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As nossas perigosas verdades

por Luís Naves, em 23.11.18

O DN descobriu outra fake news: afinal, a foto de uma sem-abrigo com criança, que andava a circular nas redes sociais, não foi tirada em Lisboa, mas em Bordéus. A boa consciência ocidental respira mais descansada e lembrei-me de um episódio do final da Primeira Guerra Mundial, quando os países da Entente faziam correr boatos alarmantes nos territórios do Império austro-húngaro, as agora chamadas fake news, que na altura se denominavam boatos. Isso motivou um artigo de Karl Kraus: «as mentiras da Entente em geral nem de longe são tão perigosas como as nossas verdades», escreveu o jornalista vienense. Também considero grave que uma foto de uma sem-abrigo com criança em rua de Bordéus passe por ser uma cena em Lisboa, infelizmente as revelações do DN nada me dizem sobre os sem-abrigo de Portugal. Não encontrei este caso antes de o ler hoje, mas teria desconfiado da qualidade da manta que aquece as duas vítimas. Kraus teve razão antes de tempo, pois os boatos contemporâneos só circulam quando as pessoas deixam de acreditar nas autoridades e na sua imprensa, os rumores só atingem instituições e políticas descredibilizadas. De facto, a nossa verdade é pior que a nossa mentira, por isso teremos mais destes rumores, veremos outros sem-abrigo de Bordéus a fazerem-se passar por sem-abrigo de Lisboa. E lá estará o DN a fazer justiça.


11 comentários

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De Anónimo a 23.11.2018 às 09:34

Não podemos acreditar na comunicação social que nos engana e manipula. O facto de por vezes serem corretos apenas serve para encobrir as outras vezes que não o são, ou seja iludir as pessoas. As aparências são necessárias para iludir as pessoas.

A comunicação social parece uma "terra sem lei" onde vale tudo. A especialidade deles é manipular, divertir e faltar ao respeito.

Com a verdade me enganas!
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De JPT a 23.11.2018 às 10:34

Hoje na Antena1, lá estava a Nicolau Santos a fustigar as "fake news": esse mesmo homem que chegou a director da Lusa às cavalitas do especialista da ONU Baptista da Silva e a noticiar que o "FMI não vem". A causa do frenesim concertados dos porta-vozes da "geringonça" em redor das "fake news" é evidente: o domínio total que têm da opinião publicada. Ouço a rádio pública, todos os dias, entre as 8 e as 9, e a "verdade a que tenho direito", nessa hora, começa no Sena Santos (que, esta segunda, passou 10 minutos a gabar o Pedro Sanchez contra os "radicais" do PP e do Ciudadanos, e, dia no seguinte bateu no Trump por vender armas aos Sauditas, sem sequer se lembrar que o Pedro Sanchez também vende armas aos Sauditas) e acaba no Nicolau Santos, sendo que a meio tenho, segundo o dia da semana, o Paulo Moura, a Isabel Lucas, o Rui Cardoso Martins, a Susana Moreira Marques e a Alexandra Lucas Coelho - todos jornalistas ou ex-jornalistas do Público, representando as várias "nuances" de pensamento entre a "lunatic fringe" do PS, o BE e os "adultos" que ainda acreditam no Pai Natal. E nos "media privados" a coisa são é muito diversas: os jornais publicados não há um que exprima o ponto de vista do centro-direita (e mesmo as pessoas que nominalmente se identificam desse modo têm vínculos estreitos ao actual poder), e as notícias televisivas estão soterradas de futebol e crime. Se a isto acrescentarmos o poder da "geringonça" decidir o que é "fake news" e de proibi-las, não é preciso estar eu a descrever o que, de facto, voltaremos a ter em Portugal.
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De Sarin a 23.11.2018 às 17:34

Mas aparentemente Sena Santos comunga da opinião de PSOE, PP e Ciudadanos, e os interesses dos espanhóis, sendo-lhes mais importantes que os dos iemenitas ou africanos, terão nele um defensor pois que democracia escreve-se com alfabeto romano.

Porque acrescentaremos tais poderes à Geringonça? Acaso o Observador está sob fogo externo? O i? Até no Económico coexistem pacificamente...
Tenho notado que, focados que andam na pulverizaç, perdão, fragmentação à direita, se distraem de matérias mais genéricas; mas não será por culpa da geringonça, que até lhes tem dado motes vários. É tudo uma questão de prioridades, talvez: neste momento são já 3 os deputados com fake presences. Todos laranjas, e todos de peso nas diferentes fases lunares que o PSD viveu no pós-irrevogabilidade. Cortesia do jornal de referência da direita. Ou vai ou riacha.


A geringonça tem responsabilidade em muita coisa, mas o descrédito do jornalismo está quase todo firmado nos jornalistas e nos poderes económico-editoriais a que obedecem.
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De JPT a 23.11.2018 às 18:02

O Observador é publicado onde? O "I"... é exactamente o quê? Quantos portugueses sabem que eles existem? Mais valeria o CM, que durante anos era o único jornal conotado com a direita (ignorem-se o Dia, o Tempo e o Diabo), mas desapareceu na nuvem de pornografia informativa que vai submergindo todas tv. Assinaria por baixo a frase de que "o descrédito do jornalismo está quase todo firmado nos jornalistas e nos poderes económico-editoriais a que obedecem"... se não tivesse esquecido de mencionar os outros poderes a que obedecem.
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De Sarin a 23.11.2018 às 19:27

Os outros poderes não podem tanto, acho. Acho... e por isso os omiti. Uma coisa são notícias, outra a fabricação de opinião - e se nesta a esquerda tem mais pergaminhos, será apenas porque durante anos a direita não pariu muitos que alinhassem duas ideias com boa letra. Continua a não ter muitos, embora mais, mas o equilíbrio aumentou essencialmente por perdas à esquerda.

Já as notícias, a perspectiva editorial varia com os interesses económicos. Vai tudo lá bater, jpt, olhemos pelo desporto, pela cultura ou pela tempestade de serviço.


Num país tão ligado à rede, o Observador e o i e o Económico estão onde estão os outros. E movem-se, como cantavam os U2, em misteriosas ondulações de likes e comentários. Como os outros.
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De lucklucky a 23.11.2018 às 20:55

Não são notícias é proselitismo político. É isso que jornalismo é. Padres.

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De Vento a 23.11.2018 às 11:42

Podemos resumir a sua reflexão a um simples ponto: as meias-verdades são piores que as mentiras.
Agora traduzo, a caça às bruxas, perdão, às fake news, estão aí com uma subliminar mensagem, isto é, o sem abrigo com a criança pertence a Bordéus. Todavia em Portugal não existem sem abrigos e muito menos com crianças ao colo.
Portanto, se existisse um Aristides de Sousa Mendes em Bordéus, este seria penalizado caso fornecesse passaportes aos sem abrigo de Bordéus para virem para Portugal.
Ainda não se deram conta que o flagelo que atinge o mundo, e assim continuará, se traduz num surto migratório de refugiados económicos e sem abrigo. É uma constante na Europa, nas Américas, na Ásia e em África.
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De Anónimo a 23.11.2018 às 11:47

O melhor fake news:

Umas senhoras muito bem apresentadas,estarem à entrada do Mosteiro da Batalha, munidas com a características latinhas a pedirem ajuda para a "família do soldado desconhecido"!

AM
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De Anónimo a 23.11.2018 às 12:40

Não é só em Bordéus. Já os vi pelas ruas de Roma, bem ali entre o Coliseu e o Vaticano.
Infelizmente há sem-abrigo por todo o mundo...
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De Vorph Valknut a 23.11.2018 às 13:38

Quero acreditar que os sem abrigo de Bordéus o sejam pelas mesmissimas razões que os de Lisboa. Acrescentaria a descredibilização dos grandes grupos económicos, com as suas reiteradas falcatruas . A culpa não é só das Instituições públicas e dos políticos. É sobretudo de um modelo de desenvolvimento que privilegia, se alimenta, de falcatruas. É a ganância. ....
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De lucklucky a 23.11.2018 às 20:44

"...os boatos contemporâneos só circulam quando as pessoas deixam de acreditar nas autoridades e na sua imprensa..."

Hahah. Os boatos começam nos jornalistas.

Eu bem me lembro que na altura da invasão do Iraque os jornalistas diziam que os EUA eram um grande fornecedor de armas ao Saddam Hussein...
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De Anonimus a 23.11.2018 às 22:52

Magnífico trabalho de investigação jornalística por parte do DN.

O facto da grande maioria das fotos nos sites de jornais não corresponderem às notícias são feique nus.

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