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Assombro e dor

por Pedro Correia, em 16.04.19

notre-dame-vii-1555350965.jpg

 

A sensação é de enorme consternação, de profunda tristeza. Direi mais: é de luto. Hoje, como centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, sinto-me enlutado. Pela perda irreparável da catedral das catedrais. Notre-Dame, que sobreviveu incólume a incontáveis guerras, escapou à carnificina de dois conflitos mundiais e em 1944 se manteve imune à desvairada ordem de Hitler, que queria ver Paris a arder, acaba de ser praticamente reduzida a escombros. No início da Semana Santa, num dia em que o Presidente francês anunciara um discurso à nação. 

Ver as imagens das chamas a devorarem o edifício medieval, jóia absoluta da arquitectura gótica, marco da espiritualidade universal, símbolo supremo da cultura cristã que é também matriz europeia, dilacera todos quantos algum dia ali haviam entrado - e fomos muitos, pois Notre-Dame recebia cerca de 13 milhões de visitantes por ano, gente de todas as crenças e todas as latitudes.

O mundo em que vivemos é um mundo em contínua perda de referências, que padece de uma confrangedora falta de memória. O pavoroso incêndio que destruiu Notre-Dame acaba de nos cortar mais um emblemático vínculo às gerações precedentes. Tudo se torna cada vez mais precário e descartável. Assente num passado sem vestígios, o futuro já nasce mutilado.

Notre-Dame, cujos alicerces são contemporâneos da fundação de Portugal, demorou quase dois séculos a ser erguida. Para a destruir bastaram duas horas. E nós a assistirmos, num silêncio impotente e magoado, feito de assombro e dor.

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39 comentários

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De Pedro Vorph a 16.04.2019 às 00:30

Trágico.
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De João Campos a 16.04.2019 às 00:44

Talvez tivesse ligado menos às notícias se nunca tivesse entrado em Notre Dame. Mas tendo visitado a catedral há pouco mais de duas semanas, na unica visita que fiz a Paris até hoje, é-me impossível ficar indiferente às imagens que chegam da capital francesa. É desolador. Poderá ser reconstruída, mas a perda é irreparável.
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 12:14

Nunca será a mesma coisa, João. Como Dresden ou Varsóvia reedificadas nunca serão iguais.
Notre-Dame, claro, será reconstruída. Mas a Europa das catedrais tem várias igrejas célebres que se transformaram em ruínas permanentes, como memoriais de guerras ou de catástrofes naturais. Como a catedral de Coventry ou a igreja do Kaizer Guilherme, em Berlim. Ou, entre nós, o convento do Carmo, em Lisboa.
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De Luís Lavoura a 16.04.2019 às 12:40

Chama corretamente a atenção para esses grandes monumentos que foram destruídos à bomba na 2ª Guerra. Esses sim, foram totalmente destruídos. Eu vi a Frauenkirche em Dresden e a Nikolaikirche em Hamburgo transformadas em montes de pedras. Isso sim, foi destruição.
Notre Dame não foi destruída, continua de pé, com as suas pedras intactas ou então somente escurecidas pelo fogo. Está de pé, pode ser vista e visitada e admirada na sua beleza. Os turistas em breve voltarão lá. Somente o telhado (e o pináculo, que era um pindarelho de madeira que facilmente se reconstrói) foi à vida.
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De Costa a 16.04.2019 às 23:52

O pináculo era o quê?! Somente "foi à vida" o quê?

Cuidado, de facto: quando pensamos que já se bateu no fundo, quase sempre ainda é só lodo...

Costa
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De Luís Lavoura a 16.04.2019 às 08:45

a catedral das catedrais

Calma.

Eu aprendi que a França tem (ou tinha) quatro grandes catedrais. Além de Notre Dame, tem a catedral de Chartres, a de Rouen, e mais outra cujo nome não recordo.

Além delas, há as catedrais de Colónia e de Milão (as maiores de todas), a de Burgos em Espanha, e outras.
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De Justiniano a 16.04.2019 às 12:19

Vcmcê é um tonto! Por mais que aprenda nunca saberá nada!
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 12:23

A Europa está povoada de catedrais. Mas nenhuma tinha o significado histórico e o simbolismo vivo de Norte-Dame, palco de vários acontecimentos marcantes da história de França e do continente. Milhões de pessoas, durante séculos, foram a Paris "ver a Notre-Dame". Não por acaso, recebia cerca de 13 milhões de visitantes por ano - quase o dobro do Palácio de Versalhes ou da Torre Eiffel.
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De Justiniano a 16.04.2019 às 12:40

É inútil, o Lavoura não se comove com símbolos nem perde dez segundos com o significado histórico do que quer que seja!
O Lavoura é um tipo de acção e só se enternece e entretem com predicados utilitários! O Lavoura é um desalmado! Substituiu a alma por um disjuntor de cem amperes em corrente directa e platinou os circuitos eléctricos! Dá-lhe um óleo de seis em seis meses e anda fininho, maravilha!!
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De Anónimo a 16.04.2019 às 12:23

Catedral de Saint Dennis
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De Luís Lavoura a 16.04.2019 às 10:00

acaba de ser praticamente reduzida a escombros

Calma. A catedral é de pedra e o fogo não a destrói. A catedral continua e continuará de pé, porque a pedra não arde. Aquilo que foi reduzido a escombros foi o telhado, que era de madeira. Mas isso facilmente é reconstruído. Fazer um telhado novo não tem muito que saber.
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 12:28

«Le bilan matériel est dramatique», font savoir les pompiers. «L’ensemble de la toiture est sinistrée, l’ensemble de la charpente est détruite, une partie de la voûte s’est effondrée, la flèche n’existe plus.»
http://www.lefigaro.fr/international/notre-dame-de-paris-les-questions-qui-se-posent-apres-l-incendie-20190416
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De Luís Lavoura a 16.04.2019 às 12:34

Aquilo que ardeu são coisas de madeira, que certamente não eram do século 12 e que certamente já foram reconstruídas várias vezes. Agora vão sê-lo mais uma vez, e é tudo.
Aquilo que de facto é perene em Notre Dame, que é a pedra, não ardeu.
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 14:57

Você já ouviu falar em património imaterial?
Não é um conceito meu: é da Unesco.
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De Luís Lavoura a 16.04.2019 às 15:06

Partrimónio imaterial? Sim: canções, rezas, histórias, formas de arte, etc.
Uma catedral é um património muitíssimo material, totalmente palpável, concreto, bem pesado e bem duro. Não é património imaterial.
Vai ver, daqui a um par de anos Notre Dame vai estar como estava e ninguém notará a diferença. Assim como assim, aquilo que ardeu foi o telhado, que não se via de fora...
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 15:37

O que ardeu ontem em Notre-Dame foi muito mais do que património material.
E muito mais do que um "telhado".
Foi verdadeiro património cultural - imaterial, também.
Não por acaso, a Unesco inscreveu a catedral gótica num vasto conjunto histórico, arquitectónico e urbanístico a que denominou "margens do Sena".
http://whc.unesco.org/en/list/600
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De Luís Lavoura a 16.04.2019 às 16:02

Está bem, mas o Sena é feito de água, e a água não arde, portanto, as margens do Sena estão intactas...

A própria Notre Dame, se você vir de cima está horrível, porém, vista de fora, que é como a generalidade dos turistas a vê, está porreira. As pedras não arderam, está tudo na mesma. Basta pôr-lhe um telhado novo em cima, e em cima do telhado pôr um pináculo (que não é mais que uma armação de madeira revestida de pedras), e está a andar...

Muito pior foi reconstruir a Frauenkirche em Dresden. Isso sim, foi construir uma coisa toda desde o início.

Aliás, um turista nunca vê Notre Dame intacta (penso eu; eu só fui a Paris uma vez na vida, há muitíssimos anos, e não me lembro), vê-a sempre em obras, pelo menos se fôr como a catedral de Colónia (essa sim, visitei-a diversas vezes), que está permanentemente a sofrer restauros. Desta vez Notre Dame sofrerá um restauro um bocadito maior, e é tudo. Vai ficar melhor que antes.
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De Cristina M. a 16.04.2019 às 18:59

LLavoura já está a armar ao "pindarelho", agora.
nestes comentários está a ser a caricatura da caricatura que é.
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De jpt a 16.04.2019 às 17:04

foda-se, há limites para o lavourismo Seja lá quem for "lavoura", chega, caralho
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De Costa a 17.04.2019 às 01:24

Não, não chega. Ainda não sabemos até onde vai a "cultura", a "cidadania", de quem - entre outros critérios de apurada sensibilidade - avalia o mérito de um livro pelo número de páginas. Não sabemos, mas os sinais aqui deixados autorizam - impõem - o mais desiludido pessimismo.

Terrível é saber que este espécime de horto há-de representar o homem - ou a mulher, ou o que seja - bom, do tal novo tempo de "virar de página" e felicidade exuberante que nos querem forçar a dar por verdadeiro (o que o sr. ministro das finanças diz lá fora, fica lá fora).

Estamos perante o triunfo do mais imbecil superficialismo. Para o Lavoura, para quem pensa da nova forma certa, qualquer coisa grosseira, qualquer telhado de contraplacado e pináculo de "pladur", fibra de vidro, plástico ou o que seja, rapidamente lá postos, e se possível "made in China", servem perfeitamente. O que interessa é o que se vê lá de baixo (de um nível bem baixo!), desse ângulo em que se "tiram" "selfies" onde em primeiro plano está um rosto por norma disforme de boçalidade. E em fundo tanto pode ser a Notre Dame, como qualquer outra catedral francesa - o Lavoura elenca-as com preciso e burocrático zelo - como lá o que seja, em França ou onde for, onde seja "bué da cool" fazer uma selfie para pôr no "face" ou coisa afim. Entre um voo "low cost", uma noite no "hostel" e uma refeição intragável mas "gourmet", claro! (o banho diário é dispensável)

Isso do "imaterial", do passado que nos fez quem somos, da infinda interrogação e maravilhamento, isso é uma bizarria ociosa de gente anacrónica. De reaccionários, enfim (isso, as consoantes mudas, o hífen e a acentuação das palavras, claro!).

Costa
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De Luís Lavoura a 17.04.2019 às 09:26

Você não deve escrever ordinarices nos blogues, jpt. A sua mulher não gosta disso.
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De Costa a 17.04.2019 às 11:19

Mas, Lavoura, veja bem, perante aquilo que você aqui escreve, uma resposta como essa é mais do que justificada. É um sinal de elementar bom senso, talvez até um imperativo fisiológico.

A senhora, estou certo (e, bem sei, não é de minha conta), decerto compreenderá. E eu, com gosto, reconheço-me corrigido: é precisamente essa (e ainda mais vernacular, havendo) a resposta, se alguma, que você merece.

Costa
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De jpt a 17.04.2019 às 18:04

Lavoura quando você invoca os parentes de alguém deve ter cuidado - ainda para mais reclamando-se você um perfeccionista, um picuinhas - com o que diz, por respeito pelas pessoas aludidas, que não tanto pelo bloguista. Nunca aqui no Delito de Opinião referi a minha mulher, como tal abstenha-se, sff, de o fazer.

Quanto ao resto, e sabendo eu (por ter lido) que a glória é difícil de gerir, que o seu estatuto heroico neste blog não lhe tolde o caminho, não exagere. A sua sucessão neste postal já vai num chorrilho, é desnecessário.
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De Justiniano a 16.04.2019 às 11:13

Permita-me, caro Pedro Correia, fazer minhas as suas palavras!
Uma grande perda no meu mundo!!
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 12:29

Perda de património material e imaterial, meu caro. Porque uma catedral não é só feita de pedra e vigas.
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De Anónimo a 16.04.2019 às 11:31

"Para a destruir bastaram duas horas. E nós a assistirmos, num silêncio impotente e magoado, feito de assombro e dor."
À queda da ponte Hintze Ribeiro...
Aos incêndios de Pedrógão…
Aos milhares de mortos na guerra do ultramar…
É a vida!
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 15:00

Não podemos aceitar a perda deste património, material ou imaterial, com um encolher de ombros.
Como se fosse uma fatalidade.
Não é.
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De Mãe Maria a 16.04.2019 às 12:16

Duas horas a assistir à sua queda...foi tão desolador. Doeu-me tanto.
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De Pedro Correia a 16.04.2019 às 14:58

Também a mim, Maria. E a muitos de nós, incluindo quem nunca visitou a Notre-Dame. Agora esses já não terão tal possibilidade.
Porque a que existia deixou de existir ontem ao fim da tarde.
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De Elvimonte a 16.04.2019 às 16:55

No passado dia 17 de Março deflagrou um fogo na catedral de Sainte-Sulpice, também em Paris.

De acordo com a Reuters, "Paris’s historic Saint-Sulpice church, (...) briefly caught fire on Sunday but firefighters were able to bring the blaze under control and nobody was hurt.

The fire started early in the afternoon, when four people were inside, with flames climbing up the massive doors of the Roman Catholic church before spreading to stained glass above and to a nearby stairway, a fire brigade spokesman said."

( https://www.reuters.com/article/us-france-church/paris-historic-saint-sulpice-church-briefly-catches-fire-nobody-hurt-idUSKCN1QY0P1 )

Fogos em duas catedrais, em Paris, em menos de um mês? Há aqui qualquer coisa de estranho, quanto mais não seja de um ponto de vista meramente estatístico. Trata-se de uma aberração estatística, sem dúvida, mas as coincidências têm fortes razões matemáticas para existirem.
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De João Pedro Pimenta a 16.04.2019 às 19:13

Já cá faltava a teoria da conspiração velada. E Saint Sulpice não é catedral, que eu saiba. Em Paris só há uma catedral. Mesmo a antiquíssima Saint Dennis, às portas da capital, só é catedral há uns anos.
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De Elvimonte a 16.04.2019 às 19:53

"Pour la police, plus de doute possible : les flammes qui ont endommagé l’entrée de l’église Saint-Sulpice (VIe) dimanche après-midi n’ont rien d’accidentel. « Le feu est parti d’un tas de vêtements et les vêtements ne s’enflamment pas tout seuls », indique une source policière.

L’origine du sinistre est, selon les premières conclusions du laboratoire central de la préfecture de police, « humaine » et « délibérée ». "

( http://www.leparisien.fr/paris-75/paris-l-incendie-a-l-eglise-saint-sulpice-n-etait-pas-accidentel-18-03-2019-8034678.php )
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De sampy a 16.04.2019 às 23:28

Convenhamos: Notre Dame já tinha sido perdida.

Perdida desde que feita propriedade de um Estado laico, onde os cristãos eram tolerados como meros locatários, qual troupe de entretenimento especializada em reencenação histórica para gozo dos visitantes.

Confrangedor ver aquela conferência de imprensa dominada pelo "arcebispo" Macron a garantir que a reconstruiremos. Reconstruir o quê? O museu? O postal turístico? A sala de concertos e teatro religioso?...

Como noutros lados, a Igreja em França tem de aceitar regressar às tendas no deserto, às catacumbas, às pequenas igrejas das periferias. Purificar-se das suas corrupções, libertar-se definitivamente dessa religião civil que se apoderou do seu passado mas não será dona do seu futuro.
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De Anónimo a 17.04.2019 às 02:28

A Religião no Ocidente é a Política, jornalistas os seus Padres... as pessoas deixaram de acreditar num Deus e passaram a acreditar no "processo político" como explicação do mundo e razão para posterior acção...
Por isso tivemos 2 Guerras Mundiais na Europa no Séc.XX e ainda não aprendemos nada...

lucklucky
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De jj.amarante a 18.04.2019 às 18:58

O tom deste seu post é um bocado tremendista, a catedral foi vítima de mais uma vicissitude, como terá tido outras durante a sua longa história. A maior perda será a indisponibilidade para ser visitada durante alguns anos. Mas será restaurada com uma nova glória, como já foi tantas vezes. Fiz este post no meu blogue: https://imagenscomtexto.blogspot.com/2019/04/o-incendio-da-catedral-da-notre-dame-de.html .
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De Pedro Correia a 18.04.2019 às 19:05

"Vissicitude" é o eufemismo da semana.Ou até do mês.
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De jj.amarante a 18.04.2019 às 21:54

É a influência britânica, campeões do understatement.
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De Pedro Correia a 18.04.2019 às 23:24

Ah, muito bem. Assim já percebo melhor.

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