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Já por mais que uma vez que estive para aqui escrever sobre o 45 graus, o podcast de José Maria Pimentel. Ele é economista de formação, define-se como curioso por natureza e convida para uma conversa descomprometida especialistas e pensadores de várias áreas. Neste podcast, conversa-se sobre ciência e tecnologia, mas também economia e gestão, e mesmo ciências sociais, como sociologia, ciência política ou psicologia. E não só: discute-se também história e política internacional; filosofia e religião; sociedade e educação.
Parte do parágrafo anterior foi copiado da respectiva apresentação.
No episódio mais recente, o 96º (!!), o convidado foi Nuno Palma, que é professor de economia na Universidade de Manchester e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Nuno Palma tem-se dedicado sobretudo à área da História Económica.
O que se pode concluir se compararmos a evolução económica desde o século XIV de vários países da Europa ocidental, como Portugal, Espanha e Inglaterra? As conclusões são surpreendentes especialmente pelo enfoque que é dado à qualidade das instituições.
 
"Mas porquê medir a qualidade das instituições? Porque cada vez mais percebemos que o que determina o desenvolvimento económico dos países — ainda hoje –, mais do que políticas económicas no papel, e para lá dos recursos naturais, é a qualidade das suas instituições. Instituições aqui significa, por exemplo, as limitações impostas ao poder executivo ou o cumprimento dos contratos. Em termos simples, desenvolvem-se os países cujas instituições permitem e encorajam as pessoas a dedicarem-se a atividades produtivas; não se desenvolvem aqueles onde o poder está concentrado nas mãos de uma elite, que vive à custa do resto da sociedade. Soa-vos familiar?"
 
Recomendo vivamente a audição desta conversa, assim como a que se siga este projecto.


18 comentários

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De V. a 28.10.2020 às 08:08

Só não ouço agora para não ficar mais deprimido do que já estou.

E como é que se muda isto? A tentar votar num sistema bloqueado pelo próprio estado-socialista e o seu exército de dependentes, onde as instituições são colonizadas pelos socialistas, onde as regras da democracia são adaptadas consoante dá jeito à elite socialista e ao produtos esquerdistas que a máquina vai produzindo — ou à castanhada?
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De Paulo Sousa a 28.10.2020 às 20:51

Não diga isso sem ouvir, pois o tom não é auto-depreciativo.
Se todos os portugueses ouvissem este podcast (e mais uns quantos) estou certo que estaríamos mais perto de uma solução.
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De balio a 28.10.2020 às 08:34

desenvolvem-se os países cujas instituições permitem e encorajam as pessoas a dedicarem-se a atividades produtivas

Tretas.

Primeiro, não é possível medir de forma rigorosa a qaulidade das instituições, muito menos no passado.

Segundo, o argumento acima pode confundir a causa com o efeito: desenvolvem-se boas instituições lá onde as pessoas, por se dedicarem a atividades produtivas, necessitam delas.
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De Paulo Sousa a 28.10.2020 às 20:55

Não havendo havendo forma de comparar quantitativamente as instituições, existe forma de comparar até que ponto salvaguardam o interesse público do interesse dos privilegiados.
Se ouvir o programa talvez altere o que escreveu.
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De Anónimo a 28.10.2020 às 10:13

Parece-me uma afirmação demasiado "institucional" :)

As instituições vêm da cultura que o povo e as pessoas vão defendendo, favorecendo, aceitando, tolerando ao longo da sua evolução. Mais, uma única pessoa devido aos seus actos, posição e influência pode ter muito mais força e influenciar a cultura que milhares, mesmo milhões de outras.

O que falta é quase sempre analisar o impacto único de certos indivíduos e o impacto de um conjunto de indivíduos, quando se atinge a massa crítica.
Falou-se da Inglaterra, porque é que a Magna Carta foi redigida como foi?


Quanto à pergunta do título:
Por exemplo se Portugal estivesse sozinho no mundo quando teria inventado o motor a vapor? Já nem falo do de combustão interna ou descoberto o uso útil da electricidade?

Na minha opinião é preciso um equilíbrio entre a tolerância e a intolerância à diferença. A primeira para explorar novas ideias - novas ideias boas e más colocam sempre em causa os poderes existentes - e ao mesmo tempo não demasiada diferença que impeça a criação.

Voltei ao conceito de massa crítica.

lucklucky
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De Paulo Sousa a 28.10.2020 às 21:02

Em Inglaterra, bastante depois da Magna Carta foram vários os reis que agiram como absolutistas e até existiu a república de Cromwell. A história não é uma recta continua até aos nossos dias. Oiça o programa e poderá vir a ter uma visão diferente.
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De Anónimo a 29.10.2020 às 11:34

Eu sei, mas aspectos da cultura da Magna Carta não deixaram de ficar.
Tal como hoje temos o desastre que temos mais ainda há restos da Inglaterra Vitoriana.
Podemos claro argumentar que as necessidades de pessoas para expandir o império fez por interesse aumentar a tolerância.

lucklucky
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De Anónimo a 28.10.2020 às 10:13

1758 e 1768
expulsão dos jesuitas e proibição dos oratianos de ensinar

juntos tinham 95% do ensino em portugal

destruimos o ensino e nunca mais recuperamos
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De Anónimo a 28.10.2020 às 12:53

Não me parece que mesmo antes as coisas estivessem bem.

Em termos de criação, Portugal nunca se destacou.
E a economia mede-se pelo que criamos, inventamos, servimos para facilitar a vida dos outros.

lucklucky

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De V. a 28.10.2020 às 18:10

Há sempre centros de difusão, na Europa são Londres, Paris, algumas cidades alemãs... O resto são periferias e cabanas de pastores que não produzem cultura, mais distantes do centro a cada quilómetro que passa.

Podem trazer para aqui a Web Summit, por exemplo, mas será sempre um sucedâneo (uma cópia) de modelos de gestão que já se ensaiaram previamente noutro lugar, neste caso no MIT ou Harvard ou na Califórnia. Por isso é que deixam o chefe tribal Costa ir apresentar aquilo, ele próprio um sucedâneo de ideias que são feitas noutro lado.
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De Susana V a 28.10.2020 às 10:35

Este podcast é um dos meus favoritos. Em conjunto com O Resto é História.
Fazem as minhas viagens de automóvel demorar "tempo a menos"... ;-)
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De Paulo Sousa a 28.10.2020 às 21:02

Sim, desse também sou seguidor.
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De Pedro Correia a 28.10.2020 às 21:26

Muita qualidade, sim. Inegável. Parabéns ao José Maria, que já foi nosso colega aqui no DELITO.
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De Paulo Sousa a 28.10.2020 às 22:58

Sim, e só soube disso após uma troca de mails.
Merece ser divulgado.
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De Anónimo a 29.10.2020 às 02:46

A nossa economia pode ser retratada com 'o que está a dar'.
Lembro-me nos finais dos anos 80 início anos 90, o que estava a dar eram as sapatarias, então com os sapatos feitos em casa por toda a gente da família foi o que está dar em grande. Desde trespasses nas mais caras ruas de Lisboa, nasciam sapatarias como cogumelos. Na Rua dos Pescadores, rua principal da Costa de Caparica, havia uma marisqueira entre duas sapatarias. Depois foram as agências bancárias no que está a dar, ruas havia com agências de todos os bancos e algumas com duas do mesmo banco. Depois foram as cervejarias no que está a dar e lá foram trespassadas as sapatarias e várias lojas de comércio que vendiam as quotas e alteravam a actividade sem mudarem a denominação da firma para o senhoria não ter o direito de opção, o caso da cervejaria "Pinóquio" nos Restauradores-Lisboa, que era uma casa de brinquedos anteriormente, e começaram a nascer comes e bebes por todas as cidades até em vãos de escada anteriormente tabacarias. Depois as esplanadas é o que está a dar, ruas, travessas, escadarias, passeios como em dias de feira . E é o que está dar subiu a parada e apareceram estrangeiros a comprar prédios, quarteirões inteiros para hotéis e alojamento local, agora em vez de prédios abandonos vemos prédios esventrados com guindastes montados à espera d'obras.
É esta a nossa economia, mas há mais é só escolherem o que está dar.
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De Paulo Sousa a 29.10.2020 às 08:16

O que fala é do negócio da moda. Antes dos imóveis para os estrangeiros foram as agências de compra de ouro que surgiram logo depois da falência do José Sócrates.
As modas que abalam as nossas instituições não são essas mas sim aquelas que levam os miúdos das jotas para a maçonaria e logo depois para o governo ou para a PGR. Essas modas é que no prejudicam.
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De Francisco Almeida a 29.10.2020 às 10:20

"... aquelas que levam os miúdos das jotas para a maçonaria e logo depois para o governo ou para a PGR."

Excelente.

Apenas acrescento que parte significativa os miúdos das jotas já são filhos. Hoje já há bisnetos de maçons da 1ª República nas jotas e netos no governo.
Calculava-se que fidalgos (filhos de..., nobres seriam mais) não chegavam a 5% da população. Hoje a percentagem é muito maior.
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De Anónimo a 29.10.2020 às 15:52

Pois faltou-me essa do ouro, e a quase falência dos bancos era o que estava a dar, e deu.
Então quais as modas que não prejudicam? Sendo outras, também serão modas, talvez da oposição ou de outra moda que levam os da opus dei, nos bancos já lá estão, os humildezinhos nada de modernismo e mangas de alpaca, do sim senhor prior, do respeitoso aparelho com maiores de 50 anos, jovens são bons para a tropa. Vejam-se fotografias governamentais dos anos de 1960, para não recuar mais, e descubra-se alguma com gente de idade inferior a 50 anos os jotas da época, tá bem com idade inferior estavam na guerra, que era o negócio que estava a dar.

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