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As eleições no Brasil.

por Luís Menezes Leitão, em 08.10.18

Os resultados das eleições brasileiras mostram um país à beira do abismo, com um candidato de extrema-direita radical quase a ser eleito à primeira volta. Isto é um sintoma de uma sociedade em colapso, onde um povo está disposto a trocar a sua liberdade por uma simples promessa de segurança. Mas é verdade que a insegurança no Brasil atingiu o extremo. Estive em São Paulo no fim de Agosto e, quando me levaram a jantar, avisaram-me de que podia estar tranquilo porque o carro era blindado. No dia seguinte de manhã, vi na televisão que um desgraçado que tinha ido de bicicleta comprar pão, como fazia todos os dias, fora morto sem qualquer motivo, apenas por uma bala perdida. Pensei logo que num país que se deixa chegar a este ponto tudo pode acontecer.

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15 comentários

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De Vento a 08.10.2018 às 11:26

Creio que resume a análise do resultado eleitoral de forma pouco objectiva. Uma parte da população brasileira sentia-se órfã e nada representada pelas estruturas políticas e sociais que dominaram nos últimos anos. O conjunto desta população representa cerca de 90 milhões de votantes em Bolsonaro, de um total de 150 milhões de votantes.
A questão da segurança, importante que é, representa as seguintes estatísticas:
175 pessoas morrem todos os dias vítimas dessa mesma insegurança. Significa isto, a título exemplificativo, que cai um boeing da ponte aérea todos os dias no Brasil. Significa isto, tal como refere em seu post, que o facto de se recorrer a um carro blindado indica também a inexistência de liberdade e não só de segurança.
Somado a este fenómeno encontramos a crise semeada pelo directório apoiado pelos media e pelo meio académico - ou pelo menos que se julga representar o meio académico - que tem contrariado princípios sociais comuns apelidando de extremistas de direita esses mesmos que acima referi como órfãos.
Associado a estes dois fenómenos encontramos a crise económica que levou para as ruas da amargura cerca de 40 milhões de pessoas, ainda que os números oficiais indiquem a existência de 13 milhões de desempregados.
Não menos importante é o facto dos contribuintes verificarem que a sua contribuição para o Estado não corresponde ao retorno expectável em termos de assistência e serviços que este mesmo Estado devia prover, incluindo evitar a ruína instalada nos serviços de saúde.
Por último, o fenómeno da corrupção que vem potenciar o sentimento de medo e insegurança que leva as pessoas a não acreditar nas estruturas representativas da nação.

Tudo indica que Bolsonaro vencerá no 2º turno, quer por via da diferença percentual que o separa de Haddad quer por via do apoio paulistano que lhe será dado.
Não obstante, tendo em conta a configuração política que emergirá no senado e também nos governos estaduais, acredito que o ponto de equilíbrio será estabelecido e uma nova era surgirá no Brasil. Creio que a esquerda brasileira acabou de aprender que não se governa por uns contra os outros.

Há tempos afirmei que Chavez na Venezuela era a pessoa certa para contrariar as injustiças que se vinham somando naquele país. Porém a linha desse partido evoluiu para uma ditadura; e, como também afirmei, Maduro cairia e cairá de maduro.
As nações que não compatibilizam os interesses e necessidades de seus cidadãos acabam sempre na ruína.
Concluindo, se nada for feito para travar os erros, o fenómeno galgará fronteiras e materializar-se-á na UE que já possui os sedimentos deste mesmo acontecimento.
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De Pedro a 08.10.2018 às 11:27

Só não entendo, em que parte do programa politico de Bolsonaro, o eleitor brasileiro vê uma projecto lógico e claro para diminuir a insegurança. Acaso passará pela esterilização dos pobres? Pelo armamento da população? É que se assim for, porventura, quem vota em Jair, arrisca-se a, também ele, ser esterilizado, pois não será pelo voto da classe média e média/alta que Jair ganhará as eleições...coisas que não dão para entender
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De Sarin a 08.10.2018 às 12:16

A guilhotina de tais sistemas cai, segundo os seus defensores, no pescoço do próximo. E a verdade é que quem se submete e aceita feliz a perda de Liberdade viverá feliz na sua gaiola dourada.

"A mãe de Isabel mandou construir muros altos para não ver a miséria dos outros", algo assim escreve Isabel Allende no seu semi-biográfico "De amor e de sombras".

Além da falta de respostas noutros quadrantes, afinal tudo se resume àquilo de que cada um está disposto a abdicar para viver ou sobreviver hoje. Amanhã lidamos com as consequências, se vivermos até lá.
Fruto natural da sociedade de consumo imediato, Pedro.
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De Pedro a 08.10.2018 às 13:23

Sarin, chateando-te mais uma vez. Em países com assimetrias sociais acentuadas os comportamentos anti-sociais são abundantes (ex: desejar que o próximo de nós perca/vingança , desconfiança, a não entre-ajuda,etc). Curiosamente esses mesmos comportamentos anti -sociais são dirigidos dos pobres aos mais pobres,entre pares, e não contra os segmentos mais altos da sociedade, responsáveis pelos governos Porventura porque estes, os privilegiados, tendo um sentimento de classe mais forte e dominando as cordas do Poder criam mitos,rapidamente aceites pelos outros (estes gajos não querem é trabalhar; o Estado Social é insustentável; O SNS deve ser privatizado . ...), solidificando a sua posição social.

https://www.google.pt/amp/s/amp.theguardian.com/commentisfree/2012/aug/05/riots-inequality-poverty-self-esteem
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De Sarin a 08.10.2018 às 21:31

O desprezo entre pares é talvez mais fácil porque a comparação é mais imediata - conhece-se o universo. A história do mendigo que sonha com um colchão e um cobertor, e que perante a questão se lençóis de seda ou de cetim indaga espantado "o que são lençóis?".


Chateia quando quiseres, sabes que gosto destas chateações
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De lucklucky a 08.10.2018 às 22:20

Talvez esse povo veja os mitos do Pedro e saiba que os funcionários do Estado podem ter ADSE para ir ao Privado escapando ao SNS e o povo não.

Se a Ditadura do Estado Novo não tivesse dado as finanças sãs ao 25 de Abril não existiria Estado Social baseado na Dívida e consequente possibilidade de ter défice todos os anos ou quase.
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De Pedro a 09.10.2018 às 10:02

Finanças sãs num povo doente.
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De lucklucky a 09.10.2018 às 21:23

Diga-me Pedro. A mortalidade infantil baixou drasticamente antes ou depois do SNS?

Se está a falar do zeitgest do povo, no 24 de Abril iam a manifestações pro Ditador Marcelo Caetano, no 26 de Abril iam a manifestações pro-ditadura Comunista.
Um golpe amanhã e terá milhares a aplaudir q
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De Pedro a 10.10.2018 às 12:39

Em 1970, ano em que morriam 68 crianças em cada mil nascimentos, esse número cai para 15 mortes em 1990, para sete em 2000 e para quatro em 2015.


Quanto a manifestações populares em ditadura, ou em períodos revolucionários, tenho sempre dificuldade em avaliá-las
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De lucklucky a 09.10.2018 às 21:26

As minhas desculpas, cliquei no enter inadvertidamente de modo que o texto não ficou completo.

Se houver um golpe amanhã terá milhares a aplaudir independente do lado para que seja o golpe.
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De Anónimo a 08.10.2018 às 14:13

80% dos portugueses e seus descendente votaram Bolsonaro. Vá perguntar a eles?
Estar sentadinho no bem bom portuga a viver duma qualquer pensão ou rendimento mínimo dá para brincar com o teclado. Vá pra lá!!
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De Sarin a 08.10.2018 às 21:59

Mais produtivo seria que o anónimo sustentasse opinião em vez de me mandar perguntar a terceiros.

Tente perceber que, se quer tirar ilações sobre os meus rendimentos ou sobre os equipamentos com que escrevo, e tudo isso com base em nada, posso devolver-lhe a imbecildade respondendo que se porventura recebo pensão não serão os descontos de um brasileiro mal-educado a pagá-la.

Chamar-lhe mal-educado resulta da evidência: o seu desrespeitador "portuga", ou o provocatório mandar o natural de um país ir viver para fora do seu próprio país.

Se aprecia Bolsonaro, espero que, caso ele ganhe, o anónimo apanhe o primeiro avião e retorne ao Brasil. Não porque me incomodem emigrantes, mas porque me incomodam o debate pessoas que não sabem argumentar.
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De Anónimo a 08.10.2018 às 14:15

Só faltou dizer que Bosonaro foi a causa do caos em que o Brasil está mergulhado.
A China não impôs um só filho por casal? E o mundo revoltou-se?
Claro que a pobreza atinge mais os pobres e para quê terem 8,9,10,12 filhos? É disto que Bosonaro fala.
Parece que há 90 milhões de classe média no Brasil. Se assim fosse seria o mais avançado país no mundo.
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De Sarin a 09.10.2018 às 02:02

O mundo revoltou-se quando a China impôs 1 filho. Impôs a todas as famílias, não mandou esterilizar ninguém e muito menos devido a competências sociais ou capacidades económicas.

Perigosa iliteracia, a que permite a leitura mas não a compreensão.
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De Anónimo a 08.10.2018 às 17:28

Não, não é apenas a falta de segurança.
É a corrupção.
É a globalização da pobreza e da indignidade humana.
É a destruição dos recursos naturais e do ambiente em geral.
É a ditadura do politicamente correto e do mundo cor de rosa.
É a prostituição da justiça.
É a manipulação de todos os meios de comunicação.
É a sujeição de todos os valores ao valor do dinheiro.
É...
Perante tudo isto, nós, os democratas, pensamos que vivemos no melhor dos mundos e que os milhões que elegem estas figuras não têm juízo nenhum.
Continuemos assim e o futuro será negro.
(Por falar nisso, acabo de saber que um partido assumidamente fascista, recentemente constituído, encheu, em Madrid, um pavilhão com 10000 pessoas, coisa que nem o Podemos nem o Ciudadanos alguma vez conseguiram...)
João de Brito

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