Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As ovelhas

por João Campos, em 15.07.19

Fui passar o fim-de-semana à terra, aproveitando a passagem por lá tanto da minha irmã como de um amigo de infância emigrado. Normalmente, a ida à aldeia não serviria de pretexto à bloga (só talvez pela açorda de marisco na Zambujeira do Mar, que continua extraordinária), mas quando ontem já preparava o regresso a Lisboa esta notícia do Público fez-me pensar se a viagem de Intercidades prevista para as 19:25 não se revelaria atribulada. 

Comboio Intercidades atropela ovelhas e fica parado quatro horas

O comboio saiu de Lisboa pouco depois das 14h e chegará ao Algarve com quatro horas de atraso.

Em circunstâncias normais, um acidente desta natureza com o comboio que faz o percurso Lisboa - Faro não devia causar atrasos na composição que faria o percurso inverso horas mais tarde, mas quem viaja com frequência na CP sabe que hoje em dia as circunstâncias da ferroviária serão tudo menos normais. Se o comboio acidentado a ir para baixo fosse o mesmo comboio que devia voltar para cima mais tarde, e se não houvesse uma composição de reserva, o atraso seria inevitável. Sabendo que a minha namorada estava nas imediações de Sete Rios, pedi-lhe que passasse na estação e tentasse saber alguma coisa. 

"Aqui não têm qualquer informação de atraso", diz ela pelo telefone. "Dizem que os comboios não são os mesmos, e que o comboio não bateu num rebanho de ovelhas, mas apenas numa ovelha".

Não fiquei especialmente descansado, mas não havia muito mais a fazer (e dei por mim a pensar quão grande teria de ser uma ovelha capaz de rebentar com uma locomotiva). Perto da hora fui para a estação, encontrei um antigo colega de escola e entretemo-nos à conversa. Como era de esperar, às 19:25 não vimos nenhum comboio atravessar o arco da ponte da muito arruinada Estrada Nacional 266, logo antes de entrar na estação de Santa Clara - Sabóia. Os minutos foram passando. Nada de comboio, e nada de informação - a estação encontra-se há muito encerrada, funcionando apenas como apeadeiro, pelo que não há um empregado a quem se possa perguntar algo. Os altifalantes permaneceram em silêncio. O aparelho de contacto estava avariado ou desligado - premia-se um botão, ouvia-se um pi-pi-pi, e nada. A "linha de apoio" da CP continua muda - imagino que seja mais fácil comunicar com Proxima Centauri do que obter "apoio" da ferroviária. Perto das 20:00 (já com meia hora de atraso, portanto), lá soou qualquer coisa nos altifalantes roucos da estação: que ia chegar um comboio Intercidades às 20:30, perdão, às 20:10, e mais algumas palavras imperceptíveis. Mas era melhor do que nada - era, finalmente, uma informação. 

Só quando vimos um comboio a vir de Norte quando devia vir de Sul é que percebemos mesmo o que se passava.

O comboio parou e, em menos de nada o revisor viu-se rodeado por todos os passageiros que aguardavam em Santa Clara - Sabóia. E esclareceu: aquele era o comboio que saíra de Lisboa pouco depois das 14:00 e que tivera o tal incidente com a ovelha ou as ovelhas. E aquele era também o comboio que partiria de Faro com destino a Lisboa, e que devia parar naquela estação às 19:25 (estaríamos perto das 20:15). Considerando que a viagem entre Sabóia e Faro leva uma hora e quinze minutos, é fazer as contas (para recordar as sábias palavras do Guterres) ao tempo que ainda teríamos de esperar ali, no meio de nenhures, numa estação fechada e muito pouco abrigada, com a noite já a cair. Perante os protestos, lá balbuciou um "eu entendo, mas não é culpa minha", enfiou-se na carruagem e partiu rumo ao Algarve.

Sendo da terra, pude voltar a casa dos meus pais para jantar (os outros passageiros não tiveram a mesma sorte), antes de regressar à estação para tentar a única alternativa a uma espera longa e incerta, ou ao adiar da viagem para o dia seguinte: apanhar um comboio "especial" que a CP faz às Sextas de Lisboa para Faro, e aos Domingos de Faro para Lisboa, e que devia parar ali às 21:25. Lá chegou com cinco minutos de atraso: uma automotora de três carruagens com todos os lugares ocupados e com dezenas de passageiros amontoados pelo chão. Foi assim que voltei da província para a capital neste Verão de 2019: sentado no chão de uma automotora, felizmente entretido a ler banda desenhada (ao contrário dos telemóveis e dos tablets, os livros e as bandas desenhadas nunca ficam sem rede ou sem bateria); à minha frente, um velhote de pé - saiu na Funcheira, sorte dele -, um homem de meia idade sentado no chão a olhar para o vazio e outro, de pernas cruzadas no chão, a fazer qualquer coisa num computador portátil. Dois estudantes sentavam-se nos degraus da porta e falavam de futebol, passando de craques recentes a partidas disputadas décadas antes de terem nascido. Havia crianças e idosos a permanecer de pé, gente sentada em cima de malas e no chão, a desviar-se sempre que alguém queria chegar à casa de banho, a levantar-se quando a posição se tornava insuportável. O revisor, esse, nunca apareceu - e imagino que terá mantido o mínimo contacto possível com os passageiros. 

Lá cheguei a Lisboa minutos antes da meia-noite. E em Sete Rios, onde ninguém iria embarcar naquele comboio, já se sabia qualquer coisa: que o comboio Intercidades procedente de Faro com destino a Lisboa Oriente circulava com um atraso de três horas e trinta e tal minutos, e que a hora prevista de chegada seria à uma e dezoito da manhã (mais o pedido de desculpas "pelos incómodos causados"). Uma informação que, cinco horas antes, teria decerto sido útil para os passageiros que esperavam em Sabóia - e, imagino, nas Amoreiras e nas Ermidas (talvez na Funcheira ou em Messines se soubesse de alguma coisa, o que não será de todo garantido), mas que ali pouca utilidade teria. Quem habita no interior - naquele interior só lembrado quando há desgraças - não merece comboios pontuais, e muito menos informação sobre os atrasos. Esperem ou amontoem-se nos comboios, se quiserem. Da próxima vez que o Marcelo e o Costa se lembrarem de ir fazer propaganda para o interior, sugiro que viajem como eu e muitos outros viajámos hoje: sentados durante no chão sujo de uma automotora durante horas. Talvez lhes servisse de lição antes de dizerem asneiras e fazerem promessas vazias. 

O amigo emigrado que encontrei no fim-de-semana disse-me que na Alemanha, onde vive, os passageiros ficam fulos se um comboio se atrasa dois minutos. Pensei muito nisso hoje (ontem) à tarde. Talvez a culpa de todos estes atropelos até seja nossa: bufamos pelos atrasos e pelas supressões constantes, mas acomodamo-nos. Não reclamamos, não partimos a loiça, não abanamos umas carruagens, não fazemos um motim numa bilheteira, não cobrimos um ministro ou um secretário de estado de alcatrão e penas. Nada. Encolhemos os ombros a cada declaração autista de um (ir)responsável político. Gracejamos quando o atraso se repete (e repete). Cagamos umas larachas - para usar uma expressão da terra - nas redes sociais e ficamos por aí, apaziguados pela falsa empatia dos likes e dos emojis furiosos. Enfim, seremos ovelhas, também - e nesse sentido até teremos talvez sorte pelo atraso dos comboios, que pelo menos assim não nos colhem na linha. 

 

ADENDA: Devia ter transcrito este post para as folhas do livro de reclamações, já que me saiu bem melhor. Pormenor interessante: um utente que queira fazer uma reclamação na Estação de Sete Rios terá de escrever de pé, sobre o balcão estreito, quase em cima de quem precisar de utilizar a bilheteira. Enfim, dadas as condições de viagem que a CP me proporcionou ontem, não deixa de ser ironicamente adequado ver-me obrigado a passar longos minutos de pé a preencher os formulários e a descrever o ocorrido. 


31 comentários

Imagem de perfil

De Vorph "ги́ря" Valknut a 15.07.2019 às 08:38

Provavelmente o atraso foi devido ao Delegado de Saúde andar por longe.

Sim, talvez para se ser ouvido, neste país, já não baste o grito, mas sim a punhada.
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:18

Somos demasiado mansos.
Imagem de perfil

De Vorph "ги́ря" Valknut a 15.07.2019 às 08:39

E Beja, João?
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:18

Sinceramente, nem sei se ainda chegam comboios a Beja. A ligação para a Funcheira foi desactivada há anos; para Lisboa é capaz de haver uma automotora. Ainda lá fui várias vezes de Intercidades quando estudava...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.07.2019 às 09:35

Pois,só que na Alemanha não são só os comboios que chegam a horas,as pessoas também! Aqui,fazem gala em chegar tarde. Já li que é "chique" fazer esperar... 😠
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:19

Se é chique fazer esperar, então a CP é "chic a valer!"
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 20.08.2019 às 20:54

Comboios na Alemanha a horas??? Nunca viajou na Deutsche Bahn de certeza.....
Sem imagem de perfil

De jo a 15.07.2019 às 10:12

Os comboios na Alemanha funcionam bastante mal, com supressões e atrasos frequentes.
O que não torna a CP boa evidentemente. Anos de desinvestimento, que ainda não acabaram, levaram a isto.
Imagem de perfil

De Vorph "ги́ря" Valknut a 15.07.2019 às 11:15

Claro. E na Alemanha também existem acidentes rodoviários, como cá. É tudo normal. Até aposto que estamos a crescer mais que a Alemanha....
Sem imagem de perfil

De jo a 15.07.2019 às 18:13

Ver o mundo a preto e branco dá nisto.
Não se concebe que sendo os combóis maus cá, não sejam bons na Alemanha. É impossível que exista alguma coisa má nos países "ricos". A parolice quando dá...
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 20:52

O Passos tem as costas largas.
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:21

Isso não sei, pois nunca andei de comboio na Alemanha. Mas se calhar eu até vivia bem com atrasos e supressões de comboios à alemã se também tivesse condições de vida à alemã.
Sem imagem de perfil

De Bráulio a 16.07.2019 às 02:04

Eu sou o amigo emigrado do João. É certo que não conheço toda a Alemanha, mas do que conheço os comboios não "funcionam bastante mal" para a realidade portuguesa. E os atrasos frequentes que conheço são de 1 ou 2 minutos. Os intercidades veja só que chegam ao destino quase 10min antes da hora de partida.
Imagem de perfil

De João Campos a 16.07.2019 às 10:01

Hehe. Mas com a CP um ou dois minutos não é atraso, é compasso de espera. O país não teria stock de ansiolíticos suficiente se os utentes da linha de Sintra se passassem da marmita a cada dois minutos de atraso... :)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.07.2019 às 11:27

Chamaram o pã,cerimónia funesta,voto de pesar na assembleia,trez dias de luto e luta contra o incivismo ferroviário.
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:22

O deputado do Pã provavelmente nunca terá visto uma ovelha...
Sem imagem de perfil

De V. a 15.07.2019 às 11:50

Por mim era bater-lhes. Muito. Ah pois, e resolvia alguma coisa? Não tenham dúvidas de que sim.
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:23

Alcatrão e penas à saída de cada comissão parlamentar de inquérito, já!
Sem imagem de perfil

De V. a 15.07.2019 às 20:10

Parece-me bem, mas... e que tal se fosse antes, à entrada?
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 20:52

Por que não ambas?
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 15.07.2019 às 11:57

Já fizeste a tua parte, João, ao denunciar aqui mais esta pouca vergonha da CP, um episódio digno de um país do terceiro mundo (expressão proscrita pelo politicamente correcto, mas que é a que melhor traduz estas realidades).
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:16

Ainda irei fazer uma reclamação e exigir o reembolso do bilhete que paguei, mas do qual não usufruí. Só hoje, claro - à hora a que cheguei ontem já não havia vivalma na estação.
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 15.07.2019 às 12:08

Comboios, comboios.
Diz que os transportes públicos estão melhores.
Haveria muito por dizer quanto à qualidade do serviço da CP, mas para já, as reclamações.
Fiz algumas, devido a atrasos. Prazo de resposta, superior a um ano.
Reembolso de um bilhete não usado devido a greve, cerca de três meses.
Apoio ao cliente, telefónico ou chat, limitam-se a ler/escrever os textos que estão no site.
Fiz uma reclamação acerca de um bug no site, em que cobravam mais do que o devido. Dei-me ao trabalho de descrever o processo passo a passo, colocar imagens do formulário, explicar qual o erro e qual o comportamento esperado. Resposta? Nunca. Reenviei para DECO, que contactou a CP. Resposta? Nunca. A opção seria accionar via jurídica... por meia dúzia de euros. Pois, conformismo.
Depois há todo o regulamento de reembolsos. Escrito pela cp, para a cp. Foi sendo "adaptado" de maneira a minimizar os direitos do utente. Que faz a entidade reguladora? Zero.
COmunicação social, pega nisto? Basta relembrar o Verão passado, fazem um escarcéu enorme, e depois... cai no esquecimento.
Por último, o ano passado cancelaram o 1º Alfa Sul-Norte. Houve abaixo-assinados, petições, cartas à AR, a autarcas. Ligaram? Pois sim. Por curiosidade, de todos os deputados contactados (dos 5 grupos parlamentares), apenas um(a) respondeu. E até levou o assunto a uma Comissão parlamentar. Não que tenha servido de muito, mas ainda se deu a algum trabalho.
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:24

O Público ainda vai escrevendo sobre o assunto, mas é o único. E sim, as reclamações são só para se dizer que se fez alguma coisa, pois não vão servir para nada.
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 15.07.2019 às 15:45

O "apoio" ao cliente da cp é em si uma paródia.
As reclamações via formulário caem no vazio. Ninguém tem acesso. Somente indo a Campanhã ou Sta Apolónia (vou arriscar também Oriente), para que o chefe da gare telefone (dentro do horário de expediente, claro) para a central.
E a minha experiência recente é no Longo curso da linha do norte, a tal que "dá lucro", e que é a menina dos olhos da cp. E o serviço é o que é.

PS: carruagens de substituição não há. Avaria o Alfa, ou espera pelo seguinte, ou faz parte do percurso em Urbanos, ou (já me aconteceu) num IC. Perguntei se teria direito a qualquer tipo de reembolso, visto que pagara por um Alfa, lugar marcado, com "condições" de Alfa, e acabei num ic, a sentar onde havia lugar, sem wifi (não que no alfa o haja, mas pronto), sem bar, com bancos piores. Encolheram os ombros... só faltou dizerem (mentira, disseram) que sorte tinha eu em haver comboio.
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 19:19

Vou descobrir isso daqui a pouco. Eu e muitos outros ontem nem fomos "despromovido" de banco de Intercidades para banco de regional; foi mesmo de banco de Intercidades para chão do regional. E vá lá não ter aparecido um revisor armado em parvo a implicar, como vi uma vez entre Entrecampos e o Pinhal Novo quando um Alfa teve um atraso de horas.

É uma pena que para estas coisas seja difícil chamar a TVI ou a CMTV. Uma crónica de viagem em directo era capaz de ser giro.
Sem imagem de perfil

De António a 15.07.2019 às 13:14

O João Campos tirou fotos? Se sim, publique. Não é só as gentes serem prejudicadas, há artigos - li um ontem - a dizer que está tudo bem. Ou que Passos Coelho e a troika venderam ou tentaram vender ao desbarato “tudo o que dá lucro”, nomeadamente a TAP, RTP, CGD, Metro, e CP. Incrível.
Cabe a todos, a todos mesmo, desconstruír essa narrativa, por todos os meios. Não, não dão lucro, e não, não está tudo bem. Só se estiver bom para os políticos, porque o povo, seja de que partido for ou em que partido vote, está a ser tratado abaixo de cão.
Imagem de perfil

De João Campos a 15.07.2019 às 15:27

Tirei algumas, mas não para publicar; não pedi a ninguém que o autorizasse, e não iria gostar de me ver sabe-se lá onde.

Isto está uma maravilha para uns quantos, mais os respectivos sabujos de turno. O resto do país que se lixe.
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 16.07.2019 às 00:50

Não é só em Sete Rios que as reclamações são escritas nessas condições.
Imagem de perfil

De João Campos a 16.07.2019 às 10:03

Eu sei que não. Mas concordará que recorrente não é sinónimo de correcto.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D