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Alguém sabe como se diz Lebensraum em russo?

por Pedro Correia, em 02.03.14

O espaço vital russófono e russófilo, tal como é entendido por Vladimir Putin, faz evocar as piores recordações do século XX na Europa.


9 comentários

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De Luís Lavoura a 03.03.2014 às 09:55

O Pedro omite que, enquanto que os nazis lutavam por terras nas quais os alemães eram geralmente uma minoria da população, os russos lutam pela Crimeia, uma terra na qual os russos constituem uma maioria da população e os ucranianos constituem uma ridícula minoria.
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De Pedro Correia a 03.03.2014 às 13:15

Os russos constituem 58% da população da Crimeia actual enquanto a população de origem germânica da Boémia rondava os 38% quando Hitler anexou os Sudetas, em 1938. Mas as violações do direito internacional são do mesmo grau - inaceitáveis em qualquer dos casos. Tal como é inaceitável, entre países membros da comunidade internacional, e sujeitos ao mesmo dever de cumprimento da legalidade, a resolução dos conflitos pela força militar Os russos violam, aliás, vários tratados internacionais que subscreveram - com destaque para o Memorando de Budapeste, assinado em Dezembro de 1994, em que ficou expressamente reconhecida por Moscovo a integridade territorial da Ucrânia.
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De Luís Lavoura a 03.03.2014 às 13:34

Claro que a Rússia está a violar vários tratados internacionais. Sem dúvida. Mas outras grandes potências fazem o mesmo com frequência, e por razões bem piores. Por exemplo, a NATO decidiu em 1999, ao arrepio de todos os tratados internacionais, declarar guerra à Sérvia, e bombardear ferozmente esse país, sem que ele tivesse feito mal a qualquer membro da NATO.
Acresce que a Rússia apenas está a exigir de volta, da Ucrânia, um presente que lhe ofereceu. A Crimeia nunca foi habitada por ucranianos, apenas foi, por mera conveniência territorial, anexada ao território da Ucrânia pela antiga União Soviética. Aquando da dissolução desta, a Rússia, generosamente, permitiu que a Crimeia continuasse a fazer parte da Ucrânia, apesar de a Crimeia ser habitada por russos e não por ucranianos. Ou seja, a Rússia ofereceu a Crimeia à Ucrânia quando os dois países eram amigos. Basicamente, o que a Rússia está a fazer agora é análogo àquilo que muitos namorados fazem quando se separam - exigir que o "ex" lhes restitua os presentes que lhe tinham oferecido. Possivelmente o próprio Pedro Correia terá alguma vez feito isso...
Portanto, eu considero que esta atitude da Rússia é sem dúvida uma violação do direito intenacional. Mas é, em minha opinião, altamente aceitável.
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De Pedro Correia a 03.03.2014 às 16:39

Se passamos a justificar e até a aplaudir todas as violações do direito internacional e todos os atentados à soberania territorial de cada Estado porque houve violações anteriores, estamos no fundo a legitimar a "lei" do mais forte - ou seja, o equivalente à lei da selva - e a reabrir inúmeras questões na Europa com base na "pureza" étnica.
Aberta a caixa de Pandora, quem reclamará o quê a seguir?
A Ucrânia tem, a ocidente, parte do território que já foi da Polónia: os polacos podem reclamá-lo. E a Polónia tem parte do território que já foi Alemanha: os alemães podem reclamá-lo também a qualquer momento. E a Itália tem território que já foi da Áustria e da Eslovénia. E a Turquia tem território que já foi da Grécia. E a Roménia tem território que já foi da Hungria. E um imenso etc.
Ah, é verdade, os Estados Unidos têm o Alasca, que foi território russo até 1867. Moscovo mandará também tropas especiais resgatá-lo?
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De Anónimo a 05.03.2014 às 02:44


Iraque? Afeganistão? A Rússia não está propriamente a reivindicar território, pois não, Pedro Correia?
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De Pedro Correia a 06.03.2014 às 01:01

Típico de quem não tem argumentos. Quando ouve falar em alhos, recorre logo aos bugalhos.
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De Anónimo a 06.03.2014 às 02:07


Alhos = Rússia, bugalhos = NATO. Tem razão! Peço imensa desculpa.

Ingerência em guerras civis e golpes de estado, invocação da defesa de bases em territorios estrangeiros, a possível ameaça a cidadãos como justificação de ataques preventivos, até mapas novecentistas mal desenhados: tudo isto são semelhanças de argumentação absolutamente redundantes - típicas de quem não tem argumentação, aliás.
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De Pedro Correia a 06.03.2014 às 21:40

É um velho reflexo condicionado, típico da Guerra Fria, dos antigos apoiantes da União Soviética que imaginam Putin como novo czar vermelho. Confundindo desejos com realidades.
Essa retórica esfarrapada que procura silenciar as críticas ao facto X mencionando a existência do facto Y e do facto W, que nada têm a ver com o primeiro, evoca outras histórias, outras discussões.
Quando acusavam Brejnev de esmagar a Primavera de Praga, em Agosto de 1968, transformando e violando a soberania e a integridade territorial da Checoslováquia, tendo destituído 'manu militari' e detido quase toda a cúpula dirigente do partido comunista daquele país, havia sempre do lado de cá do Muro uns advogados de defesa do ditador soviético que se lembravam de perguntar: "Então e a agressão americana ao Vietname?"
Foi o que você me fez lembrar.
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De Anónimo a 07.03.2014 às 01:45


Não retirando uma virgula ao que escrevi mas já embainhando a espada, pedia-lhe só um esclarecimento: ainda pensa que está a trocar comentários com o Luís Lavoura?

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