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Confundir agredido com agressor

por Pedro Correia, em 26.03.14

 

Leio hoje, num jornal diário português, um artigo que aponta o dedo acusador à União Europeia pelo actual conflito entre russos e ucranianos. Tudo se deveria, segundo o articulista, à "irresponsabilidade" dos dirigentes europeus, que pretendem alargar o limite das suas fronteiras orientais ao território ucraniano, despertando a compreensível ira de Moscovo. Como se a vontade de Vladimir Putin devesse sobrepor-se à decisão soberana do povo ucraniano, que deve ser o único a pronunciar-se nesta matéria.

Este texto, à semelhança de vários outros que tenho lido nas últimas semanas, pretende ser um eco do senso comum em questões internacionais, transformando a geopolítica em bússola orientadora. Que a Crimeia seja ocupada pela tropa russa como se fosse um tabuleiro de xadrez é um pormenor irrelevante em raciocínios deste tipo. Pensamento semelhante levou muitos a apoiar a invasão das Malvinas, em 1982, em sintonia com a repugnante ditadura militar argentina.

 

A Crimeia, no primeiro censo realizado no século XX, tinha ainda maioria de população tártara. Esta população foi alvo das maiores atrocidades -- incluindo deportações em massa -- tanto no período czarista como no estalinismo, abrindo caminho aos colonos eslavos que se apropriaram das suas terras e das suas casas.

Hoje há apenas 12% de tártaros na península. Os russos são 58%.
Ou seja: primeiro expulsam-se os habitantes autóctones; depois proclama-se o princípio da soberania com base num critério demográfico, etno-racial, que nos faz retroceder alguns séculos. Um pouco como aquele indivíduo que matou os pais e procurou depois invocar a sua condição de órfão como atenuante em tribunal.
É uma mistificação histórica, e uma inaceitável manipulação, fazer o que Putin faz: justificar a anexação da Crimeia para fazer coincidir poder estatal com nacionalidade, à semelhança do que sucedia no século XIX.

 

Se começamos a invocar tudo em nome dos sacrossantos "interesses estratégicos" -- que são sempre interpretados à luz da conveniência de quem agride -- acabaremos por justificar e até aplaudir a anexação de Gibraltar pelas força militar espanhola, por exemplo. Ou de Cuba pelos Estados Unidos, cujos "interesses estratégicos" não toleram um regime hostil a escassos 150km de distância da sua costa.
O paralelo não é descabido pois os EUA até têm uma base militar em território cubano (Guantánamo), tal como a Rússia tem uma base em território ucraniano (Sebastopol).

 

Não poupemos nas palavras: estamos perante um claro retrocesso civilizacional.
Neste caso há um agressor e um agredido.

O agredido é o estado ucraniano.

O agressor é Putin, que procura legitimar-se perante a opinião pública interna com este anacrónico exercício de musculatura, totalmente inaceitável.
Confundir agressor com agredido é abrir todas as portas à pura arbitrariedade, condenando o direito internacional a tornar-se letra morta.
É por este "novo mundo" que pugnamos? A minha resposta é clara e simples: não.

 

Foto: Serguei Ilnitsky/AFP


22 comentários

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De Pedro Almeida a 26.03.2014 às 19:56

Mas a maioria da população da Crimeia deseja ou não pertencer à Rússia?

Porque se deve apoiar o desejo da população de Kiev e reprimir o desejo da população da Crimeia?

Se efectivamente foi uma invasão russa onde estão os tiros, as explosões, os mortos?

Ter dois pesos e duas medidas é achar bem que a maioria da população ucraniana queira ver-se livre do seu presidente, mas depois achar mal que a maioria da população da Crimeia não pactue com isto e queira separar-se da Ucrania.

Se vamos aceitar as vontades das populações (e bem) temos que aceitar as de todas, não apenas as de que gostamos mais.
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De lucklucky a 26.03.2014 às 21:50

Como é lindo ver que a agressão Russa de repente passa para um plano não existente.

Eu estou de acordo no fundamental, mas nesse caso o Pedro Almeida deve protestar contra a Constituição Portuguesa que declara impossível partir o território de Portugal. Ou as populações já não interessam nesse caso?

E que tal um referendo na Chechenia. Ou aí já não conta?
E que tal uma nação para os Curdos, os Assírios, os Berberes, os Cabindas por ex?

Depois deve reconhecer o facto de Crimeia se poder partir em Parte Russa, Ucraniana e Tartara pelo menos.

Só aí veremos se o Pedro Almeida usa os argumentos pela nostalgia do Império Comunista ou não.
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De Pedro Almeida a 26.03.2014 às 23:33

Que eu saiba a constituição ucraniana também não autoriza a que um presidente seja deposto da maneira que for.
A própria constituição portuguesa pré 1974 não autorizava golpes de estado, ao que julgo saber.
Respeita-se a constituição para umas coisas, mas não para outras?
Para mim o argumento fundamental é este, a esmagadora maioria dos habitantes da Crimeia não quer continuar numa Ucrania pró-ocidental, concorde-se ou não com eles, mas é a decisão deles, é a sua escolha.
Os da Crimeia não podem decidir, os de Kiev já podem... bela democracia essa.
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De lucklucky a 27.03.2014 às 06:55

Como esperado não respondeu às questões.

Fica provada a nostalgia do império soviético.
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De Pedro Correia a 26.03.2014 às 23:10

São argumentos muito fracos, caro Pedro Almeida: esperava um pouco mais de si. Hitler, por exemplo, ocupou a Áustria sem disparar um tiro. A 12 de Março de 1938, fez há poucos dias 76 anos.
Queria o quê: uma resistência ucraniana à pesadíssima artilharia russa, numa desproporção de forças brutal, e o respectivo banho de sangue?
Se vivêssemos nessa altura, aí estaria você a justificar a agressão hitleriana, sem tiros, em solo austríaco. Abaixo o direito internacional, viva a lei do mais forte. Semelhante à que reina na selva.
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De Pedro Almeida a 26.03.2014 às 23:50

Eu é que esperava mais de si. Já vem com o argumento dos Nazis? Caramba, isso só costuma acontecer à 3ª ou 4ª resposta.

Não respondeu ao meu argumento...a maioria da população da Crimeia quer ou não abandonar esta Ucrania e unir-se a esta Russia?
Deve-se respeitar a decisão dos de Kiev e não a dos da Crimeia?
Eu respeito ambas, concordando ou não, compreendendo ou não.

Já agora que veio com o argumento do Hitler, ao que consta este novo governo auto-eleito ucraniano é dominado pela extrema direita, é melhor discutir a questão austriaca com eles.
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De Pedro Correia a 27.03.2014 às 00:03

Como é que quer que eu lhe responda sobre a vontade da população da Crimeia se quem "vota" ali é a tropa russa (ia a escrever soviética), impondo um "referendo" que envergonha qualquer democrata, de canhangulos apontados a tudo quanto mexe, sem possibilidade de campanha eleitoral, sem debate, sem liberdade de opiniões discordantes? Se acredita naqueles 96%, deve também achar que a Coreia do Norte, onde acaba de haver "eleições" com 100% de votos no Querido Grande Fofo Líder é uma democracia.
Putin fez com a Crimeia o que Galtieri e outros generais argentinos de extrema-direita fizeram nas Malvinas em 1982. E você comete o mesmíssimo erro que muita esquerda ocidental na altura cometeu: aplaudiram esse acto de agressão, paradoxalmente, em nome do "anticolonialismo" (a ditadura argentina, pensavam eles, "libertaria" a colónia da opressão britânica) e da soberania de um país pertencente ao terceiro mundo (o facto de esse país torturar e matar milhares dos seus próprios habitantes era um pormenor de somenos para tais sumidades).
Enfim, tem razão: nem precisamos de recuar a 1938. Basta recuarmos a 1982. Há sempre alguém disposto a justificar e "compreender" e até aplaudir os actos de agressão, em nome da geopolítica, dos "interesses estratégicos" ou da lei do mais forte. Anteontem na Geórgia, hoje na Ucrânia, amanhã na Moldávia, depois de amanhã na Letónia. Se a liberdade é um bem escasso, que fique reservado a quem tem mostrar mais músculo e garras mais afiadas.
Na selva costuma acontecer o mesmo.
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De Ssssstress a 27.03.2014 às 00:07

Estamo a regressar ao tempo da lei do mais forte. Ou melhor, estamos num vai-vem que navega ao sabor das vontades dos que mais podem.
E porque podem, fazem! Umas vezes à bruta e outras com disfarces de pretensos referendos legais.
Nas regiões cujas populações não desejam ser parte integrante da Rússia, ser-lhes-à permitida a mesma "legalidade"?

Cumprimentos.
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De Pedro Correia a 27.03.2014 às 11:14

Na Chechénia, desde logo. Cada anexação implica uma nova vaga de problemas para o centralismo russo. Num país já depauperado, que não tem sequer uma base produtiva mínima para alimentar a sua população, cada vez mais envelhecida.
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De William Wallace a 27.03.2014 às 05:06

Quem ri por ultimo ri melhor.
Putin perdeu um aliado [(que andava cá e lá)] através de manifesta (creio eu) acção Ocidental (Americanos , Ingleses e Alemães) cada um deles com interesses diversos mas ganhou um mar com acesso ao Mediterrâneo além da importância Geo " Económica para a economia Russa :
Os alemães para ver se conseguiam controlar os gasodutos ucranianos para baixarem a conta da energia, os americanos e ingleses para expandirem a nato até fronteira russa ,algo também tentado no Afeganistão mas que não correu bem.
O Iraque e a Síria é o que se sabe (vai sabendo) , a Tunísia é pobre , a Líbia está em hibernação mas continua a permitir o tráfico humano para as costas da Europa, o Egipto dêem-lhe tempo.
E depois temos o Kosovo supremo exemplo de ingerência nos assuntos internos de um país.
As Falkland serviram para ganhar eleições ou você acha que uns rochedos perdidos no mar com meia dúzia ilhéus tinham algum valor que não o simbólico para ambos os lados desse conflito.
Quanto aos Tártaros pergunte aos palestinianos o que é que eles acharam de serem escorraçados do seu território natural.
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De Pedro Correia a 27.03.2014 às 11:26

1. A Rússia não "ganhou" nenhum mar de acesso ao Mediterrâneo pelo simples motivo de que já o tinha: basta olhar para o mapa. Aliás qualquer obstáculo ao acesso russo ao Mediterrâneo nunca viria da Ucrânia mas da Turquia, que controla o Bósforo. Rússia e Turquia são potência regionais potencialmente conflituosas: não faltaram aliás guerras entre russos e otomanos para confirmar esta evidência. E de algum modo já se confrontam hoje no palco sírio.

2. Moscovo dispõe apenas, como trunfos estratégicos na economia global, das enormes reservas de petróleo e gás natural com as quais abastece parte da Europa (Portugal, por exemplo, não depende deste fornecimento). Os russos têm portanto muito mais a perder do que a ganhar numa situação de guerra económica com a UE, de longe o seu principal mercado. O actual conflito só apressará a decisão das autoridades alemães e polacas de encontrar vias alternativas de abastecimento energético.

3. Você dá quase a volta ao mundo, da Tunísia ao Afeganistão, do Kosovo ao Iraque, passando pelas Falkland, e consegue não exprimir uma opinião sobre os atentados russos ao povo tártaro na Crimeia. Há maneiras mais subtis de evitar pronunciar-se sobre assuntos incómodos.
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De Luís Lavoura a 27.03.2014 às 13:01

os atentados russos ao povo tártaro

O Pedro insiste no erro que eu já lhe critiquei, o de confundir a Rússia com a defunta URSS. Também, confunde a URSS em geral com o seu período mais negro, o estalinismo.

Pelo facto de, durante a ditadura de Estaline, terem sido cometidas barbaridades contra os tártaros da Crimeia, tais barbaridades não devem ser assacadas aos russos.
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De Pedro Correia a 27.03.2014 às 13:23

Não confundo, mas há linhas de continuidade na visão estratégica, em termos de política externa, entre os vários regimes russos. O expansionismo eslavo e a tendência para criar zonas-tampão no perímetro exterior às fronteiras, por exemplo. E também o secular antagonismo com a cultura otomana, a sudoeste.
De resto, como refiro no texto (e forneço hiperligações para eventual consulta complementar), as deportações forçadas de tártaros da Crimeia para a Ásia Menor começaram ainda no século XIX, no período czarista.
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De Luís Lavoura a 27.03.2014 às 12:51

primeiro expulsam-se os habitantes autóctones; depois proclama-se o princípio da soberania com base num critério demográfico, etno-racial, que nos faz retroceder alguns séculos

justificar a anexação da Crimeia para fazer coincidir poder estatal com nacionalidade

O Pedro Correia parece ignorar um princípio geral da lei internacional, que é o princípio da autodeterminação dos povos. Parece ignorar que houve na Crimeia um referendo, no qual os habitantes dessa província optaram, ao que parece livremente, por fazer parte da Rússia.

É claro que os habitantes autótones da Crimeia não interessam para nada, aliás a maioria deles já faleceu. O que interessa ao princípio da autodeterminação dos povos são os habitantes atuais de um território. Não se pode pôr a votar os tártaros já falecidos!

Quanto à sua conversa sobre "poder estatal e nacionalidade", vá explicar isso aos habitantes da Crimeia que votaram... diga-lhes que têm uma ideologia do século 19...

Como é evidente, os habitantes da Crimeia não são burros e votaram pelos seus interesses financeiros, tal como a imensa maioria dos portugueses, e dos outros, fazem: a Rússia é um país muito mais rico e muito melhor gerido do que a Ucrânia, e os habitantes da Crimeia esperam que a sua terra se torne mais próspera pertencendo à Rússia do que à Ucrânia. É trivial e nada tem a ver com poder estatal nem nacionalidade.
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De Luís Lavoura a 27.03.2014 às 12:57

estamos perante um claro retrocesso civilizacional

Discordo totalmente.

Retrocesso é o atual estado de coisas, em que os povos só podem ser independentes se os Senhores do Mundo, leia-se os EUA, o autorizarem.

Retrocesso é o atual estado de coisas, em que o povo da Somalilândia e o povo da Puntlândia não podem ser independentes, porque aos EUA não apetece que sejam.

Retrocesso é o atual estado de coisas, em que os tuaregues do Norte do Mali não podem tem um país próprio e são forçados a viver em conjunto com os Negros do Sul, porque à França não convem que as fronteiras sejam alteradas.

Tal como os checos e os eslovacos decidiram, pacificamente, separar-se em dois países - e ninguém se importou com isso - também os outros povos devem poder, pacificamente, separar-se dos países em que indevidamente estão inseridos.
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De Pedro Correia a 27.03.2014 às 23:10

Discorda que seja um "retrocesso civilizacional" a Rússia desencadear uma operação militar para anexar território pertencente a um estado vizinho em violação de toda a lei internacional - incluindo um pacto subscrito voluntariamente por Moscovo em 1994 - e forjar em dez dias um "referendo" destinado a legitimar a a anexação já consumada de facto, à revelia da ONU, tanto ao nível do Conselho de Segurança (onde nenhum país secundou as posições russas) como da Assembleia-Geral, onde Putin acaba de ter uma derrota esmagadora?
Se aplaude isto, amanhã estaria a dar vivas à civilização se por exemplo os Estados Unidos invadissem e anexassem Cuba em nome dos seus interesses "geoestratégicos".
Os leões e as hienas, na selva, costumam comportar-se com idêntico grau "civilizacional".
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De Luís Lavoura a 28.03.2014 às 11:20

Você parece não ter lido os meus comentários. É um retrocesso civilizacional não se ter em conta o princípio da autodeterminação dos povos. O povo da Crimeia votou para pertencer à Rússia, e esse voto deve ser respeitado. O povo da Crimeia tem o direito de dizer se quer ser independente ou se quer estar apenso a um ou outro Estado. A autodeterminação dos povos é um princípio que não pode estar submetido à autorização dos EUA.
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De Pedro Correia a 28.03.2014 às 11:31

O povo da Crimeia, de armas apontadas à nuca, "votou" tanto como o povo da Coreia do Norte, que na mesma semana "elegeu" o Fofo Líder do Penteado Único com 100% dos votos.
O "referendo" russo em território ucraniano, realizado sob efectiva ocupação militar, não tem qualquer validade jurídica nem mereceu o menor crédito da comunidade internacional (leia-se: Organização das Nações Unidas).
Só um membro do Clube de Fãs de Putin ou da Liga dos Amigos da AK-47 pode considerá-lo válido.
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De Luís Lavoura a 28.03.2014 às 11:54

Você presume que o referendo não foi livre, mas não apresenta quaisquer provas desse facto.
A OSCE foi convidada a estar presente no referendo e a validá-lo. Recusou fazê-lo, sabe-se lá por quê.
A Organização das Nações Unidas não tem nada que andar a validar ou aprovar referendos. Muito menos a "comunidade internacional", A.K.A. os EUA e os seus aliados. O referendo é válido até prova em contrário.
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De Pedro Correia a 28.03.2014 às 12:23

Tão válido como o plebiscito de 1933, organizado por Salazar para legitimar a Constituição de 1933.
Tão válido como a eleição presidencial de 1958, que atribuiu a vitória ao almirante Américo Thomaz.
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De JSP a 27.03.2014 às 14:14

E agora uma coisa que "parece" não ter nada ( dupla negativa...) a ver com "isto" : Alguém se lembra dO 8 de Nov de 2008?...
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De Pedro Correia a 27.03.2014 às 17:44

Só me lembro do 8 de Agosto de 2008

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