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Agora é sem limites e sem medos

por Helena Sacadura Cabral, em 25.06.17

Nas palavras dirigidas ao semanário Expresso, o Presidente da República pede que seja apurado "sem limites ou medos", tudo o que se passou no inferno dos fogos.

A expressão "sem limites" e "sem medos", agora usada por Marcelo, difere bem do seu assertivo e categórico  “era impossível ter feito mais”, usado há uma semana.

A expressão hoje utilizada era a que eu esperava dele, nesse sábado, quando, pela primeira vez, se dirigiu aos portugueses.

Chegou a altura em que o Presidente enfatiza que é tempo de se apurar - estrutural ou conjunturalmente - o que possa ter causado ou tido influência no que aconteceu ou na resposta dada. É tardia a intervenção, mas correcta. 

É esta a atitude que todos esperamos dele. Como esperamos que ele seja o garante – já aqui o referi antes –, o atento observador de que nada disto terá sido em vão. Que esqueça, por momentos, os consensos impossíveis - ele conhece, melhor que ninguém, os partidos que temos - e “exija, lembre, insista”, que os mortos merecem ser honrados.

O Presidente da República não define prazos, mas pode e deve estar vigilante de que é preciso não deixar esvaziar o significado, ou retirar utilidade às conclusões. E, se o não fizer, se por momentos o descurar, creia que nada nem ninguém lho irá perdoar. Nem o seu crédito de afecto...

Quanto a António Costa exige-se-lhe que peça responsabilidades a quem as possa ter tido, atenta a hierarquia daqueles a quem o assunto respeita. Sem apelo nem agravo. Porque a morte é das poucas prerrogativas que, em política, pode ser tremendamente adversa.

 


22 comentários

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De Einsturzende neubauten a 24.06.2017 às 23:18

Aquilo do " fez-se tudo o que era possível" era escusado.
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De V. a 24.06.2017 às 23:40

Seria até a pessoa ideal para liderar um inquérito, mas por culpa da acção nefasta dos agentes do Estado sobre as suas próprias instituições, a politização controleira de tudo por culpa das esquerdas e do Partido Socialista, a figura do PR ou qualquer outro organismo público já não estão investidos de imparcialidade. O País precisa de outro regime: este está morto e ainda não sabe.
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De Ovelha Negra a 25.06.2017 às 02:58

Por acaso não questiona o porquê deste "reajuste discursivo"?

As palavras "assertivas e categóricas" que mostraram a verdadeira essência de quem as proferiu já saíram portanto, o que vem depois, parece mais um atirar de barro à parede para ver se põe água na fervura, sobre um descontentamento que, certamente, ele nem estaria à espera pois, diz tanta coisa e todos parecem gostar mas, desta vez, teve uma dose de realidade e de que tudo tem limites e, veio tentar emendar, não por se preocupar com o que se passou (isso mostrou há uma semana), é apenas alguém que foi eleito com 2.413.956 votos e sabe, perfeitamente que, para estar no cargo 10 aninhos em vez de 5, não pode dizer o que lhe vem à cabeça, como quando era comentador.
Muito francamente, se as outras palavras caíram mal, sabe perfeitamente qual a finalidade desta reviravolta e, não vale a pena enaltecê-la porque se não houve empatia pelas vítimas, não é algo que apareça numa semana.

Quanto à "atitude que todos esperamos dele", só queria acrescentar que o "todos" me incomodou porque, como eu, haverá muitos que já não esperam nada, aliás, até desejam o nada em vez de pior e, quanto a exigir alguma coisa a António Costa, aquele que, com um tal de "poucochinho", "espetou a faca nas costas" a um camarada do mesmo Partido para conseguir um "poucochinho" ainda maior que abandonou a Câmara e elegeu sozinho o seu sucessor, o tal que sabe tudo sobre o que devemos ou não devemos fazer, o castigador do sal e do açúcar, dos impostos escondidos, enfim, o que gosta de lidar com adultos como se fossem crianças ou seus súbditos... está à espera de milagres ou esqueceu-se de esclarecer, ser apenas um desejo pessoal?
No mínimo, devem estar a ser dadas as indicações cênicas, as falas devem estar a ser alinhadas, incluindo o nome dos personagens que as vão proferir e o número de Cenas a que vamos assistir, até tudo cair no esquecimento, de preferência, antes das próximas eleições.
Se alguém sair, é tomar atenção se vai ser colocado noutro posto porque, entre teatro ou algum "passe de mágica", é bom não esquecer que lidamos com profissionais, competentes ou não, isso seriam outros quinhentos.
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De Helena Sacadura Cabral a 25.06.2017 às 16:35

Para indicações cénicas não precisamos de um director. Nascemos actores natos...
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De Inês Pedrosa a 25.06.2017 às 03:15

Subscrevo na íntegra, Helena.
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De Luís Menezes Leitão a 25.06.2017 às 07:45

Há uma nuance a fazer, cara Helena. O Presidente de facto pediu que fosse tudo apurado "sem limites e sem medos", mas teve o cuidado de salientar "no plano técnico e institucional". Porque no plano político há que proteger o seu querido governo. Neste aspecto, tudo como dantes.
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De Tiro ao Alvo a 25.06.2017 às 08:49

Sim, tem razão, mas no plano político todos podemos tirar conclusões. Eles que se cuidem.
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De rão arques a 25.06.2017 às 09:51

Afinal parece que há "medos e limites". A sombreado.
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De Anónimo a 25.06.2017 às 12:11

Pensava que o plano institucional também abrangia o político!...
De qualquer maneira, todos temos motivos mais que suficientes para não acreditar que se vá ao fundo de qualquer plano.
João de Brito
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De Helena Sacadura Cabral a 25.06.2017 às 16:41

Luis
Quando ele refere que é tempo de se apurar - estrutural ou conjunturalmente - o que possa ter causado ou tido influência no que aconteceu ou na resposta dada, tem a obrigação de não se estar a limitar apenas às considerações técnicas. Porque "estrutural" é também a área política.
Mas veremos...
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De rão arques a 25.06.2017 às 09:26

Minha Senhora, peço desculpa pela linguagem azeda que se segue, mas isso deriva da revolta que me invade:
Presidente e 1º Ministro, dois cobardolas cuja primeira preocupação foi o amparo da loja, vendo agora a calçadeira a sumir-se por debaixo dos meotes, até já sacodem a água do capote para cima de uma triturada ministra.
Cobardes!
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De JS a 25.06.2017 às 10:16

Exacto. O PR ao mudar e ao afirmar "sem limites ou medos" está, da mesma forma, a afirmar que existiam "limites" e/ou "medos".
Quais Sr. PR ?. Quem os tinha ?. De quê ?. De quem ?. Porquê ?. Quando ?....
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De Maria Dulce Fernandes a 25.06.2017 às 10:29

Naquele malfadado dia em que a tragédia se abateu,,o Presidente da República deslocou-se se aos locais, para acompanhar o desenvolvimento das acções e decisões tomadas e apoiar as populações, como sempre fez. Naquelas circunstâncias, depois de o pior ter acontecido e tudo parecer ter falhado creio que " era impossível ter feito mais". O Presidente da Repúbluca foi crucificado no altar da raiva e da descrença, criticado, humilhado e espezinhado, por uma frase usada num momento de impotência, perante um facto desgraçada e terrivelmente consumado, que na realidade apenas traduzia o momento e o sentimento geral. Quem ouviu os relatos de todis os que estiveram lá e saíram com vida para contar como foi, sabe que naquele momento , com aquelas cindiçõesn"era impissívelnter feito mais".
Sem limites e sem medos é o que todos queremos para o futuro. Transparência. Quem, como e porquê. O Presidente da República não se coíbe em exigi-lo como sabe ser seu dever para com os portugueses , principalmente para com aqueles que pretendem uma conclusão que dê algum sentido á sua vida..
Tristes firam os precipitados e vergonhosos linchamentos em pirraça pública de um homem de bem, que acrefito ser um dos poucos qu não irá deixar que a tragédia de Pedrógão Grande seja mais uma estatística numa folha de excel.
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De rão arques a 25.06.2017 às 17:50

O presidente não pode lamentar-se de crucificações quando é ele próprio a fazer o abastecimento de pregos e martelo.
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De Maria Dulce Fernandes a 26.06.2017 às 20:47

Quem o ouviu lamentar-se de crucificações, que atire a primeira pedra... Ah, pois desculpe , isso é lapidar...
O Presidente pode não ter dito naquela primeira entrevista o que todos gostaríamos de ter ouvido. Eu acredito no momento e nas palavras
Vergonha alheia, é ler as barbaridades que se escreveram e disseram acerca disso, autos de fé de quem não se importa com labaredas desde que possa espicaçar a fogueira partidária para proveito ideológico.
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De rão arques a 27.06.2017 às 20:03

Barbaridades mais graves são as de alguém que é presidente. Até a espicaçar a fogueira partidária Marcelo é mestre pelo colo que tem oferecido a Costa. Ainda não reparou??
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De Maria Dulce Fernandes a 29.06.2017 às 10:08

A sério? Ele também vem aqui ao DO desatinar os absurdos que a sua cabecinha engendra? Olhe, não tinha dado por isso , mas juro que vou procurar? Escreve sob que pseudónimo, já agora ?
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De rão arques a 30.06.2017 às 07:18

O pseudónimo não é proibido e já lhe explicaram isso aqui. Qualquer coisa contra mim sou perfeitamente identificável. Atine os seus absurdos, já agora??
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De Maria Dulce Fernandes a 01.07.2017 às 00:58

Hãããã?
Aprenda a ler!
Quem é que se daria ao trabalho de falar de si e de querer saber quem é?
Comenta -se o Sr. PR e aparecem logo Copycats...
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De kika a 25.06.2017 às 11:15

Nunca a palavra Geringonça fez tanto sentido.
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De Vento a 25.06.2017 às 14:08

Nunca fui favorável à ideia perante uma tragédia que não foi deliberadamente premeditada ou causada por motivos grotescamente negligenciáveis se tenha que iniciar uma caça às bruxas.

Todos lamentam as mortes ocorridas, todos lamentam as perdas sofridas, todos lamentam os feridos.
E precisamente por sempre existir, em maior ou menor escala, tantas lamentações, será necessária uma abordagem técnica para prevenir perdas e lamentações futuras.

Pelo conhecimento que tenho, as únicas medida que têm sido levadas a efeito em torno da problemática dos incêndios florestais circunscrevem-se a meia dúzia de matérias legais - como se a lei alguma vez mudasse alguma coisa - e ao aumento de meios para combater os fogos. Não precisamos de quantidade mas de qualidade.

Estamos perante uma situação que jamais se resolverá com leis e com aumento de disponibilidades. Isto é um assunto que se resolve com cabeça e com ideias e não com demissões e culpas. Se optar-se por esta última solução, a das demissões e culpas, prosseguiremos com o eterno ciclo da reprodução de idiotices.

É possível criarem-se cisternas de captação de águas das chuvas que sejam utilizadas no Verão para manter as florestas, nos sítios mais críticos, húmidas no período de elevadas temperaturas. Estas águas poderão ser distribuídas através da inércia, colocando as cisternas em sítios elevados, e com uma rede de aspersores.
Isto poderia ser accionado preventivamente através de sensores de temperatura no terreno que enviariam informação por ondas rádio para que as cisternas, de forma doseada, deixassem as águas correr.
Paralelamente, tal como já ocorre em Mação, poderiam ser colocadas cisternas próximas das localidade e distribuídas moto-bombas para que as populações locais, também preventivamente, humidificassem uma larga fatia florestal logo que se verificassem condições de temperaturas que pudessem despoletar incêndios espontâneos e ou criminosos.

Só se poderá honrar os mortos se a partir de suas mortes for feito algo que impeça ocorrências semelhantes no futuro. E isto faz-se não com culpas, lamentações e demissões, mas com boa cabeça e bom pensamento.

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