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As Raparigas do Bloco Começam a Maçar

por Francisca Prieto, em 26.09.16

Tenho muito pouca paciência para discussões políticas estéreis e ainda menos para gente aos berros de mão na anca. Prefiro, de caras, meter a mão na massa.

Aconteceu, no país onde vivo, que um partido fosse eleito, mas que o primeiro ministro viesse a ser o candidato da oposição. Nem sabia que isto era constitucionalmente possível, mas foi. Para possibilitar tal excentricidade, teve de se dar voz a duas favas do bolo rei, que não há meio de pararem de se esganiçar e que já começam a dar cabo dos nervos a quem quer trabalhar tranquilamente.

O primeiro assunto fracturante sobre o qual se debruçaram foi a questão do cartão de cidadã. Num país onde não se sabe por que ponta se há-de pegar, parece-me que o tema da queima dos soutiãs pode perfeitamente passar para o fim da lista na agenda parlamentar. Digo eu, que por acaso até sou mulher.

Depois, tivemos de gramar com a declaração bombástica de que o voluntariado era uma treta. Não existem dúvidas de que qualquer cidadão deve ter direito ao trabalho. Faz parte da dignidade humana e é essencial para a estabilidade das famílias. Mas misturar o direito ao trabalho com aquilo que as pessoas escolhem fazer nas horas vagas, é misturar alhos com bugalhos. Ser voluntário não é treta nenhuma. É usar tempo livre em benefício da comunidade. Há quem escolha ir ao Benfica, há quem prefira alimentar os sem abrigo. Não me macem.

Agora andam para aí a berrar aos sete ventos que “é preciso perder a vergonha de ir buscar dinheiro aos ricos”. Ora ir buscar dinheiro seja a quem for é, na sua essência mais elementar, roubar. Seja a ricos, seja a pobres, seja a remediados.

Claro que há para aí muita gente que enriqueceu a praticar a bandidagem. Mas há, em igual número, quem tenha corrido riscos, dado emprego a muita família e se tenha matado a trabalhar para ter uma conta bancária confortável. Gente que já pagou os impostos duas vezes: primeiro através dos lucros da empresa, depois com base no seu rendimento individual. Gente que abdicou da sua segurança para arriscar em negócios que não ofereciam nenhuma garantia à partida. Gente que perdeu dinheiro pessoal de um lado mas que conseguiu vir a ganhar noutro. Gente que, através do seu talento e do seu esforço, contribuiu para o crescimento económico do país. A essa gente, gostava que o estado oferecesse incentivos em vez de ameaças. Parecer-me-ia uma atitude bastante mais produtiva.

Não macem as pessoas, caramba, que isto é muito cansativo.


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