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Ambiente de trabalho II

por Teresa Ribeiro, em 22.10.18

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Creio que tudo começou com a glorificação das chamadas soft skills. Em teoria, um profissional vale mais se, além de conhecimento técnico, revelar qualidades como empatia, iniciativa e dedicação, entre outras tantas características fofinhas. O pior é quando, cientes dessa sobrevalorização, emergem no mercado de trabalho pessoas cujo maior talento é o da capacidade de autopromoção. Conheço gente que faz voluntariado não porque tenha qualquer vocação para tal, mas porque pode fazer a diferença num currículo. Fazer MBAs e pós-graduações tornou-se, por este motivo, um desporto de alta competição, em que a suposta sede de conhecimento não passa de um engodo para potenciais empregadores.

A indústria do "parecer" está pujante, as fake skills em alta. É por isso que a pouco e pouco, em todos os sectores, encontramos os melhores performers em lugares de topo. Há pessoas destas, com funções executivas, que saltam de área em área de actividade, sem possuir os mais elementares conhecimentos relativos às matérias sobre as quais tomam decisões. Por mais hábeis e inteligentes que muitas sejam, é claro que nestas circunstâncias os erros tornam-se inevitáveis.

Há uma incompetência larvar que tem a ver com isto e está a minar todos os sectores e a destruir os mais vulneráveis. 

 

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23 comentários

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De Anónimo a 23.10.2018 às 00:14

Se é certo que o peso excessivo das qualidades emocionais estão a distanciar-nos do essencial no campo profissional, i. é, do saber fazer bem, tão só, é falso que seja daí que decorra a autopromoção Ela existe desde que sou gente e já lá vai quase meio século. O fazer de conta e o 'parecer' pouco tem a ver com dictomia razão/emoção. Aliás a razão (ou as razões) é pródiga em fazer 'parecer'. Decorre sim, da distinção entre verdade e mentira, conceitos fora de moda e sem fronteiras nítidas nos últimos 50 anos, pelo menos (salvo aqueles a quem dá jeito acreditar que as fakes nasceram agora).

Usando a lógica do professor do beijinho na avozinha... começam por dizer que não há bons nem maus, que tudo é relativo, depois admiram-se que 'os que fazem querer ser bons, sejam mesmo os considerados bons e os que riscam'.

Bem vindos ao admirável mundo. Um mundo a pedido.

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