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"As coisas são como são"

por João Villalobos, em 29.05.18

Como costuma dizer-se; "É a vida". Existiram posições públicas de parte a parte, existiu uma votação nominal escrutinável d@s deputad@s dos diferentes partidos e o resultado foi, democraticamente, o que foi. A história parlamentar ensina-nos que as causas chamadas fracturantes surgem e regressam, com resultados diferentes, ao longo do designado processo histórico. Saber respeitar as decisões e nem por isso deixar de lutar por aquilo que entendemos poder ter sido - ou possa vir a ser - uma decisão diferente, é a base do nosso modelo constitucional. Dito isto, e por enquanto, o senhor presidente da República já ficou sem mais uma razão para dor de cabeça. "As coisas são como são", escrevia em jeito de assinatura Victor Cunha Rego. Convém relê-lo, nestas como em outras alturas.


41 comentários

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De Anónimo a 29.05.2018 às 19:26

"d@s deputad@s" Isto é português? Será algo baseado no Acordo Ortográfico?
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De João Villalobos a 30.05.2018 às 07:36

Se está preocupado com a língua portuguesa vá ler livros e deixe-se de blogues e outras merdas...
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De Costa a 30.05.2018 às 09:38

"Se está preocupado com a língua portuguesa vá ler livros e deixe-se de blogues e outras merdas..."

Sei que nada tem, em princípio, a ver com o assunto em debate. Mas ler isto neste local e escrito por um autor do blogue (deste particular blogue; e não será preciso desenvolver a questão), surpreende e entristece.

Ou talvez me escape uma finíssima ironia.

Costa
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De João Villalobos a 30.05.2018 às 10:00

Não escapou nada. Sou mesmo eu que me estou borrifando para o assunto.
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De Costa a 30.05.2018 às 10:10

Você escreve então - e eu uma ou outra vez comento - numa merda.

Seja.

Costa
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De V. a 30.05.2018 às 10:06

Merdas fica aqui tão bem — isto é arte, pá!
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De V. a 30.05.2018 às 11:33

"Blogues e outros cocós"? OK mas assim já soa a uma colectânea de ensaios de Luiz Pacheco. Mas cuidadinho: de e não sobre.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 14:25

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De Sarin a 30.05.2018 às 23:40

E ainda dizem que a cultura é cara...
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De Sarin a 29.05.2018 às 19:48

Uma questão apenas o deixa de ser quando ninguém questionar.

Respeite-se o processo democrático, e continue o debate na sociedade para que, num próximo escrutínio, esta seja menos uma causa e mais um direito.


Entretanto, talvez possamos usar um vocabulário mais claro, por exemplo deixar de falar em "eutanásia" como sinónimo de "morte assistida" - nem toda a morte assistida é eutanásia, vejam-se os animais domésticos. Não é saudável ver pessoas temer a eutanásia por medo de que as eutanasiem como se "eutanasiam" cães e gatos.
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De Luís Lavoura a 30.05.2018 às 11:34

Tem razão. De facto, não se trata de eutanásia. A eutanásia é alguém matar outrém por piedade ou compaixão face ao seu sofrimento, mas sem autorização ou pedido desse alguém.
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De Sarin a 30.05.2018 às 14:20

Por Eutanásia depender da vontade do próprio é que se deve dizer que os animais têm morte assistida em vez de eutanásia.
O animal não expressa vontade.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 16:37

Que eu saiba, em veterinária, até há bem pouco tempo falávamos em eutanásia.

Um animal expressa vontade, nós é que poderemos não saber interpretá-la. Um animal pressente a sua "morte"/fim. Pode é não saber conceptualizar a Morte. Coisas diferentes.


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De Sarin a 30.05.2018 às 18:57

Ainda falam em eutanásia, não sei se por hábito ou se porque ainda assim definida nos manuais.
O que não exclui o facto de ser uma apropriação de um conceito desenvolvido em torno da vida humana. E de poder, assim, contribuir para criar receios e dificultar o debate.


O cumprimento da expressão de uma vontade depende da percepção dessa expressão. Questão de comunicação, emissor e mensagem.
O animal pode pressentir a sua morte, mas não expressa vontade de morrer, ou se expressa não o percebemos - o que impugna o conceito, subjacente e fundamental, de autorização, de vontade expressa.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 22:58

O curioso é o proprietário, que decide pelo animal, afirmar:

- Viver assim não adianta!

Contudo existem outros, regra geral católicos praticantes, que só aceitam a morte dita natural.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 23:05

Sarin alguém sabe,ao certo, o que é a morte? No fundo sabemos tanto dela como um cão. Quanto muito diferimos uns dos outros na conceptualização e percepção/expressão. Nada mais.Com uma outra vantagem, a nosso favor.Somos nós que fazemos as leis, muitas delas sem suporte natural
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De Sarin a 30.05.2018 às 23:31

Ninguém sabe, caro Kälhau. A única certeza que tenho sobre a morte é o que aprendi viva com os meus mortos - fica um enorme vazio do lado de cá.


E essa é, exactamente, a grande questão: somos nós que fazemos os códigos.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 23:49

Ninguém sabe conscientemente escolher o melhor para a sua vida, pois a Morte, para nós, não passa de uma Idéia
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De Sarin a 31.05.2018 às 01:17

Podemos conscientemente escolher testar tal ideia quando mais ideias não há.

Assim tal nos seja permitido.
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De Meister Von Kälhau a 31.05.2018 às 09:02

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De Anónimo a 29.05.2018 às 21:02

É curioso que o PCP se aliou ao CDS e aos sectores mais reaccionários da sociedade portuguesa no combate à despenalização da eutanásia.
"Os extremos tocam-se"
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De J. L. a 29.05.2018 às 22:27

"PCP se aliou ao CDS" Não é bem aliou-se, simplesmente votou da mesma maneira. Também se poderia dizer que o CDS ser aliou ao PCP e aos sectores revolucionários (ou marxistas leninistas) da sociedade portuguesa.
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De Anónimo a 29.05.2018 às 23:30

Na extrema-direita (CDS, igreja, entre outros) todos se opuseram à despenalização da eutanásia.
Na esquerda radical (PCP, Bloco, PAN, Verdes) apenas o PCP se opôs. Por isso digo que foi o PCP quem "se aliou" e não o CDS.
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De Bea a 29.05.2018 às 23:02

e se não se tivessem tocado o resultado seria diverso.
Deixemos o tempo actuar. Que o assunto não morreu.
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De Vento a 29.05.2018 às 23:53

Na realidade as coisas são o que são. Mas há algo que necessita ser ponderado sobre esta intentona parlamentar em torno de mais um tema farturante. Sim, eu disse farturante.
Quero com isto dizer que partidos que não estão legitimados por escrutínio popular para exercer funções governativas - não esquecer que a geringonça resulta de uma habilidade processual - atrevem-se a subverter os princípios e consciência de uma nação.
É necessário compreender também que a geringonça constituiu-se para repudiar um percurso político-económico que vinha a ser dramático para Portugal.
O PCP, o CDS e o PSD, com elevado sentido desta consciência nacional, souberam vir em defesa da mesma.
O PS, o BE, o PAN e o PEV mostraram ao que vinham e o quão oportunistas são; e espero que nas próximas legislativas a nação não esqueça o grande contributo do PCP como também não esqueça os atrevidos.
Rio também saiu bastante manchado neste episódio.
Espero que a referida intentona parlamentar tenha servido para a nação perceber em que mãos se encontra.

Para quem queira registar esta afirmação, por favor, faça-o: A eleição legislativa de 2019 trará muitas surpresas.
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De Anónimo a 30.05.2018 às 03:01

Oportunista é a sua mãe.
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De João Villalobos a 30.05.2018 às 07:08

A vossa troca de opiniões é, como direi, uma muito agradecida razão para me lembrar porque não escrevo aqui mais vezes. Porfiai.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 08:26

João, é uma pena!

Falta por aqui um autor que fale através das razões do mito e escreva sobre o mito da Razão. Resumindo, um pouco mais de Ciências e menos de aprorismos.

https://www.wook.pt/livro/terapias-energias-e-algumas-fantasias-joao-villalobos/21418898

E AINDA MUITO ESPIRITO!
PPS | 18-05-2018
Livro muito interessante, de fácil leitura, com pesquisas e entrevistas curiosas. Gostei particularmente do 'tom' jocoso da escrita, tornando o livro muito fácil de ler e nada aborrecido.


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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 09:03

Se me permite. Sobre apriorismos, ou outros dogmas, lembrei-me deste magnífico livro de um Magnífico Nietzsche. A razão de defendermos uma razão sobre outra pode relacionar-se não com a nossa vontade de verdade mas com a vontade de desculpa da nossa própria fraqueza. O medo, esse grande inquisidor!

https://www.wook.pt/livro/para-alem-de-bem-e-mal-friedrich-nietzsche/94389

Tudo de Bom.
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De João Villalobos a 30.05.2018 às 10:02

Li (quase) todo o Nietzche quando era jovem adulto. Tenho que voltar um dia destes a alguns dos seus livros. Esse que cita é, quanto a mim e tanto quanto recordo, um dos melhores. Obrigado pela rememoração.
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De João Silva a 31.05.2018 às 18:22

"Li (quase) todo o Nietzche quando era jovem adulto" Aposto que leu em alemão. Eu vi logo pelo seu estilo de escrever que se trata de um intelectual de alto coturno.
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De Sarin a 30.05.2018 às 11:15

O Kälhau já o disse: é uma pena!
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De Anónimo a 31.05.2018 às 16:36

" não escrevo aqui mais vezes" Que bom.
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De Anónimo a 31.05.2018 às 16:38

"porque não escrevo aqui mais vezes." E já agora, não é "porque", é "por que".
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De CAL a 23.05.2019 às 10:33

Tenho pena.
É sempre um gosto lê-lo. E o seu extraordinário sentido de humor seria imensamente útil à causa 'Sobreviver ao Sporting', com o menor número de mazelas possível. Vai ser difícil vê-lo ali pelo És a Nossa Fé, não vai?

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De Luís Lavoura a 30.05.2018 às 09:19

as causas chamadas fracturantes surgem e regressam, com resultados diferentes

Regressam somente até um dia, o dia em que finalmente são aprovadas. A partir daí já não regressam mais. São causas de um só sentido.
Hoje em dia ninguém pensa em voltar a proibir o aborto ou o casamento homossexual ou a coadoção. Se alguém intentasse isso, seria completamente vaiado.
A liberdade é, nestes casos, irreversível.
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De V. a 31.05.2018 às 18:09

— Ó Sr. Dr. a minha nora disse-me para lhe pedir a Eutanásia, porque ela e meu filho querem sair do Montijo e vir viver para a minha casa em Frielas e eu já tenho 75 anos e já não preciso de estar vivo mais tempo. Sempre é mais perto — e estão do lado de cá. Como é que alguém diz não aos mais pequenos? Bom, não interess, está decidido. Como é que avançamos com isto? As aulas do meu neto começam em Setembro e dava jeito já estarem na minha casa em Agosto.
— Bom, isto não é assim... Você tem de fazer um requerimento e depois pagar as tramitações e depois há uma entrevista e normalmente espera-se um mês ou dois até aparecer um médico voluntário.
— Então e se for você.
— Bom, isso logo se vê... Tem é de pagar €936,82 à cabeça. Antes da Eutanásia, claro.
— Mas que diabo.. €936, 82???! É pá. Como é que dá isso?
— Tem um custo fixo para o Estado e depois há umas taxas novas. O custo fixo é de 732,94, depois tem a Taxa do Processo Histórico de 93,44 para os projectos sociais Esquerda. O requerimento ainda leva o selo "PAN+Catarina Martins" que é 5 euros. Ah, espere lá. Há também uma Taxa Medina que é uma taxa municipal de 105,44 para remoção de resíduos hospitalares especiais.
— Mas foda-se eu moro em Loures!!!
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De M. Leite a 31.05.2018 às 21:45

Faz rir mas topa-se logo que é escrito por alguém que finge que é ignorante e pouco inteligente. O que não é o caso de V. e assim a coisa perde a graça.
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De V. a 31.05.2018 às 23:33

Absolutamente — precisava de talento.

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