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Agitar o espantalho

por João André, em 14.10.15

Numas eleições há conclusões que se podem retirar de forma directa dos resultados: quem é mais votado (lista, partido ou coligação) é o vencedor. No sistema eleitoral português isto deveria levar de forma imediata a que o presidente encarregue o vencedor de formar governo. Sozinho ou em acordo com outros.

 

Isto contudo não impede outras leituras. Se os vencedores não conseguirem um acordo que garanta uma maioria no parlamento, é perfeitamente legítimo que outras forças políticas o façam. É perfeitamente concebível que partidos como o PS, o PCP e o BE acabem por conseguir fazer menos cedências nos seus pontos individuais para apresentar um programa conjunto do que no caso do PSD/CDS e PS. Isto pelo menos em princípio, até porque para mim o PS está estruturalmente mais próximo do PSD que do PCP ou BE. A proximidade PS-PCP-BE e o afastamento PSD-PS são circunstanciais, resultando de uma política extremista do governo e posições eleitoralistas e populistas de Costa.

 

Em qualquer dos casos, é óbvio para qualquer pessoa com um mínimo de cultura democrática que um governo "de esquerda" não defraudaria o resultado das últimas eleições. Se o bloco PS-PCP-BE é mais votado e se consegue entender, obviamente que tem de ter direito a formar governo. Se o deve fazer já é outra questão.

 

Como muita gente à direita o sabe, os ataques deixaram de ser pela via da legitimidade democrática e passaram pelo percurso do espantalho: agitemos os medos aos quatro ventos que a esquerda vai afundar este país e pode ser que isto não suceda (ou seja de pouca dura). O argumento é que os muy democráticos mercados se assustariam e o país estaria de imediato a braços com outro resgate.

 

Eu até vou ignorar a narrativa em que este governo salvou o país (o BCE é uma instituição do Zimbabwe como se sabe) porque não é discussão que faça diferença (aos fanáticos não vale a pena apontar os erros de lógica). Vou simplesmente apontar que em posts (cingindo-me apenas ao Delito de Opinião) como este, este, este, este, este ou este não há um argumento que mereça ser imprimido. São uma lamentável colecção de ataques à esquerda que faz parte do tecido democrático português e a qual parece causar urticária quando quer sair dos seus parcos lugares naquele cantinho do parlamento.

 

Muito sinceramente não espero muito deste hipotético governo de esquerda. Não existirá. É apenas a forma que Costa encontra de acalmar as suas hostes mais à esquerda. É no entanto sintomático e muito demonstrativo da cultura de muita gente que uma solução perfeitamente democrática seja atacada em favor daquela que ao longo de quatro anos não fez mais do que colocar o selo em ordens vindas de outros lados. Quem ataca este governo são os apologistas de governos inexistentes, de testas de ferro tecnocráticos que não entenderiam o significado da palavra democracia mesmo que esta lhes fosse explicada por Sócrates (o original).

 

É, mais uma vez, a política do espantalho. É a política do "não há outra solução". Para estes, se o governo fosse dissolvido em favor de uns directores nomeados por Frankfurt não haveria perda. A política em si parece ter perdido o significado: há uma só solução e outras opções deixam de ser consideradas até ao dia em que as eleições serão consideradas uma perda de tempo e dinheiro e só sejam vistas como panem et circensis.


49 comentários

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De V. a 14.10.2015 às 14:18

Espantalho é ter um sistema político de geometria variável para devolver o País aos "seus donos" de esquerda custe o que custar.

"Se os vencedores não conseguirem um acordo que garanta uma maioria no parlamento, é perfeitamente legítimo que outras forças políticas o façam." — Esta jsutificação é tão má como dizer que "lá fora também se faz assim". Que se dane o que se faz lá fora e que se dane esta justificação porque nada garante essa maiori: mais a mais quando os programas políticos desses partidos são impossíveis de cumprir. Até ouvi hoje um tolinho do ISCTE (what else) a dizer que estaríamos "mais europeus" só por haver essa "possibilidade". Nem vale a pena qualificar tal afirmação, mas vale a pena qualificar o tolinho do ISCTE (o CES de Lisboa).

Em Portugal o partido mais votado (por ser o mais votado: e é tão simples quanto isso e porque não é sujeito a interpretações pessoais nem de grupo e assim é que tem de ser) é convidado a formar governo e a tentar criar estabilidade no Parlamento com acordos pontuais e a aprovação do Orçamento.

É ASSIM QUE FUNCIONA e esta regra está expressa até na organização do Associativismo português que é por todos apreciado e respeitado (a não ser nas associações onde os partidos de esquerda normalmente preparam golpadas como a que AC está a tentar fazer a um nível maior).

Se a estabilidade parlamentar não for conseguida com a aprovação do Orçamento e acordo pontuais o Governo cai e há lugar a novas eleições.

Se querem alterar as regras alterem-nas antes das eleições não depois.
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De João André a 14.10.2015 às 14:32

Concordo. Dê-se o governo aos mais votados e toca de abolir o parlamento. Para que é que serve afinal? Só para complicar a vida a quem ganhou as eleições, mesmo que seja por "um poucochinho"...
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De V. a 14.10.2015 às 14:42

Abolir o Parlamento? Teoricamente a nossa tradição privilegia precisamente o tempo do Parlamento — e teoricamente poupa-nos aos delírios de um chefe tribal com tiques de Nero. O problema é que a arrogância e a pompa com que o PS e a "esquerda" reclamam a interpretação correcta da verdade política (que a realidade e as eleições desmentiram) não tem limites e agora querem substituir-se por antecipação ao tempo do Parlamento.

Costa ocupou o espaço mediático — mas em breve vai ser eclipsado pela realidade.
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De gty a 14.10.2015 às 21:24

A questão é outra: estavam os eleitores - os do PS mas não apenas esses - cientes de que o PS se poderia aliar ao PC e BE numa solução governamental? O eleitorado foi informado dessa possibilidade e foram-lhe referidas as possíveis alterações que um governo assim formado teria em relação ao programa apresentado pelo PS?
Se no programa eleitoral do PS está prevista a união com o BE e PCP para uma solução governamental, não sendo possível ao PSD e CDS formarem governo, a solução é legítima. Se tal informação não foi dada, há claramente um problema de ilegitimidade política.
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De João André a 15.10.2015 às 11:50

De forma sucinta: na minha opinião sim. Se não o estavam, não era por falta de informação. Tal como o estavam em relação a uma aliança com PSD/CDS.
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De Antónia Cunha a 14.10.2015 às 14:19

Concordo consigo em (quase) tudo. Finalmente encontro neste blogue algo que vale a pena ler. Começava a ser triste visitar este blogue pela simples razão de que o pessoal de direita perdeu a cabeça e já não tem vergonha de se borrifar abertamente para a democracia. Os posts que cita são uma desgraça. No fundo proclama-se abertamente que o que importa é o poder financeiro e a política que se lixe. Não vale a pena votar porque ... se votarmos mal o mercado assusta-se e é uma desgraça para todos. É como na União Europeia: quando o voto não dá o que os inteligentes querem, anula-se o referendo ou repete-se até dar certo.
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De João André a 14.10.2015 às 14:31

Não direi que os posts que cito são uma desgraça. Se eu citasse alguns outros que já li e que essencialmente acabam a pedir que os partidos de esquerda sejam ilegalizados (mais ponto, menos vírgula), estes até pareceriam perfeitamente razoáveis.

A verdade é que muita gente à direita se assusta com a possibilidade de um governo à esquerda (no qual, repito, não acredito - é apenas fazer espectáculo). Isso leva-os a escrever posts menos considerados. Aqui no Delito de Opinião, fora as diferenças de opinião, não encontro falta de respeito pela democracia, apenas alguns momentos em que ela enarva sobremaneira (a mim também, a mim também).
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De Luís Lavoura a 14.10.2015 às 15:31

o pessoal de direita perdeu a cabeça

Exatamente. É mesmo isso.

Desde que viu que o BE e o PCP abandonaram a sua postura tradicional de serem apenas partidos de oposição, e se dispuseram a ir para o governo coligados com o PS, a direita entrou no mais completo pânico. Perdeu a cabeça. Entrou em delírio.
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De João André a 14.10.2015 às 18:30

Pelo menos em parte. Poderemos adicionar que tiveram uma vitória inesperada nas eleições e não esperariam que pudessem ser ignorados na escolha do novo governo. Isso assustou e confundiu.
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De José António Abreu a 14.10.2015 às 14:38

Estou aqui a pensar se imprimo o teu post...
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De JPT a 14.10.2015 às 14:43

O PS perdeu as eleições, pois teve menos votos que a Coligação e menos deputados do que esta e do que o PSD, e António Costa, em especial, perdeu as eleições: apresentou-se como candidato a primeiro-ministro e foi rejeitado. Para as pessoas decentes naquele partido - que as há, cada vez menos - esta frase é "argumento" suficiente para não conceberem um governo liderado pelo PS e por António Costa. Para quem precisa de outros, nunca haverá argumentos bastantes.
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De João André a 14.10.2015 às 18:32

«Para as pessoas decentes naquele partido - que as há, cada vez menos»

Essa frase acima basta para me fazer ignorar qualquer tentativa de argumentação. Ao menosprezar os outros, acaba por fazer com que não o levem a sério.
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De isa a 14.10.2015 às 14:51

Serão? Infelizmente, as eleições são, mesmo, panem et circensis porque, nesta economia Global, há mais de 20 anos que se caminha para um Governo a nível Global onde, apenas, as grandes Corporações reinarão e, com a ajuda da tecnologia, controlarão os "rebanhos" a seu belo prazer. Não vejo, por cá, ninguém preocupado com o TTIP nem sequer com, as implicações da chamada Agenda 21.
O TTIP, TAFTA ou Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, um acordo de livre comércio e investimento entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos da América EUA ( muito perto de ser aprovado):

PROTECÇÃO AMBIENTAL: Diminuição dos padrões de proteção ambiental. Autorização da exploração de gás de xisto (fracking). Venda de produtos com químicos não testados. Desregulação dos níveis de emissões no sector da aviação.

SEGURANÇA ALIMENTAR: Concorrência agressiva das empresas agroindustriais dos EUA. Autorização dos Organismos Geneticamente Modificados. Utilização de hormonas de crescimento na carne. Desinfeção de carne com cloro.

#Aqui só quero acrescentar que isto, de desinfetar com químicos (agora pode ser o cloro, mais tarde, o que lhes apetecer), nem sequer, sairá na rotulagem do produto, acontece nos EUA, assunto que, por lá, foi debatido mas, como afirmam ser parte do PROCESSO e não ser um ingrediente, não tem de estar na rotulagem (um verdadeiro atentado à saúde do consumidor). Até há casos que nem é só cloro mas, lixívia (cloro com cal, o hipoclorito de sódio). Mas, como sempre, os idiotas... comem tudo, só precisam de uma boa lavagem cerebral para que a lixívia, até lhes saiba a lagosta.

EMPREGO: Falsas promessas de um aumento do número de postos de trabalho. Aumento do desemprego em vários sectores, não estando prevista a atenuação dos efeitos negativos da Parceria. Diminuição dos Direitos Laborais e salários. Aumento da precariedade.

SAÚDE: Aumento da Duração das Patentes dos medicamentos, impossibilitando a venda de Genéricos a preços mais acessíveis. Serviços de emergência poderão ser privatizados. Venda de produtos com químicos Não Testados.

LIBERDADE E PRIVACIDADE: Tentativa de ressuscitar a ACTA. Violação da privacidade e liberdade de expressão. Transformar os fornecedores de internet numa força policial de vigilância privada do sector empresarial. Bloqueio de projetos de investigação. Fortalecimento dos Direitos de Propriedade Intelectual.

SERVIÇOS FINANCEIROS: Liberalização e desregulamentação dos serviços financeiros. Maior participação do sector financeiro no processo legislativo. Maior liberdade na criação de novos produtos financeiros. Maior facilidade de deslocação dos bancos para países com impostos mais baixos.

"A cereja no topo do Bolo" no TTIP, para além de tudo, anteriormente referido, se, um país interditar algo que ponha em causa, a saúde ou o ambiente dos seus cidadãos, terá de ser paga uma compensação financeira à entidade que perder o negócio.
O Espantalho é low-tech, agora, é um mundo de sensores, bem preparado e encaminhado para que, a qualquer momento, nos vá rebentar debaixo dos pés.
Nunca se perguntou a razão de nunca vermos a U.E. resolver um único problema? Porque isso não é uma prioridade, basta fingir que se resolve e, ainda hoje, li no D. Económico :
"Bruxelas propõe reforço no orçamento para refugiados e agricultores.
Da verba extra de 2,4 mil milhões hoje proposta, 1,68 mil milhões destinam-se a aumentar, em 2016 o apoio para os Estados-membros lidarem com a crise de refugiados."
Despejar dinheiro em cima dos problemas nunca foi, nem nunca será uma solução a longo prazo, para nenhum problema, no entanto, continuam a fazê-lo, mesmo sabendo que as economias mundiais estão a afundar... porquê? Porque o caminho programado, é outro, longe dos interesses dos cidadãos europeus. Haveria alternativa? Uma, muito improvável... todos os cidadãos europeus teriam de "acordar" ao mesmo tempo e, isso, é impossível porque, além da economia ou ideologia... há outro fator... o da natureza humana... cada vez mais centrada no "Eu", no "Meu" e, principalmente, na satisfação dos seus desejos imediatos, nem que, isso, ponha em causa a Liberdade das gerações futuras...
Depois de estarmos endividados, A, B ou C não vem alterar muito, apenas pode encurtar o inevitável ou até garantir a Total dependência.
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De João André a 14.10.2015 às 18:33

Muitos pontos. Como engenheiro químico deixo comentário sobre um: usar o hipoclorito de sódio na desinfecção nada significa para a segurança alimentar desde que haja boa lavagem posterior. Isso não significa que a qualidade da comida fique melhor, claro.
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De isa a 14.10.2015 às 20:47

Como engenheiro químico... Europeu... porque isto de desinfetar até não saber a nada é muito comum noutras partes do Planeta e, como já houve carne de cavalo com antibióticos, imprópria para consumo humano, manteiga que não era manteiga e a UE ter afastado as culpas para os Estados europeus que deviam fiscalizar, apesar de ter dado subsídios... tanta coisa se tem passado, algumas que só se sabem, por acaso e, sem TTIP, basta imaginar o que virá depois...
Quanto... ao "nada significa para a segurança alimentar desde que haja boa lavagem posterior" pois, com tanta incompetência, subordinação ao lucro, "luvas" e afins... se a lavagem não ficar bem feita, azar dos que engolirem o bocado mal lavado... o que seria uma espécie de coincidência quase poética... se acontecesse que, esse bocado, fosse comido... por um químico
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De João André a 15.10.2015 às 11:51

Daqui a pouco fico à espera do discurso anti-vacinas...
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De Anónimo a 14.10.2015 às 14:53

Quando se chega ao cúmulo do ridículo de, de forma ignorante e mal formada, se dizer que o PCP sempre foi contra o núcleo familiar, não podemos estar perante pessoas psicologicamente sãs. O resto é mais do mesmo, resquícios da "pandilha do Relvas".

Cumprimentos
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De José António Abreu a 14.10.2015 às 18:37

Vá ler o capítulo 2 do "Manifesto Comunista", dos camaradas Marx e Engels, e depois, já mais informadinho, volte cá, OK?
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De Anónimo a 15.10.2015 às 09:46

Cristo !! O seu argumento é a interpretação enviesada de um Manifesto escrito no séc. XIX ? Isso nem cassete chega a ser, será quando muito um Cilindro de Fonógrafo, pois ao tempo ainda se davam os primeiros passos na captação do som. Assim entendo melhor a sua posição, parou no tempo. Nesse caso apresento as minhas respeitosas desculpas.

A Bem Da Nação
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De Anónimo a 15.10.2015 às 15:44

Presumo que, se o assunto fosse a igreja católica, colocasse aí um link da Al Qaeda. Como disse antes, entendo agora o porquê das suas posições, já vi que não é mal intencionado. Não desespere, um dia destes chega ao Séc. XX, não desista.

A Bem da Nação
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De Vento a 14.10.2015 às 14:57

João, há duas espécies de senhoras que o amigo deve conhecer bem. São elas:
- a velha senhora
- e a virgem romântica em busca do cavaleiro perfeito.

Vamos agora falar de uma e de outra. A velha senhora é a senhora que aparenta ser tradicionalista, aparenta ser vertical, aparenta ser equilibrada, aparenta ser púdica, aparenta ser conservadora e, entre muitos outros aparentes atributos, aparenta não dar valor à luxúria.

A virgem romântica sonha demasiado com o perfeito e perde oportunidades de experimentar a vida não se dando oportunidade de através das máculas poder ser imaculada.

Uma e outra parecem semelhantes. A diferença é que a primeira só leva mais tempo a despir-se. Mas acaba sempre nua.
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De Anónimo a 14.10.2015 às 16:08

"Mas acaba sempre nua." Refere-se à Joana Amaral Dias?
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De Vento a 14.10.2015 às 20:31

Nã. Essa acabou grávida e grávida de rapariga, para ter alguém que, à semelhança de mulher, lhe azucrine a cabeça. Nada como uma mulher para dar cabo do juízo a outra.
Quem semeia vento colhe tempestade ;)
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De João André a 14.10.2015 às 18:34

Há quem não ligue desde que seja boa ;)
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De T a 14.10.2015 às 15:07

"Como muita gente à direita o sabe, os ataques deixaram de ser pela via da legitimidade democrática e passaram pelo percurso do espantalho: agitemos os medos aos quatro ventos que a esquerda vai afundar este país e pode ser que isto não suceda (ou seja de pouca dura). O argumento é que os muy democráticos mercados se assustariam e o país estaria de imediato a braços com outro resgate."

Mais um que não gosta da realidade e tem medo de ser alertado de coisas óbvias. Espero que um dia quando o aconselharem "metendo-lhe medo" sobre algo ou alguma situação que já foi experimentada não faça o contrário só para provar que ninguém lhe mete medo. É um bocadinho tonto como deve perceber. Como diriam os jovens YOLO.

Quanto a essa ideia de que se anda a bater na esquerda, desculpe perguntar, aterrou agora em Portugal? É que neste país tudo o que não é esquerda é fascista, é anti-democrático, é neoliberal, é saudosista, é contra a cultura, é contra o povo, os pobres, os trabalhadores é contra isto e aquilo. Alias, esta "frente" que se forma, estes discursos que são cuspidos nas noticias pelos "lideres" da esquerda bem o provam, a tolerância zero e o mandar abaixo como prioridade mostram bem do que são feitos, até se esquecem temporariamente o seu programa, tal é a sede.
A "malta" não é parva.
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De João André a 14.10.2015 às 18:36

Pois, lá está:

«tudo o que não é esquerda é fascista, é anti-democrático, é neoliberal, é saudosista, é contra a cultura, é contra o povo, os pobres, os trabalhadores é contra isto e aquilo»

Há obviamente quem pense assim. O PCP tem historicamente esse tipo de discurso. Eu não o tenho. Por isso está a pregar no sítio errado. Mas continue.
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De William Wallace a 14.10.2015 às 15:44

" É, mais uma vez, a política do espantalho. É a política do "não há outra solução". Para estes, se o governo fosse dissolvido em favor de uns directores nomeados por Frankfurt não haveria perda. "

Lamento informá-lo e aos outros (incluindo Pafs) que as eleições só existem para legitimar a politica existente do "não há outra solução".

É mais fácil impôr politicas com capatazes do próprio país do que com estrangeiros e as eleições dão-lhe aquele ar chique de que nós é que queremos, exemplos não faltam, basta começar logo pelo maior, a França.

P.S. - Os capatazes teriam sempre algo a perder.
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De João André a 14.10.2015 às 18:37

É verdade. E quando os capatazes não são os que se esperavam, os patrões ficam mais preocupados. Pelo menos até os treinarem (à la Syryza).
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De Miguel R a 14.10.2015 às 15:47

Eu a concordar contigo sobre uma coisa que não é futebol . Efff até sinto um calafrio. Também noto isso na direita (geral, geral...), não que à esquerda... bôm.

Passos acaba de fazer um ultimato ao PS. Acho muito bem. Depois disto tudo, para mim é simples: o PS que faça um "governo de esquerda" ou que se vá encher de moscas. Tout-court. Brincadeiras, faz-de-contas e jogatanas já temos de basta.
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De João André a 14.10.2015 às 18:39

Acontece, acontece, mas é uma vez sem exemplo... :). Daqui a nada já escrevo alguma coisa que provoque a discordância :).

Também concordo com o segundo parágrafo. Passos está a contar que o PS o legitimize só porque sim. Se quer apresentar governo, que faça por isso.
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De Miguel R a 14.10.2015 às 20:58

Heheh o encher de moscas é para o PS, mas é óbvio que o PS está no direito de não legitimar só porque sim. Eu só acho é que o PS não está de boa-fé nestas negociações. É muito simples, quer viabilizar o governo da Coligação? Sim? Que diga as condições. Não quer? Que diga que não. Este joguinho é que não. Assim, como assim, venha o que vier, daqui a pouco mais de um ano novas eleições são o cenário mais provável. E ah a Merkel é a mesma ahahah (quer dizer o contexto europeu).

Agora, se fosse líder do PS não formava um governo nestas condições, sem um documento programático bem robusto assinado pelo BE e PCP-PEV e que os responsabilize (repito responsabilize). Para eles, coligação fora do poder e o PS em minoria a governar no actual contexto (sem qualquer compromisso sério da sua parte) é um sonho molhado. Como é o que o Syriza cresceu mesmo? Ah era o PASOK que... Mas, bom, isso é lá com o PS... A fome de Poder será tanta?

Indo ao que interessa. Para quando um post às gerações futebolísticas que estão a surgir nascidas entre 94-98? Nomes são uma carrada.
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De João André a 15.10.2015 às 11:56

Concordamos outra vez (isto começa a ser repetitivo, temos de ir ao médico fazer um check-up). Costa (não estendo a todo o PS) não está de boa fé neste processo. Afloro isso por outras palavras no penúltimo parágrafo. O Sérgio escreveu também algo nesse sentido (e melhor) noutro post mais abaixo.

Costa está a jogar um jogo de sobrevivência política no PS. A tentar fazer durar a coisa para apresentar algum tipo de resultado ao congresso.

O PCP e o BE estão pressionados pelo eleitorado que querem que estejam abertos a entendimentos. Não acreditam que cheguem ao governo mas tentam puxar a discussão para os temas em que se sentem confortáveis e aproveitam isto tudo para um bocadinho de propaganda e dar a ideia que sempre estiveram dispostos a ser governo. Um documento programático que os responsabilize seria bem vindo, mas significaria pouco. Quais as consequências de irem para o governo com tal documento e depois o quebrarem? Voltarem para a oposição? Qual a diferença em relação à alternativa?
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De Miguel R a 15.10.2015 às 16:06

Do ponto de vista do PS seria uma arma política. Poderia afirmar que esses partidos não agiram de boa-fé, que por causa deles houve uma crise. Que eles (PS) fizeram esforço por uma unidade de esquerda, bla, bla. Seria uma arma contra aqueles que balançam entre o BE e PS. O PCP tem eleitorado fixo, não foge. A posição do PS não é fácil. O eleitorado da direita é mais ou menos este, menos de 33% não fica. Portanto, creio que deste modo não perderia terreno face ao BE, poderia ganhar, tornando-se assim o maior partido nas urnas.

Sejamos honestos, o PS está numa encruzilhada. Com todo este contexto europeu, face ao panorama nacional, o que ser? Um partido liberal-social (um pouco na linha do que Francisco Assis parece defender, o que seria do meu enorme agrado) ou um partido social-democrata com uma maior intervenção e peso do Estado na economia? Se for mais para a segunda hipótese está mais próximo do Bloco (e até do PCP).
Isto de ser meias-tintas (e aparentemente estar apenas à procura de um lugar ao sol para A. Costa) é contraproducente. Ele tem de escolher uma linha e segui-la, não isto... aliás foi por isso que perdeu, tinha um programa mais liberal-social e um discurso mais socialista, ora as pessoas ficaram confusas e sem confiança (eu fiquei). E diga-se deu o flanco esquerdo todo ao BE, mas todo, não os criticou quase nada (de uma incompetência política...) Daí nem ganhou mais à sua direita, como perdeu à esquerda. E se o governo for assim, neste ziguezague... O que está lá a fazer um liberal como Centeno com os marxistas!?

Eu votei na coligação, quem votou na coligação sabe exactamente o que é aquilo. O PSD assumiu-se como liberal-conservador, um partido que se resolveu com Passos. E o PS sabe-se?

O PSD e PPC não devem estar muito preocupados com o que pode resultar disto tudo. A mim parece-me uma win-win situation. Com a sua direita não precisa de se preocupar e ao centro tem terreno a ganhar.

O PS tem de perceber qual a posição que a médio-prazo o robustece mais. Não isto. Eu nem sei, quando quem dirige o partido se parece preocupar mais consigo do que com o futuro do mesmo.

Pode haver aqui algum factor que não estou a ver, pode a minha leitura ser errada, mas ou é um acordo de governação robusto, com um programa comum aos 3 partidos ou não estou a ver uma hipótese de o PS (e o País) sair a ganhar com isto.
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De João André a 15.10.2015 às 11:57

Em relação a novas gerações, preciso de matutar. Ando a pensar num sobre a selecção (de forma mais genérica, menos orientado para nomes específicos, que conheço menos que desejaria), mas preciso de tempo para o escrever decentemente.

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