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Após o caso Nassar

por jpt, em 25.01.18

nassar.jpg

 

Distraído, se calhar, só hoje (no FB) tomei conhecimento deste caso Nassar, o médico da selecção de ginástica americana, acusado de violentar 158 jovens mulheres durante cerca de 20 anos. Um caso horrível. Com duas lições aqui para o recanto português:

1. nos excertos do julgamento colocados na imprensa ouvem-se as declarações da juíza. Antes de condenar o homem a 175 anos de prisão, e num discurso tão veemente que corre mundo, a juíza pergunta-lhe "Are you guilty, sir?" e noutro momento (que não reencontro) diz-lhe "Sir, não é digno de voltar a sair da prisão". O "Observador", que muitos louvam, traduz "sir" por "você", o que mostra bem o grau de morcanzice a que chegou o jornalismo português, mesmo o "fino". Esta é uma monumental lição para a cáfila de juízes portugueses, cuja arrogância de funcionários públicos os leva a destratar os réus - mesmo um tipo destes, num julgamento hiper-mediático, recebe o "senhor" a que um servidor público está obrigado. Os juízes portugueses não perceberão isto, porque, iletrados como o Observador, traduzem "sir" por "você", e cagões como funcionários públicos remetem-no para o "vossemecê" altaneiro e reduzem-no ao nome próprio desvalorizador.

2. conheci isto via partilhas no FB. Gente com júbilo comemorando uma pena de prisão perpétua e saudando uma juíza que diz "estou a dar-lhe uma pena de morte" (uma perpétua inultrapassável). As pessoas são abjectas. Este abjecto Nassar apenas põe em prática o que esses facebuqueiros são.

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20 comentários

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De Anónimo a 25.01.2018 às 21:25

"cuja arrogância de funcionários públicos"
Com frases como esta em que mostra o seu preconceito relativamente a funcionários públicos, perde a razão. Suponho que nunca tenha estudado numa escola pública e que apenas frequente hospitais privados.
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De jpt a 25.01.2018 às 21:31

Só perde a razão quem escreve anonimamente. Quanto ao que diz isto não é "preconceito", é mesmo posconceito ...
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De Plinio a 25.01.2018 às 22:31

Vejo no seu comentário uma espécie de juizofobia, pondo todos os juízes no mesmo saco, algo que parece típico de um qualquer ressabiamento. Se eu disser que todos os bloggers são cagoes eu sou o quê?
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De jpt a 25.01.2018 às 23:55

Há algum tempo cheguei àquela idade em que já não tenho qualquer paciência para os "psicologistas", para as explicações da pacotilha, os que apontam aos outros "ressabiamentos" e "ressentimentos" como causas do que pensam e dizem. É, pura e simplesmente, o grau zero. Quanto ao que eu vejo no seu comentário é uma incapacidade de entender o que está escrito. Basta ler o que está escrito
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De Plinio a 26.01.2018 às 13:11

Quanto ao grau zero posso sempre citar : "Esta é uma monumental lição para a cáfila de juízes portugueses, cuja arrogância de funcionários públicos os leva a destratar os réus - mesmo um tipo destes, num julgamento hiper-mediático, recebe o "senhor" a que um servidor público está obrigado. Os juízes portugueses não perceberão isto, porque, iletrados como o Observador, traduzem "sir" por "você", e cagões como funcionários públicos remetem-no para o "vossemecê" altaneiro e reduzem-no ao nome próprio desvalorizador".

Ora "os" é artigo definido e portanto diz respeito a uma pluralidade de seres ou coisas.
Portanto é V.Exas. que nomeia, eu limito-me a constatar a sua fobia por juízes e por inerência dos "funcionários públicos". Que o não queria reconhecer é problema seu, não de interpretação minha. E já chateia o argumento sempre idêntico usado pelo Exmo e outros Bloggers, da "incapacidade de entender"
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De Anónimo a 26.01.2018 às 02:06

Aahahah, os juízes não são funcionários públicos.
(Tem toda a razão quanto à tradução)
Quando andei pelos tribunais crime - como advogado - não ouvi "vocês", pelo contrário. Os réus eram "senhores" e "senhoras".
Se agora é como diz, está mal, muito mal.

Ah, li as suas desventuras no mundo dos tribunais, primeiro num blog seu, se me estou a lembrar bem e, depois, aqui.
O interessante é que me parece o destinatário ideal, o alvo certo da censura das normas penais, no sentido de ser quem as sente mais vivamente: mais abaixo a coisa choca em peles mais duras (ou moles) e muito acima, uma desventura como a sua é tomada como peripécia divertida.
Está num locus solus... que o não devia ser - solus.
Ah, há algo que me vai desculpar: para além da justeza do que conta, não deixa de haver um pouco daquela atitude - mesmo que justificada, por não se delinquir - que "coisas dessas não me acontecem, estou fora disso". O pior é que, sendo raras, acontecem. Permita-me acrescentar: e devemos esperar sempre o pior. Por isso, não pode ser assunto que sintamos longínquo.

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De jpt a 26.01.2018 às 03:58

Penso que não percebi bem o seu comentário, no que se refere ao sentimento de distância. E em relação a quê. Eu não me sinto distante (e quem me dera sentir) em relação a nada do que afloro no postal. Nem ao rame-rame dos tribunais (no sentido em que estão próximos de qualquer cidadão), muito menos à cultura dos quadros da função pública (e os juízes, mesmo que nominalmente não o sejam, são mesmo parte da classe do funcionalismo público), nem à tétrica deriva autoritária que para aí anda, com gente festejando prisões perpétuas e elogios (de facto) à pena de morte.
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De Anónimo a 26.01.2018 às 12:56

Queria o comentador dizer que o assunto, os assuntos da justiça (os de rame-rame incluídos) não devem andar longe de nós e do escrutínio público.
Os juizes não são funcionários públicos... Se pessoas como jpt assim pensam, algo vai mal: nos juízes e no público.
Quanto à deriva autoritária: o festejo de medidas extremas terá origem no laxismo extremo e na leniência das molduras penais.
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De Vlad, o Emborcador a 25.01.2018 às 21:51

"violentar 158 jovens mulheres durante cerca de 20 anos"

Seguindo alguns raciocínios explanados aqui, pelo DO:

Porque é que só agora decidiram falar?
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De jpt a 25.01.2018 às 23:56

Nunca vi nenhum raciocínio explanado aqui, se pelo DO (por alguém do DO), que entronque no que afirma. Na caixa de comentários sim, infelizmente.
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De António a 25.01.2018 às 22:42

Por alguma razão Tim Cook disse o que disse acerca das redes sociais.
O mundo é mesmo uma aldeia global, nunca pensei é que houvesse tantas tias solteironas a fofocar na aldeia global.
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De Anónimo a 26.01.2018 às 01:52

É fácil não ser vítima de "fofoquice". Basta não ser um violador.
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De jpt a 26.01.2018 às 04:01

Pois.
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De António a 26.01.2018 às 09:29

Pois...
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De Carlos Alberto Ilharco a 26.01.2018 às 00:09

Um julgamento na América é sempre um espectáculo cinematográfico, daí o relativo exagero da Juíza que sabia que as suas palavras iriam ter eco.
Também o condenado brilhou ao ler uma carta de despedida e as agora quarentonas contribuíram com apartes alguns bem explícitos.
O seu post é muito interessante e temo que não seja compreendido.
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De jpt a 26.01.2018 às 03:59

Nem todas as queixosas eram quarentonas. Pelo menos uma tinha 15 anos. Obrigado.
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De Manuel a 26.01.2018 às 03:11

Talvez até o facto do julgamento ter sido conduzido por uma juíza possa ser uma mensagem do lobby feminino.
Talvez o Nassar seja também um marco na história do "rise" feminino.
Talvez o "sir" também vá mais além da formalidade do trato e possa ser interpretado como uma chamada de atenção a todos os "sir's" do mundo.
Talvez o você carregue o sentimento de estar "à vossa mercê", como talvez seja apenas a maneira que as pessoas lá arranjaram para não se considerarem inferiores a ninguém ou então para se poderem considerar superiores a toda a gente.
Enfim, são tudo questões que ficam à escolha do freguês.
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De jpt a 26.01.2018 às 04:01

É isso mesmo, tudo dependa da escolha do freguês. São algus horríveis gostos na freguesia que me motivaram o postal.
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De garimpadas a 26.01.2018 às 05:41

A notícia nem é notícia é uma chatice. O homem abusou mas abusou sozinho, sempre? A Juíza até parece ser um não-ser. Tudo isto existe, tudo isto é triste só que na América não há fado. ora toma lá 175 anos de prisão e no fim vem falar comigo.
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De Beatriz Santos a 26.01.2018 às 08:39

Gostei da elegância da juíza. Julgo que "sir" seja o tratamento adequado. Na verdade, entre ele, Nassar, e a maioria das pessoas, há uma distância incomensurável; e o "sir", sinaliza-a perfeitamente, é barreira, muro de vidro transparente a marcar a diferença entre duas pessoas. Melhor que qualquer você ou vocemessê cujo, afinal, só aproxima quem o profere do sujeito a quem se destina.

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