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Ainda o caso Nuno Felix

por Rui Rocha, em 30.10.16

Recordemos antes de mais, os factos. Num primeiro despacho de nomeação, Nuno Felix é apresentado como detentor de duas licenciaturas. Uns meses depois, Nuno Felix é novamente nomeado, referindo-se então apenas a frequência das mesmas. Agora, Nuno Felix demitiu-se. Perante estes factos, se bem vejo, temos 3 cenários possíveis:
a) O despacho inicial resultou de um erro não imputável a Nuno Felix (é a tese do próprio Nuno Felix). A hipótese é improvável. Como é que alguém se lembraria de colocar no despacho duas licenciaturas (logo duas, caramba!) sem que a informação tivesse origem no próprio. Em todo o caso, se assim fosse, a pergunta que fica é a de saber como é possível que o Ministério da Educação tenha recebido o pedido de demissão. Ninguém deveria suportar as consequências de um erro a que é alheio. Mais. Como é que o Ministro da Educação ou o Secretário de Estado assistem à humilhação de Nuno Felix sem virem esclarecer que se trata de um erro, reabilitando-o perante a opinião pública? Mais ainda: como é que um Governo que mantém em funções Rocha Andrade que teve uma conduta eticamente condenável não protege a vítima de um erro? Que confiança se poderá ter em responsáveis governamentais que demonstram tal falta de lealdade perante um dos seus?
b) Nuno Felix mentiu e essa situação foi detectada entre o primeiro e o segundo despacho. Neste caso, a responsabilidade política é gravíssima. Ou o Secretário de Estado sabia e não partilhou com o Ministro, caso em que João Paulo Rebelo terá de demitir-se, ou partilhou com o Ministro e terão os dois de abandonar imediatamente as suas funções. Não há outra solução.
c) Nuno Felix mentiu e a situação foi detectada apenas agora. Neste caso, a consequência adequada seria a exoneração de Nuno Felix e não o seu pedido de demissão. De qualquer forma, o Ministério da Educação tem a obrigação de clarificar a situação. Se Nuno Felix entregou falsos documentos que atestem a licenciatura, a questão é criminal e os responsáveis políticos estão obrigados a dar-lhe o respectivo seguimento. Se não houve documentos, a questão é sobretudo ética mas impõe uma clarificação por parte do Ministro da Educação. Tiago Brandão Rodrigues tem de dizer preto no branco que foi isto que aconteceu e não outra coisa. E não pode escudar-se em comunicados dúbios e que parecem mais preocupados em jogar com as palavras para evitar futuros constrangimentos do que em esclarecer a situação. Até à data Tiago Brandão Rodrigues não esclareceu se Nuno Felix mentiu ou não mentiu e, se mentiu, como e quando o fez. Até que o faça, ao contrário do que os agora complacentes pretendem, o assunto está longe de estar encerrado. E o único culpado é o próprio Ministro da Educação.


6 comentários

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De cristof a 31.10.2016 às 03:57

O cientista devia recusar-se a assinar por baixo; se querem esta politica negativa ponham lá claramente o capanga dos professores. Ainda para mais sai mal na fotografia , não tem jeito nenhum para a política.
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De Rui Rocha a 31.10.2016 às 14:12

O capanga deu finalmente sinal de vida. Mas não foi para protestar contra a diminuição do orçamento da Educação.
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De Pikasso a 31.10.2016 às 10:55

É uma vergonha, porque todos pactuamos em que o sr. Doutor deputado é o mais inteligente. Acabamos de constatar que é o mais oportunista. Quantos dr. não precisaram de estudar para ter um canudo, especialmente depois de abril?! Passearam os livros e increveram-se nas Js
Daí o termos uma série de incompetentes nos Governos actuais. Os homens e mulheres do parlamento deveriam ser escrutinados.
Pela sua competência profissional independentemente de ser doutorado,mestre, licenciado, bacharel
B) não precisar do tacho quando sairem da AR.
Claro que os melhores empresários não vão para deputados
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De Rui Rocha a 31.10.2016 às 14:13

Um desenho muito fiel à realidade, Pikasso.
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De BELIAL a 31.10.2016 às 18:14

Se o dr costa tem tanto gosto pelos puzzles...podia ter juntado as cadeiras das 2 frequências, e em calhando fazia uma licenciatura para o infeliz félix.
Falta de lembrança, foi o que foi. Nem que usasse cola uhu.
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De Anónimo a 28.11.2016 às 01:36

Cara Rui, apenas hoje li o texto que escreveu e em que, à imagem de muitos outros, sou profusamente nomeado e sem novidade, sumáriamente julgado.
Mas afinal onde estavam os "emails"? As "fasificações" ou algo que sustenta-se a teoria do encobrimento? E que dizer dos outros "abusos", das supostas "deslealdades", das "incompetência", das "ausências"?! Com que base, e acima de tudo com que motivação, disse o que disse de um dos poucos elementos do seu gabinete que foi reconhecido pelo seu trabalho e reconduzido em funções?
O Observador lançava a uma 6ª feira às 18h uma teoria:
"Chefe de gabinete inventou dois cursos e o ministro da Educação segurou-o."
As televisões, num jornalismo fácil e incendiário, abriram os serviços noticiosos da noite com o "retweet" do projeto informativo da direita sem qualquer "fact-checking".
Os partidos da oposição apressaram-se a capitalizar o "facto politico". Os esclarecimentos do próprio e do Ministério foram ignorados. Até o despacho em vigor, publico, correcto, que corrigia o despacho anterior, e que habilitava correta e legalmente para o desempenho da função foi convenientemente obliterado.
6 dias depois, o mesmo Observador, pela pena do seu diretor executivo desmascarava o mentiroso.
Quem insultou e rejubilou pode ler tudo aqui: http://observador.pt/…/o-observador-e-joao-wengorovius-men…/
Relativamente às novas alegações que o ex-secretário de estado havia largado aqui e ali durante a a semana termina assim o texto de Miguel Pinheiro:
"O Observador entendeu não a publicar imediatamente a notícia (que seria divulgada pelo jornal i no dia seguinte) por achar que carecia de mais confirmação, dada a falta de confiança que se gerou em relação a João Wengorovius Meneses."
Entretanto Daniel Oliveira escrevia aqui:
http://expresso.sapo.pt/…/2016-11-04-Na-republica-dos-douto… -
"(...)O acusador matou o assunto, desmentindo a única acusação que o fizera ter alguma relevância política: a de que o ministro sabia do sucedido. Nem assim o CDS veio a terreiro para retirar a sua exigência apressada, como fez, com coragem e rigor, o João Miguel Tavares, ontem, no “Público”. Da história, ficou apenas uma reputação destruída. E nenhum de nós sabe (e poucos parecem querer saber) se Nuno Félix fez realmente alguma coisa de mal.(...)"
Fact-checking.

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