A vitória póstuma de Hitler

O impensável vai acontecendo por estes dias. Com o populismo mais radical a dominar a agenda política e a fazer recuar os governantes timoratos, que gostam de apregoar as virtudes do "centro" mas ajoelham e rendem-se à primeira gritaria extremista que ouvem ao virar da esquina.
Nada é tão vergonhoso, para mim, como aquilo a que temos assistido em Londres. Na mesma capital que nunca se subjugou a tirania alguma. Nem sequer quando toda a Europa estava sitiada. Nesses tempos de som e fúria, quando a besta alucinada cavalgava à solta no nosso continente, do lado de lá do Canal da Mancha houve um homem convicto que soube dizer a palavra "não". E, corajosamente, enfrentou Hitler quase sozinho. Enquanto muitos outros, de Estaline a Franco, lhe faziam vénias e prestavam vassalagem.
Confesso: é com indisfarçável repulsa que vejo estas imagens de Londres, captadas nos últimos dias. Com a estátua de Churchill conspurcada por aqueles que, se não fosse ele, andavam agora a marchar de braço ao alto em hossanas a um verdugo austríaco especializado em gasear judeus, cristãos, ciganos, homossexuais e comunistas.
É com um asco ainda maior que observo como podem ser pusilânimes aqueles políticos que - como o alcaide de Londres, um tal Sadiq Khan - mandam encaixotar a estátua, em jeito de mal menor, transformando simbolicamente Churchill, depois de morto, em algo que ele nunca foi em vida: um cobarde.
Desprezo profundamente esta gente, movida pela ideologia da correcção política, que é adubo de novas ditaduras. Graças ao império da estupidez, tantos anos depois, uns e outros conseguem aquilo que Hitler jamais foi capaz de alcançar, com ele vivo, pela força bruta: dobrar Churchill. Conferindo uma coroa de glória póstuma ao tirano nazi.
Metem-me nojo.


