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A via portuguesa [pub]

por Diogo Noivo, em 08.08.19

Captura de ecrã 2019-08-08, às 10.34.40.png

 

Portugal faz as primeiras páginas em Espanha. A “vía portuguesa” – vulgo “geringonça” – é apontada por muitos como a solução ideal para resolver o impasse governativo no país vizinho. No jornal digital The Objective, um periódico espanhol feito por gente notável e desempoeirada que lê muito e bem (e escreve melhor ainda), assino um artigo de opinião onde analiso os limites da via portuguesa como salva-vidas político. O texto pode ser lido aqui.  


23 comentários

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De Miguel a 08.08.2019 às 10:58

Bom, o desinvestimento não começou com a geringonça. Por outro, nenhum grande país europeu está mais bem preparado do que há dez anos para a próxima crise financeira: o que há é , como então, países com maior poder de fogo capazes de fazer cair o peso da fragilidade dos seus sistemas bancários sobre os ombros dos mais fracos. Ser mais rico e mais "desenvolvido" tem, como seria de esperar, as suas vantagens políticas.
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De Diogo Noivo a 08.08.2019 às 11:03

Nenhum? Muito me conta, Miguel. Bom, a não ser que o "grande" sirva para limitar o universo de países - mas, sendo assim, Portugal também não entra no lote.
É um facto que o desinvestimento não começou agora, mas foi agora que chegou a mínimos históricos. Tal como a carga fiscal, que também faz história, mas pelos máximos.
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De Luís Lavoura a 08.08.2019 às 11:47

O facto de a carga fiscal estar no máximno não é necessariamente mau.

(1) Se grande parte da população estiver desempregada e subsistir de apoios sociais, então essa parte da população não paga impostos. Se, pelo contrário, toda a população estiver empregada, então os impostos serão maiores. Os impostos são portanto maiores na situação mais desejável (a de pleno emprego).

(2) Se toda a gente se deslocar de bicicleta ou de carro de bois, então os impostos sobre o transporte serão nulos. Se as pessoas se deslocarem de automóvel, então pagarão abundantes impostos sobre o gasóleo. Mais uma vez, os impostos são maiores na situação mais desejável (a de maior consumo e maior conforto).
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De Diogo Noivo a 08.08.2019 às 11:53

"War is peace. Freedom is slavery. Ignorance is strength."
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De Luís Lavoura a 08.08.2019 às 11:51

o desinvestimento não começou agora, mas foi agora que chegou a mínimos históricos

O facto de o investimento público ser baixo não é necessariamente mau. Pode querer dizer que todo o investimento público razoavelmente lucrativo já foi realizado no passado e que só restam para fazer investimentos com pouco retorno. É esse em grande parte o caso de Portugal, que tem das melhoes redes viárias da Europa, tem em muitas regiões mais hospitais do que o que é razoável, e tem escolas superavitárias devido à queda da natalidade.
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De Diogo Noivo a 08.08.2019 às 11:56

"(...) if thought corrupts language, language can also corrupt thought."
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 08.08.2019 às 13:06

Os mais fracos presumo que sejam os que crónicamente têm vivido acima das suas possibilidades (falo no Estado, e na gestão amadora da Banca, e não das gentes).

Portugal com os milhares de milhões de fundos europeus desde 90, é como o rio de S. Pedro de Moel. Nunca desagua.

Recomendo aos delituosos o excelente documentário, A Crónica do Século. Para quem nos quer ler o futuro recomendo que deite o olhar para trás.

https://youtu.be/PG1-OF8WPyo
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De Miguel a 08.08.2019 às 19:08

Pois, pois, ... a diferença essencial entre a banca portuguesa e a alemã ou a francesa é que, ao contrário destas últimas, não está à altura de levar consigo a Europa (e o resto) água abaixo.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 09.08.2019 às 14:42

hmmmm….depende da exposição da banca francesa e alemã à banca portuguesa.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 08.08.2019 às 11:25

Começaram por dizer que vinha o diabo. Depois que a geringonça não duraria 4 anos. Agora afirmam, como os pastorinhos, que da próxima é que o sol bailará. Que crédito merecem estes oráculos?
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De Diogo Noivo a 08.08.2019 às 11:38

Comentário ao lado, caro Vorph: nunca disse que vinha aí o diabo (mas virá, inevitavelmente) nem que a geringonça não durava uma legislatura. E, claro, não sou oráculo.
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 08.08.2019 às 12:58

O comentário não era dirigido ao Diogo. Era um desabafo de alguém que já anda abafado com o que vê.

Um Bloco vendido, que mostrou a sua raça, ao entrar "na solução governativa", uma oposição inexistente e uma abstenção esmagadora ,permitirão ao PS continuar as prebendas, as revisões constitucionais (os Socialistas a reverem a Lei da Greve vai ser de partir o coco a rir) e a governar. Portugal e os portugueses dão-se bem com regimes autoritários, capitalistas, mas não neo-liberais (Estado minimo), priviligiando a Ordem à Liberdade. Falta um Partido Conservador Autoritário em Portugal (não confundam com racista, xenófobo. Os portugueses não entram nessas cantilenas, a sério. Isso é desabafo logo esquecido após um prato de tremoços)

Parabéns pelo artigo, Diogo.
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De Diogo Noivo a 08.08.2019 às 13:09

Pois desabafe. E obrigado, Vorph.
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De Justiniano a 08.08.2019 às 15:02

Caro Vorph, quem teria a vocação, quase natural, para o tal partido conservador, mais ou menos autoritário, não lhe quer vestir o traje! Ficam-se pelo mais ou menos autoritário!!
Vivemos um tempo de progressistas, positivistas e idealistas que, roguemos, sejam inconsequentes!!
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 08.08.2019 às 15:47

Autoritário, Conservador, mas não neo-liberal (privatização de serviços como educação, saúde, segurança social). O país é pobre demais para essas sonhos americanos. O grande problema, Justiniano, é que para reformar o tecido económico português teriamos de proteger a indústria nacional e fomentar determinados sectores sobre outros ( como fez a Inglaterra e os EUA nos idos XIX e Salazar, no XX), impossibildade enquanto na UE.
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De Justiniano a 08.08.2019 às 16:46

Sem dúvida, caro Vorph, está-nos, circunstancialmente, vedada a via do neomercantilismo de XIX e XX (Só praticável no grande sistema nacional) (Devemos, contudo, pensar em Portugal para além das contingências e circunstancias do presente anestesiado. E não podemos partir do pressuposto da perpetuidade da UE. Ou sequer da perpetuidade de Portugal.)
Creio, contudo, que o maior problema para Portugal, e para o Ocidente, advirá não da devastação económica mas da decadência cultural e social! Os sinais são abundantes!!
Tomemos o exemplo de Espanha onde a hipnose económica, tal como em Portugal, esconde uma profunda e evidente decadência social e cultural!
O Conservadorismo autoritário, como António Oliveira ou Francisco Bahamonde, é a resposta redentora da civilização ao caos de sociedades profundamente doentes. É o limite do horizonte de eventos no limiar entre a civilização e a barbárie!! Em ambos os casos, quer subsista a civilização ou a barbárie, para além desse limite de eventos há sempre um enorme preço em sangue a pagar!!
Ainda aí não chegámos, mas testam-se todos os limites recomendados pelos manuais de resistência estrutural de materiais!!
E releve a inclinação meio apocaliptica do meu comentário. É do tempo!!
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De Vorph "Girevoy" Valknut a 08.08.2019 às 18:31

Como dizia o Pessoa, o Falhanço total de tudo é culpa de todos, e o falhanço de todos culpa de tudo
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De Justiniano a 08.08.2019 às 20:37

Vivemos um século em que não nos compete inventar palavras novas. Compete-nos, apenas, inventar novas maneiras de dizer as mesmas palavras. Almada Negreiros


Um grande bem haja, caríssimo Vorph
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De Justiniano a 08.08.2019 às 17:00

Muito interessante, caro Diogo.
E está muito em voga citar Unamuno, em Espanha!!
Um bem haja,
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De Diogo Noivo a 09.08.2019 às 11:21

Obrigado, Justiniano. Se está em voga, então há muita gente a ler mas pouca gente a perceber.
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De Pedro Correia a 08.08.2019 às 18:43

Muito bom, o teu artigo, Diogo. Parabéns.
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De Diogo Noivo a 09.08.2019 às 11:22

Muito obrigado, camarada Pedro. Abraço amigo

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