Significa que Tsipras está a ver o chão fugir-lhe debaixo dos pés. Procura o inimigo externo para manter coesas as hostes. Aliás, de alguém que se apressou a oferecer uma coligação à direita mais xenófoba e soberanista, nada disto espanta: os extremos tocam-se.
Prevejo no entanto que a intenção lhe sairá gorada. Terminou o tempo da retórica. Os gregos agora exigem actos.
A Grécia nunca esteve tão isolada: neste momento não tem um só aliado europeu. Continua à beira de uma crise de liquidez sem precedentes. E daqui a quatro meses precisará de um suplemento financeiro para honrar os compromissos, mantendo-se ligada à máquina da ex-troika agora baptizada de "instituições", com os mesmos membros. Mal a máquina se desligue, o país entra em colapso financeiro.
Eu sei que esta linguagem pode ser um pouco rude, nada politicamente correcta, mas traduz a verdade dos factos. E os factos, como ensinava o general De Gaulle, são a matéria-prima da política.
Cúmulo da ironia: Tsipras já tem o partido comunista grego, de inspiração estalinista, a fazer ruidosas manifestações frente ao palácio do Governo contra as "cedências" do Syriza ao tenebroso capitalismo internacional.
A coisa promete.
Fica à atenção de todos quantos, ainda há poucos dias, diziam que Portugal devia adoptar o modelo grego...
De Miguel a 01.03.2015 às 11:56
Eu acho que Tsipras descreve uma actuação bem consistente com o que conhecemos do governo de Portugal e, em especial, da sua ministra das finanças.
A sobrevivência politica primeiro, o interesse de portugal depois. Custo o que custar.
O único problema para Tsipras é que agora vai começa r areceber mensagens do marido da Maria Luis. Não sabe com quem se meteu...
miguel