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Aos repugnados dos últimos dias

por Paulo Sousa, em 30.03.20

A existência ou não dos Corona Bonds dependerá de equilíbrios vários, sendo que, independentemente da abertura que possa vir a haver nos órgãos europeus, cada governante terá de regressar a casa e justificar ao seu eleitorado o que ali terá aceite.

A força política de quem conta, nomeadamente a Alemanha, está limitada não só pela situação politicamente frágil da CDU como pela trajectória eleitoral dos partidos eurocepticos que cada vez estão mais perto do poder.

A existência desse instrumento financeiro tornaria os estados-membros solidariamente responsáveis por essa nova dívida, e isso ainda por cima não encaixa nos tratados europeus. Ultrapassar essa questão formal exigiria uma montanha de formalidades, mas nisso os eurocratas são exímios.

O ponto que se levantaria seria sobre que garantias orçamentais adicionais seriam exigidas aos países financeiramente mais frágeis para que isso alguma vez fosse possível. Não muito metaforicamente o nosso orçamento passaria a ser feito pelos nossos credores.

João Marques de Almeida explica isso com clareza neste artigo do Observador (acesso com assinatura), e quem já cá anda há algum tempo sabe bem que os que mais convictamente agora pedem solidariedade são exactamente aqueles que no dia seguinte se iriam revoltar com a ainda maior interferência de Bruxelas nas nossas contas públicas.

Sol na eira e chuva no nabal é que era mesmo bom. Quem é que não queria?

PS: Estava a escrever o título e lembrei-me de uma certa seita religiosa. E no fundo são mesmo isso, uma seita.


30 comentários

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De Vento a 30.03.2020 às 00:55

Tem aí vários pontos para matéria:
"A força política de quem conta, nomeadamente a Alemanha, está limitada não só pela situação politicamente frágil da CDU como pela trajectória eleitoral dos partidos eurocepticos que cada vez estão mais perto do poder."

Porém quando esta, CDU, não estava frágil foi fácil enganar o eleitorado dizendo que a massa era para a Grécia, e afinal era para a banca alemã e francesa. Significa isto que não entrou nada na Grécia.
Melhor, na Grécia entraram títulos lavados e daí sai dinheiro fresco.

"O ponto que se levantaria seria sobre que garantias orçamentais adicionais seriam exigidas aos países financeiramente mais frágeis para que isso alguma vez fosse possível. Não muito metaforicamente o nosso orçamento passaria a ser feito pelos nossos credores."

Isto é uma falsa questão, porquanto as garantias conjuntas co-responsabilizam todos. Significa isto que o que está em causa é um combate comum que afecta todos e não só os mais fragilizados orçamentalmente.

Traduzindo, se eu garantir um empréstimo seu e o caro Paulo não tiver massa para pagar, aquilo que avalizei serve como título executivo; isto é: sacam-me a massa e só depois é que poderei mover acção contra si. Se não tiver massa nem bens, eu fiquei a arder.
No entanto em matéria de países e mutualização da dívida a garantia está sempre nos impostos dos cidadãos.
Eu continuo a preconizar que os lucros do BCE sejam distribuídos, pois estes já pertencem aos estados membros e não têm custos.
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De Paulo Sousa a 30.03.2020 às 09:28

E é exactamente para salvaguardar os impostos dos cidadãos de cada país, que cada político dos país financeiramente mais sólidos terá dificuldade em justifica-los perante os seus eleitorados.
Sobre os lucros do BCE, e sem ser versado em contabilidade de bancos centrais mas apenas recorrendo a uma lógica contabilística geral, a existência desses lucros que refere, e cujo valor desconheço, é que permitirá a absorção contínua de dívida dos estados-membros. Conceder empréstimos continuamente com ou sem uma contrapartida para balancear as contas, é a diferença entre um banco central e uma impressora de notas, ao estilo da política monetária venezuelana. Imagino que tal cenário não lhe agrade. Sol na eira...
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De Vento a 30.03.2020 às 10:18

Meu caro Paulo,
todos os bancos centrais distribuem as receitas pelos governos. Portanto, isto não tem nada que ver com a dívida emitida; e o contínuo acumulo de juros não faz parte da actividade de uma banca central.

A mutualização da dívida é uma garantia que permite aos estados endividarem-se para combater esta praga, salvar vidas e salvar a economia tanto quanto possível. Assim, esta é equitativa e é natural que todos nos co-responsabilizemos nesta luta comum.

E sim, quero sol na eira: vidas salvas.
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De Paulo Sousa a 30.03.2020 às 10:32

Pois mas o sol seca o nabal.
Na meteorologia não há escolhas mas na política económica e monetária há. Não se pode querer uma coisa e seu contrário. A dúvida prende-se com o ponto de equilíbrio que se escolha entre duas variáveis alternativas. Os critérios de escolha dos nossos governos são diferentes dos outros, que tem mais capacidade financeira e política. Como é que se pode convencer a parte mais forte, na política, na famílias, no trabalho, na vida em geral, a fazer algo contra a sua vontade? O António Arrebenta Ministros Holandeses já sabemos que é bom a chamar nomes, mas não tem margem de manobra para muito mais que isso.
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De Anónimo a 30.03.2020 às 11:51

Fica a questão de saber qual é o interesse de ser a parte mais fraca de um acordo.
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 06:09

Não há absolutamente nenhum, como é claro. Mas isso decorre exclusivamente de escolhas anteriores, da forma como funcionamos e como tomamos conta da nossa vida comum. Houve escolhas difíceis que foram evitadas e caminhos fáceis trilhados. Agora entramos no "Ai aguenta, aguenta".
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De Vento a 30.03.2020 às 12:16

Qual é a sua solução, Paulo?
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 06:20

A solução é continuar a fazer escolhas fáceis e depois queixar-se do destino e da falta de sorte. Estou a ironizar.
Estamos nesta solução por escolha própria.
Uma resposta em condições daria um longuíssimo post.
Abdicamos de ter qualquer amortecedor para viver tudo no curtíssimo prazo. Encontramos à nossa volta muitas pessoas que também preferem viver assim. As opções mais fáceis e de beneficio rápido criam fragilidades, e a nossa situação é tão estável como estável e razoável, é fazer uma vaca a voar. Agora a cornélia esbardalho-se e podemos escrever mais um fado.
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 06:24

Lembrei-me de um post anterior que também aborda estas escolhas e as suas consequências.

https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-inimigos-do-futuro-11041698
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De Vento a 31.03.2020 às 12:50

Meu caro, li atentamente a reflexão que aponta nesta ligação. Acontece que nenhuma geração, em termos colectivos, deixará de comprometer o futuro do futuro: ou porque não possui conhecimento, por muito conhecimento que tenha, ou porque simplesmente, em regra, o homem vive do presente.
Equacionar o futuro, em termos materiais para salvaguardar gerações futuras, é uma responsabilidade das famílias, daqueles que o podem fazer. Não podendo, será uma questão de consciência colectiva amenizar o futuro; o futuro das novas gerações mas o futuro das gerações que envelhecem e contribuem para o futuro.

Por aquilo que depreendo de seu comentário, o Paulo, se pudesse, apagaria o passado e começava de novo.
Pois bem, o bichito que anda por aí está a poupar-lhe trabalho e fá-lo-á certamente melhor que cada um de nós.
É este a nova Primavera, certamente dolorosa, e que encarregar-se-á de julgar o passado e promover um novo futuro, que já começou.
O que nenhum político, que hipocritamente falava e discursava em nome da geração futura, conseguiu fazer, para além de demagogia e estupidez, está a fazer o bicho com uma inteligência fria e sem calculismo.

Sim, Paulo, regressamos ao tema sobre o fim dos tempos: é este o momento, é este o final desses tempos. Um novo dia nascerá, pois a aurora já se vê e o anuncia.
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 22:26

Entendo o que diz, mas o que é facto é que algumas gerações de algumas sociedades deixam um melhor legado que outras. O texto quando fala em 'inimigos, refere-se naturalmente aos maus exemplos.
A questão não se põe sobre o que eu faria se pudesse, mas apenas um lamento pela demora em que o país como um todo consiga aprenda a evitar recorrentes situações de fragilidade.
Obrigado pelos comentários
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De Anónimo a 30.03.2020 às 02:11

Os eurobonds são exatamente isso, os credores passam a mandar e os outros a obedecer.

Diga-se de passagem que eu acho estranho que parte da nossa "direita" e uma parte dos nossos "liberais" defendam esta solução, que acabaria por finalizar a nossa transformação num protetorado bruxelense sem qualquer tipo de decisão politica autónoma, uma espécie de tecnocracia iluminista do Século XXI para um povo que não sabe governar nem se deixa governar.

É gente que não se distingue muito de Salazar ou Marcelo Caetano, que também eram bastante honestos quanto a sua descrença no sistema parlamentar que vigorava na europa do Século XX.

Se este for o caminho que escolhamos, então que assim seja, mas não tenhamos ilusões acerca do que diz de nós.
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De Paulo Sousa a 30.03.2020 às 09:40

Sobre o facto de brevemente voltarmos a ser um protectorado de Bruxelas será uma questão de tempo. O quarto resgate já está no horizonte, a dúvida resida apenas na data.
O nosso PM sabe disso e está já a preparar a narrativa para o justificar. O destino na forma de vírus, ou de diabo se preferir, parece ser uma boa mas se tivesse de apostar iria mais para um episódio como aquele da ameaça de demissão surpresa numa cena idêntica aquela que inventou sobre a devolução aos professores. Alguma coisa irá surgir, mas ele lá encontrará uma manobra para se desculpabilizar.
Como as contrapartidas que seriam necessárias para os corona bonds não seriam muito diferentes das dadas à Troika, o facto de nos tornarmos um protectorado ocorreria igualmente, mas de uma forma menos óbvia. E isso politicamente agradará de sobremaneira ao governo ao ponto de valer a pena ameaçar com o fim da EU, como ele fez.
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De Anónimo a 30.03.2020 às 15:24

Concordo com o seu comentário, só continuo a achar estranho que não haja indignação com o facto que (por exemplo) os nossos orçamentos precisem de autorização prévia de gente que não conhecemos e em grande parte nem sabemos que existem.

Ninguém estranha esta dissonância cognitiva?

Fica-se com a idea que para esta gente a democracia é uma coisa muito bonita, mas eh pá os gajos não sabem-se governar, precisam ali de alguém a dizer-lhes como se faz.

É um pouco diferente de uma Troika ou FMI, que só atuam no pais porque o pais foi ter com eles de mão estendida, o que esta gente propõem é uma substituição De Facto da nossa casta governativa (independente do seu valor coletivo, foi eleita por nós, vale não esquecer) por uma casta ainda mais distante das pessoas independentemente dos bons tempos ou maus.

Relembro que são também estas pessoas que muitas vezes se queixam da abstenção dos seus cidadãos, se eles acham que será o "parlamento" europeu o veículo legitimo de representação dos seus cidadãos... bem as taxas de abstenção falam por si.
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 06:26

Pedir eurobonds, se alguma vez eles vieram a existir, será como ir de mão estendida chamar a Troika. Esse é o ponto do post.
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De Anónimo a 30.03.2020 às 02:43

O nosso repugnado primeiro que penhore as ajudas europeias em garantia das eurobonds que levantar. É tudo UE!

Andou a distribuir o que não tinha... e a sacar donde não devia.
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De Paulo Sousa a 30.03.2020 às 09:44

Mas as ajudas europeias já estão todas gastas ou caucionadas. Não esquecer que o regime se baseia em distribuir coisas que se recebem.
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De Anónimo a 30.03.2020 às 02:50

" Há 59 anos - precisamente no ano em que nasceu o actual primeiro-ministro - o então primeiro-ministro Oliveira Salazar enfrentou uma guerra verdadeira em várias frentes , que se prolongou por 13 anos, e nunca pediu dinheiro a ninguém.

Agora, o primeiro-ministro António Costa enfrenta apenas uma espécie de guerra e, ao fim de duas semanas, já anda de mão estendida".

Blog "Portugal Contemporâneo", com a devida vénia.
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De Paulo Sousa a 30.03.2020 às 09:46

"Mão estendida" é o nome do meio do regime.
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De jo a 30.03.2020 às 11:57

Não pediu nada a ninguém, a não ser ao próprio povo. Acabou com o país mais miserável da Europa Ocidental e com um regime que se mantinha prendendo os opositores. E perdeu a guerra.
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De Anónimo a 30.03.2020 às 09:19

O nosso orçamento já tem que ser aprovado pelos nossos credores.
Se fosse ainda mais detalhadamente concebido por um Governador -de preferência holandês- provavelmente seria melhor para o comum do cidadão.
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De Paulo Sousa a 30.03.2020 às 09:53

Verdade. E já vimos isso com a azia com que o PCP e BE ao "aprovavam" os orçamentos da geringonça.
O que estamos a falar é de um nível acima, idêntico ao tempo da Troika.
A dificuldade do governo em lidar com esse cenário prende-se exactamente com a narrativa que o justifique. O destino tem as costas largas, e talvez tenha de arcar mais uma vez com as responsabilidades.
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De Miguel a 30.03.2020 às 10:30

Sol na eira: superavits gigantescos à revelia dos tratados europeus.

Chuva no nabal: uma união monetária ao seu serviço funcionando efectivamente como um desvalorizador automático da sua moeda.

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De Anónimo a 31.03.2020 às 19:24

Não entendeu, nem vai entender !
Em duas frases alguém desmontou a sua narrativa.
Fala aí em cima na governação de curto prazo, qual é a empresa privada que não o faz, algumas endividam-se até para pagar dividendos.

WW
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 20:53

Receio mesmo nunca entender. Falha minha. É vulgar.
Mas já agora caro Anónimo, ou Miguel, ou Abrantes ou que quiser, se as frases tivesse sujeito seria mais fácil de entender. Superavits gigantescos de quem? Da sua moeda... de quem?
Quando se encriptam frases desta forma não se desmonta narrativas a ninguém, quando muito poderá é acabar com o debate por não se conseguir fazer entender.
Pode continuar a tentar. Não tem que dar a cara.
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De Buiça a 31.03.2020 às 01:56

Não é complicado, depois de conseguirem convencer alemães e holandeses a emprestar dinheiro vai-se emitir divida mutualizada. Cada um, conforme o seu peso, garantirá uma parte dessa dívida aos "mercados". Cada um, conforme o seu peso, terá também o seu peso no organismo que decidirá onde gastar o dinheiro, em que condições e como o vai pagar de volta. Tudo na mesma.
Para isso mais vale gastar e quando o mercado não emprestar mais recorrer ao mecanismo que já existe e tem centenas de milhares de euros disponíveis.

Ou melhor ainda: porque não lideram pelo exemplo? Os tratados permitem que os 9 proponentes da mutualização, mais os "outros todos" que o senhor Costa nos assegurou também serem favoráveis, avancem já amanhã com a mutualização das suas dívidas. Sem "repugnantes", só vantagens!
Não o fazerem é confessar que sem dinheiro germanico não se governam.
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 06:29

E não o fazem exactamente por isso. Nem é preciso rezar o acto de contrição que ninguém os absolve.
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De Anónimo a 31.03.2020 às 19:34

Qual dinheiro germânico...
É saber como vão as acções dos dois maiores bancos alemães, o DB e o Comerzbank para ver que aquilo está preso por arames, nem com uma fusão se safam.
O que os alemães produzem em grande quantidade quase ninguém necessita se isto se arrastar por mais que 1 ano.
Portugal é auto-suficiente em alguns bens alimentares e pode tornar-se rapidamente em outros e o a principal industria do País pode renascer ainda mais forte, já para não falar de um dos maiores bens enquanto portugueses, a nossa reconhecida capacidade de desenrrascanso.

WW
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De Paulo Sousa a 31.03.2020 às 22:02

Só faltou dizer que graças a isso finalmente voltaremos a ficar orgulhosamente sós!

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