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Delito de Opinião

Ainda as autárquicas: o triunfo da bipolarização

João Pedro Pimenta, 20.10.25

A propósito do Pensamento da Semana que agora termina, eu, que sigo as autárquicas há 30 anos e que me debrucei sobre todas as anteriores, desde as primeiras, dei-me conta de que há ciclos que mudam de 12 em 12 anos.

Nas primeiras, em 1976, definiram-se os poderes locais e as áreas de influência (Norte, Centro e ilhas para PSD e CDS, cidades litorais PS e Alentejo e península de Setúbal para o PCP, com o Algarve mais dividido mas tendencialmente de esquerda). Em 1979, a AD ganhou, repetindo nas duas seguintes, se bem que em 1982 uma quebra tenha derrubado o governo de Balsemão). Em 1989, em pleno cavaquismo, o PS obtém um grande vitória, conquistando a maioria e os mais importantes municípios. Em 2001 dá-se o inverso, com o PSD a obter um resultado estrondoso e até inesperado, como no Porto, levando à queda do governo Guterres. Em 2013, nova reviravolta, com o PS a ganhar as eleições e o PSD de Passos a obter resultados medíocres, por vezes devidos a péssimas escolhas.
Chegados a 2025, outro ciclo de 12 anos, acontece o quê? O PSD ganha nos principais concelhos e na sua maioria.
 
A única dissonância é que o PS não teve uma derrota tão estrepitosa, porque já não tinha Lisboa e Porto e ficou com a maioria das capitais de distrito. São por norma os concelhos mais populosos que marcam esta diferenças. E é por isso que a bipolarização se mantém, mais do que nunca. Em tempos, PCP e CDS tiveram dezenas de câmaras. O seu esvaziamento aumentou ainda mais a bipolarização PSD - PS, coisa que nem as candidaturas independentes nem agora muito menos o Chega conseguiram travar. Cumpriu-se a regra do ciclo de 12 anos, suportada pelos limites de 3 mandatos de 4 anos consecutivos.
 
A única alteração curiosa é ver uma coisa impensável há 30 e tal anos: o PS domina as cidades do Norte interior, tirando Guarda e Lamego (que já foram suas) e o PSD domina nas do Alentejo, esmagando em Portalegre, conquistando Beja (onde em 1975 nem comícios conseguia fazer, tanto que o actual Presidente da República teve de fugir pelos telhados) e por umas décimas não conseguiu o mesmo em Évora. Provavelmente corresponde a uma certa normalização mas também a uma desideologizacão dos votos, menos fiéis a aparelhos partidários e mais a ciclos, conveniências de ocasião ou candidatos mais apeltivos, independentemente do partido a quem pertençam.
 
Fonte: Wikipédia.
Eleições autárquicas portuguesas de 2025

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