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Acreditem: há tempo para tudo

por Pedro Correia, em 01.01.18

20180101_093531.jpg

 

Um novo ano começa: eis-nos outra vez confrontados com a velha dicotomia entre perspectivas e realidades. No domínio das leituras, por exemplo. Na passagem de 2016 para 2017, tinha apostado ler diversos livros que deixei aliás assinalados em testemunho fotográfico. Quase todos ficaram por abrir. Dos dez que menciono, apenas dois foram concluídos.

Nisto, confesso, perdi a aposta comigo próprio. Mas ganhei outra, mais importante: propus-me ler em 2017 tantos livros como me acontecia pelos meus 18 anos. Assim aconteceu: foram 70 ao longo do ano que ontem terminou. Completos, do princípio ao fim, sem deixar pontas soltas. Se contabilizasse os que ficaram por concluir, teria mais doze.

Claro que não basta a quantidade – o mais importante é a qualidade daquilo que vamos lendo. Mas também neste aspecto me sinto satisfeito ao fazer esta breve resenha do ano que findou. Li pela primeira vez uma obra completa de Tchékov, Balzac, Mikhail Bulgákov, Liam O’ Flaherty, Alberto Moravia, Harold Pinter, Manuel Puig, Joseph Kessel, Kazuo Ishiguro, Michael Cunningham. Reli Verne, Rilke, Kipling, H. G. Wells, D. H. Lawrence, Camus, Stefan Zweig, Julio Cortázar, Carson McCullers, Nelson Rodrigues, Truman Capote, Philip Roth, Paul Auster, Javier Marías. Alguns deles muito cá de casa.

Entre os portugueses, Camilo e Antero. E também Manuel da Fonseca, Cardoso Pires, Sttau Monteiro, Carlos de Oliveira, Borges Coelho, Miguel Sousa Tavares, A. M. Pires Cabral.

Muitos homens, claro. Mas também algumas escritoras, embora sem tentativa deliberada de estabelecer igualdade de género: Agustina, Selma Lagerlöf (outra estreia), Patricia Highsmith, Daphne du Maurier, Teolinda Gersão.

Os melhores? Coração de Cão, de Bulgákov – sátira genial. Os Despojos do Dia, de Ishiguro – filigrana inglesa com requinte japonês. O histórico Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed. E ainda este trio de romances, o primeiro dos quais inacabado: 1933 foi um Mau Ano, de John Fante; Carol, de Highsmith; Rebeca, de Du Maurier.

Os piores? Traições, de Roth. E Os Anões, de Pinter. Quanto maior a expectativa, mais amarga é a desilusão.

Já tenho uma lista para 2018. Que inclui os livros exibidos nesta foto. Alguns transitam de 2017: o mesmo sucede com muitos dos nossos sonhos, que vão passando de ano para ano.

É hora de recomeçar. E não acreditem em quem vos diz que "deixou de haver tempo para ler". Há tempo, sim. Temos é de aproveitá-lo bem.

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18 comentários

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De Maria Dulce Fernandes a 01.01.2018 às 11:38

Viva Pedro.
Faço votos para que tenha entrado em 2018 com a mesma distinção que caracterizou toda a sua escrita em 2017. Desejo-lhe um excelente ano novo em todas as vertentes da sua vida.
No que toca a livros, fiquei-me por uns vergonhosos 17.
Celebrando hoje a renovação de mais um ciclo, renovo a resolução anterior de 3 livros por mês , que não vou seguramente cumprir, mas vou tentar.
Dos excelentes títulos que menciona apenas li 5, dos autores li 7. É verdade que há sempre tempo, mas apenas quando o cansaço o permite.

Beijinho e bom 2018.
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De Pedro Correia a 01.01.2018 às 12:53

O essencial, minha cara Dulce, é mantermos a fasquia bem elevada. Ambição da boa, neste caso.
Desejo-lhe um ano saudável e feliz.
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De Rão Arques a 01.01.2018 às 12:01

Que saia a tempo a Antologia do Delito para ler e reler.
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De Pedro Correia a 01.01.2018 às 12:52

Estamos a fazer por isso, meu caro. Obrigado pelo incentivo. Bom ano.
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De amendes a 01.01.2018 às 12:57

Inadmissível:

Não leu a obra completa do Sócrates!!


Boas Entradas
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De Pedro Correia a 01.01.2018 às 13:05

Ainda não recuei tanto.
Bom ano..
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De Teresa Ribeiro a 01.01.2018 às 14:02

Bom, ano, Pedro. Boas leituras. Continuarei seguindo algumas pistas tuas, nunca me arrependo.
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De Pedro Correia a 01.01.2018 às 16:08

Obrigado pela confiança, Teresa. Bom ano.
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De Anónimo a 01.01.2018 às 16:46

Que continue escrevendo, são os meus votos.
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De Pedro Correia a 01.01.2018 às 17:21

Assim farei. Dois livros prontos a editar, outro pronto a concluir, outro pronto a começar.
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De Beatriz Santos a 01.01.2018 às 21:23

Concordo, há sempre tempo para ler. Podem existir dias e até semanas em que não haja tempo ou disposição. Mas logo criamos um hiato. Porque a leitura faz falta ao leitor, contribui para o seu bem estar e está-lhe nas rotinas.
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De Pedro Correia a 01.01.2018 às 22:26

Certíssimo, Beatriz. É questão de se criar o hábito - um bom hábito, neste caso. E bem mais útil do que perder horas a ver vídeos de gatinhos, a partilhar anedotas javardas, a espreitar nos buracos das fechaduras feibuquianas alheias e outras patetices na internet.
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De João Pedro Pimenta a 02.01.2018 às 01:12

Nem me atrevo a dizer quantos li, tal a vergonha. Apesar de tudo consegui ler um ou outro clássico que me estava atravessado há anos, além de alguns títulos menores e uma ou outra surpresa. Mas este ano, entre romances, livros de história e um ou outro mais ideológico ou ensaístico, espero avançar um pouco. Viagens em que não seja preciso guiar são ajudas preciosas.
Esse do Mário de Carvalho também já cá consta, mas parece-me mais um guia de aspirantes a escritores.
Boas leituras!
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De Pedro Correia a 02.01.2018 às 18:45

O do Mário de Carvalho, de facto, é um guia para jovens escritores. Que merece ser lido também por leitores de todas as idades.
Foi um dos doze que deixei a meio durante o ano. Não porque não estivesse a gostar: simplesmente porque assim calhou.
Será um dos meus livros a ler por inteiro em 2018.
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De jpt a 02.01.2018 às 08:21

Este ano (já passado), por coisas cá minhas, li muito pouca ficção, invejo-te o rol. Do que deixas fico curioso com Fante (nunca ouvira falar). E exclamo, sempre, Viva Bulgakov!
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De Pedro Correia a 02.01.2018 às 18:46

Bulgakov é muito bom, na verdade. Nenhuma dúvida quanto a isso. Celebro-o em uníssono contigo.

O livro de Fante lê-se em dois dias. Excepcional. Seria a primeira parte de um romance de vastas dimensões. Ficou só esta, que vale por si.
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De laura a 02.01.2018 às 13:36

lá vou eu anotar alguns :)

bom ano para o vosso Blog!
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De Pedro Correia a 02.01.2018 às 18:47

Bom ano também para si, Laura. Espero que continue a visitar-nos em 2018.

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