Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As eleições presidenciais francesas.

por Luís Menezes Leitão, em 17.02.17

Há uma coisa que me tem surpreendido em absoluto nos últimos tempos: a total falta de profissionalismo na condução das campanhas eleitorais. Mesmo na América, onde as campanhas eleitorais são habitualmente conduzidas com enorme eficácia, Hillary Clinton fez uma campanha desastrosa, acabando por perder a eleição.

 

Em Franca, no entanto, parece que isto atingiu o absurdo total, estando todos os candidatos a dar sucessivos tiros no pé, parecendo que a única coisa que querem garantir a eleição a Marine Le Pen. O último episódio é esta entrevista de Macron. Será que ele acha mesmo que este discurso é a resposta adequada a esta campanha da sua adversária principal? Depois não estranhem o resultado.

Autoria e outros dados (tags, etc)


12 comentários

Sem imagem de perfil

De ruia. a 17.02.2017 às 11:14

É verdade que as campanhas para a eleição francesa têm sido miseráveis. Com excepção da campanha da Marine. Ando a dizer, há meses, que a mulher vai ganhar as eleições e que terminaremos 2017 com um mundo muito diferente do que era no fim de 2016. Mas oxalá esteja enganado e o sistema eleitoral francês volte a salvar aquilo de que os políticos já não são capazes.
Sem imagem de perfil

De sampy a 17.02.2017 às 13:19

Pode ter sido uma manobra de diversão, face aos rumores/acusações que estão a minar a sua campanha (a orientação sexual, as despesas de representação desviadas, a ligação à Goldman Sachs...).
Também pode ter sido um piscar de olho à comunidade magrebina/árabe, cavalgando o mal-estar típico da esquerda perante o colonialismo. Esse eleitorado nunca fugirá para a Marine. Mas mexer nesse tipo de feridas gera resultados ambíguos (como em Espanha o desenterrar da Guerra Civil).
Por outro lado, o homem tratou logo de dar uma na ferradura ao afirmar (ao Obs) que os opositores ao casamento gay têm vindo a ser humilhados em França.
E enquanto isso, vamos a ver se a Marine consegue passar sem muito desgaste pela história dos empregos fictivos. Afinal, a honestidade não será propriamente a primeira razão invocada pelos adeptos da senhora (ao contrário de Fillon que tinha feito da probidade o seu grito de guerra e por isso se queimou a valer).
Sem imagem de perfil

De JSC a 17.02.2017 às 18:48

Penso que as únicas eleições que estão na corda-bamba são mesmo as da Alemanha, o resto vai tudo de acordo com o que se tem passado (Trump, Brexit)
Sem imagem de perfil

De Vento a 18.02.2017 às 13:21

Permita o Luís que partilhe a minha percepção - não de erro mútuo - sobre o que designo por mutualidade no discurso político, bastante arrastada pelas designadas novas correntes.

O homopoliticus (esta do "cus" não é intencional. Espero que não se origine um erro de percepçao mútuo) é um novo estágio da evolução do Homem. Possui como característica vincada o camaleonismo (sim, refiro-me àqueles bichinhos sem bossas. Todo este cuidado para que se evite o erro de percepção mútuo). Esta condição do grupo, mutatis mutantis, desvirtua o sentido piramidal da cadeia social humana.
Isto é, o homopoliticus deixa de ser a representação viva da espécie para se tornar ele mesmo numa espécie hibrida, que se traduz na semelhança da forma mas com uma mescla de conteúdos.
Ora bem, a tecnologia social não só não desenvolveu catalisadores que impeçam o controlo das emissões resultantes deste estranho combustível como também o homopoliticus não pode querer fazer parecer que, para cada circunstância, é possível incorporar nesta espécie um qualquer mecanismo que subtraia as restantes misturas que propulsionam este novo ser.

Eu acredito na Universalidade, mas uma Universalidade que possua uma regra natural. Regra que aposta na diversidade mas que não pretenda que o diverso se transforme em igual.
Tudo isto para dizer que só pode existir heterogeneidade assimilando que esta reforça a diversidade de grupos homogéneos.
É este equilíbrio que o homopoliticus não é capaz de entender; e por não ser capaz de entender, também não é capaz de fazer.

A política é a arte da construção das relações. Mas os políticos pensam que são construtores de novos seres. Querem fazer o papel de deuses. Não se estranhe, portanto, os sucessivos falhanços nas relações entre os homens.
Sem imagem de perfil

De sampy a 18.02.2017 às 20:52

Outra hipótese: Macron lança uma provocação aos nacionalistas, sabendo que suscitará viva reacção; e no meio da polémica e dos ataques, aproveita os holofotes para se exibir como o campeão da serenidade cívica e do respeito democrático, ao mesmo tempo que dá a entender ser o único candidato no momento que está a confrontar de forma directa e acesa a Frente Nacional.
O homem não é burro...
Imagem de perfil

De Luís Menezes Leitão a 19.02.2017 às 06:06

Se a ideia é dar a vitória à Marine, a estratégia é excelente. Veja o que é um candidato presidencial a fazer campanha, acusando o seu próprio país de crimes contra a humanidade. Acha que os cidadãos o elegem chefe de Estado? Não me parece.
Sem imagem de perfil

De Vento a 19.02.2017 às 12:14

Desculpe a interferência nesta sua resposta.
Se tiver em conta que Sarkozy entre 2007 e 2012, ao recuperar o discurso da FN, se tornou o precursor da nova ordem política que se veio a estabelecer em França, compreenderá que Marcon busca o eleitorado vindo da imigração para contrariar a sua oponente.

Mais, foi Sarkozy que legitimou o discurso da FN; e com o afastamento de Jean Marie Le Pen, sua filha reforçou sua intenção e posições ao dirigir suas atenções para as vítimas do liberalismo, conquistando tecido eleitoral vindo da esfera do sindicalismo francês. Recordo que Le Pen propõe uma sobretaxa de 10% sobre o salário auferido a ser paga pelas empresas que contratem imigrantes.
Pretendo com isto dizer que nos devemos focar nos deméritos de todos quanto contribuíram para a decolagem da FN, interna e externamente.

Todavia desengane-se quem pensa que a vitória de Le Pen está garantida. As surpresas irão surgir. Fique atento.

O grave erro dos políticos da ruptura é não compreenderem que a estabilidade que ambicionam não se adquire internamente, mas através de uma acção de estabilização já bem identificada nos mapas internacionais.
Em resumo, a estabilidade e defesa interna que preconizam originará inevitavelmente um maior investimento em armamento e defesa e um consequente desfecho bélico externo para justificar o falhanço dessas políticas.

A história demonstra que essa estabilidade e progresso individualmente oferecido foi Sol de pouca dura. Só no concerto das nações é possível o progresso para todos.
Existe um conceito de liberdade que não integra a plenitude desse ser livre. O Homem é radicalmente livre se entender que a radicalidade dessa liberdade só é possível se antes for social.
Portanto, a nova ordem internacional deve surgir através de uma obediência ao amor e não ao temor.

Finalmente, gostaria de relembrar, e recomendar também ao Luís (se me permite), a leitura da Encíclica Pacem in Terris do saudoso João XXIII, apresentada ao mundo na Semana Santa de 1963.
Sem imagem de perfil

De Vento a 21.02.2017 às 23:06

Na eventualidade de não ter reparado na notícia, deixo aqui a primeira surpresa:

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/franca-fillon-recupera-segundo-lugar-nas-sondagens

Imagine que este seria o cenário para uma 2ª. volta, acredita mesmo que Le Pen venceria as eleições?
Creio que não necessito alongar-me para que o Luís compreenda o que pretendo afirmar.
Imagem de perfil

De Luís Menezes Leitão a 22.02.2017 às 06:33

Fillon é o candidato ideal para Marine numa segunda volta. Melhor do que ele só Hamon ou Mélenchon.

Com Macron, acho que haveria algumas hipóteses de Marine perder. Com Fillon, é praticamente impossível. Acha mesmo que há alguma hipótese de um candidato da direita religiosa, que colocou toda a família a comer à mesa do orçamento de Estado, bater uma candidata da extrema direita laica e populista, que vai fazer um discurso contra a corrupção e a roubalheira dos políticos tradicionais? Pessoalmente sempre achei que Fillon vai ser um filão para Marine. Oxalá me engane.
Sem imagem de perfil

De Vento a 22.02.2017 às 12:11

A questão que pretendi levantar foi a seguinte: Fillon e Marcon vão ter de se entender. E posso afirmar que Marine não vai vencer.

Todavia, Marcon vai decolar nas sondagens. Qualquer discurso de Le Pen em torno da corrupção não avivará memórias. O facto de Fillon se manter na corrida indica que a memória do eleitorado não se apaga. Em consequência, esvazia o discurso de Le Pen. O eleitorado de Fillon correrá mais rapidamente para os braços de Marcon que para os de Le Pen. E em última instância Fillon beneficiará dos votos do eleitorado de Marcon.

Eu também prefiro Marcon.
Sem imagem de perfil

De Vento a 22.02.2017 às 12:20

Desculpe o meu erro. Tenho escrito Marcon ao invés de Macron. São os denominados erros por simpatia, tal como invertemos 18 e 81 e outros mais quando trabalhamos com números.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 21.02.2017 às 01:17

é a Cultura. Ou melhor a monocultura.

Se a "elite" vive na bolha cultural jornalística não se pode esperar que façam campanhas em que entendam o que existe no terreno.

Não são só os adolescentes que chegam a Universidade sem saberem fazer um resumo de um texto, quem vive só dos jornais deixa também de ter contacto com a realidade.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D