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Alexis Pirro

por Pedro Correia, em 06.07.15

pirro[1].jpg

Vitória clara de Alexis Tsipras, ufanam-se alguns "analistas" comentando o sufrágio de ontem na Grécia. Num  plebiscito com uma pergunta absurda, que já estava ultrapassada pelos acontecimentos no preciso momento em que foi impressa nos boletins de voto, numa campanha-relâmpago onde não houve tempo para um debate sério e esclarecedor, com os adeptos do "sim" quase remetidos à clandestinidade perante a maciça propaganda governamental favorável ao "não".

Que vitória?

Com a economia em derrocada, os bancos falidos, a recessão a regressar em força (após o país ter crescido 0,8% em 2014), a necessidade absoluta de financiamento externo de emergência para fazer face às despesas mais elementares e o espectro de uma saída descontrolada do euro se no próximo dia 20 falhar o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu. E - na melhor das hipóteses - um terceiro resgate a caminho, sujeito ao crivo prévio dos parlamentos nacionais dos restantes países da eurozona, tão respeitáveis como o de Atenas.

Pirro era grego. E também ficou célebre pelas vitórias que alcançou.

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8 comentários

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De da Maia a 05.07.2015 às 23:53

Sim, vitória de Pirro, pode ser uma boa caracterização temporária da vitória do Syriza.
Aliás, como curiosidade adicional, a tradução latina de Pirro chegou a ser Burro:

The cognomen "Burrus" is the Latin version of the name Pyrrhus, king of Epirus.
https://en.wikipedia.org/wiki/Sextus_Afranius_Burrus

Essa é meia parte da história, porque não há vitória sem derrota.
A outra meia parte, a da derrota dos burocratas da UE, que se envolveram desnecessariamente, poderá começar a ser contada amanhã pelos mercados saltitantes.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 10:18

Os mercados até estão neste momento a subir ligeiramente, meu caro. Com a demissão de Pirro Varoufakis. Ou Burro, como preferir.
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De da Maia a 06.07.2015 às 10:59

Meu caro, o Burro era mais para os Burrocratas.

Foi uma surpresa a demissão de Varofakis após a vitória, e isso alterou a tendência das bolsas... que mesmo assim era apenas de perda moderada. Parece que não foram apenas os bancos gregos a ter que adiar operações...
Esta brincadeira ainda agora começou, e uma camada de verniz não repara o problema.

Podemos ver isso como uma necessidade grega de fazer cair uma peça para negociar, mas eu não estaria tão seguro da simplicidade da situação. A eficácia dos burocratas mandarins também está bem registada como epílogo da estagnação e decadência imperial.

Tsipras não se demitiu. Então, não há qualquer razão da burrocracia europeia soltar foguetes.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 23:44

Tsipras fugiu para a frente. O chamado referendo, organizado em escassos oito dias e com base numa pergunta que já não fazia sentido no próprio momento em que foi impressa nos boletins de voto, não é uma prova de força do Syriza - é uma prova de fraqueza. O que em boa parte explica a demissão de Varoufakis.
Muitos gregos estão ainda iludidos com a demagogia do Governo. Que pretende convencê-los que vem aí a quadratura do círculo: um novo pacote financeiro sem as correspondentes medidas de austeridade. Uma espécie de filme açucarado das produções Walt Disney para crianças grandes.
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De da Maia a 07.07.2015 às 01:03

Se a pergunta não fazia sentido, e Tsipras conseguiu que 61% dos gregos votassem nela, sem as pedidas abstenções (violentas, imagino), pedidas pelo PC grego... então, ou teve muita sorte, ou tem quase 2/3 dos gregos sob controlo hipnótico.

Não leve a mal, mas eu compreendo perfeitamente que um sportinguista veja derrotas em vitórias alheias. O FCP ao longo das últimos décadas tem somado derrotas, umas atrás das outras. E por esse entendimento singular, o Sporting não tem saído da sequência imparável de vitórias... a ponto de agora ir buscar um técnico duplamente derrotado. Deve ser porque já estava cansado de tanta vitória, e talvez seja este o ano da derrota.

Eu até admito que a história seja ao estilo Walt Disney, mas o estilo de chantagem com ameaça de emergência humanitária, pareceu-me mais saído de um filme do Scorcese ou do Coppola.

Nem a Islândia, que não produz uma colher, e entrou em default, teve nenhuma ameaça desse género.
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De da Maia a 07.07.2015 às 19:21

Há uns tempos atrás, escrevia aqui o Cristof que era hábito "esquerdista" transformar derrotas em vitórias... vê-se que também não falta quem queira transformar vitórias em derrotas.

Só se engana quem quer, quando molda a realidade ao discurso, e não o discurso à realidade.

Primeiro, o Syriza não tinha 50% dos votos, tinha uma maioria artificial. Os gregos queriam ficar no Euro, por causa de uma "sondagem telefónica". Se o Syriza aceitasse as condições dos credores, mostrava que não tinha alternativa, etc, etc.
Tudo cenários construídos para, em qualquer circunstância, apontar para uma derrota do Syriza.
Senão vejamos:
- se o Syriza cedesse na negociação, contra as promessas, era uma derrota;
- se ganhasse o Sim, Tsipras demitia-se e era uma derrota;
- ganhou o Não, com larga vantagem, e é uma vitória de Pirro?

Externamente pode ter mudado pouco, porque não se mudam os burros teimosos da burrocracia europeia, mas internamente fortaleceu a posição de Tsipras por completo, levando até à demissão de Samaras.

Apenas lhe faço notar que essa forma de conduzir a narrativa não leva o seu burro ao moinho, porque se há coisa sobre as quais as pessoas não têm dúvidas, é que Tsipras obteve uma grande vitória interna.
E não foi só interna, porque estupidamente a UE quis meter o bedelho, e fazer campanha e chantagem económica, pelo sim.

Eu compreendo a dificuldade, mas há certas posições que voltam-se contra quem as profere, pelo completo absurdo lógico em que caem.

É inútil não querer admitir que a UE perdeu a Grécia neste referendo.
A Grécia agora é Tsipras, e só Pallas sem Atenas, dos burrocratas europeus, lhes permitem ver outra coisa.
Essa foi a grande derrota de Bruxelas.
Mas também, como diria um grande sábio nacional,
19-1=18,
e perante essa profunda sabedoria, nada mais há a dizer.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 21:25

Que "vitória" vislumbra você?
Eu não vislumbro nenhuma.

Os gregos estão hoje pior que ontem. Tal como ontem estavam pior do que na véspera.
Hoje, 48 horas após o plebiscito, Tsipras chegou ao Conselho Europeu de mão estendida: precisa de 7,5 mil milhões de euros para salvar 'in extremis' o sistema financeiro grego.
Estendeu a mão. Mas na outra não levava nada.
Queria um cheque em branco.
A irresponsabilidade continua. Para efeitos de propaganda interna. Enquanto a imagem externa do país se vei deteriorando rapidamente.

O que escutou entretanto em Bruxelas?
Isto:
«Se os gregos não apresentarem rapidamente novas propostas, mostrando-se preparados para aceitar medidas difíceis, não poderemos ajudá-los e as consequências serão da inteira responsabilidade do governo grego.» (Mark Rutte, PM holandês)
«Neste momento não há novas propostas do governo grego. E temos muito pouco tempo.» (Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo)
«O dever de um primeiro-ministro é assumir responsabilidades, apresentar propostas e assumir compromissos.» (Charles Michel, PM belga)
«Precisamos de ter estas propostas de reformas o mais rapidamente possível.» (François Hollande, PR francês)
«Sem programa não haverá possibilidade de auxílio financeiro à Grécia no âmbito da zona euro. Esperamos por uma decisão do governo grego.» (Wolfgang Schauble, ministro das Finanças alemão)
«A saída da Grécia da eurozona é uma possibilidade real.» (Edward Scicluna, ministro das Finanças de Malta)

Tsipras prometeu que não haveria "austeridade". A Grécia terá "austeridade" (na melhor das hipóteses).
Prometeu que não haveria terceiro resgate. A Grécia terá um terceiro resgate, presumivelmente de 50 mil milhões de euros (na melhor das hipóteses).
Sem "austeridade", não haverá dinheiro. Ponto final.
http://internacional.elpais.com/internacional/2015/07/07/actualidad/1436277193_531071.html

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