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Delito de Opinião

Ainda Cabrita?

jpt, 08.07.21

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(Postal de 5.7.2021)
 
O ministro da Segurança Rodoviária - que tem acumulado dislates políticos - atropela um trabalhador na auto-estrada quando vogaria a cerca de 200 à hora numa zona de trabalhos sinalizados. Na sequência os seus serviços emitem declarações falsas, tentando imputar responsabilidades ao patrão do falecido. 3 semanas depois nada mais se sabe - para além de uma grotesca história sobre a propriedade do carro oficial -, uma delonga que apouca a estabilidade política no sector tutelado.
 
Entretanto, e ainda que atarefados com múltiplas tarefas (o governo está a violar a Constituição, o que não é normal em democracia, e fá-lo de "modo intempestivo" devido a uma "irrelevância estatística", após ter celebrado a rentrée dos Reis Magos turistas), os habituais publicistas da "situação" desunham-se nas teclas, invectivando de "oportunistas" os condoídos com o "estado da arte", e um deles, Marques Lopes, segue a via socratista e clama que o problema são as "perguntas do Correio da Manhã". Um antigo ministro socialista enche o peito e proclama que todos os governantes violam os limites das velocidades rodoviárias, nisso querendo ilibar politicamente o prócere Cabrita - mas "esquece-se" de referir que este é, e repito, o ministro da segurança rodoviária e que os seus serviços já mentiram à república sobre esta matéria. Matéria essa que implicou uma morte. Pormaiores que seriam letais se houvesse um minimo de... decência.
 
Enfim, lembro que a semana passada o ministro da Saúde inglês se demitiu, apesar da intensa demonstração de apoio que recebeu da sua rainha (basta ver o pequeno filme para tal perceber). Pois foi filmado a beijar uma amiga de longa data e, malvado tóxico que é, também a acariciá-la abaixo das costas. Entenda-se que não caiu devido a moralistas invectivas dada aquela infidelidade conjugal. Mas porque sendo ministro da saúde violou as regras de "distância social" naquela beijoquice com a amiga. Ou seja, e ainda que a patética argumentação demonstre como o puritanismo correctista se multiplicou neste Covidoceno, Hanckock caiu porque violou os ditames impostos pelo Estado no âmbito da sua tutela.
 
Percebe-se que os publicistas avençados nem queiram saber disto, pois as respectivas tenças têm como termos de referência (ToRs) o ecoar da cartilha semanal. Mas que um gajo que foi ministro não queira perceber isto? Isto é o descalabro do PS. E cada vez mais cheira a fim de festa. Mal, mesmo, já fedor.

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