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As nossas irmãs árvores

por Pedro Correia, em 19.11.17

thumbnail_20170923_080328[1].jpg

 

Converso com um amigo sobre as vantagens de viver no campo, em comparação com o frenético quotidiano citadino. Há uma enorme árvore bem perto de nós. Pergunto-lhe: “Sabes que árvore é esta?”

Não faz a menor ideia. É um choupo negro, alto e esguio, de folha em forma do símbolo de espadas nas cartas de jogar – uma das espécies vegetais mais frequentes em Lisboa por se adaptar muito bem à atmosfera poluída

palmeira califórnia.jpg

 

Este episódio banal confirma-me a profunda iliteracia da esmagadora maioria dos habitantes das cidades em relação ao nosso vasto património botânico. A recente tragédia dos incêndios pareceu ter feito de cada compatriota um inesperado especialista em espécies vegetais – ao ponto de todos terem passado a emitir sentenças categóricas sobre o que deve ou não ser plantado nas quintas e aldeias do interior do País. Invocavam a necessidade imperiosa de acolhermos mais “espécies autóctones” e rejeitarmos “espécies invasoras”, sem fazerem a menor ideia do que significa uma coisa e outra.

Essa pretensa sabedoria teve um brevíssimo prazo de validade, próprio dos actuais surtos de indignação nas redes sociais. A verdade é que poucos conhecem as árvores, muito poucos as respeitam e quase todos são incapazes de nomeá-las.

olaia.jpg

 

Tive a sorte de os meus pais me haverem ensinado desde menino a conhecer o mundo vegetal e a tratar as árvores pelos nomes próprios. Aprendi muito cedo que algumas estão mesmo associadas a características de certas regiões. Na região de onde sou originário, a Cova da Beira, a  cerejeira é uma árvore icónica e muito admirada tanto na magnífica fase da floração como na incomparável explosão dos frutos, que conferem tonalidades muito próprias aos extensos pomares das encostas serranas.

Outra árvore a que prestamos tributo por ser uma histórica aliada no combate à fome e pela sua relevância presente no tecido económico da região é o castanheiro, que aliás se destaca no brasão da Câmara Municipal do Fundão, com as castanhas a figurarem como pepitas de ouro.

medronheiro.jpg

 

Estas e outras árvores acompanharam o meu percurso biográfico.

Os pinhais do Alto Minho e da Fonte da Telha, os coqueiros e tamarindeiros na casa de Timor. Os gondoeiros da praça Engenheiro Canto Resende, no Bairro do Farol. As Madres del Cacau na Ermera. As casuarinas na praia de Hac-Sá, na ilha de Coloane. A grevílea robusta da vivenda da Charneca. Encontrei uma há dias, no jardim do Campo Grande, e saudei-a como se revisse uma velha amiga.

Falta-nos este espírito de confraternização com as nossas irmãs árvores, como diria São Francisco de Assis. Nas reuniões de condóminos urbanos um dos temas recorrentes é o do abate de árvores – porque sujam, porque roubam a luz do sol, porque atraem pássaros e insectos, porque “desfiguram a paisagem”, porque sim. E as próprias autoridades municipais se apressam tantas vezes a retirá-las do espaço público. Ainda hoje não perdoo ao vereador Sá Fernandes ter ordenado a remoção das laranjeiras que ornavam a Praça de Alvalade, substituindo-as por placas de cimento.

choupo branco.jpg

 

Há dias pus-me a pensar nas árvores que sou capaz de identificar – tanto árvores de floresta, de cultivo ou espontâneas, como de jardim. A lista foi-se tornando cada vez mais extensa. Da figueira ao pinheiro bravo, da tília ao carvalho, do eucalipto ao freixo, do lódão à olaia, do marmeleiro à oliveira, da acácia ao salgueiro, do choupo branco à macieira, do pessegueiro à romanzeira, da pereira ao cipreste, da palmeira-de-leque à alfarrobeira, do sobreiro ao jacarandá, da ginkgo à araucária, do zambujeiro à tipuana, do plátano ao limoeiro, da bananeira à nespereira, da laranjeira à magnólia, do pinheiro manso à palmeira das Canárias. Sem esquecer árvores-arbustos, como os dragoeiros ou os medronheiros.

Várias delas, felizmente, integram já a lista oficial do nosso património. Incluindo o inigualável cedro do Buçaco no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, ou a deslumbrante figueira da Austrália em destaque no Parque Marechal Carmona, em Cascais.

Sempre que posso, fotografo-as: são minhas todas as fotos que ilustram este texto, captadas ao longo deste terrível ano que parece de perpétua Primavera, em que as folhas caducas permanecem verdes e muitas espécies estão a florescer em Novembro como se fosse Abril ou Maio enquanto pelo menos 5% da superfície do País ficou reduzida a cinzas. Muitos dos nossos velhos não voltarão a ver paisagem verde em seu redor.

limoeiro.jpg

 

Há três meses, a jornalista Maria Henrique Espada, editora da revista Sábado, reuniu António Bagão Félix e José Sá Fernandes numa interesssantíssima conversa sobre árvores em que os dois interlocutores exibiam extensos conhecimentos na matéria.

Gostei muito de ler o que diziam. Só lamento que Sá Fernandes, enquanto vereador responsável pelos espaços verdes da capital, teime em não partilhar essa sabedoria com os habitantes de Lisboa.

Bastaria colocar tabuletas nos jardins a indicar os nomes das espécies vegetais, como fazem várias câmaras por esse País fora, claramente amigas do ambiente.

Isso contribuiria para aproximar das árvores os lisboetas que hoje julgam que elas só servem para receber urina de cães e dar sombra aos carros nos meses de Verão.

 

 

Legendas (de cima para baixo):

1. Romanzeiras

2. Palmeira-de-leque

3. Folhas de olaia

4. Medronheiros

5. Choupos brancos

6. Limoeiros

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28 comentários

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De Anónimo a 19.11.2017 às 11:38

Respeitosamente, aqui está um excelente post, por vertentes diversas.
Ainda na passada 4ª feira fotografei uma belíssima romanzeira em Monsaraz. Bom Domingo.
António Cabral
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De Pedro Correia a 19.11.2017 às 12:01

Ainda bem que gostou, caro António. Este é um tema que dá pano para mangas.
Um dos muitos temas que me apaixonam.

Bom domingo para si também.
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De Maria Dulce Fernandes a 19.11.2017 às 12:38

Tínhamos uma quinta perto da Moita, numa localidade chamada Barra Cheia, que depois do falecimento dos meus avós paternos não conseguimos manter, por não haver quem estivesse disposto a assegurar o cultivo da vasta variedade de legumes e frutos, nem cuidar dos porcos e aviário. Há 40 e tal anos e a uns passos de Lisboa, os velhotes iam levando as plantações, mas os mais novos procuravam uma vida mais produtiva em termos financeiros tendo em conta a relação vencimento/qualidade.
Tínhamos um pouco de tudo em árvores de fruto. Laranjeiras, tanjerineiras, limoeiros, nespereiras, amendoeiras, romanzeiras, Loureiro, árvores de Lúcia Lima, azevinho... principalmente grandes e frondosas figueiras. Eu adoro figos e preferia "ir às figueiras" do que almoçar peixe, que era a tradição dos fins de semana porque os meus avós não conseguiam adquirir com frequência.
Era fantástica a quinta e passar lá um dia deitada a ler na rede ou a subir nas árvores para colher resina e fazer cola.
Sei apenas distinguir bem árvores de fruto.
Mas nascida e criada em Belém devia conhecer de cor todas as árvores do Jardim Tropical ( ex jardim do Ultramar) para onde ia com a minha tia quase todos os diasmpassear e dar pão aos patos. O meu tio sabia-as todas e contava-me delas. Eu era miúda e não lhes dei a importância que mereciam.
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De Pedro Correia a 19.11.2017 às 14:36

As memórias de infância são inapagáveis. Muitas dessas memórias estão relacionadas com animais e plantas que associamos a pessoas que para sempre nos serão queridas, mesmo após já terem partido há muito.
O jardim tropical, em Belém, é uma das jóias botânicas de Lisboa. Infelizmente muitos lisboetas nunca lá foram.
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De jj.amarante a 19.11.2017 às 16:29

Partilho esse gosto quer pelas árvores quer por saber o nome repectivo. Neste meu post (http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2013/07/vinte-e-cinco-arvores-de-lisboa.html) refiro uma publicação muito interessante da CML, suponho que de 2010, em que falam de 25 árvores de Lisboa.
No meu blogue se fizer busca de árvores (no canto superior esquerdo) verá muitas imagens, sobretudo de Lisboa.
Há uma árvore que também é muito resistente à poluição e mesmo a bombas atómicas, o ginkgo, de que 6 àrvores sobreviveram à bomba de Hiroshima, e que têm sido plantadas em abundância recentemente em Lisboa. As do Príncipe Real sõa mais antigas. No Outono ficam lindas, com quase todas as folhas amarelas antes de as perderem.
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De Pedro Correia a 19.11.2017 às 18:01

Gostei de saber deste nosso gosto comum, meu caro. Esse folheto da Câmara de Lisboa é interessante e informativo.
Gostaria agora que outro passo fosse dado na direcção certa. Defendo que os jardins públicos da cidade passem a ter letreiros que identifiquem árvores e arbustos.
Não custa nada e seria um excelente meio de o vereador Sá Fernandes partilhar os seus conhecimentos de botânica com a população que vive e trabalha na capital...

P. S. - Já deve ter reparado: há de momento muitas árvores floridas, consequência da temperatura primaveril que se vive neste quase fim de Novembro. E, tirando os plátanos que já vão amarelecendo as folhas, as árvores da cidade continuam imaculadamente verdes.
O ginko tem-se espalhado nos últimos anos pelas ruas de Lisboa. Como diz, são árvores muito resistentes: nenhum foco de poluição as assusta. Para quem não as conhece, são fáceis de identificar com as suas folhas em forma de leque.
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De lucklucky a 19.11.2017 às 19:11

Obrigado pelo link.
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De Francisco Carita Mata a 19.11.2017 às 16:41

Ora viva! Aqui está um post que apetece de todo comentar, pela positiva. (Pela negativa, por princípio, não comento posts.) Destaque merecidissimo, pela forma e pelo conteúdo. Na temática que refere e do que conheço, revejo-me quase integralmente no que escreve.
Relativamente a Lisboa há espaços emblemáticos, no respeitante a Árvores! Entre vários, destaco a Avenida 5 de Outubro, quando em Maio ou Junho os jacarandás estão floridos.
Também tenho uma lista extensa de árvores que vou conhecendo e identificando. Além do mais, tenho igualmente um acervo sempre crescente que vou plantando. (Semeio, abacelo, planto e replanto. Também já enxertei!)
No blogue que edito, as Árvores têm tido um destaque relevante.
As "minhas" Árvores, inclusive, têm História.
Anexo um link, a partir do qual se acede a parte do que escrevi sobre a temática. (Acredite, que não perderá o seu tempo, se ousar navegar!)
http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/post-natalicio-amendoeira-frutificada-152225
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De Pedro Correia a 19.11.2017 às 18:05

Parabéns pelo seu blogue, caro Francisco. Vou destacá-lo aqui um dia destes.
Gostei de saber que partilhamos do gosto pelas árvores - infelizmente tão pouco disseminado entre os portugueses.
Não por acaso, Lisboa é - a par de Atenas - a capital menos arborizada da Europa. E mesmo assim não falta gente o tempo todo a resmungar contra o "excesso de árvores", a propósito de tudo e de nada.
É uma questão de sensibilidade. Mas, antes disso, é uma questão cultural. Porque a cultura afeiçoa a nossa sensibilidade. Sem ela, tudo se torna mais complicado.

P. S. - Gostei muito das fotografias das amendoeiras, bela árvore com flores ainda mais belas.
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De Luís Lavoura a 20.11.2017 às 09:47

Lisboa é - a par de Atenas - a capital menos arborizada da Europa

Acho isso estranho, porque já ouvi dizer que os madrilenos admiram Lisboa por ter muitas árvores ao longo das ruas, ao contrário, supostamente, de Madrid.

Quando viditei Nova Iorque a coisa que mais horrível nela achei foi a ausência total de aŕvores.
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De Francisco Carita Mata a 07.02.2018 às 17:44

Face ao que refere de destacar posts, aqui seguem dois em que as Árvores têm um papel de destaque, direta ou indiretamente.
Grato pela atenção.
Cordiais cumprimentos,
Francisco


http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/portalegre-tem-um-passadico-157590

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/cabras-sapadoras-batismo-polemico-157434

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De Pedro Correia a 07.02.2018 às 18:48

Obrigado, Francisco. E parabéns pelo blogue, uma vez mais.
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De Anónimo a 19.11.2017 às 19:06

"E agora vou p'ra casa, que tenho de dar o jantar aos meus semelhantes". É assim que todas as 20:30 o meu amigo Costa (não é o monhé, vade retro) deixa o Café onde nos encontramos. E lá vai ele tratar dos seus cães.
Isto posto, não tenho nada contra as árvores, bem pelo contrário. Estou aqui, estou a tratar das minhas semelhantes.
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De sampy a 19.11.2017 às 21:12

Tenho a confessar que a minha relação com as árvores, muito embora se mantenha de amor-ódio (por razões que não interessa aqui desenvolver), melhorou bastante desde que li O Senhor dos Anéis.
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De Pedro Correia a 19.11.2017 às 21:36

Confesso, neste caso, a minha ignorância. Pois nem li o livro nem vi o(s) filme(s).
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De Alice Alfazema a 19.11.2017 às 22:19

Bom tema, Pedro. É uma tristeza este maravilhoso património não ser devidamente valorizado.

Há duas semanas no sítio onde trabalhe cortaram dois plátanos saudáveis pela raiz, perguntei à pessoa que me chefia o que achava daquilo, disse-me que faziam muito lixo e que haviam outras que também podiam ser cortadas, respondi-lhe que ela e outras pessoas como ela devem respirar tijolo, irrita-me profundamente este tipo de pensamento, depois indaguei a instâncias superiores, e descobri que as árvores tinham sido cortadas porque os pais dizem que fazem alergia, voltei a perguntar se respiravam tijolo, e se depois de terem ardido tantas árvores neste país era correcto terem feito o que fizeram, disse-lhes que aquilo tinha sido um arboricídio. Sabe o que me responderam? Nada. Espero que lhes fique esse peso na consciência por muito tempo, depois sugeri colocarem lá duas ginkgo bilobas que não têm contra indicações a meninos. Estou a aguardar.

Acho que aquela palmeira-de-leque é de Tavira? Num largo que tem uma igreja e um jardim que faz de rotunda, onde há explanadas à volta e numa das saídas vamos dar ao Gilão.

Boa semana.
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De Pedro Correia a 19.11.2017 às 22:32

O caso que aqui nos traz, Alice, é típico da mentalidade dominante em Portugal. Mesmo num ano de tantas tragédias que devastaram as nossas florestas e os nossos pomares, a grande maioria das pessoas encara com total indiferença o nosso património vegetal ou encara-o mesmo com aberta hostilidade.
Como assinalo no meu texto, nas reuniões de condóminos urbanos um dos temas recorrentes é o do abate de árvores – «porque sujam, porque roubam a luz do sol, porque atraem pássaros e insectos, porque “desfiguram a paisagem”, porque sim». E as próprias autoridades municipais são as primeiras, tantas vezes, a desalojá-las do espaço público.

Boa semana também para si.

P. S. - Parabéns pela argúcia. A fotografia, de facto, foi tirada em Tavira.
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De Luís Lavoura a 20.11.2017 às 11:32

Questiono que experiência tão vasta terá o Pedro de reuniões de condóminos para poder dizer que nelas as árvores são tema recorrente.
Em frente ao prédio em que vivo há árvores que tapam o sol aos andares mais baixos e que emporcalham os carros estacionados com uma goma que libertam. Mas nunca nas reuniões de condóminos desse prédio ouvi fosse quem fosse a falar dessas árvores.
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De Anónimo a 27.11.2017 às 11:48

Que tristeza, Alice...
Presumo que trabalhe numa escola ou num local com crianças e é uma pena que sejam privadas do contacto com as árvores.

A melhor coisa do recreio da minha escola era um jacarandá enorme - pelo menos para nós era gigante - que estava mesmo no centro no pátio. Servia para tanta coisa; jogar as escondidas, coito na apanhada ou para apanhar flores ranhoquencas. Nunca passou pela cabeça dos pais mandá-lo abater por "fazer lixo"...

E é um pouco irónico que - pelo menos daquilo que tenho falado com amigos médicos - o aumento das alergias esteja mais associado ao respirar tijolo do que às árvores...
Marta
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De Edmundo Gonçalves a 20.11.2017 às 00:13

Olha, desde miúdo que convivo intimamente com elas. Na infância e puberdade com as lá de Tomar, que os meus avós tinham nas pequenas propriedades, figueiras, oliveiras, macieiras, pereiras, nogueiras, amendoeiras, nespereiras, cerejeiras, ameixeiras, laranjeiras, pessegueiros e mais algumas de fruto de que agora me não lembro e mais os pinheiros bravos e mansos (estes cujo fruto também se come e é delicioso) e os choupos e os freixos e os vimeiros e os chorões à beira do pequeno ribeiro que atravessava a horta. A determinada altura, já na juventude deu-se a invasão do eucalipto, que foi roubando espaço ao pinhal (eu não sou contra, desde que com conta, peso e medida).
Havia também uma acácia enorme, linda, em frente à casa. Na cidade havia (e há) uma panóplia enorme na Mata Nacional dos Sete Montes (a Cerca - do Convento de Cristo) e pela própria cidade, predominando o choupo nas ruas e avenidas, havendo alguns jacarandás e plátanos.
Cá em casa, contadas assim de repente, há cinco variedades de ameixeiras, algumas no mesmo pé, que é de amendoeira, que tem uma vida mais longa, duas de cereja, na mesma árvore ("dão" pouco, faz pouco frio em Caneças), duas variedades de nêsperas, cinco de pessegueiro, três de figueira no mesmo pé, seis de pereira também num só pé, um abacateiro, uma anoneira que produz que se farta (ainda hoje colhi uma com 800 gramas e mais meia dúzia com mais de 1/2 kg), três variedades de romã, também na mesma árvore, uma laranjeira e uma clementina e um marmeleiro e uma bananeira e mais uns pés de videira que parecem árvores, que me dão uma trabalheira desgraçada, mas que me dão um enorme prazer. As glicínias, que também estavam enormes, foram cortadas p'lo pé, que já me estavam a dar cabo das árvores vizinhas e exigem uma manutenção "sempre em cima", desisti. Este ano as folhas não caíram ainda na maior parte delas, as que já as deviam ter perdido, mas a pré-poda já teve que ser feita e elas já estão a "rebentar". Se o meu avô fosse vivo, diria "isto é dos astros, Mundinho", mas eu sei que não é nada dos astros.
Para terminar, por dever de ofício durante muitos anos, andei na rua e ao que fui assistindo, foi à plantação de muitas árvores sem qualquer critério e completamente desadequadas para o meio urbano, como as pimenteiras, para dar um exemplo flagrante, ou o próprio local onde as plantam, ou as podas radicais que se fazem só porque "é hábito" nos plátanos, matando-os aos poucos. São bonitas, as árvores na cidade, mas seria bonito que os paisagistas e os urbanizadores se preocupassem em adequar as espécies aos locais, para depois os moradores não levarem com os ramos das árvores nas janelas e elas não se tornem um convite à ladroagem. Os próprios choupos, que como dizes e bem resistem muito bem a ambientes poluídos, são hoje inimigos de um nosso bom amigo, o ar condicionado, portanto, em resumo, as árvores sempre primeiro, mas se não for dar muito trabalho, que sejam adequadas aos locais onde são plantadas.
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De Pedro Correia a 20.11.2017 às 10:44

Meu caro, o teu comentário confirma que és um grande conhecedor na matéria: gostei muito de saber desta tua paixão. E deixas aqui pistas muito interessantes e pertinentes, sobretudo na crítica - que naturalmente partilho - aos paisagistas e urbanistas que decidem plantar espécies inadequadas para determinados locais sem avaliar as consequências para os moradores.
Por outro lado, não deixo de encarar com certa ironia aqueles citadinos que se apressam a exigir aos "rurais" que plantem "espécies autóctones" enquanto aplaudem, entusiásticos, a proliferação de jacarandás e 'ginkgos' pelas ruas de Lisboa - duas espécie que, como sabemos, são tudo menos autóctones.
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De s o s a 20.11.2017 às 00:14

começo pelo fim, sim, parece bem identificar as arvores, ,neste caso colocar placas de identidade.

as arvores, como os passaros , e tudo o mais , tem o seu interesse, sorte do Pedro saber tanto, mas nao vejo que dai venha a inveja da parte de quem nao sabe nada, mesmo nada, como é o meu caso, que nao distingo uma macieira de uma pereira, excepto, claro, quando com o respetivo fruto.

E portanto, ante tamanha enciclopedia, inclusive bonita, e também porque o Pedro diz que cresceu a aprender, apetece-me, mas nao vou perguntar, no intervalo de que o Pedro cultiva esse "cultivo ".

Já quanto ao condominio, isso sim materia muito mais que interessa aos urbanos. e da mesma forma que existem tantas dicas, como para nao pagar comissoes bancarias, talvez um dia apanhe o Pedro a ensinar como os condominos podem defender-se das administraçoes, cada vez mais exercida por empresas externas,
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De Pedro Correia a 20.11.2017 às 10:35

Não percebo nada disso. Nem quero perceber.
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De Luís Lavoura a 20.11.2017 às 09:42

deste terrível ano que parece de perpétua Primavera, em que as folhas caducas permanecem verdes

Pelo contrário, devido à seca muitas árvores deixam cair as folhas mais cedo, para não perderem água por transpiração.

Pelo menos é o que acontece com os meus carvalhos americanos (Quercus rubra).

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