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As palavras em vias de extinção

por Pedro Correia, em 16.01.19

palavras[1].jpg

 

Temos a mania de mudar o que está certo. Penso nisto ao ver alteradas, em sucessivos lançamentos editoriais, antigas designações de obras-primas da ficção literária vertidas para o nosso idioma: O Monte dos Vendavais derivou primeiro para O Monte dos Ventos Uivantes e depois para O Alto dos Vendavais; a Cabra-Cega, de Roger Vailland, tornou-se Jogo Curioso (alguém estará convencido de que se adequa assim à semântica portuguesa o Drôle de Jeu original?); o Catcher in the Rye, de Salinger, passou a intitular-se À Espera no Centeio, abandonando-se Uma Agulha no Palheiro, feliz título concebido na anterior tradução, de João Palma-Ferreira.

Anda agora por aí uma recente versão de Três Homens num Bote, divertido romance de Jerome K. Jerome com este nome consagrado há décadas em português. O novo tradutor e o novo editor optaram por outro título: Três Homens num Barco. O que de algum modo confirma a intensa compressão vocabular que a língua portuguesa vai sofrendo, com a definitiva eliminação de milhares de palavras subitamente tornadas imprestáveis nesta era das mensagens instantâneas, quando até já há quem escreva “romances” por telemóvel. Se bote e barco são sinónimos, mas o segundo termo se reveste de um teor mais impreciso e sem o relance humorístico que num bote para três já se insinua, porquê rejeitar a designação já consagrada? Não custa adivinhar: a outra é de apreensão mais fácil.

Assim vamos comunicando de forma cada vez mais esquemática, prestando culto ao literalismo despido de ironia e despovoado de metáforas, com um naipe de palavras cada vez mais reduzido, o que produz reflexos óbvios no pensamento e na própria cidadania. Vocábulos rudimentares conduzem fatalmente a raciocínios esquemáticos, cada vez mais distantes da complexidade e da sofisticação que só um domínio alargado das variações semânticas induz. Daí à visão do mundo e da vida a branco e negro, numa dicotomia simplista que favorece os demagogos de todos os matizes, vai um curto passo.

«A redução de vocabulário nos últimos anos tem sido dramática. Não apenas do vocabulário culto que, não há muito tempo, faria parte do dia-a-dia numa família medianamente instruída. Mas daquele que transportava uma tradição ancestral», alerta-nos Mário de Carvalho no seu excelente manual de escrita intitulado Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão, justamente galardoado em 2015 com o Prémio P.E.N. Clube para melhor ensaio. E o escritor concretiza, indo ao cerne da questão: «Se hoje muitos jovens não conseguem perceber um provérbio, isso acontece não somente porque o mundo rural desapareceu, mas porque se tem destruído a memória e ocultado a espessura da História. Uma das razões para ler é também a vontade de libertação, a expressão de um inconformismo que não aceita ficar encarcerado dentro dos limites do vocabulário básico.»

Já estivemos mais longe dos grunhidos monossilábicos como forma dominante de expressão oral. Não falta também por aí quem gostasse de os ver como matriz dominante da nossa escrita.

 

Texto escrito a convite do meu editor e amigo Manuel S. Fonseca, um dos melhores cronistas da imprensa portuguesa, para o seu novo blogue, A Página Negra.

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70 comentários

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De José Maniuel a 16.01.2019 às 12:02

Concordo consigo.Qualquer dia aparece "Ido com o Vento" como título de um filme muito conhecido.
As razões para o encurtamento das palavras entendem-se. Mas é mais difícil de explicar outro fenómeno muito comum que consiste em inventar palavras compridas para substituir palavras comuns e habituais. Dou alguns exemplos. Opcionalidade em vez de opção. Recepcionar em vez de receber. Visualizar em vez de ver. Verbalizar em vez de falar ou dizer. Acessibilidade em vez de acesso. Na minha opinião acessibilidade existe mas não é o mesmo que acesso. Quando recebo uma mensagem a dizer "recepcionei a sua mensagem" em vez de "recebi a sua mensagem" farto-me de rir. Rio mas não sei explicar o fenómeno. Abreviar é a lei do menos esforço. Mas aqui é ao contrário. Porquê??
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 12:13

Complicar o que é simples, adoptando um jargão específico com palavras cheias de letras, equivale no nosso idioma àqueles emigrantes que no Verão vêm de férias à terrinha em carros enormes, geralmente alugados, só para darem mais nas vistas.

Daí proliferarem agora como cogumelos os palavrões que indica e também estes, entre muitos outros:

funcionalidade
complexificar
sustentabilidade
contratualizar
sinistralidade

Coisa sinistra.
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De Sarin a 16.01.2019 às 12:31

Sinistralidade é um termo específico e antigo no ramo segurador que, embora indique o número de sinistros também chamados acidentes, nada tem a ver com acidentalidade.

Funcionalidade não será bonito mas tem capacidade para ser funcional e adequar-se ao uso, e seria insustentável tirar à sustentabilidade a capacidade para ser sustentável.


Os restantes indicados são mesmo palavrões em qualquer contexto, pois maior que o palavrão é o problema do contexto em que é usado. Eis uma outra problemática!
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De Anonimus a 16.01.2019 às 18:30

Antes isso que inventar termos

Deslocalizar
Virtualidades

Ou a remontada

(Sem contar com os estrangeirismos a martelo)
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 20:40

A propósito de martelo: não esqueça a 'selfie'.
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De Sarin a 16.01.2019 às 12:33

Suponho que, entre outras causas, as más traduções de programas e equipamentos, e respectivos manuais técnicos, terão uma boa quota-parte de responsabilidade.

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De sampy a 17.01.2019 às 10:33

Há aqui dois pontos passíveis de consideração:
- o primeiro é o aumento da frequência com que contactamos com línguas estrangeiras: viagens, permanências no estrangeiro, trabalho em multinacionais, operadores turísticos, uso dos media. O processo de captação e domínio de outras línguas passa também por esse aspecto de confusão e troca de vocábulos, tanto mais nítido quanto menos sólida e extensa tiver sido a formação na língua materna.
- há também a nobre tradição do jargão académico, pujante nas nossas universidades e já indissociável de campos do saber como o Direito, em que a vontade de não se fazer compreender aliada à necessidade de se cumprir metas de número de caracteres nos ensaios a entregar acaba por descambar em invenções vocabulares dignas de constar no Guinness.
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De Anónimo a 16.01.2019 às 12:12

A recorrência do assunto impõe a recorrência da minha observação:
- a degradação da sintaxe é muito mais grave que a da vocabular e ninguém diz nada!
João de Brito
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 12:29

A sintaxe é instrumental, o vocabulário é estrutural.
A degradação vocabular, com a condenação à morte de milhares de palavras ano após anos, é um crime de lesa-cultura.
E ninguém fala disto. Porque passamos o tempo a debater irrelevâncias.

Hoje uma grande parte dos portugueses é incapaz de ler alguns dos nossos melhores escritores sem recurso a um extenso glossário auxiliar. Porque a compressão vocabular tornou entretanto obsoletos termos que eram de uso corrente duas ou três gerações atrás.
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De Anónimo a 16.01.2019 às 12:43

"A sintaxe é instrumental, o vocabulário é estrutural."
Se quisermos colocar a questão nesses termos, concluiremos precisamente o contrário.
A sintaxe é a lógica que estrutura a mensagem linguística.
Como no jogo do dominó, na construção de um puzzle... as peças são as palavras e as regras, os objetivos do jogo são a sintaxe.
João de Brito
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 14:17

Típica discussão à portuguesa. Trago a debate uma questão que me parece importante e logo surge alguém a dizer "ah e tal... mas verdadeiramente relevante é outra coisa que não esta..."
Assim a discussão morre sempre à nascença. Porque passamos o tempo a abrir caixas dentro de caixas: entre nós, nunca verdadeiramente se discute nada.
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De Anónimo a 16.01.2019 às 14:29

Foi o seu comentário ao meu comentário, e não o meu comentário, que desviou o assunto. João de Brito
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 16:54

Interessa-me abordar a questão vocabular. Se me interessasse falar da sintaxe, tê-lo-ia feito. Ou do acordo ortográfico. Ou da chamada "pronúncia culta" que alguns querem impor como padrão. Ou do mito da lusofonia.
Enfim, cada tema de sua vez. Há tempo e espaço para abordar tudo.
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De JS a 16.01.2019 às 12:18

Muito bom.
Mas, "...vai..."?. Será previsão ou já é a constatação do facto:
" ... Daí à visão do mundo e da vida a branco e negro, numa dicotomia simplista que favorece os demagogos de todos os matizes, vai um curto passo....".
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 12:30

Infelizmente, em grande parte, já é constatação de um triste, lamentável e talvez irreversível facto.
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De Sarin a 16.01.2019 às 12:50

Para uma boa tradução há que mergulhar na alma da obra e perceber o autor. É trabalho que não se coaduna com a tradução simultânea de conversa de esplanada, imediata. Requer mais do que mero conhecimento da língua, portanto mais tempo.
Por outro lado, quem lança no mercado obras já lançadas por outros tenta atrair novos mercados, quiçá o mesmo mercado que, distraído, não se apercebe da troca senão depois de adquirido.
Há quem veja petulância em nomear na língua original alguns filmes e livros de autores cujos direitos mudaram de editora. Não é petulância, é ter certeza de chamar os livros pelos nomes.

Porque, como diz o Pedro no postal, temos a mania de mudar o que está certo.
E sabemos que nada tem a ver com hábito.
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De Anónimo a 16.01.2019 às 19:01

Não vejo petulância nenhuma em nomear os filmes no original, sempre fiz isso nas minhas listas de filmes (por realizador) por uma questão prática. Assinante de várias revistas de cinema desde a Première (francesa) à Film Review (inglesa), desde a Cinema (alemã) à Ciak (italiana), entre outras espanholas que se vendiam por cá, era muito mais fácil para mim perceber (sem petulância) a que filme se estavam a referir.
A net veio simplificar tudo isso, mas continuo a fazer as listas com o nome original do filme, até porque as traduções dos nomes são muito diferentes em Portugal e no Brasil, por exemplo.
Prefiro fazer as pesquisas pelo nome original.

Maria
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De Sarin a 17.01.2019 às 06:03

Idem, Maria - ou quase, que as minhas listas não eram nem são muitas, haja memória :)
Mas já desmistifiquei várias vezes o porquê de usar os títulos originais - quero dizer, nem todos, há os impronunciáveis sob pena de ser eu a trucidá-los!


A primeira vez que percebi que a tradução do título não era uma opção do autor mas uma interpretação de terceiros, comecei a dar mais atenção aos títulos originais. E aos tradutores. Não me lembro quando terá sido, mas foi antes da Universidade.

E quando duas obras distintas têm o mesmo título em português?!
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De Anónimo a 16.01.2019 às 19:24

É verdade, Sarin, e um dos casos mais flagrantes é o Animal Farm, do Orwell, brilhantemente traduzido como O Triunfo dos Porcos.
Embora A Quinta dos Animais seja a tradução literal, aquele livro trata mesmo é do triunfo dos porcos sobre os outros animais da quinta.

É como aquela da Anita agora ser a Martine...

Mas também há palavras que caem em desuso por snobismo:

- Já não há prendas, mas sim presentes.

- Já não se diz maçãs vermelhas, mas encarnadas, não vá alguém pensar que as maçãs são comunas.

- Já não se diz bicha, mas sim fila, não vão os brasileiros pensar que patati patata...

- Já não se diz "a sério" mas sim "à séria ", e vá-se lá saber porquê.

Resumindo, já não há pachorra!


Maria

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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 20:39

A Anita é Martine? Muito me conta.
Qualquer dia muda de sexo e torna-se Martin.
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De a 17.01.2019 às 11:21

:))
Pelo andar da carruagem lá chegará o dia!!

Pedro, a personagem que dá nome aos livros infantis, a Anita, "mudou de nome" não mudando porque ao que parece - dizem os entendidos - o nome no original sempre foi Martine.
Li na minha infância e tenho a colecção [não completa] dos livros Anita. Para a minha filha mais velha e em criança cheguei a comprar os livros "Anita" mas para a minha filha mais nova esta colecção - nova colecção - dá pelo nome de "Martine". O nome foi alterado em 2015. Mais, o Pantufa já não é Pantufa nem o Pedro é Pedro!!!

https://www.youtube.com/watch?time_continue=135&v=Aq1sIpXX7vU
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De Pedro Correia a 17.01.2019 às 13:21

Isto anda pior do que eu pensava. Que mania esta, de mudar o que está mais que consagrado.
Se fosse hoje, jamais o Tio Patinhas, o Professor Pardal e o Pateta se chamariam assim. Por causa da legião de patetas que há por cá.
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De Sarin a 17.01.2019 às 05:44

A primeira vez que li o título "A quinta dos animais" supus ser adaptação para crianças; não estava muito longe, mas pensava em crianças de 2/3 anos...

A Anita passou-me muito ao lado, não por culpa dela (ou da Martine, sei lá, que aquela coisa do transtorno de personalidade pode ser coisa séria!) mas ler o primeiro livro dos 5 num único dia quando se tem sete anos tira o gosto por Anitas. Martines descobri-os mais velhita e nunca enjoei.


E não caem apenas por snobismo, Maria, há as que caem porque, grávidas de risinhos tontos, se desequilibram; ter muito prazer nestas nossas conversas, por exemplo, faria tropeçar todo um dicionário de adultos adolescentemente risonhos. "É um gosto estar aqui"... e porque não "Seis vinténs"?
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De Anónimo a 17.01.2019 às 15:12

Eu as Anitas conheço de comprar para oferecer às filhas das minhas amigas.
Nunca falhava: bastava perguntar o título que ainda não tinham.
Claro que espreitei os livros e achei completamente idiota mudarem agora o nome para Martine (parece que era o nome original da menina).
Em miúda gostava de livros sem grande bonecada, assim do estilo das Mulherzinhas e afins.

Maria
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De Pedro Neves a 16.01.2019 às 13:46

Subscrevo, sobretudo aquilo que o Pedro escreve sobre os vocábulos que não refletem a complexidade do mundo em que vivemos. Faz-me pensar nas crises políticas que assolam algumas das maiores democracias ocidentais e no papel que a falsa simplificação (o muro! a saída! e a corrupção! só para dar alguns exemplos) desempenha na degradação do debate público. É mesmo isso.
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 14:19

Caro Pedro: tocaste exactamente no ponto onde eu queria chegar. Uma coisa conduz fatalmente à outra.
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De Vorph Valknut a 16.01.2019 às 21:34

Sim. Pensamos com palavras. Quanto mais simples forem estas, mais minimalista o pensamento....embora por vezes a sabedoria requeira simplicidade de pensamento....o tal Alberto Caeiro vs Ricardo Reis
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De Pedro Correia a 17.01.2019 às 10:22

Caeiro simplifica no fim da estrada, não no início. Tal como Hemingway, que já vi mencionado nesta caixa de comentários.
É como a gramática, como ensinava Cardoso Pires: para desconstruí-la, há primeiro que assimilar-lhe as regras. Picasso, que transfigurou a pintura e, a partir daí, também a nossa forma de olhar, desenhava e pintava como poucos nos moldes clássicos.
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De Costa a 16.01.2019 às 14:59

Isso dos livros é uma cena bué da marada. Só interessa a cotas. Quanto às palavras, pra quê complicações? O people não quer ser nenhum Eça!

Yá... Tásse! (e lá vamos andando, orgulhosíssimos da "geração mais bem preparada de sempre")

Costa
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 17:03

Há dias, num transporte público, escutei por casualidade fragmentos de um diálogo entre duas universitárias. Três vocábulos dominavam, de longe, a conversação: iá, bué, tipo.
Vocabulário rudimentar gera pensamento exíguo. Dando origem a uma sociedade de carneiros. Mé até rima com bué.
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De JFB a 16.01.2019 às 16:25

A linguagem verbal (é facto) permite a estruturação do pensamento e favorece a capacidade de compreensão do mundo e de si mesmo, sobretudo quando o diálogo entre o eu e o não-eu se apoia na honestidade da autocrítica. Suprimir o vocabulário constituirá sempre um retrocesso civilizacional e um passo, cheio de subtileza, em direcção à barbárie. Tal processo obedece, hoje, a uma lógica propositada, à qual subjazem interesses frequentemente obscuros. Na era da rapidez, do comentário instantâneo, da “escrita inteligente” – a par da “escrita mutilada” – e do desprezo arrogante da vírgula, qualquer palavra que possa insinuar maior complexidade se torna um incómodo e uma suspeita.
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 16:58

Se por absurdo surgisse um Governo autoritário a impor o uso obrigatório, sob pena de sanção penal, da linguagem monossilábica - por ser mais "entendível" ou sob outro pretexto qualquer - e a proibir por decreto o emprego de adjectivos, por exemplo, passaríamos o tempo a grunhir. Cada vez mais semelhantes ao nosso mais remoto antepassado, ainda morador numa caverna.
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De JFB a 16.01.2019 às 17:40

Seria, em definitivo, o "triunfo dos porcos".
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 20:37

Oinc, oinc. Tipo bué.
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De sampy a 17.01.2019 às 09:39

Eis uma outra forma, pertinente, de enquadrar a luta que trouxe para a ribalta Jordan Peterson.
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De Anónimo a 16.01.2019 às 17:34

Sem querer desdramatizar minimamente os problemas levantados pelo texto, permitam-me apenas informar que há alguns anitos, mais concretamente quando os Sumérios inventaram a linguagem escrita, parece que terá existido uma grande preocupação pelo perigo que isso representava para a preservação da memória e da capacidade de transmissão oral de conhecimentos e factos. Portanto, a coisa já vem de longe e não se pode dizer que não tem sido resolvida.
Acrescento apenas que há correntes literárias - Hemingway à cabeça - que fizeram literatura poupando nas palavras. Eu gosto do Camilo e do Aquilino que nos obrigam a ir ao dicionário, mas o Hemingway tb é fixe, portanto talvez seja melhor não dramatizar demasiado
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 20:37

Em suma: os sumérios puseram-nos a escrever sumários.
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De Miguel a 17.01.2019 às 10:27

No que concerne aos perigos associados à linguagem escrita, há também o Fedro do Platão. A nuance é que a pobreza vocabular afecta tanto a linguagem oral como a escrita.
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De Pedro Correia a 17.01.2019 às 13:16

Sem a menor dúvida.
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De Sarin a 19.01.2019 às 12:25

Não tanto por esses motivos mas para que os segredos e a história lhes não caíssem em mãos alheias, terão os druídas recusado a escrita. E agora conhecemos deles pouco mais do que esta história e as histórias construídas sobre os fragmentos arqueológicos.

Adicionar novos canais para a mensagem aumenta, não diminui, a comunicação; adaptar a linguagem ao canal tem toda a lógica, e são de louvar as muitas e inventivas linguagens que fomos desenvolvendo.

O problema surge quando a adição se torna diminuição por adicção. Reduz tudo.
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De Anonimus a 16.01.2019 às 18:32

Por cada vocábulo que cai, um emoji se levantará.
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De sampy a 17.01.2019 às 09:32

Valeria a pena explorar um pouco mais esta vertente.
Será que estaremos a regressar aos hieroglifos?
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De Anonimus a 16.01.2019 às 18:33

Morre o vocábulo, nasce o kkk.
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De Pedro Correia a 16.01.2019 às 20:35

Ká se fazem, ká se pagam.

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