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As casas e a vida

por Pedro Correia, em 03.06.19

  

 

«As casas que habitámos ainda nos habitam.»

 José Mário Silva, Luz Indecisa

 

Passo junto à porta da primeira casa onde vivi – um terceiro andar na principal avenida de Almada. Parece-me que nada mudou no prédio onde morei nos primeiros três anos de vida. De lá me vêm as mais remotas recordações que guardo de uma infância feliz. Tenho inúmeras fotos – todas a preto e branco – lá tiradas pelos meus pais.
Ponho-me a pensar em todas as casas onde vivi até hoje em diversas paragens. Santo Tirso, Viana do Castelo, Barreiro, Cova da Piedade, Díli, Fundão, Hereford, Tercena, Corroios, Charneca da Caparica, Macau, Lisboa.
Vinte e duas casas. Uma vez por outra, quando calho, passo por uma delas e miro-a com atenção. Como se procurasse reviver um pedaço de mim que por lá ficou.
Há quem more toda uma vida no mesmo sítio, entre as mesmas quatro paredes. Eu já tive o destino repartido por muitas terras, por muitos tectos – incluindo em casas de familiares e amigos – em Londres, Tóquio e Nova Iorque, no Alentejo e nos Açores.
Fixo o olhar no primeiro prédio onde morei, na Avenida D. Nuno Álvares Pereira, parece que foi ontem. E não cesso de me espantar: ia jurar que está exactamente como quando o deixei.
As pessoas deviam envelhecer ao mesmo ritmo que as casas, com um vagar de muitas décadas, desafiando de pé as inclemências do clima e a traiçoeira erosão do tempo.
 
Texto reeditado

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40 comentários

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De Cristina Filipe Nogueira a 03.06.2019 às 10:47

Comento o seu post com um poema de Ruy Belo, sobre as casas.


Oh as casas as casas as casas


Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:14

É já um clássico, esse poema de Ruy Belo. Muito bem lembrado, Cristina.
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De Luís Lavoura a 03.06.2019 às 11:26

E essas casas todas onde o Pedro morou, eram arrendadas ou quê?
É que, eu creio ser, e ter sido ao longo de muitos anos, bastante difícil arranjar casas para arrendar nas cidades portuguesas. Admira-me uma pessoa poder andar com tanta desenvoltura a mudar tantas vezes de casa.
Em particular, quando observo que tantas das povoações referidas são perto de Lisboa. A generalidade das pessoas não se dá ao luxo de morar em diversas casas nessa mesma região - quando consegue arranjar uma, guarda-a o mais tempo que pode.
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De Robinson Kanes a 03.06.2019 às 14:53

O Pedro hoje está inspirado, deixe lá o cavalheiro :-)

Em relação ao arrendamento, eu também já vivi e continuo a viver (apesar de ser proprietário - bonita classificação) em casas arrendadas... Não é impossível. Mas que era mais fácil se não existisse a "coisa" tão nacional da "real posse" ou então a ideia de que quem arrenda não tem muito dinheiro - por vezes, é exactamente o contrário :-)

Mas isso é outro tema... Quiçá um dia o Pedro me deixe falar disso por aqui, para lhe espantar a clientela :-))))
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De Luís Lavoura a 03.06.2019 às 16:58

Sem dúvida que não é impossível viver em casas arrendadas. De forma nenhuma. Mas é difícil, em Portugal, encontrar casas para arrendar (nas cidades), pelo que é muito difícil um percurso em que ao longo da vida se vá habitando muitas casas arrendadas. Geralmente as pessoas encontram uma casa para arrendar e depois agarram-se a ela o mais tempo que podem, porque sabem que dificilmente encontrarão uma alternativa.
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De Anónimo a 03.06.2019 às 17:22

O Lavoura já pensou que há profissões em que as pessoas são colocadas em diferentes cidades do país ou do estrangeiro?

Maria
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De Luís Lavoura a 04.06.2019 às 09:14

Maria, eu também já trabalhei no estrangeiro e, lá, morei em casas arrendadas.
Sei até que há países, como a Alemanha, nos quais é normal as pessoas viverem toda a sua vida em casas arrendadas, mesmo quando têm emprego fixo.
Mas sei também que em Portugal isso é bastante difícil.
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De Vorph Valknut a 04.06.2019 às 21:52

"Sei até que há países, como a Alemanha"

Um mito, Luís. Também o alemão ambiciona ter casa própria. O problema é que como em algumas cidades portuguesas, na Alemanha o preço das casas é proibitivo para muitos alemães -ex: Leipzig, caso que conheço melhor
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De Robinson Kanes a 03.06.2019 às 17:38

Sem dúvida...

O Pedro é rico, comprou-as todas :-)
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:15

O comentador Lavoura é um sedentário. Padece de escassa ou nula mobilidade social.
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:29

Sinta-se à vontade, Robinson.
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De Calimero a 03.06.2019 às 11:30

Fizeste-me recalcar um sentimento que trouxe do fim semana.
A casa de meus pais que agora esta vazia e onde passei muitos anos da minha vida , embora a 1ª casa da minha infância não fosse esta.

Mas aperta-me o coraçao saber que ali já não habitam as pessoas mais importantes da minha vida,,
E e tudo tao efémero..tao fugaz..

Por isso ao ler o que escreves consigo perceber cada palavra..

Uma boa semana!
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De Luís Lavoura a 03.06.2019 às 11:54

Se a casa agora está vazia, porque não a arrenda?
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:30

Boa semana também, Calimero. Com mais sorrisos do que lágrimas.
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De Vorph Valknut a 03.06.2019 às 11:31

O tempo não passa, pelas coisas, como por nós. As árvores que trepei, continuam iguais. Os muros que subi, também. E o 5'andar onde vivi, em nada mudou...parece que ao olhá-lo sou eu, o de então, que me olha a mim....

Por vezes julgo ser um outro que com os meus olhos me olha a mim. Um alguém, perdido, que sendo eu, ficou nas coisas que já não são (inanimadas, em relógios inversos do tempo). Lembro-me criança, naquele barquinho, onde há muitos anos me esperei. Ela, olhando-me, saberá, porventura , ser eu que por ela vejo?


"Have you left any dream for me?"
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:27

É isso, tal e qual.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.06.2019 às 12:26

Só habitei em cinco casas. Todas elas encerram as minhas mais felizes memórias, com histórias de infancia, adolescencia, casamento, nascimentos...
Tantas alegrias, algumas tristezas, muita vida vivida.
Quem dera, Pedro, que as nossas fundações resistissem a todas as erosões como as nossas casas perduram, iguais, contantes e fortes.
Excelente texto.
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De Corvo a 03.06.2019 às 14:07

Cingindo-me ao meu tempo de criança, apenas. Dos seis aos onze anos.
Habitei três casas, mas só duas me trazem recordações.
A primeira onde, penso, me trouxe a felicidade maior que uma criança possa sonhar, e a segunda que me trouxe o momento mais triste e dramático de toda a minha existência.
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:26

As cinco linhas do comentador Corvo seriam um excelente início de texto de ficção. Dá vontade de saber mais, de desvendar mais, de ler mais.
O tema da casa associado à família é inesgotável. Mesmo na literatura portuguesa.
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De Corvo a 04.06.2019 às 02:17

Neste caso não seria, não, Pedro Correia. Infelizmente bem real. Tão real e dramático que ainda antes de fazer os doze anos, eu que tive uma infância tão preenchida e feliz como dificilmente alguma outra criança teve, a partir dessa data, dizia, a minha infância acabou e deixei de ser criança.
Mas não deixo assim. Comecei tenho de acabar porque nunca deixei as coisas a meio. Assim, e porque hoje a dolorosa recordação me inibe a racionalidade, deixo para amanhã.
Amanhã que já é hoje, mas agora vou tentar dormir.

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De Corvo a 04.06.2019 às 12:09

Era uma casa grande, a primeira que o meu pai construíra para a família e nela a felicidade reinava. Mais para mim, pequeno ditador numa corte de aias subservientes e atenciosas.
Um ano antes morrera uma das irmãs, mas essa pouco me dizia. Tinha dezoito meses de vida e portanto desconhecedora da obediência devida ao rei.

Foi na vinda, pelas seis horas da tarde. Antes pegara-me com a minha irmã. Ela sempre tão brincalhona e divertida, que na semana antecedente, exuberante não falava noutra coisa, nesse dia mantivera-se taciturna e apática não colaborando em nada. Simplesmente não queria ir.
"És uma chata mimada," acusara-a eu, logo ela que nunca se queixava de nada, que tudo de mal que eu fizesse ela assumia como dela, ou defendia-me como podia
"Foi sem querer, mãe, foi sem querer; o mano não viu."
"O mano não teve culpa, mãe; fui eu que deixei no chão"
A carrinha vinha cheia de mundo e na caixa, eu e a minha irmã, de pé, apoiávamos-nos à cabine. O meu pai conduzia confiante mas não viu o cabo de aço que amarrado a duas árvores cortava a estrada. À ida não estava lá, na vinda estava. Obras a fazer e um cabo de aço, um simples cabo de aço sem avisos, sem iluminação, nenhuma advertência, nada. África e vamos em frente, veja quem quiser. O meu pai não viu e estampou-se nele.
Vi o cabo que a uma velocidade vertiginosa vinha para nós. Baixei-me instintivamente, passou por cima de mim com um silvo arrepiante e foi destroçar a cabeça da minha irmãzinha, que, coitada, ainda não se apercebera de nada.
Era para mim, mas baixei-me.

"Foi sem querer, mãe, foi sem querer; o mano não viu."
"O mano não teve culpa, mãe; fui eu que deixei no chão"
O mano que nunca tinha a culpa, o mano que fazia tudo sem querer, o mano que não via nada.
O mano que viu o cabo vir para ele e deixou-o ir para ela.

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De Pedro Correia a 04.06.2019 às 21:07

Um episódio tão trágico que me deixa sem palavras.
Alguns dramas familiares podem ser exorcizados pela religião, pela psicanálise, pela literatura. Outros nem isso.
Moram connosco para sempre.
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De Corvo a 06.06.2019 às 01:00

Um abraço, Vorph.
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De Anónimo a 05.06.2019 às 03:03

Um beijinho especial para o Corvo.
Maria
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De Corvo a 06.06.2019 às 01:04

Para si também, Maria. Um beijinho muito especial.
Que a vida possa sempre corresponder às suas melhores expectativas.
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De José da Xã a 05.06.2019 às 15:42

Corvo,

eu que nunca tive irmãos nem imagino o que sofreu.
A vida é muitas vezes madrinha e madrasta.
Um imenso abraço.
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De Corvo a 06.06.2019 às 01:05

Para si também, José. Um grande abraço.
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De Cristina Torrão a 05.06.2019 às 18:48

Também não tenho palavras.
Um grande abraço ao Corvo.
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De Corvo a 06.06.2019 às 01:14

Muito obrigado, Cristina.
Mas também tive uma casa, - outra que o meu pai construiu para nós, cinco no total, - onde aos dezassete anos vivi uma felicidade inenarrável.
Vou esperar que o Pedro Correia plante mais um postal sobre habitações e depois conto.
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De Cristina Torrão a 06.06.2019 às 09:27

Ficamos à espera

Eu não sei se embarcarei nesta série. Tenho uma relação muito complicada com as casas nas quais habitei até aos dez anos. Enfim, também não quero parecer lamechas... É algo a reflectir.
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De Pedro Correia a 30.06.2019 às 07:27

Fica o desafio, Cristina. Para quando quiser.
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:22

Obrigado, Dulce. Gostava que o meu texto estimulasse os colegas de blogue a escreverem também sobre este tema, que me parece sempre fascinante: a nossa relação com os lugares e as casas que fomos habitando.
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De Diogo Noivo a 03.06.2019 às 17:54

Deixaste-me a pensar nas casas onde vivi. Lisboa, Almoçageme, Sintra, Queluz, São Pedro do Estoril, Cascais, Pataias, Holborn, Alicante, Argüelles, Alonso Martínez, Kadıköy. Pelas minhas contas, vou nas catorze. Avançarei em breve para a 15ª. Em todas envelheci, em todas cresci, a todas tenho medo de voltar – porque sei que o tempo não volta para trás.
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 18:35

Eu tenho regressado a várias delas - e é sempre com emoção que as revejo. Gosto de saber que todas estão de pé. Ou quase todas, pois uma ficou ferida de modo quase irremediável, como na altura dei nota aqui:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5209906.html

Por vezes um pouco de nós parte com elas. Mas quase sempre sucede ao contrário: é um pouco delas que parte com a nossa ausência. Por sermos, em regra, os primeiros a despedir-nos.
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De João Campos a 03.06.2019 às 22:38

Na aldeia foram quatro - a primeira não deixa saudades (dizer que tinhas péssimas condições será talvez um eufemismo), mas das outras duas, perto da igreja, guardo as melhores memórias da infância e da adolescência. A última é a casa que os meus pais acabaram por construir; ficou acabada exactamente um mês antes de deixar a terra e mudar-me para Lisboa. Não vivi lá muito tempo, mas vivo lá um pouco todos os meses.

Em Lisboa preciso de as enumerar para saber em quantas vou: Santa Isabel, Gomes Freire, Estados Unidos da América (a Avenida, não o país, entenda-se), Algés, Alto de Santo Amaro, Boa Hora, Campo de Ourique, São Domingos de Benfica, Praça de Espanha (tecnicamente continua a ser São Domingos de Benfica). Nove, portanto, em quase dezasseis anos. Trago boas memórias de todas elas, e sempre que passo por aquelas ruas não resisto a olhar para a janela e a perguntar-me quem terá vivido ali depois de mim.

Belo exercício de mémória, Pedro.
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De Pedro Correia a 03.06.2019 às 23:20

Só em Macau vivi em cinco apartamento diferentes. Havia uma enorme facilidade em mudar de casa: só precisávamos de escolher, por catálogo, se era com ou sem mobília. Recordo com especial saudade a última casa, na Estrada D. Maria II, com vistas desafogadas para o mar, tanto do lado nascente como na face poente.

Durante a minha infância e adolescência vivi em diversas casas sempre arrendadas, com os meus pais: havia mais mobilidade social nesses tempos do que existe agora. Precisamente porque o mercado de arrendamento funcionava: os "escritos" nas janelas bastavam para nos indicar.

O congelamento das rendas, durante décadas, foi uma chaga social neste país.
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De João Campos a 03.06.2019 às 23:56

Bom, como vim para Lisboa estudar acabei por ser mais ou menos nómada... condição que prolonguei uns bons anos após ter acabado os estudos, por circunstâncias várias (só em 2009 passei por três casas diferentes). Tenho algumas histórias curiosas. Por exemplo, sobre a quantidade de tralha que cabe, bem arrumada, numa casa com 20m2 (a resposta correcta é: muita tralha. Mesmo muita tralha).

Tenho a certeza de que no dia em que tiver de voltar a mudar de casa será muito improvável que possa continuar a viver no centro de Lisboa, pelo que tenciono aproveitar enquanto puder. Não deixa de ser curioso pensar que se estivesse hoje a concluir o Secundário, o preço das rendas impossibilitaria que pudesse vir para cá...
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De Pedro Correia a 04.06.2019 às 21:10

Também fui nómada muitas vezes, durante muito tempo: condição natural num nativo do signo Gémeos. Damo-nos bem com a mudança, odiamos rotinas, apreciamos a novidade.
Mas há sempre o que fica naquilo que passa. Isso também é bom. A partir de certa altura é mesmo indispensável: o nosso equilíbrio vital necessita de alguma sedimentação. Faz parte da natureza humana.

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