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Apos um momento #metoo (final)

por João André, em 15.10.18

Há pouco mais de uma semana decidi colocar uma série de posts com o título "Após um momento "metoo". Continham apenas uma frase com que as acusações/declarações de mulheres são frequentemente confrontadas. Não enquadrei, justifiquei, não me coloquei de qualquer dos lados. Deixei apenas a frase.

 

Houve quem tenha notado isso. Notaram também que deixei os comentários abertos, algo que nunca faço. Eliminei apenas um por grosseria*. De resto fui deixando e nem sequer intervi nas conversas. Não era minha intenção ser foco de nada, antes deixar a discussão avançar. Também não reflectirei sobre os comentários (no momento em que escrevo são 159 no total, média de quase 20 por post). Estão lá para qualquer pessoa ler e não vou pronunciar-me sobre eles. Cada um que tire as suas ilações sem comentários da minha parte.

 

Não é obviamente acidente que esta sequência tenha surgido após o caso Mayorga-Ronaldo, embora as declarações acima tenham surgido apenas da minha memória e não tenham sido levantadas de qualquer texto de opinião ou comentário específico. Podiam ter sido após as declarações contra Aziz Ansari ou Harvey Weinstein. Podiam ter sido após declarações de Jimmy Bennet contra Asia Argento, apenas se mudando o sexo das pessoas.

 

A razão de eu ter iniciado esta lista foi para ressalvar o tratamento a que as mulheres que acusam homens (mais ainda que homens que acusam, seja outros homens ou mulheres) são sujeitas. Uma acusação não é obviamente equivalente a uma condenação nem o pode ser. Uma mulher que tenha a coragem de fazer tal acusação não merece automaticamente ser considerada acima de suspeita. No caso de Kathryn Mayorga, só ela e Ronaldo estiveram naquele quarto naquele momento. Só eles poderão saber o que se passou. Se o souberem: a memória prega partidas tramadas e ambos podem apresentar relatos distintos estando completamente certos do que dizem.

 

Cristiano Ronaldo, como qualquer outra pessoa, é inocente até ao momento em que um tribunal o declare culpado. Isto é do mais puro senso comum. A decência exige que o deixemos agora em paz, para preparar a sua defesa, judicial - perante a justiça, privada - perante os seus entes queridos, e pública - se assim o entender. Não merece que devassemos agora a sua vida e não merece que os media vão agora em busca de "provas" de inocência ou culpabilidade. Ronaldo sempre defendeu ferozmente a sua vida privada - não a devassemos sem razão. Há uma acusação, os media publicaram essa informação factual e a história que a sustenta, além de terem ouvido o lado de Ronaldo, como lhes compete.

 

Ronaldo, como escrevi, é inocente até ser julgado culpado. Só que isso não implica que Mayorga é culpada (de difamação/extorsão...) até ser julgada inocente. Merece exactamente o mesmo respeito da parte do público e dos media que Ronaldo. Não merece que se acredite piamente na sua história (que tem buracos, como seria normal em qualquer história com 9 anos, ainda mais se envolver eventos traumáticos reais) nem que seja acusada de mentir. Ronaldo não sairá incólume desta história, é certo. Ela também não. Mesmo que ela acabe a receber algum milhão de dólares de Ronaldo, ficará sempre com rótulos colados à sua testa. Ele o mesmo.

 

Nestas histórias há sempre vítimas. A minha série de posts quis apenas lembrar que algumas vítimas sâo-no antes, durante e depois de um processo de acusação/denúncia. Lembremo-nos disso quando, do conforto das nossas cadeiras nos tornarmos cruzados do São Facebook.

 

Posts: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8.

 

* - actualização: apaguei também os comentários de luckylucky pelas razões que lhe expliquei no passado. Nos meus posts ele não comenta nem para dizer bom dia.

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59 comentários

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De Luís Lavoura a 15.10.2018 às 11:11

Cristiano Ronaldo, como qualquer outra pessoa, é inocente até ao momento em que um tribunal o declare culpado.

Teoricamente. Na prática, como as acusações, em vez de serem somente feitas à polícia ou ao Ministério Público, são também divulgadas publicamente, CR7 é automaticamente condenado - pelos patrocinadores e/ou por parte da opinião pública - antes de qualquer tribunal intervir.
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De Rui Henrique Levira a 15.10.2018 às 13:17

Se não fosse a existência dessa maravilhosa força de pressão, mais de metade destas acusações a homens que - coitadinhos! - nada têm de seu nunca existiria. Mas isso sou eu - um misógino impenitente com um ódio patológico às mulheres - que digo.
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De João André a 15.10.2018 às 13:32

Felizmente existe essa força de pressão. Digo eu.
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De Rui Henrique Levira a 15.10.2018 às 20:36

Diz e tem todo o direito de dizê-lo. Por minha vez, tenho eu o direito de pensar que tal força de pressão (e os resultados que se vêem, o Kavanaugh que o diga), no país das Bruxas de Salem é todo um regresso ao passado onde só uma diferença se encontra: desta vez, quem no patíbulo faz as vezes de elas são eles. Brindemos, assim sendo, a mais uma magnífica conquista do feminismo mais nihilista.
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De João André a 16.10.2018 às 10:18

Coitadinho do Kavanaugh que tem a vida destruída. Felizmente que foram simpáticos para ele e lhe deram um gabinete vitalício para ele chorar e afogar as mágoas em cerveja.

Em Salem eles enforcavam as mulheres. Kavanaugh (e outros) continuam nos seus apartamentos de luxo com as vidas "destruídas". Completamente comparável.
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De Rui Henrique Levira a 16.10.2018 às 14:12

Não se faça de desentendido: o que interessa no caso de Kavanaugh é que o #MeToo utilizou vergonhosamente uma pobre coitada para atingir os seus fins políticos. A coisa correu mal: a senhora mostrou - urbi et orbi -a fraude que era.
Desculpas ao falsamente acusado? Nem uma. Preocupação com o enxovalho público da sua actual mulher? Essa mulher não conta. Consternação por aquilo que os filhos de ambos passaram? Nem pensar.
Deixe-me cá ver: se a si o acusassem injustamente e à sua volta montassem um obsceno circo activista-mediático cavalgando uma difamação ao seu carácter, o senhor ficaria satisfeito se, no final do espectáculo, lhe atribuíssem um cargo vitalício?
E, meu caro senhor, ainda bem que referiu esse hábito ignominioso que o Kavanaugh tem que é o de beber cerveja, pois ele é bem o sintoma daquilo que todo este movimento do #MeToo (mas não só ele) verdadeiramente é: uma turbamulta de histéricos e de histéricas puritanos e puritanas do avesso.
Só uma nota final: o senhor Kavanaugh e o seu patrão estão nos antípodas políticos daquilo que eu politicamente sou. O que eu simplesmente acho é que a falta de decência e a desonestidade não são, certamente, apanágio de quem diz lutar pelo progresso humano.
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De Anónimo a 15.10.2018 às 13:30

" é automaticamente condenado - " E altamente prejudicado. Se vier a ser ilibado a dita cuja sofre alguma coisa pelos prejuízos que causou?
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De João André a 15.10.2018 às 13:45

É uma boa pergunta. No entanto diria que ela entretanto sofre: já levou com todos os nomes e mais alguns, vai ser ostracizada socialmente (o braço das celebridades é longo) e ainda há a possibilidade de ser processada (com Ronaldo no final a decidir que qualquer montante que ela possa ser condenada a pagar vai para a caridade).

Deixe: ela não vai ganhar nada com isto. Nem que ganhe. Não troque o seu lugar com o dela.
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De João André a 15.10.2018 às 13:31

Verdade. O mesmo no caso de Mayorga. Mas Ronaldo ainda não perdeu nada, já uma pessoa que se mostrou sensível a ela perdeu entretanto o emprego.
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De Adriano Mendes a 15.10.2018 às 11:15

"Eliminei apenas um por grosseria." Os portugueses grosseiros estão excluídos? Eu sou um rural de Trás os Montes com baixa escolaridade. Posso participar? Ou mudo para outro blogue?
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De Anónimo a 15.10.2018 às 13:28

Quede-se mudo.
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De Adriano Mendes a 15.10.2018 às 13:32

É capaz de ser a melhor solução. Um amigo ensinou-me isto dos blogues mas se calhar é só para gente com estudos.
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De João André a 15.10.2018 às 13:50

Não. Basta educação no trato. Na minha experiência há melhor educação entre pessoas com poucos estudos que entre pessoas com muitos.
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De João André a 15.10.2018 às 13:33

Este comentário poderia ter sido evitado. Nada adianta.
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De João André a 15.10.2018 às 13:32

Há grosseria e grosseria.
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De Anónimo a 15.10.2018 às 11:34

"ESTAR VIVO ALEIJA!"
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De João André a 15.10.2018 às 13:33

E é o contrário de estar morto.
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De João Lisboa a 15.10.2018 às 12:10

"Ronaldo sempre defendeu ferozmente a sua vida privada"

A sério???!!!...
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De marina a 15.10.2018 às 13:23

foi o que pensei :) sei muito mais desse senhor do que queria saber, e não o consigo evitar, passa a vida a dar bandeira.
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De João André a 15.10.2018 às 13:34

Só sobre o que ele quer. Aquilo que expõe publicamente é criteriosamente seleccionado.
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De Rui Henrique Levira a 15.10.2018 às 13:11

Uma mulher só pode ser considerada corajosa na sua acusação de violação se essa acusação for verdadeira. Se essa acusação for falsa, ela não passa de um acto canalha com segundos fins. De actos canalhas com segundos fins está cheio o mundo de acusações que surgiram com o movimento #MeToo (veja-se, a título de exemplo, as acusações da senhora Ford ao senhor Kavanaugh). Não sei se este, aproveitando a onda do histerismo reinante, não será mais um.Veremos...
Quanto à equivalência das marcas que ficarão, em medida igual, na senhora Mayorga e no senhor Ronaldo, não me parece que a coisa se resuma a uma sentença salomónica: a mostrar-se inocente, a Ronaldo ninguém lhe tira o prejuízo moral, profissional e pecuniário de cima; a mostrar-se uma vigarista, a senhora Mayorga irá à sua vida sem que pague o que quer que seja e sem que cumpra sequer um dia de prisão. Mais: com alguma sorte, e mesmo que nada se prove, desconfio que ainda a veremos a ganhar a sua vidinha a dar conferências sobre o abuso sexual.
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De João André a 15.10.2018 às 13:34

Pela sua cabeça não passa nem por um segundo a possibilidade de o relato dela ser verdadeiro, pois não? Nem lhe dá a ela o benefício da dúvida?
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De Luís Lavoura a 15.10.2018 às 18:00

não passa nem por um segundo a possibilidade de o relato dela ser verdadeiro, pois não?

Confesso que é muito difícil passar.

Uma mulher deixar-se violar num apartamento de hotel no qual, a talvez dez metros de distância, estão duas outras pessoas, uma das quais uma amiga dela, parece-me bastante incrível. Se ela estivesse mesmo sem vontade nenhuma, podia ter soltado uns gritos a alertar os outros. Ou podia ter-se revoltado, rebolado, lutado, por forma a, no mínimo, obrigá-lo a magoá-la seriamente e visivelmente.

Somos portanto obrigados a acreditar que ela se deixou "violar" sem soltar um pio, sem brigar, apenas protestando "não, não".

Para mim, isso não é uma violação.
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De João André a 16.10.2018 às 10:22

Sabemos então que para si, alguém que não lute, não está a sofrer um crime.

Gosto de saber. Vá dizer isso aos milhões (sim, milhões) de mulheres que foram violadas sem largar um ai porque tinham medo.

Além disso Mayorga não disse que não gritou. É possível que - se o relato for verdadeiro - nem se lembre. Seria perfeitamente em linha com os relatos de outras sobreviventes de violência sexual.

E se tivesse gritado, quem sabe se não haveria música suficiente para ninguém ouvir.

Sinceramente não sei. Mas não excluo a hipótese só porque ela não cumpre o critério lavouriano - felizmente sem reflexão na jurisprudência em lado nenhum - de não ter lutado contra o agressor (se é isso que Ronaldo foi).
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De Luís Lavoura a 16.10.2018 às 10:36

para si, alguém que não lute, não está a sofrer um crime

Uma violação não é um crime como os outros.

Uma violação é basicamente uma relação sexual, e uma relação sexual é algo que pode dar prazer - tanto físico como psicológico.

As pessoas podem ter relações sexuais de forma ambivalente, por um lado recusando-as e por outro aceitando-as, por uma lado tendo vergonha delas e por outro tendo prazer nelas, por um lado temendo as suas consequências futuras e por outro comprazendo-se no momento presente.

Uma mulher pode não lutar contra uma violação se vir que a força usada contra si é enorme (por exemplo, se enquanto estiver a ser violada estiver a ser manietada por outros homens). Mas, se esse não fôr o caso e se não estiver docilizada pelo prazer (se estiver, a culpa é dela), pode lutar e gritar a pedir ajuda.

A propósito, sabe que, quando um homem é atacado por um cão agressivo, deve procurar assestar um pontapé nos testículos do animal. O mesmo conselho é válido para quando se é atacado por outros mamíferos agressivos.
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De João André a 16.10.2018 às 10:52

Se o homem não der o dito cujo pontapé então desculpemos o cão, coitadinho, que nada fez. Se o homem não deu o pontapé nos testículos então é porque queria ser atacado.

Ó Luís, tem noção de o fundo que se está a enterrar?
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De Luís Lavoura a 16.10.2018 às 10:58

Você é que se está a enterrar, João André, ao não entender aquilo que é óbvio para qualquer um: que uma mulher pode não resistir a uma relação sexual porque está a ter prazer (físico ou psicológico) nela, e que pode somente mais tarde inventar ou descobrir que até nem queria ter aquela relação sexual... mas quis.
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De João André a 16.10.2018 às 11:00

Sem objecções. Mas para si, se ela não lutar, está então a ter prazer. É essa a lógica que está a dar.

E o homem que não dá um pontapé nos testículos do cão está a ter prazer no ataque. Claríssimo.
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De Luís Lavoura a 16.10.2018 às 11:10

Eu escrevi que uma mulher pode perfeitamente não lutar por achar que está submetida a uma força muito superior - por exemplo, no caso de violação por um grupo de homens.

Mas também escrevi que uma violação por um só homem me levanta muitas suspeitas. Porque um homem não se excita sexualmente nem penetra uma mulher como quem dispara uma pistola. Demora tempo e tem que se concentrar na atividade sexual (descurando eventualmente o exercício da força física sobre a mulher). Uma mulher que tenha presença de espírito (e que não esteja atordoada por sensações de prazer, mesmo que involuntárias) pode aproveitar um momento de distração do homem para lhe assestar um valente pontapé.

Uma violação por um só homem ainda me levanta mais suspeitas quando não ocorre numa casa fechada - quando por perto haja outras pessoas que possam acudir. Nesses casos a mulher, além de lutar, pode gritar por socorro. O homem que a queira manter calada tem que lhe tapar a boca - distraindo um dos braços e uma das mãos e parte da sua força que poderiam ter muita utilidade para a atividade sexual.
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De João André a 16.10.2018 às 12:20

Aconselho o que já escrevi muitas vezes (talvez não nas respostas aos seus comnetários, teria que o procurar): vá ler relatos reais.
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De Rui Henrique Levira a 15.10.2018 às 20:21

Já que o "veremos" do meu comentário anterior o não convenceu, pode ser que isto o ilumine um pouco: pelo que li no "Der Spiegel", não. É que a coisa não tem - como o senhor diz - "buracos": o que ela verdadeiramente tem são crateras. E muitas.
Eu sou um homem de poucas vivências, mas há coisas que me não convencem:
A) A um homem que aparece de pénis na mão na casa-de-banho, suplicando que ela lho toque (coisa que ela diz ter recusado), dá a senhora Mayorga um beijo, ao mesmo tempo que o acha patético e um idiota?
B) A uma mulher que se recusa a tocar-lhe o pénis, consegue um homem fazer sexo oral, estando ela, suponho, de pé e não receptiva ao mesmo?
C) Por que cargas de água entra um amigo ou familiar de Ronaldo no WC para saber o que se passava? Acaso um homem adulto julga que, quando outro homem está a sós com uma mulher naquela situação, está a jogar às cartas?
D) Depois da deixa da entrada do homem no WC, a senhora não só não aproveitou para se retirar, como ainda se deixou conduzir pela mão para a cama, achando, simplesmente, que o moço era "persistente". A sério?
E) Mayorga deita-se na cama e protege-se em posição de concha (posição fetal?), mas, mesmo assim, Ronaldo conseguiu sodomizá-la, e isto sem lubrificação, sem preservativo, sem preliminares e paralelamente a ela... Olhe, meu caro senhor, para além de ser múltiplo "Bola de Ouro", o rapaz devia ter também o troféu de "Pila de Aço" (se não entendeu o porquê também escuso de lho explicar).
F) Depois de consumada a suposta violação, entra, mais uma vez, um terceiro elemento no quarto, para perguntar o que se passa, ao que a Mayorga responde nada se passar. O Ronaldo anda, decididamente, rodeado de mirones e a senhora Mayorga deve ter horror às oportunidades de fuga.
G) Deixo de lado a ida para o jacuzzi e sentimentos adjacentes (de tão rebuscada, a descrição nem merece comentário), mas não cessa de me atormentar uma questão: e a amiga da Mayorga? Onde esteve ela? Onde está ela agora? Por que razão, ao invés de procurar pretéritas e pressupostas vítimas de Ronaldo pelos quatro cantos do mundo, não lhe faz um apelo de comparência Leslie Stovall?
H) A senhora Mayorga afirma não ter denunciado o nome do seu agressor, pois não queria prejudicá-lo... Temos nós aqui um caso de célere Síndrome de Estocolmo?

Olhe, meu caro senhor, cada um acredita no que quiser. Eu acredito na senhora Mayorga quando ela e os seus advogados taparem todas estas crateras. Vale?
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De João André a 16.10.2018 às 10:40

Muito rápido: eu digo que Mayorga está a dizer a verdade e Ronaldo a mentir. Mantenho a presunção de inocência perante ambos.

Mas fui reler o artigo da Der Spiegel para me relembrar. Note que tudo o que está abaixo é de acordo com o que Mayorga diz, não sabemos se foi assim que as coisas se passaram.

a) Mayorga deu um beijo a Ronaldo (mas não no pénis), por constante insistência dele. Como muitas mulheres já fizeram para ganharem tempo e se tentarem livrar de homens chatos, insistente ou que as assustavam. Nem precisa de ir a mulheres vítimas de violência sexual para encontrar esta experiência. Arrisco dizer que a maioria já fez algo semelhante.

b) ela não disse que ele lhe fez sexo oral, mas que tentou. Ela debateu.se contra isso e, quando alguém entrou, ela saiu.

c) Se uma porta do WC não está trancada não é estranho que alguém entre. Nunca tentou abrir uma porta da casa de banho com alguém lá dentro que se esqueceu de a trancar?

d) ela nunca diz que se deixou conduzir pela mão. Antes que ele a puxou. Não custa acreditar que ela, sendo mais pequena e consideravelmente mais fraca, se tenha deixado ir enquanto - de acordo com o que diz - ainda não o considerava uma ameaça real.

e) Esse aspecto (apesar da vulgaridade que usou) é precisamente o aspecto que me parece dar o maior buraco. Sem lubrificantes a penetração anal é extremamente difícil. Mas não é impossível. Mas é de facto aqui que está o maior buraco.

f) Mayorga não diz que alguém entrou no quarto. Penso que confundiu com a história na casa de banho.

g) que sensibilidade. Claro que uma mulher que tenha sido violada não tem sentimentos. Escuso comentar a parvoíce. Recomendo que leia relatos de mulheres que foram violadas (e a justiça provou o facto).
Quanto à amiga, ela é citada na história da Der Spiegel, pelo que parece que está disponível.

h) Síndrome de Estocolmo é algo bem conhecido, mas aqui trata-se de uma coisa bem mais problemática: medo. Mais uma vez, algo bem comum em vítimas de violação, especialmente por homens poderosos. Ainda mais se assinaram um documento que na realidade não compreendem.

Eu acredito no que quer e você também. Eu não acredito nem deixo de acreditar em Mayorga, mas a história dela é habitual nestes casos. Merece no mínimo que seja lida e ouvida com respeito. Coiisa que você não demonstra.

O maior buraco é de facto a penetração anal. Falta saber alguma coisa ali. Podemos avançar com múltiplas hipóteses para um lado ou outro (Ronaldo não chegou a penetrar propriamente porque não conseguiu; na realidade pode só ter colocado o dedo; não chegou a fazer nada mas a mente dela preencheu os espaços; ele de facto violou-a e feriu-se no processo mas nós não o sabemos, etc, etc, etc). Alguém que seja um especialista pode dar a sua opinião. Que pode ser que o acto é de facto impossível sem lubrificação.

Só que eu não vou procurar buracos. Espero antes a resposta da justiça sobre o assunto. E até lá respeito as histórias de um e outro.
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De Rui Henrique Levira a 16.10.2018 às 14:48

Desculpe-me a franqueza, mas o senhor - dadas as imprecisões referenciais que estão patentes no seu comentário - ou não leu o meu comentário ou comenta-o como lhe dá mais jeito.
Quanto à sua interpretação da pasquinada do Der Spiegel, já o senhor viu as filmagens da suíte e reparou onde fica o tal WC? Ele serve o quarto onde a alegada violação terá ocorrido, pelo que a sua interpretação me parece ter ainda mais crateras que a história da Mayorga.
E, por favor, deixe-se de momentinhos Catch22: se a senhora ( a Mayorga) sofre de Síndrome de Estocolmo é porque ele é comum em vítimas de violação e, logo, houve efectivamente, violação e que se condene Ronaldo, certo?. E se a senhora ( a Ford) se não lembra nem do local, nem do dia, nem da hora, nem do ano e nem das circunstâncias em que alegadamente foi violada, é porque sofre de Stress Pós Traumático (prova evidente de violação e só de violação) e, assim sendo, que se condene o réu (o Kavanaugh) sem saber o onde, o quando e o como do que o condena, certo? Parece-me que anda aqui um cheirinho a Kafka pelo ar...
Olhe, meu caro senhor, quer, de verdade, lutar pelos direitos de mulheres enxovalhadas na sua mais profunda dignidade humana? Se a sua resposta for afirmativa, sugiro-lhe que abrace, do fundo do coração, esta luta: a luta das mulheres cujos seios foram amputados devido a problemas oncológicos e que hoje, no avançado Portugal do Século XXI (e talvez por isso mesmo) se vèem nos últimos lugares da lista de espera de cirurgia plástica de reconstrução mamária, pois os lugares primeiros são sistematicamente reservados para os eles que descobriram que são "elas" e para as elas que descobriram que são "eles". Essas mulheres, no embate directo com o politicamente correcto e com os ultra-burgueses progressismos acéfalos, viram a sua essência de serem mulheres completamente esfacelada. Mas isso não interessa nada.
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De António a 15.10.2018 às 13:35

Coisas que fiquei a saber:
- a investigação do der Spiegel (merece ser lida e avaliado o cuidado e fact-checking extensivo)
- ameaças de morte aos jornalistas do Spiegel (colocam a posição de Mayorga ao aceitar um acordo noutro contexto)
- Mayorga não falou com a imprensa até bem depois da história ser publicada (cumpriu o acordo)
- ao reabrir o caso, Mayorga arrisca comparativamente tanto como Ronaldo (se perder em tribunal terá que devolver o que já recebeu, e sem dúvida pagar uma indemnização que promete ser histórica, o que a levará directamente à prisão sem passar pela casa da partida)
Ou seja, Mayorga arrisca muito mais do que eu pensei no início.

Fiquei também a saber que há homens, e, surpreendentemente, muitas mulheres, que acham que as violações só acontecem porque as mulheres deixam, ou querem, ou secretamente desejam. E que, óbviamente, nunca lhes aconteceria a elas (esperemos que o Karma não exista).
E também que, no que diz respeito à forma “própria” das mulheres se vestirem e comportarem, muita gente vive ainda no Séc XIX, ou é islâmico radical.

Excelente experiência, João André. Parabéns. No mínimo, ficámo-nos a conhecer um pouco melhor enquanto sociedade.
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De João André a 15.10.2018 às 13:49

Obrigado António. Relativamente aos seus pontos, não foi minha intenção clarificar nada. Quem quiser ser esclarecido sobre o assunto pode ler o artigo da Der Spiegel (está em inglês e tudo). Nada de novo surgiu depois disso.

Dos outros penso que resume bem as posições. Também temos que lembrar que, de facto, Mayorga pode estar de facto a ser uma exploradora e a tentar sacar mais uns cobres sem perceber o risco a que se expõe. É, do meu ponto de vista, improvável, mas possível.

Aquilo que é claro é: as linhas foram marcadas sem atenção às narrativas. Há muita gente acima que já decidiu de que lado está. Factos ou explicações não contam.
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De António a 15.10.2018 às 18:23

Em relação ao seu último parágrafo;
Quando li a notícia pela primeira vez, pensei que era mais uma. Ao ler mais fontes, comecei a pensar que talvez não. É para isso que serve a informação.
É importante ler uma sequência de tweets dum dos jornalistas. Ele faz notar que o Der Spiegel não foi processado por Ronaldo, e que foram 26 pessoas a trabalhar na história durante 2 anos. E passou pelas mãos dos advogados da revista, e só depois teve o OK do editor. Eles sabem com quem se metem, sabem as consequências. Tiveram muito cuidado.
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De João André a 16.10.2018 às 10:42

A Der Spiegel é uma publicação como não conheço nenhuma em Portugal. Gostaria no entanto de lr essa sequência. Pode partilhar o endereço no Twitter? (não costumo usar o twitter, por isso nem sei onde procurar).
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De Anónimo a 16.10.2018 às 11:43

Eu também não tenho twitter, cheguei lá via artigo de Helena Garrido no Observador. A Máscara Que Caíu, algo assim. Eu já vou ver se lhe consigo enviar o link.
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De António a 16.10.2018 às 11:49

https://observador.pt/opiniao/a-mascara-que-caiu-com-ronaldo/

https://twitter.com/derWinterbach/status/1046478115734720513

http://www.spiegel.de/international/cristiano-ronaldo-kathryn-mayorga-the-woman-who-accuses-ronaldo-of-rape-a-1230634.html
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De João André a 16.10.2018 às 12:19

Obrigado António, vou ler assim que possível.
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De a 15.10.2018 às 14:21

Não sei qual é o critério aqui no DO para eliminar comentários, ainda que os mesmos não sejam grosseiros.
Fiz um comentário num texto de João Pedro Pimenta. Posteriormente rectifiquei o(s) erro(s)/gralha(s);

(*) Malloy [este "comentário" foi publicado]

(*) Crítica [este "comentário" não foi publicado]

Não entendo o porquê na selecção de comentários...se calhar não é para entender.
Grata pela atenção.

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De João André a 15.10.2018 às 14:43

Não posso ajudar nisso Té. Eu apenas respondo pelos comentários nos meus posts. Nem sequer modero as respostas a comentários meus nos posts de outros autores (embora o possa fazer), deixo isso a cargo dos respectivos autores. Só toco nos comentários noutros posts quando ficam pendurados muito tempo (habitualmente porque o autor do post não tem possibilidade de o fazer).

No caso concreto, o melhor é mesmo perguntar ao João Pedro. Pode acontecer que tenha surgido algum problema com os filtros do próprio SAPO, mas não faço ideia. Infelizmente não posso ajudar.
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De a 17.10.2018 às 10:00

Obrigada, João André.

Um último comentário; as acções ficam com quem as pratica - nos blogues como na vida.
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De Anónimo a 15.10.2018 às 18:59

Tudo isto é estranho!
À volta deste assunto cria-se uma guerra entre homens e mulheres, com os benfiquistas à espreita.
A primeira mulher na vida de um homem é a sua MAE adorada. Quem, filho de uma mulher, pode violentar outra mulher?
Vivemos tempos de loucura alimentado por pó que não é de talco.

De Cristiano Ronaldo espero golos no próximo jogo da Juve. Ele próprio o disse : "só tenho o oitavo ano de escolaridade, a única coisa que sei fazer é jogar futebol".
O que procuram tantas mulheres à sua volta?
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De João André a 16.10.2018 às 10:44

Ter o oitavo ano de escolaridade não é desulpa para nada. Em todo o mundo que existe o princípio de recusar a defesa por ignorância da lei.

Mas espero também golos de Ronaldo, e que continue a ser o jogador que é. Até ao dia em que ele seja hipoteticamente condenado (ou começarem a surgir outras histórias como em Weinstein - espero que não) que continuarei a olhar para ele simplesmente como o enorme jogador que é.
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De Rui Henrique Levira a 15.10.2018 às 21:23

Uma última palavra: não simpatizo com a aparente (porque mediática) personalidade de Ronaldo; não nutro especial consideração por todo aquele que aluga úteros e nega a filhos o conhecerem e o serem criados pela sua mãe; sempre disse que era suprema estupidez fazerem-se estátuas a quem vivo está e ainda tem uma vida inteira pela frente para negar tudo aquilo que foi e tudo aquilo que fez (mas essa culpa, convenhamos, não pertence ao craque madeirense); em termos futebolísticos, considero Messi muito melhor que Ronaldo.
Quanto a "ronaldites" de perdição, penso estarmos conversados.
A questão é outra: não aprecio histerias inquisitoriais que nos farão retornar à Idade da Pedra, bem como me causa um asco imenso toda aquela ou todo aquele que quer fazer de todo e qualquer homem (melhor ainda se for multimilionário e mediático até à naúsea) um potencial cultor e actor da (onde é que nós já chegámos, Deus meu!) "cultura da violação".
A América já aqui ao lado? Não, obrigado.
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De João André a 16.10.2018 às 10:45

Subsrevo tudo o que escreve sobre Ronaldo (e Messi). Sem mudar uma vírgula.

Também não gosto de inquisições, mas a única que se tem feito é a Mayorga.
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De Rui Henrique Levira a 16.10.2018 às 13:46

É a sua opinião. Respeito-a, mas terá a fineza de me permitir discordar dela.
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De João André a 16.10.2018 às 14:09

Naturalmente que sim caro Rui. Podemos ver todos os defeitos nas opiniões dos outros, mas temos que aceitar que possam ser diferentes. E assim sendo aceito perfeitamente a sua.

Como se costuma dizer, cada um tem direito às suas opiniões, mas não aos seus factos. Enquanto não mudarmos os factos, sem problemas nas opiniões.
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De Rui Henrique Levira a 16.10.2018 às 14:57

Não está a acusar-me de, meu caro João André, inventar factos, pois não? É que penso que, até agora, ainda me não deu para a veia criativa nos comentários que aqui vou deixando. A criatividade deixo-a eu para outras actividades que não esta.
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De Anónimo a 16.10.2018 às 22:02

"Messi muito melhor que Ronaldo"
Levando a discussão por esse lado, nenhum é melhor que o outro, fazem parte do grupo restrito de galácticos com Rei Pelé e Maradona, da mão de Deus.

Não sendo apologista da vida social de Cristiano Ronaldo, há uma atenuante a ter em conta o assédio que certas meninas fazem aos jogadores de futebol. Gaita, um Homem não é de ferro!

Cultura de violação??
Assunto dos tribunais. Ainda não foi julgado, Ronaldo nem sequer esta acusado.
Dizem os Sportinguista que se Cristiano Ronaldo não fosse produto da Academia do Sporting o assunto morria à nascença.
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De Rui Henrique Levira a 17.10.2018 às 01:42

Acontece, meu caro anónimo, que é precisamente por esse lado que eu me recuso a levar a discussão. E isso por uma simples e incontornável razão: é perfeitamente irrelevante para o caso o que eu acho de Ronaldo como atleta ou como pessoa. O que me interessa é tentar perceber em que medida está ele a ser vítima (ou não) de um movimento profundamente fundamentalista e arcaico (mas que se diz muitíssimo democrático e progressista) como é o #MeToo, movimento esse onde - de mão dada com a ingenuidade dos incontornáveis idiotas úteis de turno - pontificam os mais soezes ajustes de contas, os mais obscenos aproveitamentos políticos e os menos confessáveis (mas muito mal escondidos) desejos de protagonismo e de obtenção de um poder que servirá não para libertar as mulheres de uma suposta "cultura da violação, mas sim para oprimir quem não entra no carreiro da ideologia totalitária do politicamente correcto.
O que importa neste caso não é um homem (seja ele Ronaldo ou outro qualquer) não conseguir resistir aos avanços das senhoras; o que nele é de importância capital é saber-se se a senhora Mayorga (é ela que acusa) consegue provar a alegada violação de que se diz vítima ou se, não a conseguindo provar e verificando-se ser ela dolosamente inventada, se mostra em todo o seu esplendor de mais uma sociopata em busca de dinheiro fácil que não olha a meios para atingir os seus fins. O resto são leituras que se fazem com base nos dados que já são conhecidos: eu tenho as minhas, o senhor terá as suas.
Quanto à inteligente opinião dos sportinguistas (de alguns sportinguistas, diria eu), quer-me cá parecer que a senhora Mayorga e a sua retaguarda do #MeToo nem conseguem apontar num mapa mundi a localização de Portugal, quanto mais saberem que o Sporting Clube de Portugal tem uma Academia e que nela se formou o Ronaldo.
Por fim, trazer à colação a Academia do Sporting num caso de alegada violação é de uma ironia sinistra: é que, há uns tempos e se a memória me não falha, foi mesmo nesse espaço que se deu uma horrorosa violação colectiva - a violação, por um bando de boçais, da integridade física do plantel de futebol do clube.
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De Anónimo a 17.10.2018 às 08:31

Mais uma vez...........
Pode dizer :"Ele Não!"
Também aí esses movimentinhos "estão mais por fora que barriga de índio!", como se diz no Brasil.
É um prazer, lê-lo, assertivo, honesto a tratar dos assuntos, sem tomar partido precipitadamente.
Obrigado.
PS : claro que a senhora não conhece Portugal, só um português. O aproveitamento a que me refiro é indígena.
Bom dia para si e para o João André.
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De Rui Henrique Levira a 17.10.2018 às 20:25

Eu é que me sinto brigado pelas suas tão bondosas quanto por mim pouco merecidas palavras. Um grande bem haja.
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De Miguel a 17.10.2018 às 09:49

O que para aqui vai!.... Esta historieta nem para o MeToo servia. Vejamos. Dois palermas, ele e ela, armados ao pingarelho, em Las Vegas (se li bem), à procura de emoções fortes. A gaja, esperta ou estupidamente (sabe-se lá, mas adivinha-se, simples lógica bayesiana), envolve-se de livre vontade em situações intimas com um gajo que nāo conhece de lado nenhum; o gajo, palonço como muitos, rico como poucos, julga que uma americana ordinária, americanis dollaris vulgaris , em Las Vegas, nāo pode senāo sentir-se fulminada pelo seu charme irresistível. Aqui estão, meus senhores, dois aventureiros que dispensariam as vossas sinceras atenções. Tudo isto é claro como água. O único mistério aqui é haver tanta gente tão sugestionável a ponto de confundirem esta historieta com um caso de género, de sexismo, quiçá de síndroma Strauss-Kahn. Até uma especialista andou pela tv dizendo que isto é um caso exemplar para educar criancinhas e a amalgamar isto, talvez inadvertidamente, espero eu, com casos de abusos sexuais a crianças. Enfim, enquanto andam no bate-boca com isto, não se metem na droga.
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De Rui Henrique Levira a 18.10.2018 às 21:14

Excelente e muitíssimo bem escrito comentário. Parabéns.
Contudo, devo apontar uma pequena discordância: na minha humilde opinião, para o #MeToo - como bem demonstrou a trafulha da Ford - tudo aquilo que vem na rede é impolutíssima xaputa. Pouco conhecimento no distinguir da espécie, da natureza e da qualidade do peixe, certamente.

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