18:32

Obrigada pelo link. Mas não vejo como esse texto contrarie aquilo que escrevi.
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De Luís Lavoura a 20.07.2019 às 18:35

Eu não disse que contrariasse...
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De Anónimo a 20.07.2019 às 18:45

Comentário apagado.
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De Cristina Torrão a 20.07.2019 às 18:57

Caro campião, não me entenda mal. Eu não quis dizer que teria pena do Hitler, se ele tivesse sido realmente despedaçado pela bomba...
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De Anónimo a 20.07.2019 às 20:08

Cara Cristina Torrão, não a entendi mal e nem sequer a confrontei, dei apenas a minha opinião depois de ler a sua pergunta, ainda que pudesse ser retórica. Considero que a mesma faz todo o sentido mesmo que a minha vontade seja de festejar todos os atentados que Hitler sofreu. Retirei depois o meu comentário porque continha números dos quais não estou certo da exatidão e os seus leitores estavam, precisamente, a discutir os seus números com grande paixão. Considerei melhor não os distrair com os meus...

PS: e tratei-a por tu apenas porque é o meu tratamento preferencial nesta plataforma, não há cá falta de respeitos. Foi um prazer.

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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 09:33

Tudo bem. Apareça sempre!
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De Pedro Correia a 20.07.2019 às 22:00

Escrevi sobre ele aqui, Cristina. Já lá vão uns anos:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/311126.html

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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 09:41

Obrigada pelo link, Pedro.

Regimes baseados no medo e na repressão, que ocupa os lugares mais altos do poder com assassinos e psicopatas - o terror sobre a Terra, Deus nos livre deles! Infelizmente, porém, a ordem mundial toma novamente um rumo perigoso...
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 00:22

Todos os alemães sabiam o que se passava nos KK de Dachau (a 5 km de Munique), ou Buchenwald (a 8 km de Weimar).
Questionar moralmente a comemoração da Operação Valquíria, cujo objectivo era a eliminação de Um psicótico, responsável pela morte de Sessenta milhões de pessoas, é lächerlich.
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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 09:56

Não sei se todos sabiam. Olhe que havia portugueses, no tempo da ditadura, que não sabiam o que se passava nos calabouços da PIDE.

Mas é verdade que, entre estas pessoas, há duas possibilidades:
- aquelas que não sabem por ignorância mesmo
- aquelas que desconfiam, mas fecham os olhos ao terror

Devemos censurar duramente estas últimas? O regime nazi baseava-se no medo, as pessoas tinham medo. E, quando se é um cidadão comum, com família para criar, muitas vezes, refugiamo-nos na nossa vida, que desejamos ideal.

Agora lembrei-me da antiga secretária de Hitler, Traudl Junge. Foi baseado nas suas memórias que se fez o filme "Der Untergang" (em português, "A Queda - as últimas horas de Hitler", com Bruno Ganz). Durante décadas, Traudl Junge calou as suas memórias, escudando-se sempre que não sabia o que realmente se passava, que era nova demais para compreender, apesar de ter trabalhado directamente com Hitler. Uma vez, porém, já idosa, passou, em Berlim, junto ao monumento a Sophie Scholl (estudante decapitada em 1943, com 22 anos, por fazer oposição ao regime nazi). E reparou que a Sophie Scholl era um ano mais nova do que ela. Nessa altura, pensou: eu sabia, se quisesse, era só querer; fui cobarde, tive medo (eu vi-a a fazer estas declarações na televisão). Desde esse momento, não mais descansou, enquanto não contou tudo. Queria fazer isso antes de morrer. E, de facto, morreu poucos anos depois, em 2002.
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 11:31

Mas é verdade que, entre estas pessoas, há duas possibilidades:
- aquelas que não sabem por ignorância mesmo
- aquelas que desconfiam, mas fecham os olhos ao terror

- aquelas que eram vergonhasamente cobardes.

A questão, como acutilantemente apontou Daniel Jonah Goldhagen, no seu livro, Genocidio, residia no seguidismo acéfalo dos alemães perante as ordens ditadas pelo governo nazista, não por causa da ameaça premente às suas vidas, ou uma incapacidade ingénita de reflexão, mas por essa ser uma "mania" cultural, de então (?), que orgulhava os alemães - A Comunidade acima do Individuo e a Eficiência no Trabalho ordenado pela Autoridade (de entre as potências europeias , só a Rússia ficou atrás, da Alemanha, quanto à adopção do Liberalismo Politico no séc. XIX). Houve muitos oficiais da Wermacht e pessoal administrativo do Reich que se mostraram publicamente reticentes perante as ordens emitidas pelo Governo/ Directores de Serviços do Reich, não tendo, aqueles sido presos, ou assassinados, mas apenas recolocados noutros serviços/unidades/departamentos- ex: houve, inclusive elementos das SS-Totenkopfverbände que se recusaram a trabalhar nos KK, tendo, apenas, sido mudados de unidade, como tão bem aponta o livro, Genocidio, de Daniel Goldhagen.

https://www.leyaonline.com/pt/livros/historia-e-politica/politica/a-pior-das-guerras/


Deixo aqui umas referências de um livro, de uma entrevista e de um documentário que espero que lhe interessem:


https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq251024.htm

https://www.wook.pt/livro/hitlers-willing-executioners-daniel-jonah-goldhagen/235124

An exploration of German society and its ingrained anti-semitism that demands a fundamental revision of our thinking about the years 1933-1945. The author aims to show that the perpetrators of the Holocaust were ordinary Germans who were not compelled to kill, but did so willingly and zealously.

Professor Goldhagen Hitler's Willing Executioners


https://youtu.be/pNzcInVPMEc

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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 18:07

"perpetrators of the Holocaust were ordinary Germans"

Caro Pedro, esta frase tem muito que se lhe diga. "Ordinary people" é capaz de muita coisa, seja na Alemanha, em Portugal, na Inglaterra, na América, ou em qualquer outro país.

Há uns anos, escrevia eu no meu blogue:

«Perante atrocidades, muita gente se pergunta: como é possível que haja pessoas capazes de fazer tal aos seus semelhantes? Podemos apelidá-los de humanos?
E eu pergunto: quantos de nós estariam dispostos a cometer atrocidades, se tais actos fossem aceites e legitimados pela lei e ainda nos pagassem (e bem) para fazermos isso?

Muitos mais do que imaginamos!

Às vezes, penso que anda muito instinto sádico recalcado, por aí, à espera de uma oportunidade para se soltar. Por mais que nos horrorizemos, os crimes nazis (e isto, só para dar um exemplo) foram exercidos por humanos, por gente igual àquela com que nos cruzamos nas ruas, todos os dias. Assim como (a uma menor escala, mas não menos trágico para as vítimas) os pides eram pais de família, que circulavam pelas ruas, iam a festas e restaurantes, o que a maioria continuou a fazer, passada a euforia revolucionária e um pequeno período de cadeia».
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 11:44

Os soldados alemães que trabalhavam nos Campos, ou que lutavam nas Einsatzgruppen, ou nas unidades Waffen SS, informavam, orgulhosamente, os familiares, aquando do envio das suas cartas, contendo, muitas delas, fotografias, dos massacres cometidos, sobretudo no Leste, atestando, assim, a normalidade com que uns e outros, mais a comunidade, no geral, os encaravam.

Em Portugal eram mais os informadores da PIDE e os colaboracionistas, por acção, ou omissão, que os ignorantes. Uma cambada de cobardes.
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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 12:11

Ditadores como o Hitler sabem aproveitar o que de pior existe na humanidade. São mestres da manipulação e valorizam precisamente aqueles que são cruéis, os mesmos que, normalmente, não teriam hipóteses de atingir notoriedade. Como Trump e Bolsonaro. Ainda se está para ver os estragos...
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 15:59

Hitler nada tem a ver com Bolsonaro, ou Trump. Hitler era positivamente um chanfrado, seguido, medicamente, por um outro chanfrado, o Dr. Morrel que lhe injectava testosterona porcina e anfetaminas, contra a opinião dos outros médicos do Führer. Curioso seria saber até que ponto a medicação, prescrita pelo Dr. Morrel, teve influência no decorrer da guerra e nas decisões erráticas de Hitler.


https://youtu.be/yr2yzo1RUIM
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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 18:10

Bem, no que respeita a Trump, não sei. Já o Bolsonaro tem aspecto de quem lhe injecta muita coisa. Atente nos olhos dele!
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 11:49

Adenda:

Em Portugal , durante o Estado Novo, 70% da população era analfabeta. Veja a percentagem na Alemanha de 33-45. Se quisesse desculpar a ignorância nacional podia seguir por aqui.
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De Cristina Torrão a 21.07.2019 às 12:07

Bem, quanto ao analfabetismo, não há dúvida, tem razão. Ainda não tinha reflectido sobre isso.

Obrigada pelos links.
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De Anónimo a 21.07.2019 às 11:26

E os portugueses, como o Visconde do Porto da Cruz, que mesmo sabendo tudo isso em primeira mão (estava em Berlim em 44-45), continuou a louvar Hitler e o nacional-socialismo? Veja-se o livro que publicou em 46, Como eu vi o fim da guerra na Alemanha. Recomendo vivamente.
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 13:47

Obrigado pela referência
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De Rui Henrique Levira a 24.07.2019 às 00:53

E um português como António de Oliveira Salazar que ordenou bandeira a meia-haste em sinal de luto pelo passamento do seu admirado ídolo de bigodinho patético.
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De Luís Lavoura a 21.07.2019 às 19:02

Dachau e Buchenwalr não tinham fornos crematórios.
Majdanek situa-se a menos de três quilómetros da estação de comboios de Lublin (a principal cidade do sudeste da Polónia). E tinha fornos crematórios. Quando queimavam os corpos, o cheiro sentia-se no centro da cidade.
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De Vorph Valknut a 21.07.2019 às 21:47

Dachau e Buchenwalr. E.... ?? Não me diga que ,por fora, passavam, aos passeantes incautos por residênciais. Veja as fotografias.

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ilse_Koch

Num e noutro pereceram 100.000 pessoas.

Sachsenhausen estava a 30 km de Berlim.
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De Rui Henrique Levira a 24.07.2019 às 00:47

Se Von Stauffenberg tivesse conseguido os seus intentos, o que teria acontecido era que ele iria tentar fazer aquilo que foi o seu intento desde o início: fazer a paz com o Reino Unido e os EUA e conseguir o seu apoio para continuar a guerra contra a URSS. Aliás, foi o rumo desastroso da guerra a Leste que fez o bom do Conde subitamente compreender que Adolf Hitler não servia. Só mesmo Hollywood para fazer de Claus Von Stauffenberg - um aristocrata ultra-reaccionário intelectualmente criado nos racistas movimentos Volkish germânicos de entre-guerras - o apaixonado democrata que aparece no filmezinho estrelado pelo Tom Cientologista Cruise. Estamos, nada mais nada menos, no campo da História Pós-Verídica.
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De Rui Henrique Levira a 24.07.2019 às 01:04

Quanto ao filmezinho do Bryan Singer, ele não passa de mais um contributo inteligente para aquilo que passou a ser a política ocidental em relação à Alemanha logo após o término do conflito: a partir daí, o inimigo era outro - a URSS - e o povo alemão tinha de ser metido no vagão da luta anti-comunista. Em poucas décadas - mais desnazificação cosmética menos desnazificação cosmética - só Hitler e mais meia dúzia de dignatários nacional-socialistas é que poderiam ser considerados nazis. O resto só lá foi ver a bola...

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