Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As amnésias de Constâncio

por João Pedro Pimenta, em 01.04.19

Só hoje vi melhor as figuras de Vítor Constâncio nas suas respostas à comissão parlamentar sobre as suas responsabilidades nos dez anos em que exerceu o cargo de presidente do Banco de Portugal. Constâncio não tem qualquer memória da sua actividade de dez anos naquela cadeira e nem tem memória dos avisos que recebeu e das pessoas com quem falou de assuntos delicados. A mesma atitude de "não me lembro de nada" e "não tenho ideia" que já tínhamos visto a Zeinal Bava e Ricardo Salgado, e já agora, ao ainda titular Carlos Costa. A conclusão a que chego é que aquelas salas têm uma propensão para a amnésia. É melhor fazerem as audições noutro lado.

É bom recordar que Constâncio, tido como "genial" e "brilhante" (se vivesse 100 anos antes seria a inspiração directa para o "talentoso Pacheco", de A Correspondência de Fradique Mendes, de Eça), era líder do PS em 1987. Cavaco Silva ganhou as legislativas desse ano com 50% dos votos. O PS, liderado pela ex-Presidente do BdP, teve 22%, e a CDU de Álvaro Cunhal, já sem o MDP-CDE, ligeiramente mais de 12%. Ramalho Eanes e Adriano Moreira, respectivamente à frente do PRD e do CDS, e hoje tidos como referências morais da política portuguesa, não chegaram em conjunto aos 10%. Antes de estarmos sempre a verberar os políticos, que não caem do céu nem surgem por magia, podíamos antes questionar as escolhas dos eleitores portugueses.

Resultado de imagem para vitor constancio

 


36 comentários

Imagem de perfil

De jpt a 01.04.2019 às 04:51

é pungente, a figura feita por Constâncio, tal como a do colega
Boa memória, a dessa eleição. E ainda se diz que as pessoas votam em nos líderes dos partidos ...
Imagem de perfil

De Tudo Mesmo a 01.04.2019 às 08:57

Sugiro o Estado levar estas ilustres Personalidades a fazer hipnose. Pode ser que se recupere alguma informação.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 01.04.2019 às 09:22

É normalíssimo que Constâncio não se lembre de coisas que ocorreram há dez ou vinte anos. Eu também não me lembro de com quem falei, ou dos trabalhos que fiz, há meia dúzia de anos. O autor deste post tem a certeza de que se lembra das conversas que teve há esse tempo?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 12:20

....desculpe discordar, mas um sujeito com a competência do Vitor Constâncio, e as responsabilidades que já teve, antes de ir para a Comissão, preparava-se, tão simples quanto isso. Ele e todos os outros não se lembram , porque não lhes convém.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 01.04.2019 às 15:51

Preparava-se como? Como é que você pode recordar-se de conversas (orais) que teve há dez ou vinte anos? E os papéis, as cartas que ele terá recebido e lido, esses estarão, na melhor das hipóteses (se estiverem), nos arquivos do Banco de Portugal - o ex-governador não os terá na sua posse. O governador, quando deixa de o ser, não fotocopia e leva para sua casa todos os documentos que lhe passaram pelas mãos enquanto foi governador!
Imagem de perfil

De Corvo a 01.04.2019 às 13:04

Quando as pessoas são elevadas a cargos que ditam o futuro de uma nação, são obrigadas sim a conservarem a memória.
Eximirem-se dela é desresponsabilizarem-se dos seus actos passados.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 01.04.2019 às 15:52

Como é que você pode obrigar alguém a conservar a memória? Isso é humanamente impossível. A memória humana é finita, esvai-se e deturpa-se.
O ex-governador do BP é um homem como outro qualquer - esquece-se daquilo que aconteceu há muitos anos.
Imagem de perfil

De Corvo a 01.04.2019 às 17:07

Há registos: como alguém aqui já disse, e muito bem!
E quando se confia a alguém um cargo de grande responsabilidade, sobretudo esse que mexe com a economia de uma nação, esse alguém é responsável por prestar contas; esclarecimentos e não pode alegar desmemorização.
E quando o Luís Lavoura argumenta que "a memória humana é finita, esvai-se e deturpa-se.O ex-governador do BP é um homem como outro qualquer - esquece-se daquilo que aconteceu há muitos anos." eu contradigo-o e digo-lhe que um homem como outro qualquer não!
Eu, por exemplo, homem há muito feito, lembro-me de todos os factos relevantes da minha vida desde os cinco anos de idade.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 22:34

Atchimmmm
Sem imagem de perfil

De António a 01.04.2019 às 15:01

Uma reunião de condomínio tem actas. As do BdP e CGD também têm. Onde estão?
Se eu levantar 20€ ao balcão há um recibo em triplicado e mais um registo informático. Para centenas de milhões também os há. Onde estão?

Essa é a memória Sr. Lavoura, ninguém precisa de se lembrar, há registos. E há protocolos, e burocracia. O dinheiro não se move sozinho entre contas. Se alguém sonegou esses documentos é caso grave, é caso de polícia. O facto de Constâncio, Granadeiro, Salgado, e outros, mentirem descaradamente indica que sabem não correr o risco de serem confrontados com os registos - por dedução lógica sabem que os registos foram sonegados. E como sabem?
Não há assim tantas opções quando não aparece uma assinatura que devia lá estar. Leva-me a crer que quem assinou, ou devia ter assinado, começou imediatamente a proteger-se. E se o fez é porque sabia as consequências.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 01.04.2019 às 15:57

Naturalmente que há atas e registos de quaisquer procedimentos formais, mas esses estarão na posse do Banco de Portugal e os deputados da Comissão de Inquérito terão acesso direto a eles - não estarão na posse do ex-governador.
As atas e os registos servem, precisamente, para substituir a imperfeita memória humana. Ou seja, para substituir aquilo de que o governador, como ser humano que é, não se lembra (nem tem obrigação ou possibilidade de se lembrar).
Ademais, os deputados perguntaram sobre coisas (conversas, etc), das quais não há registos escritos.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 16:42

Sempre a defender os idiotas úteis socialistas....deve essa serradura deve esta a ferver....

A.Vieira
Perfil Facebook

De António Correia Fernandes a 01.04.2019 às 17:11

Uma coisa eu sei Sr. Luís Lavoura: o autor não deve comer gelados com a testa...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 17:23

Luís, a quem quer enganar?

O Constâncio, o Bava, o Dono disto tudo, e demais escumalha não se lembram de negócios, empréstimos, de centenas de milhões de euros?

Nós é que não podemos esquecer que vamos ficar anos a pagar o que esses biltres fizeram.
,
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 01.04.2019 às 17:47

Constâncio não fez negócios nem empréstimos de milhões de euros. O Banco de Portugal não faz tais coisas. O Banco de Portugal apenas supervisiona os bancos comerciais. Mas supervisiona a nível de rácios de capital - não a nível de andar a meter o nariz em negócios e empréstimos individuais que esses bancos fazem.
Numa economia de mercado livre, os bancos comerciais são livres de fazerem os negócios e empréstimos que acharem por bem. O supervisor não os pode impedir disso, nem sequer toma conhecimento desses negócios e empréstimos.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 01.04.2019 às 22:18

Como se supervisiona os rácios de capital se um empréstimo concedido é lançado nas balance sheets como depósito? A politica monetária, mais o sistema fracionário é uma fraude.

Este seu argumento faz mais sentido que aquele sobre a memória. Claro que Constâncio sabia, sabendo também que não poderia ser responsabilixado pela politica crediticia da Caixa. Mais quilhado estará o dr. Carlos Costa.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 03.04.2019 às 16:56

Meu caro Lavoura, não me lembro de todas as conversas mas lembro-me de boa parte delas, ou ao menos a sua importância. Se o ex-presidente do BdP não se recorda, então não estava a fazer nada no cargo. Mas vejo com pouca admiração que não se importa com as omissões do senhor e com o que isso nos custou (e não estou a falar do salário dele).
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 09:57

Quando as escolhas são entre o futuro banqueiro amnésico e o futuro acionista do BPN, não há escolha boa.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 01.04.2019 às 10:04

O anestésico PR continua a ver o melhor do melhor dos mundos com o fogo do palheiro a avançar em várias frentes sem que as barbas lhe ardam.
Marcelo planador e nosso típico gajo porreiro, verborreico e superficial por atavismo mórbido não nos deslustra na sua representação grotesca.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 03.04.2019 às 16:59

Esta não é definitivamente uma função do PR. Até porque ele nem tinha nenhum cargo político ao tempo dos acontecimentos. O chefe de estado gui a o país e tenta manter a estabilidade possível. O que diz nos bastidores não é público. Além de que estamos a falar de uma comissão parlamentar, e interferir nela seria violar a separação de poderes.
Imagem de perfil

De Ssssstress a 01.04.2019 às 10:50

Vi uma parte da coisa e fiquei com uma dúvida:
O Constâncio é um peixe ou uma ameba?
Em qualquer dos casos deve concluir-se que o BCE é um aquário?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 10:51

Mais revoltante que o papel dos figurões é o papel das próprias Comissões, que consiste no branqueamento sistemático dos ditos cujos, que invariavelmente aproveitam para gozar com toda a malta.
E ninguém vê?!
João de Brito
Sem imagem de perfil

De Anonimus a 01.04.2019 às 10:59

A (ex)escola do petiz tinha um professor que nunca via certos alunos comportarem-se mal. Os miúdos batiam, diziam asneiras, a certa altura até ambulâncias foram chamadas, mas o raio do profe nunca via.
A razão era simples, por mero azar, podiam os miúdos estar a um metro dele em zaragata, mas ele estava a olhar para o lado oposto.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 11:11

Este Constâncio sempre foi um "artista" e carreirista. Enfim agora está na moda ter alzeihmer, como o Bava e o Salgado. Estamos fartos destes oportunistas … !!!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.04.2019 às 11:53

A amnésia pronunciada por todas estas figuras tristes da nossa desgraça (Zeinal Bava, Ricardo Salgado, Carlos Costa, Miguel Horta e Costa, Henrique Granadeiro e este Vítor Constâncio), deve-se única e exclusivamente à toma abusada do Calcitrin.
Simone Oliveira, Malato, Victor de Sousa, Tânia Ribas e Maria João Abreu, são exemplo flagrante do excesso do medicamento.

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D