Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Até não restar nada para queimar

por Pedro Correia, em 15.08.17

image[2].jpg

 

O País arde. Literalmente. Nunca ardeu tanto como agora. Mais de um terço da mancha florestal europeia queimada ao longo deste ano em toda a União Europeia pertence a este pequeno país com reiterados sonhos de grandeza: 140 mil hectares de zona verde tornaram-se área interdita, carbonizada, danificada, inutilizada. O equivalente a cento e quarenta mil campos de futebol.

Num único dia, sábado passado, houve 268 incêndios - novo e triste e lamentável máximo nacional.

Em muitos destes casos - talvez mesmo na maioria - onde havia árvores nada mais haverá doravante do que mato rasteiro e daninho, futura matéria combustível. Em qualquer dos casos, muitas das populações afectadas - talvez mesmo a maioria - não viverão tempo suficiente para ver crescer árvores outra vez à dimensão de outrora. Numa espécie de prenúncio da morte ainda em vida.

 

Vejo este país a arder. Hoje em Vila de Rei ou Tomar como ontem em Pedrógão. Hoje em Oliveira do Hospital como ontem em Alijó. Hoje em Sabrosa como ontem em Mértola. Hoje em Ferreira do Zêzere e Cantanhede como ontem em Mação ou Abrantes.

As chamas não devastam apenas a paisagem física: destroçam também a paisagem humana e social. Porque as parcelas do País que ardem são as do Portugal desfavorecido, envelhecido, esquecido. Um país que há-de emergir das cinzas ainda mais distante do risonho e soalheiro país litoral, que ocupa sempre a fatia mais volumosa das telediários e das publirreportagens invasoras em grau crescente dos espaços noticiosos, algumas das quais a recomendar-nos hotéis de luxo e restaurantes polvilhados de estrelas Michelin a preços obscenos.

 

Vejo a minha Gardunha a arder, vejo as chamas invadindo essa jóia irrepetível que é a aldeia de Castelo Novo, na vertente sul da serra - e sinto o que sentem tantos outros portugueses perante a destruição de paisagens familiares que lhes são tão queridas.

A fúria, a mágoa, a frustração, a impotência perante o crime e os palradores de sofá em Lisboa que nos intervalos das tricas políticas ainda ousam apontar o dedo acusador aos poucos que persistiam em morar nas zonas agora devoradas pelas chamas, acusando-os de plantar o que não deviam.

Ali quase não havia eucaliptos: havia muitos castanheiros, muitos carvalhos, muitos pomares - com destaque para os cerejais em que se ancorava boa parte da frágil economia local. Tudo isto já pertence ao passado.

 

Empreguei sem reservas nem remorsos a palavra crime porque é disso mesmo que se trata perante fogos iniciados em simultâneo, quase sempre de noite ou de madrugada, em fragas e penedias de difícil acesso. 

É uma palavra de que os políticos fogem, preferindo outras - sem asperezas, sem rugosidades, naquele discurso redondo que tanto cultivam e nada tem a ver com a linguagem comum. Falam nas mudanças climáticas, nos "efeitos do aquecimento global" e nas "décadas de desordenamento das nossas florestas", como se só em Portugal houvesse temperaturas altas e florestas desordenadas.

Refugiam-se no abstracto para iludir responsabilidades concretas.

Nem uma só vez oiço qualquer deles aludir à palavra que parece queimar também. A palavra crime.

 

Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto os políticos continuarem a contornar a questão, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta  catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder.

Até não restar nada para queimar.


56 comentários

Sem imagem de perfil

De Bailarina Da Lua a 15.08.2017 às 11:07

Bom dia !

Que triste realidade ...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:14

Na sequência do drama de Pedrógão, senti tristeza mas senti sobretudo uma enorme revolta - desde logo por ver alguns intervenientes na praça pública resignarem-se ao fatalismo, aludindo à inexorável existência de calamidades naturais.
Agora, que o fogo invade e destrói paisagens que me são familiares desde a minha infância mais remota, sinto também revolta mas sobretudo uma enorme, indescritível tristeza.
Sem imagem de perfil

De Bailarina Da Lua a 15.08.2017 às 16:21

Como eu o entendo Pedro !

Resto de boa tarde .
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:26

Obrigado pelas suas palavras, Bailarina. Boa tarde também para si.
Sem imagem de perfil

De rão arques a 15.08.2017 às 11:31

“Número de incêndios em Portugal volta a diminuir”.
Incompetência e descaramento, como se apenas depois de tudo praticamente ardido é que pudesse diminuir.
Por quanto tempo mais é que se vão permitir as patranhas do chefe Costa com a cobertura de peões que abrem a boca à medida do que ele manda cantar?
Não se pode acreditar que um Pás arda e adormeça enquanto poupa o carregador da tocha.

PENSAMENTO LATEJANTE
É preciso e é urgente exercer o direito cortante à indignação, quando altas figuras do Estado, e seus servidores em função, como os de noticia e opinião, praticam a rastejar o mais alto grau da indignidade.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:17

Quando se alude ao "desordenamento da nossa floresta", as responsabilidades abrangem o poder político central mas também o poder político autárquico, que costuma ser poupado nestas ocasiões. Grande parte da prevenção dos fogos devastadores e assassinos cabe às estruturas autárquicas. Muitas falham por completo nesta missão.
Sem imagem de perfil

De sampy a 15.08.2017 às 22:59

Ora.
Pergunto-me com que espírito estas gentes vão, dentro de mês e meio, ser chamadas a votar. O que pensarão ao olharem para aqueles boletins de voto. E o que farão.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 23:18

Questiono-me o mesmo em relação a vários destes municípios. As responsabilidades dos autarcas não podem ser escamoteadas.
Sem imagem de perfil

De Beatriz Santos a 15.08.2017 às 12:02

É uma lástima e uma tristeza que nos entra sem remédio. A maldade mata tudo que encontra. Crimes, sim. Criminosos, pois. Com a nossa triste conivência .
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:19

Sim, Beatriz. O termo é este: assassinos. É certo que as chamas matam, destroem, devastam.
Mas o verdadeiro homicida é quem pega fogo. O delito de lesa-património natural, a partir de certas proporções, tem de estar equiparado ao homicídio.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 16.08.2017 às 11:19

O delito de lesa-património natural, a partir de certas proporções, tem de estar equiparado ao homicídio.

Que proposta indecente.

O Pedro saberá que, quando alguém ateia (voluntária ou involuntariamente) um fogo, não pode saber que proporções esse fogo assumirá. E essas proporções dependem em larga medida de terceiros (dependem de o fogo ser rapidamente combatido ou não).
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.08.2017 às 12:09

"Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta  catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder.
Até não restar nada para queimar."

Os incêndios florestais nasceram e cresceram com o regime que nos desgoverna.
São apenas a mais impactante revelação de toda uma política de terra queimada.
Literalmente!
Porque não ardem só as florestas.
Ardem também a nossa identidade, as nossas melhores empresas e os nossos melhores recursos.
A nossa classe política vendeu a alma ao diabo em troca de um prato de lentilhas para si e de uma mão cheia de nada para o povo.
Quarenta e tal anos de incêndios é muito tempo para quaisquer desculpas ou explicações.
Diga-se o que se disser, não há voltar a dar:
- os criminosos são eles;
- os cúmplices somos nós que reiteradamente os elegemos.
"Noção inequívoca"!
João de Brito


Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:21

Acho espantoso chegarmos ao ponto a que chegámos e ainda não ter havido um pacto nacional, interpartidário, para o combate a este flagelo - mesmo com as palavras e os gestos de incentivo do Presidente da República.
O Parlamento aprovou um mero paliativo, ao jeito de quem assobia para o lado, e foi de férias, deixando o País a arder. Lá para Outubro, se lhes apetecer, os senhores deputados voltam a pensar no assunto.
Sem imagem de perfil

De sampy a 15.08.2017 às 23:04

Espantoso? Ainda bem que há alguém que consegue preservar-se do cinismo.
Para mim, o espantoso seria exactamente o contrário.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 23:20

Reitero que para mim é espantoso. Se existe prioridade nacional, é mesmo esta.
Sem imagem de perfil

De sampy a 16.08.2017 às 01:19

Concordo na prioridade, mas a movimentação terá (teria) de vir da sociedade civil e acontecer localmente. O poder central encontra-se completamente cativo e bloqueado.
Todavia, também é sabido que todas as acções de valor que possam vir a ser empreendidas neste âmbito e que tentem curto-circuitar os esquemas de compadrio e corrupção instalados serão rapidamente anuladas. A história que o PA está a contar no Portugal Contemporáneo é verdadeiramente paradigmática.
A única saída: como antigamente, fazer o que se tiver de fazer, pela calada. E não ter medo de usar uma arma.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 15.08.2017 às 13:44

Esta tragédia faz parte da "maior reforma da floresta desde o D. Diniz": arder até à última árvore. Nem as árvores que o Medina mandou plantar no Saldanha escapam.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:29

Essa frase que citou é de uma jactância e de uma imbecilidade sem limites. E um insulto aos largos milhares de portugueses que jamais esquecerão este trágico Verão de 2017.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Policarpo a 15.08.2017 às 18:22

Está de acordo com quem a disse. E eu conheço-o há mais de 30 anos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 18:38

Ele pode orgulhar-se de ter proferido uma das frase do ano.
Uma das frases mais imbecis do ano, quero dizer.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 15.08.2017 às 14:12

Sempre houve incêndios florestais. Nunca os houve tão numerosos nem de tamanha envergadura como os deste ano.
Era eu miúda e os meus pais iam levar agua e leite aos militares que, ao lado dos bombeiros, combatiam o fogo na Serra de Sintra. Todos os anos a Serra ardia. Durante muito tempo a serra ardeu.
Há muitos anos que a dualidade Sintra -Fogo foi praticamente extinta. Algo se fez ? Sem dúvida que sim. E a Serra de Sintra, um dos pontos fortes do turismo no momento, também é habitada, com casas, casinhas, casebres, palácios e construções devolutas. Houve ordenamento florestal? Acredito que sim. Se é um exemplo a aplicar? Se é comprovadamente um bom exemplo de ordenamento florestal, porque não? Já foi a Serra da Morte, agora é um paraíso verde. Se houve interesses por detrás do ordenamento ? Provavelmente. Porque não criar interesses por este país fora ? Porque não aplicar penas de prisão perpétua aos incendiários? Porque não obrigar a um referendo sobre o ordenamento florestal um PutOutIt, ou PutItOut ... once and for all.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:34

Fez-se em Sintra, como se fez no Gerês e noutros locais do País. E a palavra-chave é esta: vigilância.
Qualquer estratégia nacional de combate a este flagelo passará sempre pela reposição dos sapadores florestais que durante décadas acautelaram a progressão de fogos nas matas.
Tendo 90% dos fogos origem criminosa, como o próprio Governo reconhece, e não resultando de inevitáveis causas exteriores à acção humana (como a tal árvore assassina que o agora tão calado director da PJ pretendeu apontar ao País como origem do fogo de Pedrógão), a primeira etapa terá de passar sempre pela reactivação dos postos e das brigadas de vigilância florestal.
O resto é demagogia política que já não ilude ninguém.
Sem imagem de perfil

De kika a 15.08.2017 às 14:14

Sinto o coração apertado com tantas mortes ,
destruição e desolação... mas alguns independentemente
deste estado de sítio, andam todos contentes.
Num país onde as vacas andam a voar ,o que nunca tinha acontecido
antes, é tudo normal nem se pode fazer de outra forma.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:38

Eu compreendo que os telediários têm de ser feitos - e alguns continuam a durar mais de hora e meia, coisa única na Europa a que pertencemos.
Mas choca-me ver metade dos noticiários televisivos preenchidos com esta tragédia nacional do fogo que devasta a paisagem humana e ambiental do País enquanto a outra metade é preenchida com festarolas e folguedos, além de "sugestões de férias" a preços pornográficos.
Sem imagem de perfil

De João Marques a 15.08.2017 às 14:27

"É a palavra de que os políticos fogem"!

É a vergonha deste país. Há um saudosismo da classe política em relação à época não longínqua da classe que apreciava pensar por nós. Há uma apatia cúmplice daquilo que se faz passar por comunicação social. Há um argumentário conivente pela gente que manda subalternos com pouco auto estima falar de relâmpagos em árvores, falar do mítico "eucaliptal", falar das armas que afinal eram sucata. Há uma cumplicidade criminosa desta maldita gente, por locução e por inacção.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:39

Quase coro de vergonha ao lembrar-me das palavras irresponsáveis do director da PJ apontando ao País a árvore onde começou o trágico incêndio de Pedrógão. E questiono-me o que será feito do senhor, que desde então tem permanecido tão calado.
Não há mais árvores assassinas para mostrar aos portugueses?
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 16.08.2017 às 11:23

Não há mais árvores assassinas para mostrar aos portugueses?

Ainda agora houve uma no Funchal. Matou só por si um terço do número de pessoas que morreram em Pedrógão.
Sem imagem de perfil

De rão arques a 15.08.2017 às 14:27

LATEJANTE A FERVER
Só um pantomineiro da pior espécie pode vir alegar "aproveitamento político" perante as posições criticas assumidas por vastos setores, tanto das oposições como até dos aliados arregimentados e bem pagos, ou mesmo da sociedade tendencialmente medrosa em relação à tragédia que incessantemente se abate sobre o nosso país em calendário sem fim.
Ele como responsável de proa não faz mais do que sacudir-se.
Isto vindo de um fulano que tem toda uma vida dedicada não só a aproveitamentos matreiros, mas em escala avantajada e de forma descarada a golpadas politicas de caserna que raramente alguém ousa pôr a descoberto.
Uma de duas, ou ele merece ser abatido, ou nós não merecemos melhor que um declarado e reconhecido impostor.
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 15.08.2017 às 15:30

«Empreguei sem reservas nem remorsos a palavra crime porque é disso mesmo que se trata perante fogos iniciados em simultâneo, quase sempre de noite ou de madrugada, em fragas e penedias de difícil acesso. É uma palavra de que os políticos fogem, preferindo outras - sem asperezas, sem rugosidades, naquele discurso redondo que tanto cultivam e nada tem a ver com a linguagem comum. (...) Nem uma só vez oiço qualquer deles aludir à palavra que parece queimar também. A palavra crime. Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto os políticos continuarem a contornar a questão, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder. Até não restar nada para queimar.»

Precisamente. E a impunidade, nos incêndios e não só, só tenderá a diminuir e a desaparecer quando o código penal for alterado no sentido de um drástico e generalizado agravamento das penas, em especial a (re)introdução da prisão perpétua. Embora, considerando a devastação ambiental e humana, nacional, que os fogos causam, eu talvez não colocasse de parte a hipótese de se proceder a um outro tipo de justiça, mais rápida, sumária... semelhante à que o Marquês de Pombal ordenou contra os ladrões apanhados em flagrante após o Terramoto de Lisboa de 1755.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.08.2017 às 16:51

O debate sobre a reintrodução das penas perpétuas pode sempre ser feito, em qualquer ocasião, como tem vindo a acontecer em vários países europeus. Sem tabus.
Eu estarei sempre do lado oposto - daqueles que militarão contra a reintrodução de penas irrevogáveis e perpétuas, bem como dos castigos corporais, infelizmente reinantes ainda em várias partes do globo. Portugal pode justamente orgulhar-se de ter sido pioneiro na legislação penal que nos colocou nos patamares civilizacionais superiores e deve ser fiel a este legado que tanto nos honra.

Sou, isso sim, favorável ao cumprimento efectivo e integral das penas dos incendiários condenados à luz do ordenamento vigente, equiparando-as em caso de reincidência ao homicídio qualificado.
O carácter dissuasório destas molduras penais é fundamental no combate ao drama dos incêndios. Há um longo percurso a fazer nesta matéria, sem dúvida politicamente incorrecta.
Totalmente inaceitável é verificarmos, como tantas vezes ocorre, a libertação de arguidos acusados de crime de incêndio que aguardam em liberdade provisória o termo do processo. Aproveitando para atear mais uns quantos fogos.

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D