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Até sempre, Barata

por Pedro Correia, em 29.05.20

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Sou há muitos anos cliente assíduo da Livraria Barata, na Avenida de Roma. Tenho até cartão de cliente, que permite um desconto residual em livros, de que ali me abasteço regularmente. Também nesta livraria lisboeta habituei-me a comprar com regularidade imprensa estrangeira há quase década e meia.

Desde que foi declarada a pandemia, a Barata fechou - como aconteceu com todos os estabelecimentos do ramo, que já atravessavam uma severa crise antes de o Presidente da República e o Governo - sabe-se lá porquê - terem considerado que as livrarias não mereciam ficar abertas durante o "estado de emergência". Ao contrário dos quiosques, das mercearias e das tabacarias. 

Na altura, não ouvi um sussurro de protesto dos chamados "agentes culturais". Todos acenaram, em sinal de concordância.

 

Entretanto, a Barata reabriu.

Acontece que desde então já tentei duas ou três vezes, mas ainda não consegui lá entrar. Motivo? Embora tenha uma área muito grande, só permitem um máximo de dez pessoas dentro do estabelecimento.

Em pelo menos duas ocasiões vi uma fila à porta, estendendo-se para o passeio: gente forçada a usar máscara, aguardando à torreira do sol, suando em bica, com notório desconforto.

Disse logo com os meus botões: nem pensar em aturar isto. E rumei a outras paragens.

 

Hoje, ao fim da manhã, tentei uma vez mais - talvez a última - entrar na Livraria Barata.

Não vi nenhuma fila à porta, fui avançando. Deparo-me então com o Presidente da República, mais a respectiva comitiva, acrescida de um batalhão de jornalistas. Todos juntos, perfaziam mais do dobro do limite máximo de pessoas estipulado. As regras "rigorosíssimas" haviam sido mandadas às malvas.

Disseram-me que Marcelo Rebelo de Sousa estava ali para "declarar o apoio" à livraria, que enfrenta sérias dificuldades de tesouraria, sem saber se conseguirá pagar os salários neste fim de mês. Aplaudo a generosidade do Chefe do Estado. E espero que Marcelo faça o mesmo com milhares de outras empresas deste país onde muita gente trabalha sem ver a remuneração a que tem direito. Pelo mesmíssimo motivo.

 

Tudo isto é muito bonito. Acontece, no entanto, que voltei a ver-me impedido de ali entrar. Escorraçado pelo sol, pelas filas, pelas absurdas regras de "confinamento" e hoje até pelo Presidente da República mais a sua comitiva.

Sem acesso à livraria, rumei ao talho mais próximo, onde me abasteci de imediato com 600 gramas de entrecosto, e vim para casa preparar o almoço. Despedindo-me da Barata, por prazo indefinido. Com um até para o mês que vem ou um até nunca mais, não faço ideia.

Há sempre um fim para tudo.


64 comentários

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De V. a 29.05.2020 às 16:16

Bai bai — também comigo a última vez que lá fui foi mesmo a última. Já não têm maneiras há muito tempo, não foi agora com a gripe chinesa.
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 21:49

Uma livraria com a corda na garganta forçar pessoas a aguardar vez para entrar, ao sol, no passeio, devido a absurdas "regras sanitárias" impostas pelo mesmo Governo que autoriza lotação esgotada nos voos comerciais em que as pessoas vão encostadas umas às outras.
Eis algo que raia o delírio ou a alucinação. E ainda dizem que querem "apoiar a cultura"...

A ida do Presidente da República à livraria, de máscara e luvas como se estivesse em zona de guerra, em vez de incutir segurança só afugenta ainda mais as pessoas: dir-se-ia que enfrentava território minado.
Só faltou levar colete antibalas para dentro da Barata.

Enquanto ele e a comitiva lá se demoravam, no ar condicionado, os clientes impedidos de entrar, uma vez mais, aguardavam cá fora, pingando suor, com aquela típica resignação mansa dos portugueses.

Eu não: tinha ali o talho à minha espera. Aviei-me em dois minutos, sem me fazerem esperar.
Belo arroz de entrecosto para o almoço.
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De Anónimo a 29.05.2020 às 23:04

Ora aí está uma maneira de acompanhar o entrecosto! Nunca me tinha lembrado.
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 23:13

Sai-me sempre bem.
Fica o entrecosto posto em sossego, absorvendo temperos: uma colher de massa de pimentão, uma pitada de cominhos em pó, alho, louro, um pouco de alecrim - tudo regado com um copo de vinho branco.

Hora e meia depois, derrete-se uma colher de sopa de margarina num tacho. Juntam-se uns pedaços de chouriço e o entrecosto devidamente escorrido. Frita-se uns minutos em lume forte antes de ser retirado com escumadeira. Na gordura remanescente, pica-se uma cebola e uma malagueta. Vai-se mexendo e refogando sem alourar. Devolve-se então o entrecosto ao tacho, mais os pedaços de chouriço.
Junta-se polpa de tomate (três colheres) e o marinado do início.
Mexe-se e tapa-se, com a chama em lume forte.

Passados 4/5 minutos, junta-se caldo de carne (2 chávenas). Mais 10 minutos ao lume.
No fim, já com chama média acrescenta-se o arroz. Um quarto de hora depois está pronto a comer.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.05.2020 às 11:45

Que descrição supimpa, Pedro!
Na generalidade, os homens que sabem cozinhar, cozinham a olho. Pelo menos quase todos os que conheço. Sai bem, mas tem quase sempre variações que dependem da exactidão da fórmula.
O Pedro descreve tal e qual um Chef!
Amanhã experimento " mandar fazer", ou pedir, vá. Entrego a receita e aguardo.
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De Pedro Correia a 30.05.2020 às 12:59

Já estou muito rodado nesta, Maria Dulce. É um dos meus pratos preferidos - a par de caldeirada de peixe, que exige passagem prévia pelo mercado de Alvalade.
Cozinhar relaxa-me e diverte-me. E gosto de ir mudando receitas ao sabor do improviso, o que também faz parte do jogo lúdico.
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De Anonimus a 29.05.2020 às 16:17

Tudo tem um final.

O PR é um palerma. Infelizmente, nessa massa de acompanhantes travestidos de jornalistas, não existe um com tubérculos para lhe perguntar como acha que a Barata sobrevive com 10 pessoas de cada vez, se pretende visitar as outras "Baratas", e porque raio a trupe do microfone não tem de manter 2 metros de afastamento entre si.
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De Carla Ribeiro a 29.05.2020 às 19:16

Talvez seja a mesma lógica que explica porque é que o vírus pode estar em livros e latas de feijão mas não em jornais. Ou porque é que uma tabacaria pode abrir mas uma livraria não...
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 21:51

Pena não haver ministra da Cultura. Se houvesse, talvez dissesse alguma coisa sobre este disparatado e rígido 'numerus clausus' imposto em livrarias que deviam merecer apoio.
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De jpt a 29.05.2020 às 22:45

Isso mesmo Carla Ribeiro
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De Anónimo a 30.05.2020 às 08:03

"O PR é um palerma. Infelizmente, nessa massa de acompanhantes travestidos de jornalistas, não existe um com tubérculos para lhe perguntar como acha que a Barata sobrevive com 10 pessoas de cada vez, se pretende visitar as outras "Baratas", e porque raio a trupe do microfone não tem de manter 2 metros de afastamento entre si."


Ou seja "o rei vai nu" , e como a inteligência de um povo converge para a dos seus jornalistas as coisas só vão piorar. Espere pela altura em que todos pensem da mesma maneira...


lucklucky
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De jpt a 29.05.2020 às 22:46

Dado que assino o que escrevo na internet é-me vedado legalmente escrever ou subscrever o que o anónimo aqui escreve sobre Marcelo Rebelo de Sousa, o pior político que nesta República se alcandorou ao poder. Mas posso dizer, ainda que não sendo jurista, que é execrável.
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De Pedro Correia a 30.05.2020 às 11:15

Estás protegido pelo direito constitucional à liberdade de expressão, bem como pela jurisprudência da justiça comunitária sobre esta matéria.
Nem sequer o famigerado "estado de excepção" condicionou este direito, embora tivesse lesado alguns outros.
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De Anónimo a 30.05.2020 às 11:39

Todos se queixam dos politicos profissionais mas sempre que aparece alguém fora do sistema que está montado, tem votações muito baixas como se viu nas ultimas eleições presidênciais onde 2 candidatos apresentaram ideias claras e concisas do que pretendiam realizar.
Obviamente já não dou para esse peditório que a culpa é dos politicos, ou do sistema, a culpa é nossa porque queremos tudo de mão beijada e estamos dispostos a trocar a nossa decência por umas migalhas e depois ainda temos a lata de dizer que a culpa é dos politicos.
Existe um caso recente de um politico recèm-eleito que se apresentou com um programa e ao fim de 35 dias já o estava a estilhaçar e depois querem-se levar a sério.

WW
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De Anónimo a 29.05.2020 às 16:22

Outra vez a menina?...

Que impede entradas, que faz suar a torreira do sol os seus clientes, mas afinal
quem é esta menina?


(Estou sarapantado)

Miguel Nunes
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 21:54

Não era menina. Era menino, de cabelo grisalho, com luvas cirúrgicas além da máscara - não fosse infectar-se com alguma capa de livro.
Enquanto a malta aguardava lá fora, impedida de entrar. E a Livraria Barata perdia mais alguns clientes. A começar por mim.
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De Bea a 29.05.2020 às 16:41

É também isso. Talvez a Livraria beneficie da chamada de atenção do senhor presidente. Mas é um facto que há muito quem precise e ele não chegaria para as encomendas. Já decidi que vou encomendar os livros pela net quando termine os que ainda não li e andavam em pilha por aqui. Bem sei que não é a mesma coisa, gosto de ler os títulos, me sentar com este ou aquele que me surpreenderam, ler um bocadinho...e nada. Mas não estou para ficar em fila e de máscara, mesmo que não seja na rua. Isto há-de voltar a ser parecido com o que foi. Ou passo a encomendar tudo. Lá se vai também o meu prazer de andar de loja em loja a experimentar baratezas e a ficar ciente de como envelheci que os espelhos bem iluminados das salas de prova são de uma impiedade rigorosa. Agora é que vou gastar tudo, mas mesmo tudo, que tenho em casa:).
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 22:06

Aguardo com expectativa qual será a próxima "empresa em dificuldades" a visitar pelo Presidente. A lista é inesgotável.
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De Luís Lavoura a 29.05.2020 às 17:34

A Barata era uma livraria pedante, com aquele chão a imitar calçada portuguesa. Nunca gostei. Quando ia para aqueles lados, frequentava sempre somente a Bertrand que fica ao lado da Barata. Espero que a Bertrand perdure.
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 21:56

A Bertrand continua ao lado da Barata. Dizem-me que o Presidente também lá entrou. Nessa altura já eu estava a milhas.
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De o cunhado do acutilante a 29.05.2020 às 18:04

Impressionante!...pela negativa.
Mas afinal que raio de crânios rodeiam o presidente?
Eu dir-lhe-ia isto:
- Senhor Presidente; onde vai?
- Então não vês? Vou travar mais um pleito esclarecedor sobre o bom desenvolvimento da economia, que anda para aí muito dissidente que não faz outra coisa que dizer que só sei ir para a praia.
- Senhor Presidente: só é fecundo o que for discreto.
Resultado: o Pedro Correia entrava na livraria, era gentilmente atendido pela menina, folheava, bisbilhotava, desarrumava, desirmanava a estante a seu bel-prazer sem o incómodo do Presidente a atrapalhar.
Por sua vez a menina, muito sorridente e educada, ia arrumar tudo fervendo por dentro pela ausência do Senhor Presidente, que dava azo a ter de suportar clientes verdadeiramente insuportáveis.
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 22:12

O pior é que perdi uma conferência de imprensa da ministra da Saúde, que terá ocorrido à mesma hora.
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De o cunhado do acutilante a 29.05.2020 às 23:03

O melhor é que ganhou um entrecosto que nunca lhe perdoarei se não vier cá dizer como o confeccionou.
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 23:05

Fácil, fácil. Parafraseando o presidente do meu clube.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 29.05.2020 às 18:12

Pedro, deveria ter-se feito ouvir e depois, sim, mandar tudo às malvas. Não é que goste de ver ou dar show de borla. Aprecio é ouvir gente que, perante outra gente, sobretudo "momentosa" , não deixa que o momento fruste a oportunidade de dar duas de razão.

Seria um Delito na primeira pessoa.

Espero que tenha gostado do entrecosto...fotografias, não há? Vinho? Não consigo com este calor beber maduro.
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De V. a 29.05.2020 às 18:36

Do género: o nosso ilustríssimo anfitirião metia a cabeça dentro do túnel (*) da loja e gritava lá para dentro:

— sayonara cockroach!


(*) Para quem não conhece o sítio, a porta da rua dá para um corredor com vitrines e revistas antes da livraria propriamente dita
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 22:10

Fotografias, hão-de aparecer por cá novamente um dia destes.
O vinho escolhido, desta vez, foi Quinta dos Castelares (Douro, 2018). Excelente relação qualidade-preço.
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De V. a 29.05.2020 às 18:30

É pena no entanto que vá ficar para sempre a dúvida se foi o

1. Acordo Ortográfico — esse nojo
2. serem mal-educados
3. ou a gripe chinesa

aquilo que os matou.

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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 22:05

Se fosse há cem anos, a principal suspeita seria a gripe espanhola.
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De Rão Arques a 29.05.2020 às 19:03

Com a febre da propaganda para reeleição histórica, Marcelo em vez de ajudar, arranja esquemas de esperteza para ele próprio, que só atrapalham a vida ao comum dos cidadãos.
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 22:01

Cada vez que o PR vai a algum lado, de máscara e luvas, acolitado por gente que parece integrar uma brigada de desratização, em vez de contribuir para que os compatriotas apareçam por lá só contribui para que evitem tais locais.

Eu jamais frequentarei aquele restaurante onde ele estava à mesa de máscara e luvas, acompanhado pelo chefe da Casa Civil de Belém com uma ridícula viseira. Se calhar até lhes mediram a temperatura à entrada e contaram-lhes as pulsações à saída.

Vade retro, antes ficar em casa.
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De João Lisboa a 29.05.2020 às 20:13

Já fui duas vezes à Barata e estava apenas uma civilizada filinha de 4 ou 5 pessoas (tal como, ao lado, na Barata, onde fui a seguir). Dei até comigo a pensar que nunca imaginara que pudesse, um dia, ver filas de pessoas à porta de... livrarias. Também já investi na Travessa e na Almedina.

Quanto às tolices do Marselfie, é só "business as usual". Mas escusava era de ter goticulado para as TV que é preciso apoiar as "livrarias independentes": a Barata é um soldadinho do império Leya.
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De Pedro Correia a 29.05.2020 às 22:03

Ele não me pareceu hoje nos seus melhores dias. Talvez tenha estranhado o colchão do "hotel de três estrelas na Baixa" onde reza a lenda que havia pernoitado.
Se calhar doía-lhe o pescoço por dormir com viseira.
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De Anónimo a 30.05.2020 às 07:26

Pergunto-me o que terá acontecido à Ulmeiro (na Av. do Uruguai, em Benfica) que esteve para fechar tantas vezes...
Será que resistiu?
Recordo uma visita do Marcelo & comitiva jornalística para comprar livros e tal, com o aparato do costume.
Numa outra vida, no século passado, visitei-a muito (tinha amigos que moravam nesse prédio. Gostava do gato da livraria e do dono que, no meio de toda aquela confusão, encontrava sempre o livro que procurávamos.
🌻
Maria
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De Pedro Correia a 30.05.2020 às 11:11

Ignoro, Maria.
Por motivos óbvios, se há bairro que não frequento em Lisboa é precisamente esse. O de Benfica.
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De Anónimo a 30.05.2020 às 18:16

Ora Pedro, não acredito.
Eu agora não saio daqui, mas antigamente ia a todo o lado: Benfica, Alvalade, Restelo, Porto e Coimbra.
Já não tenho clube nem gosto de futebol...
🌻
Maria
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De Anónimo a 31.05.2020 às 00:30

Esses olhinhos são para o Pedro ou para mim?
🌻
Maria
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De Anónimo a 31.05.2020 às 11:34

Obrigadinha, mas fiquei na mesma.
Em todo o caso é sempre agradável fazerem-nos olhinhos.

Se for para mim:
🌻 🌻 🌻 🌻🌻🌻🌻🌻

Se for para o Pedro:
🦁🦁🦁🦁🦁🦁🦁🦁

Se for para a Catrina:
🕊️🕊️🕊️🕊️🕊️🕊️🕊️🕊️
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De Anónimo a 31.05.2020 às 20:08

Depois de uma malvadez que me fizeram hoje, é um bálsamo chegar aqui e ver isto. :-)
Muito, muito obrigada.

You made my day (whoever you are)!

Beijinhos & abracinhos.
🤗 🤗
Maria

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