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Aflitivo

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.10.16

Eu supunha que episódios do tipo Relvas e do tipo Sócrates não se iriam repetir e que teriam servido de lição. Uma vez vez mais estava enganado. A leviandade com que este tipo de situações, e outras idênticas, ocorre na nossa vida pública e o modo como os partidos contemporizam com isto é aflitivo. Bem sei que os outros eram membros do Governo, um era ministro e o outro primeiro-ministro, e ambos com fortes responsabilidades políticas nos respectivos partidos, e este é apenas um capataz, mas isso não afasta a gravidade da situação nem a posição em que deixam os seus partidos.

Um tipo que admite ser nomeado por um primeiro-ministro nas circunstâncias em que este foi nunca se devia ter demitido. Ele nunca deveria é ter sido nomeado. Mas tendo-o sido, o que partido devia fazer era instaurar-lhe um processo disciplinar com vista à sua exclusão, com base no art.º 14.º n.º 2 dos Estatutos do PS que prevê a exclusão daqueles que, sendo militantes, com a sua conduta acarretarem sério prejuízo ao prestígio e ao bom nome do partido.

Enquanto os partidos não cortarem a direito e não correrem com esta gente das suas fileiras, gente que revela uma tremenda falta de carácter e de idoneidade moral para estar na política e exercer cargos políticos e/ou de confiança política, os partidos vão continuar a fenecer lentamente e a desprestigiar a democracia, afastando o comum dos cidadãos da participação e obrigando-o a procurar refúgio em movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil. Já era mais do que tempo para perceberem isto.


7 comentários

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De TJ a 26.10.2016 às 11:22

Somos genericamente governados pelo tipo "popular da faculdade", que era a personagem que estava lá há 10 anos, fazia 1 cadeira por ano, mas "dava nas vistas" sendo presidente de todos os organismos onde se candidatava. E isso continua pela vida fora e pela politica adentro com a estratégia de quem já tem cargo garantido...

Já diziam antigamente (o blog nao é meu :))... http://gracanopaisdasmaravilhas.blogspot.co.uk/2012/09/o-preco-pagar-pela-tua-nao-participacao.html
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De Luís Lavoura a 26.10.2016 às 11:24

Eu, francamente, não vejo grande importância nestas coisas. Qual é o benefício de o indivíduo ser licenciado para aqulo que faz? Nenhum. Qual é o problema de o indivíduo ser tratado por "senhor engenheiro" quando na verdade nem é engenheiro nem sequer é licenciado? Também nenhum.
Tudo isto radica na aflitiva mania dos "doutores" que existe em Portugal. É uma mania parva e todas as suas consequências são parvas. Em particular, é parvo que seja muito grave que uma pessoa se faça passar por "doutor" quando não o é.
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De Tiro ao Alvo a 26.10.2016 às 13:14

Lavoura, desculpe que lhe diga, o seu comentário é um comentário parvo que, se passasse sem censura, seria um pecado contra a seriedade, a honestidade e o respeito pelos outros, a apologia da estupidez e da falta de bom senso.
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De am a 26.10.2016 às 12:00

Nem com "este" o camarada Lavoura, concorda!??
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De Vento a 26.10.2016 às 14:23

Isso não tem importância. Com tantos licenciados a enganar e a armar ao pingardelho, o povo quer é gente que faça boa obra.
Parece-me que li que ele terá feito um bom trabalho. Venham competências.

Esta fobia que anda pelo país em pretender habilitar gente competente com papelitos dá nisto.
Isto anda de tal forma poluído que se alguém quiser fazer um curso de cozinha, não pode. Só pode fazer um curso de chef.
Se alguém quiser um curso de treinador de futebol, também não há. Só de mister.
Se alguém quiser ser prostituta ou prostituto também não pode. Só trabalhador de sexo. Toda a gente sabe que para se ser prostituta ou prostituto não é necessário ser-se habilitado como trabalhador do sexo. Porque vemos isto em qualquer profissão.
Vejam bem que para se alcançar a paz isto só lá vai com falsificações.
Até eu tive de dizer à minha Laurinda que lhe ia mandar uma beijufa à Brad Pitt para serenar as coisas. Vá lá que até saí-me bem. Sim, pode falsificar-se, mas é necessário revelar talento e inteligência.
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De Anónimo a 26.10.2016 às 19:53

O que me espanta é o caso Relvas. E parece que está tudo legal ou quase e viram-se gregos para encontrar uma formalidade que não foi bem cumprida para lhe pegar. De facto o problema está na Universidade que resolve dar um grau de graça. Modificar a lei limitando, por exemplo, os créditos que se podem dar por equivalência não serve. Enquanto houver Universidades sem ética, a lei pouco pode fazer. Aquela é um exemplo típico onde não se tem respeito pelas pessoas. Mas tem docentes de todos (ou quase todos) os partidos o que equilibra as coisas e serve para que nem se levantem certos problemas. Nenhum deputado quer agitar e prefere não ver. O Relvas cairá no esquecimento? Não sei.
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De V. a 27.10.2016 às 13:09

Uma "licenciatura" ou qualquer outra credencial existe para ser verificada. Portanto, verifiquem-nas. É para isso que existem secretarias, arquivos e etc. É para isso que existem, aliás, milhares de funcionários públicos: para fazer arquivos e verificar papelinhos. Portanto façam isso. Não é muito mas ao menos sempre confere alguma naturalidade ao pagode.

Da maneira displicente como fala, o Lavoura é claramente um deles: é o seu trabalho — mas não está para isso. Prefere andar a encher os blogues de fraternidade socialista, de onde lhe vem a possibilidade de manter as regalias que provêm de um emprego inútil para a sociedade.

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