Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ainda 2013 nuns quantos discos. 11: Matangi, de M.I.A.

por José António Abreu, em 18.01.14

Nutro por M. I. A. (Maya Arulpragasam, nascida em Londres, residente no Sri Lanka entre os seis meses e os dez anos de idade, pai activista Tamil), a mais pura relação de amor-ódio. O que é cinquenta por cento mais simpático do que ela sentiria por mim, se me conhecesse. Estranhamente (ou não), o álbum de M.I.A. que prefiro é aquele de que menos gente parece gostar: Maya, de 2010. Matangi, o mais recente, tem tudo o que seria de esperar: ritmos variados, exagero de auto-referências, letras simplistas. Mas também uma refrescante falta de consideração por opiniões alheias. Estando lá incluído, este tema surgiu há um par de anos, mais ou menos na época em que as dificuldades encontradas pelas mulheres sauditas para conduzirem veículos tiveram algum eco nos meios de comunicação. O vídeo é… não sei se há adjectivos adequados.


6 comentários

Sem imagem de perfil

De da Maia a 18.01.2014 às 16:03

Depois de abelhas, abelhudos e tarantólogas, esta Maya é notável.
Paper planes era musicalmente inovador, mas foi o vídeo "Born Free":
http://www.youtube.com/watch?v=IeMvUlxXyz8
... que me deixou KO.
Por momentos julga-se que a nova geração teria licença para acordar.
O vídeo chegou a estar proibido, mas enfim, alguém explicou aos zarolhos que o cobertor notava-se mais que o coberto.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.01.2014 às 16:49

O vídeo de "Born Free" é um dos casos em que o meu sentimento por MIA é mais de ódio que de amor. :) As bandeiras americanas nas fardas dos soldados tornam-no demasiado óbvio e unidireccional. Os EUA (e o "Ocidente") podem cometer muitos erros e crimes mas não transmitamos a ideia de que todos os seus alvos são vítimas inocentes.

Quanto à falta de reacção, acho que se pensa que a música tem mais poder do que efectivamente tem. A comunicação está demasiado fragmentada para alguma coisa (com pouquíssimas excepções) conseguir gerar reacções intensas e gerais. E depois a net já não está assim tão aberta. Provavelmente mais por causa da nudez do que da violência, o YouTube até exige registo para aceder a "Born Free".
Sem imagem de perfil

De da Maia a 18.01.2014 às 17:46

Sim, acho que MIA (ou Romain Gavras, que faz os vídeos) tinha conseguido efeito mais artístico colocando a Guarda Suiça do Vaticano, em vez do exército americano, mas digamos que assim é mais eficaz na comunicação da ameaça orwelliana.
Se fossem chineses ou russos, quem sabe se a sua carreira internacional não teria outra projecção. Mas é assim, há escolhas correctas e incorrectas... felizmente nem todos são politicamente correctos.

Orwell disse que os seus exemplos deviam ser considerados abstractos, mas foi conveniente considerá-lo só como crítica fascista ou comunista.
Dado esse historial, que pinta o capitalismo americano como príncipe encantado da história de fadas do mundo moderno, a solução era única... é irrelevante uma pretensa inocência. Se há algo que se nota nestes últimos tempos, por oposição ao que aconteceu nos anos 70, foi a lavagem propagandistica exagerada de Hollywood. É mais que tempo de mudar isso... nem é a bem da verdade, que essa dificilmente têm coragem de expor, é a bem de não cair no ridículo da infantilidade exagerada que temos visto.
Já era tempo de haver vergonha.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 20.01.2014 às 16:14

Por muitos defeitos que o sistema capitalista tenha (e um deles a esquerda nem quer verdadeiramente corrigir ou aceitaria que a regulação implica menos dinheiro disponível e menos crescimento), metê-lo no mesmo saco que fascismo e comunismo parece-me não só um exagero roçando a demagogia que a maioria das pessoas recusará (funciona quase como a comparação com o nazismo numa discussão) como uma forma, ainda que involuntária, de branquear tanto o fascismo como o comunismo.

No que respeita ao posicionamento de Hollywood, suponho que ainda não viu o último Scorsese. Nem uma catrefada de filmes do grupo Penn/Clooney/Damon/Affleck.
A propensão para o cinema popcorn não é ideológica mas pura sobrevivência. Como na música ou nos livros, os nichos não rendem. As editoras apostam em blockbusters porque só neles o ecrã gigante do cinema ainda se justifica plenamente e só com eles as pessoas vão ao cinema, por não quererem ficar de fora das conversas sobre aquilo de que se fala. A redução de custos que o digital está a trazer permitirá muitos filmes 'pequenos' e ideologicamente diversificados mas, como no caso da música ou dos livros, relativamente pouca gente os verá.
Sem imagem de perfil

De da Maia a 21.01.2014 às 16:47

Ia falhando este scroll down, mas até semi-concordo.
Eu não meti no mesmo saco... mas não vou em cantigas do melhor dos sistemas, até porque na Europa já houve uma social-democracia, que é um capitalismo privado que respeita o Estado. O que temos agora é um Estado que respeita o capitalismo privado, o que é bastante diferente e perigoso.

Quanto a Hollywood, sim tem razão, há uma boa linha crítica, mas sem a mesma pujança que fez os EUA questionarem-se a si próprios, como aconteceu no final dos anos 70. E esse ponto social do "não ficar fora das conversas" teve uma reviravolta recente, que já mencionei aqui num post sobre o "cabo".
Antes tinha um altifalante global - televisões de canal aberto - que orientavam o pessoal. Hoje tem altifalantes locais - redes sociais - que induzem uma orientação para um canal mais à sua medida - cabo. Agora tem a moda das séries de cabo...
Isto é manobra típica do pessoal dos anos 80... era assim que funcionavam as discotecas. Tinha que induzir uma primeira clientela fixe, e o resto vinha por acréscimo. Isso é muito usado com a publicidade nos telemóveis para "gente jovem".
Imagem de perfil

De José António Abreu a 23.01.2014 às 11:02

Eu apoio um "Estado que respeita o capitalismo privado". O meu problema - e suponho que o seu - é termos com frequência um Estado que (por interesses de curto prazo muitas vezes coincidentes) se verga ao capitalismo privado. Sendo que a parte dos interesses coincidentes importa: veja-se o Seguro a pedir um alívio para os rácios dos bancos.
(A propósito dos bancos, lembro-me agora que era para alinhavar um elogio ao Vítor Gaspar e nunca cheguei a fazê-lo; tenho de tratar disso.)

A sua visão de Hollywood e da televisão parece-me quase configurar uma teoria da conspiração. Descontando alguns projectos na área noticiosa assumidamente ideológicos (que até prefiro à putativa isenção de TVs e jornais cá do burgo), eles apenas querem ganhar dinheiro. E o canal que lançou a moda das séries e quase toda a gente reconhece ter as melhores - a HBO - até possui uma linha bastante crítica da sociedade americana. Veja "The Newsroom", discutida aqui no blogue na semana passada, ou qualquer série de David Simon (da muito boa "Treme" às excepcionais "The Wire" e "Generation Kill" - se ainda não viu, veja estas duas). A profusão de séries policiais tipo-CSI pode revelar algo sobre a forma como gostaríamos de saber que a polícia é eficaz e os culpados são sempre punidos mas, no fundo, trata-se de um género que sempre existiu. As televisões produzem-nas como produzem programas de descoberta de talentos - i.e., enquanto as pessoas virem.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D