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As alternativas

por José António Abreu, em 30.06.15

Cada uma pode ter ligeiras cambiantes mas, na verdade, só há três vias de lidar com a acumulação de dívida na economia mundial e, em particular, na Europa.

 

1. Especular, especular, especular. Pode parecer contraditório, atendendo a que os seus representantes clamam frequentemente pela «regulação dos mercados», mas, de Tsipras a Galamba, passando por Krugman e Maduro, trata-se da opção preferida da esquerda. Injectar mais e mais dinheiro na economia através dos bancos centrais, da subida de salários e do crédito. Apostar no consumo. Em simultâneo, taxar mais a actividade empresarial, os «ricos» e o capital. Ignorar (apenas na prática; na retórica está bem presente) o carácter aberto da economia mundial. Esquecer os desequilíbrios existentes e o facto desta política os agravar.

 

2. Especular e reformar. Injectar dinheiro na economia mas em simultâneo exigir reformas tendentes a corrigir desequilíbrios e potenciar crescimentos futuros. É o caminho que a Europa tem tentado seguir (pendia para o lado das reformas antes de Draghi assumir a presidência do BCE, inclina-se hoje para o lado da especulação). Riscos? Desde logo, o político: os eleitores detestam reformas e tendem a voltar-se para os defensores da opção nº1. Depois, o inconveniente de todos as soluções que não são carne nem peixe: o compromisso entusiasma poucos e os resultados demoram a aparecer (até mesmo em versões mais radicais, como a japonesa). Finalmente, a circunstância de, em caso de falhanço, as consequências não serem substancialmente diferentes das da opção nº1: a bola de neve apenas cresce mais devagar.

 

3. Assumir perdas. Deixar de alimentar o monstro, permitindo a queda de quem tiver de cair: bancos, empresas, estados, particulares. Compreensivelmente, todos a recusam. Mas é uma inevitabilidade em caso de insucesso de qualquer das vias anteriores. Sendo que a queda será tão mais dolorosa quanto mais tempo se mantiver o esforço para a evitar.

 

Pessoalmente, acho a via nº1 suicidária e, em especial devido aos riscos de carácter político, tenho poucas esperanças na nº2 (veremos até que ponto o caso da Grécia servirá de «vacina» contra os populismos). Quanto à terceira, faço parte do imenso clube que prefere não pensar seriamente nela (de momento, deixo isso para os gregos).


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