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Andam a gozar à nossa custa

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.05.14

 

Ainda não fez uma semana que a troika se despediu dos régulos que tomam conta do "Protectorado" e já um ilustre autarca se prepara para cumprir uma promessa eleitoral. Inadiável, digo eu. Sim, porque quando se considera estruturante um investimento de € 100.000,00 (cem mil euros) para construir uma "pista pedonal para cumprimento de promessas em nome de Madre Rita", quem o promove deve ter direito a fotografia na primeira página. Para que  todos os portugueses a quem são pedidos esforços e sacrifícios possa ver a cara do "pagador de promessas" e agradecer convenientemente o investimento quando com ele se cruzarem na rua ou, quem sabe, numa procissão pré-eleitoral.

Para um tipo que foi secretário de Estado do Sr. Passos Coelho, num executivo onde também estava aquele senhor a quem chamavam "doutor", que ia fazer a reforma das autarquias, da RTP e de mais um montão de coisas, para poupar dinheiro aos contribuintes, acabar com as gorduras do Estado e reduzir a despesa pública, penso que seria importante incluir este cavalheiro nas medalhas para o Dez de Junho. Oxalá que o Presidente da República não se esqueça dele.

Autarcas destes, dos que cumprem promessas e anunciam investimentos estruturantes em honra das santinhas da terra a 72 horas de um acto eleitoral, já escasseiam. Com a generosa protecção do partido ainda menos.  

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15 comentários

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De sampy a 23.05.2014 às 21:39

No português pré-acordo, ler uma notícia é ler uma notícia.

«Para além da colocação da pista pedonal com mais de dois quilómetros de extensão, será anda feita a ligação em estrada entre a casa da Madre Rita e a Igreja Matriz de Ribafeita.
"Teremos uma estrada que liga estes dois pontos e ao lado um caminho tipo ecopista, que servirá também para outros efeitos ao longo do ano", concluiu».

Haverá, portanto, uma estrada E um caminho pedonal. Ou, se se quiser eliminar a treta do marketing, uma estrada com um amplo passeio. Que o "jornalista" da Lusa tenha visto o picante da coisa e tenha optado por "noticiar" que vai ser construído um passeio com uma estrada ao lado, até se percebe. Mas também há quem insista em dar simplesmente a notícia. Do Diário de Viseu:

«A autarquia de Viseu vai gastar cerca de 100 mil euros na construção de uma estrada que ligará a casa de Madre Rita à Igreja Matriz de Ribafeita, na mesma ligação será também criado um percurso pedonal».

Justifica-se o investimento? Tem base sólida para ser considerado estruturante? Que fale quem tiver conhecimento de causa. Criticar recorrendo a graçolas com o Além ou contabilizando hipotéticas derrapagens parece-me fraco argumento.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 24.05.2014 às 12:07

O que está aqui em causa não é a estrada nem o passeio ao lado. O ponto é que o presidente da camara de Viseu, foi secretário de estado deste governo, e portanto é um malandro, tem de ser um malandro, que já anda a desbaratar os dinheiros públicos. É estordinário!!!
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De Sérgio de Almeida Correia a 24.05.2014 às 18:10

Não leia o que lá não está. Quando quero chamar "malandro" a alguém faço-o sem meias-palavras.
O que aqui está em causa é a bondade do investimento nesta altura e a coerência do discurso, quando se está dentro do Governo e fora dele, quando se é poder ou se é oposição. Se o leitor não vê isso, se não vê o desrespeito por quem não tem dinheiro para pagar as propinas dos filhos, por quem não tem para aviar os medicamentos na farmácia, e considera normal o "investimento" num "caminho "tipo pedonal", que servirá "para outros efeitos ao longo do ano", só tenho que lamentar. Mas não serei eu a abrir-lhe os olhos.

P.S. Não vivo em Lisboa desde finais dos anos 70 e nos últimos doze vivi a 265km de Lisboa. Agora estou a 10 mil. Sei do que falo. E aqui aqui onde estou, fica a saber, para se tirar um passaporte no consulado português vai-se buscar uma senha (são vinte por dia) e faz-se fila a partir das 5 horas da manhã. Se lá estiver alguém para tirar um passaporte para si e para os três filhos, só 16 conseguirão o papelinho. Se quiser agora uma marcação fazem-na para Agosto. E um cartão de cidadão leva meses. Todos os dias de manhã são filas terceiro-mundistas. Um reconhecimento de assinatura obriga a três deslocações e pagamento antecipado do equivalente a 15 euros. E o Presidente da República saiu daqui há dias com uma centena de empresários. É claro que com um telefonema há quem resolvo tudo mais depressa, mas antes de pegar no telefone há quem costume cumprir a via sacra dos seus concidadãos. Presumo que tudo isto deva ser normal para si e muito menos importante do que um gasto de cem mil euros num caminho pedonal para pagar promessas.
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De Sérgio de Almeida Correia a 24.05.2014 às 18:15

"há quem resolva", eu não resolvo nada. É bom que também fique claro.

Sei que não foi o leitor quem falou de Lisboa, mas aproveitei para responder a outro leitor. Espero que me releve a ousadia.
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De rmg a 24.05.2014 às 19:51


Pois se fui eu o que falou de Lisboa , enfio o barrete com muito prazer .

O Sérgio viveu a 265 kms de Lisboa mas não foi no interior norte nem nada que se pareça com isso e não vou ser eu que lhe venha aqui lembrar onde é que viveu (isso V. sabe e os outros não têm nada que o saber por mim) .

Quanto ao sítio onde agora vive tenho aí alguns bons conhecidos , são as voltas da vida , ainda que não vá para esses lados há muito tempo não os perdi "de vista" e muito menos "de ouvido" .
Sei portanto algo sobre a situação (menos que o Sérgio , claro).

Mas vir com o que se passa aí no consulado não é argumento para contrariar as opiniões dos outros sobre o caminho pedonal em Viseu .
Se quisesse discutir esse problema específico levantava-o legítimamente aqui (já trouxe situações semelhantes) .

Como agora trouxe esta do caminho pedonal , é disso que falamos e não me parece que alguém lhe tivesse chamado nomes .
No entanto sei por experiência própria que este seu tipo de "diálogo" faz parte do seu "estilo" , até andei afastado daqui uns tempos por causa disso .

Não estou de acordo que seja tudo dinheiro mal gasto desde o momento que , servindo um propósito específico de alguma (mesmo que não urgente) utilidade pública , dê trabalho durante uns meses a gente da construção civil que neste momento não tem trabalho nenhum por lá e portanto "não tem dinheiro para pagar as propinas dos filhos" nem "para aviar os medicamentos na farmácia" .

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