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As razões da crise na Catalunha.

por Luís Menezes Leitão, em 23.10.19

Bom artigo este, que explica muito bem as razões da crise na Catalunha e desmente totalmente a versão oficial do Estado espanhol, que tanta gente em Portugal quer seguir acriticamente.


10 comentários

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De Peregrino a Meca a 23.10.2019 às 11:02

Artigo sesgo, cheiinho de falacias misturando factos com subtis enviesamentos e interpretações puxadas pelos cabelos. Claro que assim se torna mais fácil.
Alguns exemplos da subtilidade:
- A referencia o "Estado do Reino de Espanha". Denominação oficial (não única diga-se de passagem). Em vez de Espanha. Claro está que a denominação "Reino" envia logo para “reis”: arcaísmo, conservadorismo e claro falta de democracia. Sem o dizer, evidentemente, por isso é subtil. Esquecendo que durante a sua história recente (150 anos) a Espanha foi Republica por duas vezes e passou 40 anos sem rei (com um dictador, certo, mas quem somos nós para lançar a primeira pedra)
- A referencia aos seus estudos numa escola espanhola, essa que ignorava a Catalunha. Engraçado, pois eu também fiz os meus estudos numa escola espanhola (a mesma?) e foram-me transmitidos amplos conhecimentos sobre a história da Catalunha, a sua exceção cultural, linguística e politica (como também a do Pais Basco), aliás de uma forma muito positiva. Se calhar não fomos à escola no mesmo momento. Se calhar este senhor foi à escola espanhola durante a ditadura do Generalíssimo Franco. Salvadas as diferenças, se calhar os nativos de Angola, Mozambique, Cabo Verde ou Guiné têm algum diferendo com o ensino sobre os seus países dado em Portugal durante o Estado Novo...
E isto é só a forma, porque para partir para o fundo seria necessário muito mais texto para descorticar as veracidades (que tem e varias) dos saltos interpretativos, da responsabilização do partido socialista (outros partidos, que representam, democraticamente, outra metade do povo espanhol, claro que já estão perdidos à partida), a "alma nacionalista" do povo espanhol (salva, claro, a alma nacionalista do povo catalão), a manipulação da informação e do povo espanhol (salvo, claro o povo catalão e os seus políticos exemplares).
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De Vento a 23.10.2019 às 11:26

Existe no Homem um sonho infantil de poder. O glamour dos cavaleiros e heróis penetrou o mais intimo da natureza humana e propaga-se de geração em geração.
Traduzo a insanidade do seguinte modo: repetir sempre as mesmas coisas e da mesma maneira à espera de um resultado diferente.
A questão catalã em nada diverge dos acontecimentos históricos que têm atropelado a humanidade. Portanto, a tradição, em todas as épocas, compõe-se do mesmo tipo de ritualismo com que o sentimento de posse (poder) se reveste.
Pra Castela, digo: Sejam felizes e deixem-se de merdas.
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De Plinio a 23.10.2019 às 14:36

Muito bom artigo mesmo, pena acusar os outros do mesmo erro que o articulista padece, a saber, ideologia.
E atacar o nacionalismo espanhol como pernicioso, defendendo contudo o nacionalismo catalão.
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De Anónimo a 23.10.2019 às 15:44

Sem dúvida um excelente documento.
Como em outras paragens, na Europa e por esse mundo fora, as transmigrações, ao caso para a Catalunha -as transferências por razões económicas e mesmo políticas, de cidadãos de umas paragens para outras regiões- são exploradas pelos poderes políticos de cariz centralizador, neste caso Castela, dividindo e escamoteando o essencial da situação. Dividir para Reinar.

Alguém consegue pensar que se os repetidos movimentos independentista na Catalunha, ao longo da história, fossem algo de artificial, conseguriam consistentemente ressurgir, de forma tão continuada, e sempre corajosa, perante o poder político central?.
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De Peregrino a Meca a 24.10.2019 às 11:29

Vamos la ver uma coisa. "Castela" não existe! existem 2 regiões autónomas que são Castela-Leão e Castela - A Mancha. Que nem sequer são as mais ricas nem mais poderosas de Espanha. Depois existe Aragão (sim, herdeiro de nome e em parte de território desse reino de Aragão do qual dependia o Condado de Barcelona), Valencia (que a única independência que pretende é que a Catalunha não a considere como parte integrante da mesma), Múrcia, Andaluzia, Extremadura, Galícia, Astúrias, Cantábria, La Rioja, Navarra e Pais Vasco (que esse sim teve e tem movimentos independentistas o que não é o mesmo que dizer que tem um almejo de independência).E claro, a região de Madrid que é pouco mais que o equivalente da Área Metropolitana de Lisboa.

"Castela" foi um reino que acabou à centenas de anos e que ninguém deseja recrear, nem mesmo os habitantes de Castela-Leão nem Castela - A Mancha.

Mas claro, pedir perceber isso é o mesmo que pedir perceber que a Batalha de Aljubarrota foi à mais de 600 anos e que não é a melhor base de interpretação para perceber a situação actual (igual de absurdo que para os espanhóis que tomam D. Pelágio e Covadonga como base para falar da emigração actual). Sim, pedir muito. Raios.
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De Anónimo a 24.10.2019 às 19:21

Sim, De Peregrino a Meca. Geografia. Castela-Leão ....
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De Jameson a 24.10.2019 às 16:50

Se o autor tentou passar a imagem de imparcialidade, não conseguiu. A começar logo por catalogar de nacionalismo, ou ultranacionalismo espanhol qualquer opinião contrária à independência. No entanto, jamais catalogar de ultranacionalismo catalão quem defende a independência.
Sem dúvida que o problema tem uma génese... a educação. Sem dúvida que o estado falhou ao permitir que na Catalunha se ensine a história de forma diferente que no resto da Espanha. Ao não implementar um plano nacional de educação, deixando que o governo autónomo crie o seu próprio plano, com o seu próprio conteúdo curricular. Isto inicia-se à 25 anos e hoje temos o resultado. De facto a culpa será do estado espanhol. Veja-se a França, que também tem nas suas fronteiras uma parte da Catalunha, até em Toulouse os nomes das ruas são em catalão... mas também em francês. Ou seja, aos pouquinhos e com pequenos detalhes, os nacionalistas catalães levaram a sua avante. Começaram por ensinar os alunos de forma tendenciosa, a tirar as bandeiras de Espanha, depois a empurrar a polícia nacional a guardia civil e as forças armadas cada vez mais para fora, a fazer crescer a sua própria polícia, a tentar limitar cada vez mais o castelhano.
A França não permitiu. Não permitiu que nada colocasse em causa a questão nacional, o patriotismo, o orgulho em ser francês primeiro e catalão depois... e isto faz da França ultranacionalista? Fascista? Extrema direita?
A única forma de isto terminar é começar com as gerações mais novas e esperar resultados daqui a 20 anos. Foi o que fizeram com os bascos, com a Irlanda do Norte etc...
O que não entendo é criticar-se uma nação por querer manter-se unida e defender-se uma região por não querer fazer parte da nação. Como se fossem explorados ou escravizados. Como não criticar gente que pertence a um país, mas que não quer comparticipar, como todos os outros. Que não aceita que a riqueza por si gerada possa ser canalizada para regiões menos ricas. Mas se acontece um desastre, como as recentes cheias, já não há problema nenhum em aceitar os fundos do estado espanhol, ou da europa, que só existem porque Espanha a esta pertence. Que socialismo mais esquisito.... o que é meu é meu, o que é vosso é nosso.
Abra-se os olhos a esta gente, que tão cega a puseram que nem consegue enxergar que os espera se fossem com isto para a frente... é que pensam que vai ser tudo um mar de rosas...
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De Anónimo a 24.10.2019 às 19:18

"...Sem dúvida que o estado falhou ao permitir que na Catalunha se ensine a história de forma diferente que no resto da Espanha....".
Um provérbio português bem explica isso: "De pequenino se torce o pepino".

Só que existe um problemazito De Jameson.
Essa tática de ensinar uma outra cultura que serviu para formatar os Catalães ... serve, serviu para nos formatar a todos. Todos. Todos. Todos.
É superável, no entanto, essa maleita.
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De Anónimo a 24.10.2019 às 19:50

Você acusa os independentistas de actuarem como membros da Espanha quando a Espanha os obriga a ser Espanhóis. É obra.


Se os catalães, galegos etc querem ser independentes que o sejam. Estão a dizer que quando tiverem o seu país também passam a ser responsáveis.

Essa mania de querer que os outros não possam seguir outro caminho é como no passado a impossibilidade de se divorciar.


lucklucky
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De José Carlos Menezes a 25.10.2019 às 23:05

Sr. Luís Menezes Leitão

O que aconteceria em Portugal se um líder regional algarvio decidisse acirrar a opinião pública local e preparasse um referendo para decidir a Independência do Reino dos Algarves.

A questão até tem fundamentos históricos.
D. Carlos, ou mais precisamente D. Miguel II eram reis de Potugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além Mar em África etc.

Suponho que na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, naquele dia 5 de Outubro de 1911, aquela meia dúzia de pessoas proclamou a República (perante não mais que uma dezena de manifestante e o desinteresse de quem passava na rua, mostram-no as fotografias do evento), proclamou a República em Portugal.

Ficaram de fora, não apenas "os Algarves", como também os "Aquém e Além Mar em África".

Idêntico caso se passou em Timor Leste e foi reconhecido pela ONU.

No entanto, dado que o Algarve parece apenas ter metano, estraível por Cracking dos xistos betuminosos, parece que a ONU não vai ajudar o mencionado "Líder Separatista" [LS] numa luta armada.

Por isso o LS visiona uma estratégia. Propagandeia o acto eleitoral (o do referendo), faz uns ataques à polícia regional e filma só quando estes ripostam.

Os dados estão lançados. Eleições marcadas.
Mas…

Artigo 288.º
Limites materiais da revisão:
As leis de revisão constitucional terão de respeitar:

a) A independência nacional e a unidade do Estado;

b) A forma republicana de governo;
c) A separação das Igrejas do Estado;
d) Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos;
e) Os direitos dos trabalhadores, das comissões de trabalhadores e das associações sindicais;
f) A coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
g) A existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista;
h) O sufrágio universal, direto, secreto e periódico na designação dos titulares eletivos dos órgãos de soberania, das regiões autónomas e do poder local, bem como o sistema de representação proporcional;
i) O pluralismo de expressão e organização política, incluindo partidos políticos, e o direito de oposição democrática;
j) A separação e a interdependência dos órgãos de soberania;
l) A fiscalização da constitucionalidade por ação ou por omissão de normas jurídicas;

Bem, a alínea a) A independência nacional e a UNIDADE DO ESTADO;
Atenção, não é passível de revisão. Não é sequer negociável

Que fará Lisboa? Que fará o Presidente de Portugal e dos Algarves? Qual a posição do Tribunal Constitucional?

Repare Sr. Luís que o LS não quis nem lhe servia de nada negociar.
O artigo 288 é inegociável (Limite material da revisão).

Fecha os olhos ou manda a polícia fechar as urnas?

Bem, Sr. Luís.
Eu, por acaso não gosto muito do Algarve. Para águas quentes prefiro a Galiza ou as Astúrias e não tem palermas bêbados a chatear.

Mas se me perguntassem qual era a região do país que eu votaria a favor da si Independência era Lisboa. Que saia de Portugal e nos deixe em Paz.

Um abraço
José Menezes
Um Tuga da Província

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