Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A vingança de Malthus

por João André, em 11.02.19

Em 1798, Thomas Malthus escreveu o seu "An Essay on the Principle of Population", onde, de forma muito resumida, previa que a disponibilidade de recursos levaria a um aumento de população até um ponto onde os primeiros não sustentariam a segunda, isto é, os recursos seriam insuficientes para a população. Os recursos a que se referia eram essencialmente a produção de alimentos e a sua visão foi influente o suficiente para se falar em catástrofe malthusiana ou em pensamento malthusiano.

 

Malthus não tinha (penso) uma previsão para o momento em que o crescimento da população seria restringido pela disponibilidade de alimentos, mas seja como for, as suas previsões não se cumpriram até à II Guerra Mundial. Malthus tinha no entanto apontado guerra, peste e fome como instrumentos de controlo do crescimento populacional. Neste contexto, a Grande Fome (Great Famine, no original) na Irlanda em meados do século XIX, a I Guerra Mundial e a Gripe Espanhola de 1918 apoiariam as suas teses. Ainda assim, após a II Guerra Mundial, no período de desenvolvimento económico e científico que se seguiu à catástrofe, a produção agrícola disparou, especialmente através da Revolução Verde. Alguns neo-malthusianos apontaram que tal apenas reforçaria as teses de Malthus, dado que este apontava a sobre-abundância de alimentos como a causa para o aumento rápido da população.

 

Houve no entanto dois aspectos que contrariaram a tese de Malthus. Por um lado, a tecnologia continuou a permitir um aumento da produção de alimentos ao ponto que, hoje, seria teoricamente possível alimentar toda a população do planeta, mesmo sendo esta consideravelmente mais vasta que em 1960. O segundo aspecto é o facto de a prosperidade, inicialmente nos países ricos e mais tarde nos restantes, leva a uma redução da taxa de natalidade, especialmente quando a prosperidade vem associada a uma maior educação das mulheres. A população tem continuado a aumentar, mas a ritmos variáveis e, nos países ricos, só aumenta devido ao influxo de imigrantes e a um aumento da esperança de vida. Num livro recente, os autores argumentam que, ao contrário do que se espera, este fenómeno relacionado com a educação feminina levará a uma diminuição da população mundial já dentro de 3 décadas (não li o livro, apenas deixo o link para o artigo).

 

Parece então que a catástrofe malthusiana pode ser evitada. Pelo menos do lado dos alimentos. Mas será completamente evitável?

 

2018 viu um aumento da consciência social um pouco por todo o lado. Foi a questão dos plásticos; foi o aviso que poderá já ser quase tarde demais para evitar aumentos de temperatura catastróficos; foi a informação que metade da Great Barrier Reef, bem como 15-30% (as estimativas variam) dos corais do oceano estarão a morrer de forma acelerada (e o IPCC estima que se o aumento de temperatura ficar apenas nos 1,5 ºC, 70-90% dos corais desaprecerão); foi a notícia recente que pelo menos um terço dos glaciares do massivo Hindu Kush-Himalaias estarão a desaparecer; foi o aparente aumento da frequência de episódios de tempo extremos (calor na Austrália, frio nos EUA, tufões e tempestades tropicais em alturas incomuns e em zonas onde não sucedem frequentemente); é a seca em múltiplas partes do mundo; são os insectos a desaparecer, etc, etc, etc.

 

Tudo isto está relacionado com uma coisa: uma voracidade pelos recursos do planeta que não tem par em qualquer outra altura dos 4,5 mil milhões de anos da Terra. Não se trata só das alterações climáticas induzidas pelo aquecimento global causado pela actividade antropogénica. O problema dos plásticos está também relacionado com isto: os recursos naturais (vidro, papel, madeira, etc) são limitados e não têm a variedade de usos que os polímeros (no caso, com à base de petróleo) oferecem. O declínio das populações de insectos está correlacionada com as revoluções verdes e o uso extensivo de insecticidas que permanecem no solo durante anos e que destroem as larvas de onde oclodiriam os novos insectos. As populações animais estão em declínio, em parte pela desflorestação e em parte pela caça. Em alguns casos a caça, especialmente de herbívoros de grande porte ou de predadores de topo, é tão ou mais responsável quanto desflorestação intensiva.

 

Isto reflecte uma realidade muito malthusiana. Não tanto pelo lado dos alimentos, mas pelo lado do desenvolvimento ou conforto ou luxos. O aumento do consumo de carne nos países em via de desenvolvimento é responsável por muitos dos actuais problemas climáticos. O desejo de ter os mais recentes brinquedos electrónicos (o iPhone 234.2 ou o iPad ou o Tesla ou a nova TV plasma-LCD curva a 360º ou as luzes LED que iluminam permanentemente por baixo da sanita para o caso de ser necessário apanhar a escova de dentes. Tudo isto, bem como todos os outros bens que poderiam ser mencionados, exigem recursos para a sua produção (ou para fornecer os serviços envolvidos), sendo que muitos deles não estarão ligados directamente ao produto (o plástico ou o metal do produto que teremos na mão) mas serão essenciais para a sua existência, na forma das cadeias de produção, nomeadamente no transporte, construção do equipamento envolvido na sua produção, equipamento auxiliar ou outros recursos (no limite até na produção do balcão da loja que vende o produto).

 

Todos estes recursos, além disso, são de via única, ou seja, não são recuperáveis. Há elementos nos sistemas de reciclagem ou reuso que ajudam a evitar esta armadilha, como o ciclo da água ou do carbono (por exemplo o CO2 libertado na queima de combustíveis é capturado por árvores que depois morrem e se afundam no subsolo acabando por dar origem a mais combustívei fósseis). A dificuldade é que não só a reciclagem nunca pode ser perfeita (a 2ª lei da termodinâmica impede-o) mas em termos de engenharia actual (ou prevista para o próximo século) não é possível sequer estar perto de 100% de eficiência. Isso significa que mesmo um hipotético cenário Soylent Green não permitiria sustentabilidade.

 

Isso significa que de um ponto de vista matemático, iremos sempre acabar por consumir mais recursos do que recuperamos num sistema fechado. No caso do nosso planeta, este problema pode ser resolvido devido aos sistemas implícitos de reciclagem do planeta (água, CO2, sais, temperatura, etc), mas estes são tão lentos que exigem uso ponderado dos recursos. No entanto a população continua a crescer e a pedir mais recursos per capita. Isso significa que continuaremos a usar mais recursos do que os que temos disponíveis e atingiremos um momento em que a procura ultrapassará a oferta. E não vale a pena defendermo-nos falando em tecnologia porque esta resolve os problemas utilizando mais de outros recursos. A revolução verde é um excelente exemplo: foi possível graças a novos fertilizantes e pesticidas, mas estes têm também os seus custos em termos de recursos de outro tipo (outras matérias primas, energia...).

 

Isto significa que, no fim das contas, Malthus acabará por ter razão. O planeta terá recursos limitados, mesmo contabilizando as entradas (energia solar, gravidade...) no sistema. O nosso ritmo de consumo, seja de forma directa (comida) ou indirecta (recursos para fertilizantes) será sempre mais intenso que a capacidade de reposição dos mesmos no planeta. Em alguns aspectos, estaremos pior (água, biodiversidade, clima) que noutros e teremos que fazer mais e mais depressa, mas em todos os aspectos o nosso desenvolvimento está a ultrapassar a capacidade que o planeta tem de o sustentar. A vingança, mesmo indesejada, acabará por chegar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


55 comentários

Imagem de perfil

De João Campos a 11.02.2019 às 16:14

O Matt Damon já mostrou como plantar batatas em Marte. Se calhar é por aí... :)

Fora de brincadeiras, se calhar algumas das soluções estão mesmo no espaço...
Imagem de perfil

De João André a 11.02.2019 às 16:33

Gostei mais do livro (surpresa!). E a versão audiobook está espectacular. Aconselho vivamente. Mas o filme está bom, especialmente pelas opções que fizeram sobre o que cortar.

Não acredito na opção "espacial". Primeiro porque ainda não estamos avançados o suficiente (basta ver o esforço que foi para colocar uma simples estação espacial em órbita) e segundo porque Marte não tem nada de útil e qualquer planeta (ou satélite) que o tenha está demasiado longe.

O mais provável é ter um colapso de uma forma ou outra e a população diminuir de forma brutal. Isto parece-me pessimista, mas falta-me optimismo não fundamentado para acreditar em soluções...
Imagem de perfil

De Pedro Vorph a 11.02.2019 às 19:01

João os chineses neste momento experimentam o cultivo de batata na Lua, com a sonda espacial cheng...qualquer cousa 4
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 09:34

Chang'e 4. Das várias sementes, terão germinado o algodão, a colza e a batata, embora apenas tenham sido transmitidas imagens do algodão. Convém lembrar que o solo e a água tiveram que vir da Terra e que este teste não indica de forma nenhuma a possibilidade de cultivo sustentável.

Houve muita ciência útil a vir deste teste, mas a Chang'e 4 trouxe a maior parte da sua ciência a partir de outros aspectos (nomeadamente demonstrar que podiam ter uma alunagem controlada no lado distante da Lua).
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 12.02.2019 às 15:20

Já estou a imaginar as dificuldades de fazer circular um trator pela superfície lunar para apanhar as batatas que tiverem sido cultivadas.

Mas vejo outra dificuldade ainda maior: como transportar milhares de toneladas de batatas da Lua para a Terra?
Imagem de perfil

De Pedro Vorph a 13.02.2019 às 08:46

Por linha férrea.
Imagem de perfil

De João André a 13.02.2019 às 09:42

Escapou-me este comentário. Parece-me óbvio que o comentário das batatas na Lua (ou noutros locais) está relacionado com o cultivo das mesmas noutros planetas (ou satélites) para consumo in situ, não para transporte para a Terra.

No entanto talvez o Luís esteja a ser irónico e fui eu quem não o percebeu :)
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 13.02.2019 às 10:09

Estava sem dúvida a ser irónico.
Para mim, é tão descabelado e ridículo pensar em cultivar batatas na Lua para as consumir na Terra, como pensar em seres humanos a viver na Lua e a consumir batatas lá.
Trata-se de duas impossbilidades, nas quais não vale sequer a pena pensar.
Imagem de perfil

De João André a 13.02.2019 às 12:41

Lá está, fui eu que não percebi. As minhas desculpas :)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 11.02.2019 às 19:27

Ainda que haja muitos desafios para superar no que à exploração espacial diz respeito, diria que o problema não é tanto tecnológico (a tecnologia existe, ou desenvolve-se) como económico (é muito difícil justificar os custos, por óbvios que sejam). E, claro, é também - sobretudo - de vontade, ou de falta dela. O que os norte-americanos fizeram numa dúzia de anos há cinco décadas foi espantoso; hoje, provavelmente todo o programa seria cancelado imediatamente após o desastre da Apolo 1.

É certo que os programas espaciais norte-americano e soviético foram, para todos os efeitos, o maior "pissing contest" da história da Humanidade; e mesmo assim foram tremendamente inspiradores. Se calhar do que precisamos para dar o salto para o vazio (no bom sentido) é de uma boa e velha competição...

Enfim, talvez o colapso fosse evitável com uma mudança profunda na forma como as sociedades estão organizadas. Como isso não deverá acontecer sem um colapso... então sim, o colapso deve mesmo ser inevitável.
Imagem de perfil

De João Campos a 11.02.2019 às 19:29

(o comentário anónimo é meu; esqueci-me de que não tinha o log-in feito)
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 09:54

O lado económico é fundamental, claro, mas o científico não é de desprezar.

Primeiro: as distâncias. No livro The Martian, Andy Weir demonstra a melhor hipótese actual para viagens espaciais tripuladas: motores iónicos. Ainda assim estamos a falar de viagens extremamente longas mesmo apenas dentro do sistema solar (às vezes esquecemo-nos que Saturno, por exemplo, está quase tão longe de Júpiter quanto Júpiter do Sol. E quando falamos de Neptuno, Úrano, a cintura de Kuiper ou a nuvem de Oort, então são distâncias tão grandes que demoraria muitos anos para uma nave espacial com apenas uns 5-10 humanos para lá chegar. E ainda não estaríamos em nenhum local útil. Próxima Centauro está a 4 anos luz e também não tem interesse para nós excepto pela proximidade...

Dentro do Sistema Solar, não há nenhum local onde a civilização poderia viver em números significativos de forma sustentável. Marte não tem atmosfera e é esse o maior problema. A água está congelada e se a usarmos para encher a atmosfera de oxigénio, ficamos sem a água. Para aquecer a atmosfera de forma a descongelar o gelo, necessitamos de quantidades industriais de CO2. Para termos CO2 precisamos de o libertar das rochas através de aquecimento (e o CO2 seria de imediato reabsorvido se a temperatura baixasse um pouco). E mesmo assim, com CO2 e O2, ainda estaríamos a 70% de ter uma atmosfera útil, uma vez que nos faltaria o azoto. E mesmo que enchêssemos a atmosfera de azoto, o problema da gravidade manter-se-ia: Marte não tem gravidade suficiente para manter uma atmosfera útil para nós. E os problemas aumentam nos outros planetas ou satélites.

Claro, é possível que amanhã alguém mude o paradigma da ciência e descubra uma forma científica para permitir a viagem mais rápida que a luz (ou contorne esse problema). A dificuldade neste momento não é simplesmente tecnológica (construir o equipamento que a ciência consegue imaginar), mas científica: não temos ideia de como seria possível ter uma viagem interestelar (ou mesmo dentro do sistema solar) em períodos que fossem compatíveis com as exigências da vida humana.

Mas concordo com a tua avaliação final. A maior mudança na sociedade humana a nível global surgiu com o final da II Guerra Mundial. Como não acredito que seja possível evitar uma nova guerra a nível mundial e como a tecnologia nos levou a um ponto onde a devastação será muito pior (mesmo com a mortalidade de 3% da população mundial como na II GM, teríamos hoje 270 milhões de mortos). Nova catástrofe do género traria certamente uma nova ordem mundial. Não sei se seria melhor ou pior, mas seria certamente diferente. E acredito que caminhamos nessa direcção.
Imagem de perfil

De Pedro Vorph a 12.02.2019 às 14:03

Falta a tecnologia que permita dobrar o espaço-tempo. Só desta forma o espaço sideral poderá ser explorado. Não é uma questão de velocidade, pois não existe velocidade que permita explorar um espaço infinito. Falta-nos a matemática
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 21:13

Isso é domínio da ficção científica (pelo menos penso que sim, não é a minha área mas nunca ouvi falar nem li sobre essa possibilidade como uma teoria real) e não tanto da ciência. Claro que a ficção científica muitas vezes antecipa a ciência, mas não há uma teoria que o permita realmente. O mais próximo são as pontes de Rosen-Einstein, vulgos buracos de verme, que poderão ser teoricamente possíveis em algumas condições mas ninguém tem sequer a ideia de como poderiam ser criadas (ou capturadas, se primordiais). Não seria uma questão de tecnologia, mas de solução teórica.

Claro, se existir algum trabalho sobre o assunto de que eu nunca tenha ouvido falar, esteja à vontade para o referir :).
Imagem de perfil

De Pedro Vorph a 13.02.2019 às 08:54

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Propulsão_Alcubierre

Propulsão Alcubierre - baseada na Teoria da Relatividade, tal como os "buracos de verme".


https://youtu.be/nEp8I6E3YCs


Imagem de perfil

De João André a 13.02.2019 às 09:34

Só tinha ouvido falar mas ainda não tinha lido nada em maior profundidade. É uma solução elegante, mas parece conter as mesmas dificuldades teóricas que os buracos de verme: uma vez estabelecida a solução, ela parece ser consistente. O problema é estabelecer a solução inicialmente, dado que Alcubierre não oferece uma opção de como lá chegar.

Para esclarecer. Isto seria o mesmo que dizer que uma vez dentro de um veículo aéreo, seria possível manobrá-lo e chegar ao destino mais depressa. No entanto não encontrar forma de fazer esse mesmo veículo levantar do solo (ou seja, levantar voo). Não seria tanto uma questão de como o conseguir (asas para permitir área suficiente para o efeito de Bernoulli actuar sobre o veículo pesado) mas antes o modelo teórico que o permitisse (o efeito Bernoulli ser desconhecido).

Não quer dizer que não venha a ser descoberto a solução para o problema. Só que estamos aparentemente tão longe de conhecermos sequer as questões que devemos colocar que é difícil imaginar tais soluções a surgir nas próximas gerações. A maior dificuldade parecem ser as violações da relatividade geral (que Alcubierre resolve) mas que exigem soluções quânticas para serem implementadas. Uma vez que ainda não existe ligação entre as duas (falta uma teoria da relatividade quântica), não é possível resolver estas dificuldades. Seria como resolver o problema de conduzir um carro usando teorias genéticas....
Imagem de perfil

De Pedro Vorph a 11.02.2019 às 18:58

Os chineses estão neste momento a fazê-lo na Lua. Plantar batatas
Imagem de perfil

De Pedro Vorph a 11.02.2019 às 16:19

Isto reflecte uma realidade muito malthusiana. Não tanto pelo lado dos alimentos, mas pelo lado do desenvolvimento ou conforto ou luxos

Excelente artigo

https://www.youtube.com/watch?v=18LTa6W8wtI
Imagem de perfil

De João André a 11.02.2019 às 16:39

E faltam aqui muitos elementos que não estão considerados. A disponibilidade de minerais para baterias, que são vistas como uma das soluções para a energia, é um enorme problema. Se a quota de automóveis eléctricos fosse de 30%, não haveria minerais suficientes para sustentar essas baterias.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 17:52

Esta coisa dos automóveis elétricos sempre me pareceu um logro de todo o tamanho. Basta saber um bocado de física para se perceber que não se ganha energia nenhuma - pelo contrário, perde-se - se, em vez de se queimar o combustível no motor do automóvel, se o queimar numa central elétrica. E não me venham com a treta das energias renováveis - a eletricidade é 20% do consumo de energia primária, os transportes são o dobro (40%), e se nem eletricidade renovável suficiente conseguimos produzir, como é que conseguiríamos também produzir eletricidade para alimentar a frota de transportes?
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 09:59

O conceito de uso de baterias, seja nos automóveis ou noutro sistema, é sempre de energia negativa. As baterias são usadas para guardar energia. Em caso de excesso de produção de energia (picos de energia eólica, solar, etc), as baterias são úteis.

Mesmo no caso de energias fósseis, o uso de baterias em carros seria teoricamente útil. A produção da electricidade seria por gás natural (menos poluente que petróleo ou carvão) e seria de forma a produzir electricidade suficiente para carregar os carros que não necessitariam de petróleo para andar.

Da mesma forma seria possível guardar energia eléctrica por exemplo de um parque de energia fotovoltaica que produziria durante o dia mais que o suficiente para a rede e o resto iria para um sistema de baterias, para ser usado durante a noite ou em dias de menor exposição solar.

Mas não é uma "silver bullet". Disso não existe. O mesmo para o hidrogénio. O que é necessário é um sistema de soluções e as baterias seriam parte desse portfolio de soluções.
Imagem de perfil

De Pedro Vorph a 11.02.2019 às 18:59

Não sabia. Obrigado pela informação.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 17:11

a produção agrícola disparou, especialmente através da Revolução Verde

A Revolução Verde, a seguir à 2ª Grande Guerra, consistiu essencialmente na introdução de variedades de sementes melhoradas.

No entanto, a produção agrícola começou a aumentar ainda muito antes disso, desde a desponibilização, na 1ª Grande Guerra, do fantástico processo Haber-Bosch (talvez os dois maiores benfeitores da humanidade de todos os tempos!), que permitiu produzir adubos químicos azotados que aumentaram brutalmente o crescimento das plantas.
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 10:03

Não quis entrar pelo lado do processo Haber Bosch por questões de brevidade. O seu uso disparou após a II Guerra Mundial, antes disso foi muito usado para a produção de percursores de explosivos ou munições. Foi graças aos outros desenvolvimentos tecnológicos que se tornou mais usado.

Haber e Bosch receberam prémios Nobel pelo seu trabalho. Exemplos de prémios perfeitamente atribuídos.
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 10:05

E, claro, o processo Haber-Bosch necessita de energia. É o tal equilíbrio de recursos. Obtemos recursos alimentares mas perdemos recursos energéticos e polúímos mais.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 17:15

as luzes LED que iluminam permanentemente por baixo da sanita

Os japoneses têm umas sanitas muito evoluídas, que largam bom cheiro e música, ao que parece. São feitas para que as pessoas possam estar confortavelmente sentadas nelas durante muito tempo, sem se sentirem incomodadas por eflúvios desagradáveis, em vez de estarem em salas de estar minúsculas e sem privacidade.
Sem imagem de perfil

De André Miguel a 12.02.2019 às 11:41

LOL

Lavourada da semana
Imagem de perfil

De Diogo Noivo a 12.02.2019 às 17:08

Vi o Luís Lavoura com estes olhos que a terra há de comer. Mas leio comentários como este e penso que tudo foi uma alucinação. Só pode.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 12.02.2019 às 17:20

Aquilo que escrevi no meu comentário foi lido numa revista Economist há já uns bons meses. Não é invenção minha, que nunca estive no Japão nem nunca vi uma sanita dessas. Mas parece que já são exportadas para alguns países, segundo esse artigo.
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 21:20

Não sei de todos os pormenores, mas os japoneses são de facto obcecados por estes detalhes nas sanitas. E se não encontro o artigo específico que o Luís Lavoura refere, ficam dois onde essa obsessão é referenciada explicitamente:

https://www.economist.com/business/2017/11/11/japans-top-two-lavatory-makers-are-at-last-making-inroads-overseas

https://www.economist.com/china/2017/12/07/china-plans-one-last-push-in-the-toilet-revolution
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 13.02.2019 às 09:38

Obrigado pelo trabalho de pesquisa da Economist. O artigo que eu referi, onde se fala de sanitas que largam perfume, é provavelmente o primeiro dos que lincou.
Imagem de perfil

De João André a 13.02.2019 às 09:41

De nada Luís. Confesso que aprecio o conceito da "Lavourada da Semana" (sem ofensa) mas tem que ser merecido. No caso acima, não o seria. Sejamos rigorosos :)

Abraço.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.02.2019 às 18:43

Isso foi para ter uma publicação no Delito de Opinião dedicada a si?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 11.02.2019 às 17:54

A previsão de Malthus apontava para a falta de recursos quando a população mundial duplicasse de 30 em 30 anos.
Malthus foi desconsiderado por notar que os mais desfavorecidos tinham mais filhos e advogar algum tipo de bloqueio à procriação desses desfavorecidos, para evitar a proliferação da miséria.
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 10:04

A especificidade das previsões de Malthus não estava correcta (até por isso largo o ponto dos alimentos relativamente cedo) mas pego essencialmente pelo lado dos recursos. Aí, mesmo que ele não otenha previsto, ele estava, no essencial, correcto.
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 12.02.2019 às 11:45

É notável - num mau sentido - a facilidade com que certas pessoas, que ainda por cima clamam ser cientistas, fazem (com tanta confiança!) previsões em assuntos nos quais a história mostra... que é precipitado fazê-las. Também porque, tantas vezes, a ciência, através de novos métodos, processos, tecnologias, obsta a que os piores cenários se concretizem.

Nenhuma das catástrofes climáticas e populacionais anunciadas nas últimas décadas se concretizou, e, mesmo assim, há sempre alguém que insiste que elas são inevitáveis. Poderia sugerir que se dedicassem a escrever ficção científica, mas, na verdade, e de certa forma, já o fazem...
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 21:23

Não entendo se os seus comentários têm origem em cegueira ideológica, ignorância ou falta de inteligência. Sinceramente não me interessa, porque não discutirei consigo.

Mas não deixo de me admirar que haja pessoas que são capazes de usar os avanços da ciência e tecnologia para tentar desacreditar outros que vêem como inconvenientes. Faz-me lembrar os fascistas que usam a liberdade da democracia para a atacar. E ainda mais irónico quando hoje em dia uns e os outros são frequentemente os mesmos.
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 13.02.2019 às 13:25

Você diz que não discutirá comigo… porém, ao responder-me, está a fazer exactamente isso. E com insultos, o que é típico de quem não tem argumentos nem factos que sustentem as suas posições. Afinal, quem é verdadeiramente «cego», quem é que efectivamente «nega» a realidade? Não eu, de certeza, que, por exemplo(s), nunca afirmei, nem acreditei, que agora Miami e Nova Iorque estariam submersas ou que a neve na Europa seria uma coisa do passado.
Imagem de perfil

De João André a 13.02.2019 às 13:37

Observações não são discussões. Não discuto com quem não entende ou não quer entender a ciência indiscutível e basta querer procurá-la (não vou explicar nada a quem prefere ignorar/não compreender/ser cego). Negue o que quiser, está no seu direito. Quanto a mim deixo até de fazer observações aos seus comentários.

Boa tarde. E não ligue a essa luz brilhante, não é o sol, isso é mentira dos cientistas.
Sem imagem de perfil

De Octávio dos Santos a 13.02.2019 às 23:15

«Ciência indiscutível»? «Indiscutível»?! E depois eu é que sou o «fascista»… Há quem tenha dificuldade em distinguir e separar a ciência da religião; nesta, sim, é que existem dogmas que requerem fé, obediência, e dispensam factos que os provem. Aliás, o conceito de «negacionistas» (do «aquecimento global», seja ele antropogénico ou não) é compreensível vindo daqueles que se comportam como novos «inquisidores», exigindo que os «hereges» climáticos se calem ou sejam silenciados, quando não presos e até mortos.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 12.02.2019 às 12:49

João, obrigada por este teu artigo, tão interessante. É importante escrever sobre ambiente da forma como o fizeste, pois não tenho dúvidas de que a falta de cultura científica potencia o negacionismo que se manifesta em tanta gente, relativamente às questões ambientais.
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 21:24

De nada Teresa. E nem é muito cietnífico, senão pelo método de reflexão. E quanto a negacionistas, vê o comentário antes do teu... :)
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 14.02.2019 às 19:17

LOL! Nem de propósito...
Sem imagem de perfil

De Bea a 12.02.2019 às 13:45

e será que a essa tanta gente interessa o post ou sequer sabe sentir a sua acuidade?
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 21:24

Não sei. Eu apenas posso escrever sobre o assunto.
Sem imagem de perfil

De Bea a 13.02.2019 às 17:19

Suponho eu, talvez erradamente, que os posts mais extensos são pouco lidos e só por gente interessada e que já domina o assunto ou tem umas ideias sobre ele. Não queria com isto dizer que não escrevesse. Eu li e gostei:). É minha convicção que as pessoas estão cada vez mais impacientes e não são dadas a muita leitura.
Imagem de perfil

De Diogo Noivo a 12.02.2019 às 17:07

Bom texto, João. Interessantíssimo pelo que se aprende sobre a matéria de facto e pela análise de quem conhece o tema.
Imagem de perfil

De João André a 12.02.2019 às 21:26

Obrigado Diogo. Repara que evitei ser muito científico. Não falei nos mecanismos de feedback no clima, nem entrei em detalhes sobre as nossas necessidades energéticas e o impacto que o insecticídio a que estamos a assistir pode ter no nosso planeta. Deixei tudo mais geral. Apenas tentei colar os assuntos.

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D