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Agosto em Lisboa

por Pedro Correia, em 22.08.18

Agosto em Lisboa, num bairro afastado das enchentes turísticas. Almoço periódico com dois amigos, no restaurante do costume. Afinal está fechado, "para férias" - como reza o letreiro. Tentamos o restaurante alternativo, também nosso conhecido, quase porta ao lado: igualmente encerrado pelo mesmo motivo. Faz-me alguma confusão: porque não combinarão férias alternadas os responsáveis destes estabelecimentos concorrentes?

Atravessamos a rua: em frente há outro. Este, aberto. Mal abancamos, a empregada ucraniana avisa: "Já não temos frango, nem carne de vaca." Mau indício, um restaurante deixar esgotar carne de frango. Bifana, também esgotou. Pedimos alheiras, descendo ao grau zero culinário, quase não resta alternativa. Azar para o terceiro elemento da tribo, que chega mais tarde: já não restou uma alheira para lhe matar a fome.

Sugiro-lhe, a brincar: «Pede um Cornetto. Deve haver.» Havia, sim. Foi o almoço dele.

Na fabulosa Lisboa "turística" desta segunda década do século XXI. Na Rua da Estefânia, passava um pouco das duas da tarde.

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40 comentários

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De Luis Eme a 22.08.2018 às 11:32

(Experimentei essa sensação na província, junto a Abrantes. Na localidade do lado de lá do Tejo - Rossio - andámos por ali uma boa meia-hora e não encontrámos um único restaurante ou casa de pasto aberto. Esta terra parecia quase um lugar fantasmagórico, com tantas placas de "vende-se" e prédios relativamente novos, pintados de bolor, abandonados... Lá tivemos de regressar à cidade, mas só acertámos à terceira. Há um bocado do país que ainda pára em Agosto, Pedro...)
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:59

É isso, Luís. O que me espanta é parar tudo ao mesmo tempo. Falta de organização: um dos problemas básicos dos portugueses.
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De Vítor Augusto a 22.08.2018 às 11:34

Caro Pedro, cá para cima, do Porto para norte (pelo menos), o fecho dos restaurantes para férias é mais no mês de setembro. As pessoas daqui já sabem que nesse mês, se se lembrarem de ir almoçar fora, devem antes ligar ao restaurante para saber se está aberto, e a probabilidade de não estar é muito grande. Mas por aqui também (quase) não há turismo, exceptuando os centros urbanos.
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:58

A Baixa do Porto, em Maio, transbordava de turistas. Felizmente consegui ir comer o cabritinho à Adega Vila Meã, nada infestada de forasteiros.
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De V. a 22.08.2018 às 12:20

A Estefânia está mais bonita agora, mas foi sempre um sítio esquisito.. A Tarantela morreu (se calhar tinha de ser) e a Victória nunca conseguiu sacudir-se daquele ar de chafarica e está na mesma. O "punk" que andava por lá nos anos 90 de volta da farmácia também já deve ter morrido. Mais valia o "tt" lá em Alvalade — esse nunca falha.
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:57

O Tico Tico? Esse está sempre cheio. E nunca fecha, em dia algum.
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De Anónimo a 22.08.2018 às 23:59

Exacto :)
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De Pedro Correia a 23.08.2018 às 16:57

Costumo lá ir, na época da lampreia. A este e ao irmão gémeo, o Novo Rio.
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De Anónimo a 22.08.2018 às 13:12

Queixava-se há dias um homem que, vivendo numa cidade pequena do interior, todas as lojas de ferragem que havia na terra tinham encerrado para férias. Para comprar uma folha de lixa teve que se deslocar vários quilómetros...
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:56

Se os hospitais e as esqudras e as televisões e as farmácias e os supermercados também fechassem durante as férias seria tudo muito mais igualitário.
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De André Miguel a 22.08.2018 às 13:41

É o "portuguese school of management". Basta atravessar a fronteira, até na pequena Badajoz vemos a diferença.

Dou um exemplo: sou natural de Elvas e sempre que viajo de Luanda vou directo à terra natal, chego sempre pelas 18h ou 19h, chegar a casa, arrumar malas etc e tal fazem-se as 22h ou 23h, resultado: em Elvas já não consigo jantar (e estamos a falar de uma cidade património da Unesco!), faço 10 kms rumo a Badajoz, onde sempre sou bem servido. E lá o relógio marca mais uma hora. Sobram os comentários.
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:53

Sei muito bem o que isso é, André. Já vivi numa cidade do outro lado do mundo em que podíamos comer a qualquer hora do dia ou da noite nos locais mais diversos. Quando cheguei a Lisboa, a partir das 22 horas, quase só éramos servidos ao balcão do Galeto. Foi um verdadeiro choque cultural. Nessa altura o Governo ainda proibia os hipermercados de abrirem aos domingos...
Felizmente as coisas melhoraram um bocado na última década e meia.
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De alexandra g. a 22.08.2018 às 14:00

Ora, após aturada reflexão, concluo que também já não se fazem amigos como d'antes: cadê o lado da partilha, o repartir das alheiras, Canaã em Lisboa?

E, agora que já "vi" o filme, devo afirmar, com a máxima assertividade que me caracteriza, que a banda sonora deixa muito a desejar:

«- uma allheira p'ra ti, outra alheira p'ra ti... e um corneto p'ra mim???»

_________
Label: já vi o filme e já escutei a banda sonora :)
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De alexandra g. a 22.08.2018 às 23:47

_____________
e eu até detesto alheiras e só mui raramente degusto gelados, mas, mas, mas.
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De Pedro Correia a 23.08.2018 às 00:03

Alheira, só em Mirandela. Mas prefiro uma morcela de arroz da Beira, com grelos salteados. Ou arroz de carqueja.
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:51

Alexandra: aquela alheira eu só a partilharia com um inimigo, nunca com um amigo.
Cornetto é algo que não consumo: o meu ecumenismo alimentar não chega a tanto.
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De Sarin a 22.08.2018 às 14:13

O comércio tradicional empurrou os clientes para as grandes superfícies quando lhes fechou as portas nos horários em que mais lhes podia valer - puxados pelo preço, os clientes perceberam que para compras diárias a charcutaria fechava quando eles, trabalhadores com horário fixo e transportes públicos, chegavam a casa.


A restauração vai, também, alegremente empurrando os clientes para as multinacionais de comida rápida - que cada vez estão mais aportuguesadas.
Lá virá o dia, Pedro, do hambúrguer de alheira. A pizza de bacalhau ou de bitoque com ovo a cavalo já pode ser recebida à porta...
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De V. a 22.08.2018 às 14:57

E o pior é que com os malandros liberais da uber Eats já nem a tele-chamuças e o caril-hut ia pegar.
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:50

Já há alheira de tofu e hamburguer de beterraba. Até agora resisti estoicamente a provar tais pitéus.
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De Anónimo a 23.08.2018 às 19:48

ahah estranhamente visualotopaico
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De Sarin a 24.08.2018 às 18:27

Esses não são malandros liberais, V.; esses só querem conduzir profissionalmente como se não fossem condutores profissionais ;)
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De Carlos Ernesto Faria a 22.08.2018 às 15:09

Pois... na passada semana fui passar quatro dias à capital lusa, praticamente em todas as lojas da Baixa o/a empregado/a dirigia-se a mim com um português escorreito "May I help you?"... que me irritava solenemente
Num restaurante em primeiro lugar perguntei se poderia comer, responderam-me que sim e se preferia tinham lugar na esplanada. Preferi, lá perguntei se podia ser em qualquer mesa vazia e responderam-me que sim. A seguir trazem-me a ementa na língua de Molière e depois perguntam-me se já escolhera também como se fosse um francês... ou seria um Canadiano do Quebec?
É preciso ser-se assim tão desprezível com a nossa língua para se singrar no turismo? Porque será que ninguém costuma falar comigo de início em língua estrangeira nas cidades atafulhadas de turistas em Itália?
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:49

Sensação de estar em Albufeira sem sair de Lisboa. Oh yes!
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De André Miguel a 23.08.2018 às 10:12

Eu sou recebido na minha terra natal com "buenos dias"... Irrita-me a valer! Não suporto esse provincianismo bacoco, essa foleirice, essa tamanha falta de respeito pela própria língua.
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De Pedro Correia a 23.08.2018 às 16:56

A tendência é para piorar, André.
(Mas reconheçamos: a sua terra é muito bonita.)
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De Maria Dulce Fernandes a 22.08.2018 às 16:58

Já me aconteceu algo muito semelhante no meu aniversário.
Não sou dada a lugares muito concorridos, com muita gente, barulho e grandes filas.
Éramos 8... fomos para casa, telefonámos para Negrais e encomendámos um bacorinho trinchado. Verde branco fresquinho... maravilha...
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:48

Fez muito bem, Dulce. Embora eu, para comer leitão, só mesmo na Bairrada.
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De Sarin a 24.08.2018 às 18:32

Pois eu, contrariamente ao Pedro seu primo, gosto de leitão desde que quentinho e de pele seca e estaladiça... também aprecio vinho verde fresco. E dizem que dou prendas encantadoras... Parabéns ainda assim, Maria Dulce

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De Anónimo a 22.08.2018 às 17:50

Mas tinha o Zaafran - mesmo no Largo Dona Estefânea - que é bem bom...

https://www.zomato.com/pt/grande-lisboa/zaafran-saldanha-lisboa
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De Pedro Correia a 22.08.2018 às 23:39

Conheço bem esse restaurante. Se lá fosse pagaria três ou quatro vezes mais.
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De João Lisboa a 23.08.2018 às 16:27

Este "anónimo" era eu, sem querer (detesto "anónimos"!).

O Zaafran pode ser mais carote mas não deixa de ser bom... e está aberto.
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De Pedro Correia a 23.08.2018 às 16:55

Ora viva, João. Gosto muito do Zaafran, mas para ir noutro contexto. Mais ao jantar do que ao almoço, e com diferente companhia (sem desprimor para os meus amigos).

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