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Aquele cujo nome não pode ser pronunciado!

por Luís Menezes Leitão, em 04.10.16

"Portugal não precisa de ajuda externa!", declarou José Sócrates em Março de 2011. Pouco mais de um mês depois, estava a pedi-la. Agora o Governo, depois de ter distribuído dinheiro a rodos pelas suas clientelas políticas, quer convencer os portugueses de que não precisa de um novo resgate e que o dinheiro vai chegar, se calhar por forma semelhante ao milagre da multiplicação dos pães. Mas na Europa Portugal já voltou a cair no radar e o comissário Oettinger foi muito claro nos seus avisos: os países do Norte não estão dispostos a continuar a sustentar o despesismo e a irresponsabilidade dos países do Sul e, se Portugal cair, vai ser muito difícil alguém o resgatar. Mas, apesar disso o governo acha que deve continuar a fazer livremente as suas piruetas na corda bamba e o Ministro dos Negócios Estrangeiros lá mandou calar o comissário. O novo resgate tornou-se aquele cujo nome não pode ser pronunciado.

 

E, no entanto, ele move-se. Agora é a UTAO a garantir que são totalmente inverosímeis as previsões da receita fiscal constantes do Orçamento. O governo, porém, acha que vai resolver o problema tributando não apenas tudo o que mexe, mas também tudo o que está quieto. Depois do aumento do imposto sobre os combustíveis, do imposto sobre o sol e as vistas, do novo imposto sobre o património, da tributação do alojamento a turistas, lembrou-se agora de tributar a comida com sal e açúcar. Se tivesse um mínimo de informação, saberia que esse imposto foi o descalabro total na Dinamarca, quando foi lançado, só tendo durado um ano. Os dinamarqueses passaram a abastecer-se destes produtos na Alemanha, já que o seu preço na Dinamarca disparou, e milhares de empregos na Dinamarca foram perdidos. Com uma experiência tão boa, não admira que estas alminhas que nos governam por obra e graça da geringonça, queiram repetir a receita em Portugal. Parece não ter sido suficiente a experiência dos postos de combustível falidos nas fronteiras, a benefício dos espanhóis.

 

O governo vive num mundo irreal, lançando com desespero todo o dia novos impostos, cada um mais absurdo que o anterior. E nem se dá ao trabalho de reparar na figura que está a fazer lá fora, apesar dos avisos bem intencionados que recebe. Mas é evidente que a sua herança vai ser um país esmagado por impostos e falido. Mais inteligente foi o PSOE espanhol que se recusou a ir atrás de cantos de sereia.


29 comentários

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De fatima a 04.10.2016 às 20:25

Assim, de repente... quanto pagará de impostos o Santuário de Fátima? (vou ser trucidada...ahahah)
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De Alain Bick a 04.10.2016 às 21:24

« 5.X.2016
por ser feriado nacional,
não haverá em Portugal aumento de impostos semanal»
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De jo a 04.10.2016 às 23:29

Anunciar o fim do mundo todos os dias deve cansar.

À força de anunciarem as sete pragas do Egito um dia destes acertam nalguma coisa.

Por esta altura do ano um governo de Passos Coelho já tinha apresentado pelo menos três orçamentos retficativos. E por aqui achava-se normal.
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De Fernando S a 05.10.2016 às 10:08

"Por esta altura do ano um governo de Passos Coelho já tinha apresentado pelo menos três orçamentos retficativos."

Por definição, um orçamento rectificativo serve para corrigir e acertar o que está desequilibrado.
O problema é mesmo esse : nesta altura do ano, em que tudo indica que o pais não vai conseguir alcançar os objectivos orçamentais exigidos por Bruxelas e necessários para dar confiança aos mercados, o governo continua a dizer que está tudo bem e que não é preciso fazer nada !!....
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De jo a 05.10.2016 às 11:52

O problema é que os retificativos anteriores só serviram para o governo poder dizer que cumpria um orçamento qualquer, geralmente o que elaborava no fim do ano, nunca corrigiram coisa nenhuma.
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De Fernando S a 05.10.2016 às 13:23

Serviram para impedir que os déficits orçamentais fossem maiores e que a divida pública aumentasse a um ritmo ainda maior.

Eu sei que, naquela altura, o Jo e os seus amigos defendiam exactamente o contrario, mais despesa e menos receita, déficts maiores e, consequentemente, maior endividamento.
Como a divida não era para pagar !!!....
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De Reaça a 04.10.2016 às 23:30

Essa Fátima preocupada com os impostos, não vê além do seu nariz.

Se um dia alguem se preocupar em lançar impostos nas capelas e igrejas e adros e sacristias, do país inteiro, os padres vão mandar à fava o Estado e os ministros que vão para lá dizer a missa e tocar o sino, espantar os morcegos dos velhos telhados e pintar os santos para a madeira não criar caruncho.

Ceguinhos!
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De fatima a 06.10.2016 às 20:13

"Essa" Fátima tem a dizer-lhe que vocência é loiro ou está a gozar co pagode. As igrejas e os padres vivem e prosperam com as dádivas e os "donativos" do pagode! Pergunte a qualquer freguesia as contribuições que são dadas em peditórios, teatros, eventos, etc. etc.. Não me diga como isto funciona, porque se a luz da igreja falhasse, não faltavam engenheiros para lá ir trocar as lâmpadas. Olhe que sei do que falo, portanto, ofereça-se para tocar o sino caso falhe a electricidade. Bem haja, e vá com Deus.
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De Vento a 05.10.2016 às 00:27

No pasa nada.

“O que é mais importante é o cumprimento dos compromissos assumidos. Para nós, [Comissão Europeia], cada Governo vale o mesmo. Seja ele conservador, socialista ou comunista. Temos a obrigação de sermos neutros. Mas há acordos, como a diminuição da dívida, que são importantes”, reiterou Günther Oettinger, reconhecendo que “Portugal, de facto, fez muito” nos últimos anos.".

Ora bem, o senhor Oettinger sabe bem que o aumento da dívida foi algo propulsionado quer pela senhora Merkel quer por seus brilhantes alunos. As políticas validadas eram de tal forma excelentes que só numa legislatura lá apareceram mais 50 mil milhões. 50 mil milhões a somar aos 78 mil milhões que não ajudaram Portugal, mas o sistema financeiro europeu.
Pois, senhor Oettinger, eu sei que o Deutsche e outros estão chiando. Mas estão chiando porque por eles colocaram a economia a chiar.
Portanto, por favor, transmita à senhora Merkel que isto da dívida vai resolver-se quando for renegociada. Sim, à semelhança do que vai ocorrer oficialmente com a dívida grega, pois já sabemos que, oficiosamente, não existe outra alternativa.

Depois acrescente-se que os bons alunos da senhora Merkel também derrubaram um governo por causa de uns pacotes, apressando o resgate com a conivência de um PR que nunca ou raramente se enganava. Pacotes esses que, diziam, andavam por aí à revelia de qualquer necessidade premente. E como era assim vieram-nos ao pacote sem dó nem piedade.

Ora bem, a UTAO diz isso e pode dizer muitas coisas mais. Se não se equilibrar a coisa - e a coisa para muitos tem andado desequilibrada - por via da receita resolver-se-á por via da despesa.
Pessoalmente prefiro a coisa entre os 2,7% e os 2,9% de inclinação. Isto é, abaixo dos 3% mas sempre resvés com os ditos 3.

Um aviso deixo a Costa: Homem esquece lá os moralismos sobre o tabaco. Pobre fuma e fuma bem. Vê lá se queres colocar o pessoal a consumir maconha e a comprar ainda mais tabaco de contrabando!
E se vais pela fat tax retiras a possibilidade do pobre se alimentar convenientemente. Já te passou pela cabeça fazer uma pesquisa de mercado, melhor dito, uma market research, para saber quanto custa um hambúrguer salgadinho e cheio de gordura assim como as batatas fritas no ponto?

Deixa-te disso Costa! O hambúrguer está mais barato que 1 kilo de cenouras, que é para coelhos, e que a couve lombarda. E mesmo estes produtos, para darem energia ao pobre, têm de ser salteados em banha de porco, de preferência de porco preto que também é produto nacional. Olha que vem aí o Inverno e em Portugal não existe gordura de focas como os esquimós usam para aguentar o frio. Lá é que é barato.
Será que pensas que a tarifa social resolve tudo!? Então e as taxas de passagem, de audiovisuais e outras coisas mais, não contam? Já viste o que um pobre tem de pagar para não perder a visão e a audição? Sim, um pobre também necessita ver e ouvir bem para não ser enganado como nos últimos anos.

Quanto aos impostos sobre o imobiliário, fazes bem. Não desistas. A lei das tendas tem de ser revista.

Um último aviso, desiste dessa mania de ver quem tem mais de 50 mil euros. Se os americanos fazem isso é porque têm inveja uns dos outros. Nós não. Ainda hoje falei com o Zé dos biscates que me afirmou ter retirado da conta os 150 euros que lá tinha, com medo do que viria aí. Estás a ver o que acontece quanto se assustam os investidores?

No resto devo cumprimentar-te e incentivar a continuares. As raparigas do BE, tirando aquelas afirmações machistas que proferem, não estão mal. O PCP está muito bem.
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De Fernando S a 05.10.2016 às 10:20

"isto da dívida vai resolver-se quando for renegociada."

A "solução" do calote !!!

A isto chama-se desonestidade e irresponsabilidade.
É uma vergonha !
O verdadeiro resultado é a descredibilização e a indigência !!
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De jo a 05.10.2016 às 11:50

Não é a "solução " de coisa nenhuma.

É a confirmação de um antigo dito "o que não tem remédio, remediado está".

Negar que existe o problema, além de delirante, é irresponsável.

Quando alguém está incuravelmente doente não se cura negando a doença.
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De Fernando S a 05.10.2016 às 13:29

Portanto, também para o Jo, a "solução" para a "doença" do despesismo não é gastar menos mas sim pregar o "calote" !!...
Entendido !!
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De jo a 05.10.2016 às 19:27

Convém não pensar com o cérebro de um membro de uma claque de futebol durante um jogo da sua equipa.

Não vejo porque é que as duas coisas são mutuamente exclusivas.

Não pagamos a dívida simplesmente gastando menos.
Nem renegociar a dívida implica que vamos gastar mais do que produzimos.
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De Fernando S a 05.10.2016 às 21:13

Jo,

Pague a divida como muito bem entender ...

Mas pague !!

PS 1 : Não sou certamente membro da claque daquela equipa de futebol que tem como lema "Gasta agora e não pagues depois !"

PS 2 : Sim, é verdade, também se paga a divida produzindo mais ... Não era o que estava anunciado que o governo da "geringonça" iria fazer : mais crescimento economico ??!!...

PS 3 : "Renegociar" a divida implica não querer pagar aquilo que gastámos a mais para além do que produzimos !!
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De Vento a 05.10.2016 às 16:36

Indigentes já nós somos, Fernando. Desde quando é que indigentes pagam dívidas?
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De Fernando S a 05.10.2016 às 18:58

Não Vento, não somos indigentes enquanto conseguimos viver à conta dos nossos proprios recursos.
Não é por acaso que, mesmo na cauda, ainda somos um dos paises do quartil mais desenvolvido do mundo.
Mas cairiamos na indigência se, acreditando ingénuamente que poderiamos viver alegremente de esmolas dos outros, deixássemos de investir na produção e de reembolsar quem nos dá crédito.
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De Vento a 05.10.2016 às 20:41

O Fernando ainda não entendeu que nós continuamos a pagar para evitar a indigência de outros, pensavam eles.
Vou repetir o que aqui referi há muito tempo. O esquema montado estava aí não só para garantir a dívida, que se mantinha ou subia, como também para viver dos juros que se pagavam sobre as dívidas. Pagar juros era suportável, diminuir a dívida foi de todo impossível. Afirmei nesse período que o efeito dominó sobreviria, e assim aconteceu.
Hoje só podemos garantir o pagamento dos juros, se nos continuarem a emprestar. Como somos indigentes para pagar a dívida, se nos cortarem a possibilidade de nos endividarmos e também pagarmos os juros o sistema financeiro nacional assim como aquele que financiou o nosso sistema entra em parafuso.
Como tal, não se preocupe com aqueles que tão bem cogitaram a sua própria ruína. A saída será a renegociação. Ponto.
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De Fernando S a 06.10.2016 às 09:13

Vento,
Desde 2014 que não há nenhum esquema montado.
O Estado português financia-se directamente nos mercados financeiros.
Os novos empréstimos não servem apenas para pagar os juros da divida. Servem também para reembolsar empréstimos entretanto vencidos ou substituidos por serem mais caros.
Servem portanto para se poder ir gerindo a divida.
A divida pública deixou de ser sustentável e, portanto, gerivel, em 2011. Nessa altura é que foi necessário "montar um esquema", o da Troika, para evitar a bancarrota. Mas, graças a esse esquema e às medidas de ajustamento então tomadas, foi possivel estabilizar a divida e torná-la gerivel a partir de 2014.
Mas, claro, esta situação é frágil, não está consolidada nem é eterna.
Fácilmente e rápidamente podemos voltar a uma situação semelhante, ou até pior, à de 2011.
Em particular, a mudança de politica operada pelo governo actual aumentou os riscos e a probalidade de uma regressão deste tipo.
Acresce que, sendo a situação actual ainda bastante frágil e não consolidada, o que se exige é a continuação de politicas que permitam a prazo gerar excedentes orçamentais e reduzir progressivamente o valor da divida acumulada.
Tanto mais que é previsivel que a politica monetária do BCE, que tem sido favorável à manutenção de taxas de juro baixas na Zona Euro, se possa alterar de um momento para o outro.
O que é hoje preocupante é que o governo actual não parece ter consciência destes riscos e não faz o que conviria fazer.
"Renegociar" a divida não é solução nenhuma.
Antes pelo contrario, degradaria ainda mais a credibilidade do nosso Estado e do nosso pais e torná-lo-ia completamente dependente de uma eventual (mas não garantida) ajuda externa.
O que é do interêsse nacional é assumir integralmente e claramente as nossas obrigações e tudo fazer para as cumprir.
Se assim for a nossa divida pode ser sustentável, gerida e até diminuida para niveis que nos permitam um financiamento do Estado e da economia em condições mais favoráveis do que as actuais.
É possivel e até já se demonstrou : antes do governo actual e das suas politicas imprudentes e irresponsáveis, a taxa de juro da divida pública de longo prazo era metade do que é hoje e a divida pública em % do Pib tinha começado a descer).
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De Vento a 06.10.2016 às 11:53

Meu caro Fernando, em 2011 não existia nenhuma bancarrota e também não existia intervenção do BCE como lhe foi exigível. A agiotagem circulava em roda livre e a estupidez dos governantes nacionais também.

O BCE continua a intervir nos mercados; e se um dia ele parar sem que se reúnam as condições para tal ocorrer a saída será a suspensão imediata dos pagamentos.

Acontece que hoje o governo tem vindo a demonstrar que é possível fazer-se melhor com os mesmos recursos.
O governo PSD/CDS teve um problema: não era governo, deixou-se governar. Portugal precisa de gente que pense e não putos que aceitem viver num infantário sob o comando dos e das auxiliares educativas.

Esse argumento sobre as taxas de juro de longo prazo é conversa doidivanas. E é doidivanas, e não me refiro a si, com base nisto:

Em 2015 foi esta a taxa a 10 anos:
http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/detalhe/portugal_colocou_585_mil_milhoes_de_euros_em_divida_a_10_e_30_anos.html

https://www.dinheirovivo.pt/economia/portugal-paga-mais-para-se-financiar-em-950-milhoes-a-10-anos/

Em 2016:
http://www.tvi24.iol.pt/economia/leilao/igcp-coloca-1-415-mil-milhoes-em-obrigacoes
http://www.tvi24.iol.pt/economia/divida/portugal-consegue-financiamento-previsto-com-juros-estaveis

Por último, as taxas flutuam em função da queda de receitas no sector financeiro por via das commodities, com especial atenção para o petróleo.
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De Fernando S a 06.10.2016 às 13:52

Caro Vento,
O meu amigo é uma pessoa inteligente, culta e bem intencionada, que merece todo o meu respeito, mas, às vezes, diz umas coisas estranhas !...
Então em 2011 Portugal não esteve às portas da bancarrota, com um Estado a duas semanas de ficar sem dinheiro, bancarrota que apenas foi evitada porque o governo da altura pediu e obteve um resgate de última hora ???!...
Como é que pode dizer que "hoje o governo tem vindo a demonstrar que é possível fazer-se melhor com os mesmos recursos" quando o que se vê é uma economia a crescer metade e um endividamento a crescer mais depressa e a custar mais caro ???!...
Então a taxa de juro da divida pública a 10 anos não é hoje de 3,461% quando chegou a estar abaixo de 1,4% em 2015 ???!!...
Então as taxas de juro da divida de um pais não dependem também e principalmente da situação das finanças públicas e das perspectivas económicas desse mesmo pais ???!!...
Então não reparou nas noticias que dão conta de que o BCE, como era previsivel desde o inicio, se prepara para começar a reduzir progressivamente o volume de liquidez que tem vindo a injectar no sistema desde há meses ???!...
Então não vê as noticias que aparecem todos os dias e os avisos cada vez mais frequentes quanto à probalidade de mais um resgate se o governo não tomar medidas para corrigir a trajectória actual ???!...
É que se o meu amigo continua a negar estas e outras evidências então não dá sequer para dialogar sobre o tipo de politica que mais convém seguir para levar o nosso pais para um melhor porto, certamente um objectivo que nos une !!
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De Vento a 06.10.2016 às 20:58

Permita então mostrar as actualizações para que todos nos entendam, Fernando.
http://24.sapo.pt/noticias/nacional/artigo/juros-da-divida-de-portugal-a-descer-a-2-e-10-anos-e-a-subir-a-5-anos_21349387.html

Não, não estava em bancarrota. Creio que já debatemos esta questão sobre a bancarrota. Dificuldades de tesouraria não indica bancarrota da nação. Portugal tinha património e fonte de receita por via da economia. Ainda que compreenda que o Fernando agora diz "às portas da bancarrota" e já não bancarrota.

Pretendi realçar que o resgate pedido foi em sequência da rejeição do PEC IV e da convocação de novas eleições. A política posteriormente implementada, devido a esse resgate forçado, acabou por ir além do PEC IV e da troika. Negar esta verdade é rejeitar a evidência. Não concordei com os planos absurdos de Sócrates nem com os que vieram depois.

Sim, é possível afirmar que este governo tem vindo a fazer melhor com os mesmos recursos. E fui eu, bem antes de alguém contrariar o que na realidade se passaria, que por antecipação afirmei e demonstrei que a economia em Portugal e no mundo recuaria, e isto seria visível nas exportações. Também afirmei que este governo por excesso de optimismo encontraria obstáculos. PORÉM, sem as medidas implementadas o país estaria bem pior.
Por outro lado, por antecipação também referi a tendência de subida extraordinária da receita por via do turismo, e esta ocorreu. Precisamos aguardar mais um mês para aferir a melhoria contábil.
Mas vamos ao importante para compreender a quebra nas exportações: a PARALISAÇÃO TEMPORÁRIA DA REFINARIA DE SINES E A AUTOEUROPA.
O tecido industrial na produção dos bens transaccionáveis não está em colapso, está a adaptar-se à nova realidade.

As taxas de juro são aquelas que apresentei. Compete agora ao Fernando fazer uma apanhado sobre o valor médio das mesmas no ano de 2015, por tempo. Mais ainda, no período ainda não tinha existido a quebra das receitas petrolíferas a nível mundial. Também por antecipação afirmei que o petróleo aumentaria a partir deste ano. E as taxas de juro flutuaram na medida dessa contracção da receita. O sector financeiro quando perde nas commodities aumenta as taxas dos empréstimos. POR ISSO MESMO HOJE VERIFICA-SE A FLUTUAÇÃO DAS TAXAS DE LONGO PRAZO EM ESPANHA E ITÁLIA E NOUTROS MAIS.
Pretendo com isto dizer-lhe que é erróneo aferir o estado de uma economia em particular pelo valor das taxas. E com o acordo Rússia/Arábia Saudita verificará que as taxas se manterão estáveis.

Quanto ao BCE, ainda a semana passada injectou mais liquidez. Ele diminuirá a sua exposição quando existirem condições para isso. Como devemos muito o BCE não arriscará algo nesse sentido.

A trajectória actual requer que o governo se mantenha no mesmo rumo seguido. Alterar isto arruinará o desempenho da economia. Para que não haja dúvidas, importa referir que não obstante a redução do IVA da restauração, a arrecadação de impostos por esta via subiu 0,4%, e ainda não se contabilizaram todas as receitas turísticas.

Não haverá novo resgate.
Da mesma forma afirmei anteriormente que a UE teria de aceitar o que lhe foi proposto no plano apresentado para 2016. Isto é, não existiu cedência significativa que comprometesse o necessário.

Espero que negue ou confirme esta exposição e, deixando-lhe um abraço, espero encontrá-lo para outro bate-papo sobre esta ou outra matéria.
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De Fernando S a 07.10.2016 às 11:35

Caro Vento,
Relativamente aos juros da divida publica a 10 anos, o link que que coloca aqui em cima apenas nos diz que estavam a descer ligeiramente naquele momento, de 3,443% no final do dia de 05/10 de 2016 para 3,442% ao inicio do dia 06/10.
Estas pequenas oscilações ao longo do dia são normais e tipicas do funcionamento de um mercado.
Mas nada disto invalida o facto bem mais essencial das taxas de juro portuguesas serem hoje mais do dobro do que eram em 2015.
Como não invalida o facto de nestes dias terem estado com uma tendência de fundo para subir e a atingirem máximos dos últimos meses (na verdade, como é indicado no link, a taxa do dia anterior já era um máximo dos últimos 6 meses).
De resto, no próprio dia a que se refere o seu link, 6 de Outubro, a taxa voltou a subir mais do que descera no inicio do dia, para um novo máximo de 3,505% (como indiquei aqui num outro curto comentário que, pelos vistos, o meu amigo não viu).
Efectivamente, nas condições actuais e, sobretudo, em resultado da crescente desconfiança dos analistas e dos mercados na politica do governo português actual, a tendência de fundo é hoje mais para a subida do que para a descida da nossa taxa.
Claro que as condições envolventes, com destaque para o papel do BCE, também influenciam os niveis das diferentes taxas dos diferentes paises.
Mas a verdade é que as taxas portuguesas têm vindo a subir enquanto que as da maioria dos outros paises têm vindo a manter-se ou mesmo a descer : as diferenças ("spreads") entre as taxas portuguesas e as restantes têm vindo a aumentar.
É efectivamente muito estranho que o meu amigo persista em negar uma evidência como esta !
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De Vento a 07.10.2016 às 14:11

Meu caro, para concluir, volto a lembrar a questão subjacente: dizem que Espanha tem uma economia em crescimento, e tendo seria normal que os juros estabilizassem.
O que pretendi dizer é que as taxas não reflectem o andamento da economia de um país per si.
Hoje, às 8H00 da manhã, as taxas voltaram a variar, para cima. Logo que as commodities recuperem deste ciclo vivido as taxas estabilizarão ainda mais.
Veja as taxas da Irlanda hoje a essa hora:
http://24.sapo.pt/noticias/nacional/artigo/juros-da-divida-de-portugal-a-subir-e-a-10-anos-para-maximos-de-seis-meses_21353792.html

Os analistas hoje só podem dizer, e dizem, que está tudo muito esquisito, em particular devido à situação do Deutsche. Os analistas não são deuses, para isto basto eu.

Agora despeço-me desejando-lhe um bom fim-de-semana.
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De Fernando S a 08.10.2016 às 12:22

Caro Vento,

Pode dar as voltas que quizer e colocar aqui todos os links que encontrar que não consegue negar o que é uma mera evidência factual e não uma questão de interpretação ou opinião : as taxas de juro da divida publica portuguesa têm vindo a subir progressivamente, a 10 anos são hoje mais do dobro do que eram em 2015, são, a seguir às da Grécia, as mais altas na Zona Euro, e as diferenças com as taxas equivalentes dos outros paises, incluindo a Espanha e a Irlanda a que se refere no seu comentário anterior, têm vindo a aumentar.
O meu amigo deve olhar menos para as pequenas oscilações do dia a dia, que em boa medida até podem resultar de factores gerais relativamente independentes da situação especifica de cada pais, e concentrar-se sobretudo sobre as diferenças persistentes entre as taxas dos diferentes paises e sobre as tendências de evolução de fundo ou mais longo prazo, que têm principalmente a ver com a situação financeira e económica de cada pais.
A taxa de juro da divida pública de um pais reflecte sobretudo a percepção e a apreciação que fazem os credores quanto à capacidade do Estado desse pais de vir a pagar atempadamente e integralmente os juros e o capital dos empréstimos contratados ou a contratar.
Sendo Portugal um pequena parcela de uma zona monetária muito maior, a Zona Euro, é natural que o nivel absoluto das suas taxas de juro seja também influenciado pelo que se passa no conjunto e nas relações deste com o resto do mundo.
Tanto é assim que, se não fosse assim, o mais provável seria Portugal ter hoje taxas bem mais elevadas do que as que tem.
Em particular, sabemos que a politica monetária do BCE tem contribuido para que as taxas na Zona Euro, de todos os paises, sejam mais baixas do que seriam noutras circunstâncias.
Mas, dito isto, há diferenças entre os paises e estas diferenças têm sobretudo a vêr com diferenças nas situações dos diferentes paises.
Ou seja, os paises com taxas mais elevadas são aqueles que os mercados consideram estarem em piores condições em termos da tal capacidade para respeitar os compromissos financeiros e esta capacidade, mesmo a do Estado, tem sobretudo a ver com a situação financeira e económica do pais e e com as perspectivas futuras.
A razão principal para as taxas de juros da divida portuguesa, em particular a de prazos mais longos, terem vindo a subir desde há cerca de 1 ano, apesar de estas mesmas taxas se terem mantido baixas ou terem mesmo descido na generalidade dos restantes paises da Zona Euro, é precisamente a percepção e a avaliação menos favorável que os mercados fazem sobre a situação do pais.
Mais uma vez, até aqui é essencialmente uma questão de factos e não de interpretações sobre esses factos.
No plano das interpretações, claro que podem ser diversas e até contraditórias.
Há quem, como o Vento, desvalorize a importância e o impacto destes indicadores financeiros e tenha uma visão optimista sobre o futuro : a politica do governo actual dará os seus frutos mais cedo ou mais tarde, com contas públicas controladas e maior crescimento económico, sobretudo à medida que o contexto internacional se torne mais favorável. Ou seja, os mercados enganam-se hoje e quando o perceberem corrigirão atempadamente as taxas portuguesas para niveis mais baixos.
Oxalá seja assim !!
Outros, como eu, estão mais aprensivos e, tal como os mercados e a generalidade dos analistas e interlocutores externos, não acreditam que a politica seguida pelo governo actual seja adequada. Por isso lançam avisos e apelos para que esta politica seja minimamente corrigida de modo a evitar uma maior degradação e fragilização da situação. Há muitas dúvidas quanto ao efectivo contrôlo do déficit orçamental, que não está a descer em termos estruturais como seria desejável e que pode derrapar de um momento para o outro. As medidas de "reversão" do ajustamento estrutural prejudicam claramente o investimento e o crescimento económico. Aumentam os riscos de que o pais possa voltar a ter dificuldades de acesso ao crédito em condições de mercado normais e possa até vir a precisar de um novo resgate externo.
Oxalá me engane !!

Agradeço e retribuo os votos de um bom fim de semana !
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De Fernando S a 06.10.2016 às 14:02

Actualizo (12:00 de Lisboa 2016/10/06) o valor da taxa de juro da divida portuguesa a 10 anos : 3,506% !!!!
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De Fernando S a 05.10.2016 às 13:17

"só numa legislatura lá apareceram mais 50 mil milhões [de divida pública]. 50 mil milhões a somar aos 78 mil milhões"

Não percebo estas contas ...
A divida pública passou de cerca de 173 mil milhões no final de 2010 para cerca de 230 milhões no final de 2015.
Ou seja, aumentou cerca de 57 mil milhões.
Os 78 milhões do empréstimo da Troika foram portanto utilizados para este efeito e a diferença serviu para substituir divida já existente mas em melhores condições.
Nem tudo é formalmente imputável à legislatura do governo Passos Coelho na medida em que este entrou em funções em meados de 2011 e saiu antes do final de 2015 (por exemplo, o aumento da divida em resultado da operação BANIF já é imputável à legislatura seguinte).
Neste aumento devem ser ainda levadas em conta toda uma série de correcções efectuadas pelo governo Passos Coelho no sentido de orçamentar verbas que estavam anteriormente fora da divida (institutos, empresas públicas, etc).
Seja como for, estamos a falar de um valor que é bastante inferior aos 128 mil milhões que é referido.
Estando o pais no estado em que estava em 2011, em quase bancarrota, um resgate era o único modo de evitar a bancarrota e as consequências muito mais negativas que dela resultariam.
Acontece que um resgate é um empréstimo adicional e um empréstimo significa normalmente um aumento da divida.
O aumento da divida era inevitável e era a consequência natural do estado em que o pais se encontrava na altura.
Em termos orçamentais, e descontando a orçamentação do que estava fora e a constituição de uma almofada de tesouraria, a divida total cresceu o equivalente à acumulação dos déficits nominais nos 5 anos em questão.
Ou seja, enquanto existirem déficits orçamentais, a divida publica total só pode mesmo aumentar.
Para diminuir o ritmo deste aumento os déficits devem ser reduzidos, para diminuir a divida total os orçamentos devem registar excedentes orçamentais.
De notar que, durante o governo Passos Coelho, o déficit nominal foi significativamente dimuido e que, a partir de 2014, passou a ser excedentário em termos primários, ou seja, descontando os juros da divida total acumulada.
Pode-se assim dizer que, numa primeira fase, a divida cresceu mais para se poder fazer frente à ruptura financeira do Estado, para pagar juros elevados, e para fazer face aos efeitos sociais da recessão económica que resultou da falta de dinheiro e da austeridade a que o pais esteve sujeito.
A responsabilidade politica principal por este aumento é de quem levou e deixou o pais no estado calamitoso em que se encontrava em 2011 e obrigou à adopção das medidas de urgência previstas no programa de resgate da Troika.
Já numa segunda fase, sobretudo a partir de meados de 2013, tendo a economia voltado a crescer e estando o orçamento equilibrado em termos primários, a divida publica passou a crescer a um ritmo bastante inferior e sobretudo em função do pagamento dos juros da divida total acumulada, divida esta que, na sua maior parte (certamente mais do que os 173 mil milhões contabilizados no final de 2010 ; estima-se que a divida real fosse então de cerca de 110% do Pib, ou seja, quase 200 mil milhões), e como se refere aqui em cima, é da exclusiva responsabilidade de quem governou até então.
Ou seja, deem-se as voltas que se derem, a verdade é que o aumento da divida antes e depois de 2011 é da responsabilidade politica de quem deixou em 2011 o pais às portas da bancarrota !!
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De Vento a 05.10.2016 às 20:52

Fernando, já apresentei aqui as contas sobre esta matéria.
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De Anónimo a 05.10.2016 às 02:36

"Mais inteligente foi o PSOE espanhol que se recusou a ir atrás de cantos de sereia"
No caso é mais a fábula da raposa: estão verdes.

Estou mesmo a ver daqui Passos Coelho a recusar os votos do BE se eles lhe têm viabilizado o governo.
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De Anónimo a 05.10.2016 às 03:06

Era suposto a taxa dos sacos de plástico levar a uma redução no consumo de 80% logo no primeiro ano. Como foi eficaz, a redução foi de 90%+ e a receita menos de metade do previsto (umas dezenas de milhões que no grande esquema das coisas não servem para nada).

Imaginam uma taxa cujo objectivo seja reduzir a venda de Coca-Cola em 80%? Pois eu também não.

Então se só querem sacar mais uns trocos em impostos regressivos, não inventem desculpas progressistas como a saúde pública.

Em vez de contribuírem para reduzir o preço da comida saudável, vão subir o preço da comida barata.

O ISP não afectava os pobres, porque segundo suas excelências, os pobres não têm carro (no interior, claro que têm, no mínimo uma lambreta comprada em segunda mão).

Este não vai afectar os pobres porque os pobres não têm dinheiro para comer?

Tudo é válido para "devolver rendimentos" às clientelas.

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