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A União Europeia em questão.

por Luís Menezes Leitão, em 23.04.17

Se há coisa que demonstra que a União Europeia não passa de um gigante com pés de barro é precisamente o facto de tremer como varas verdes de cada vez que há uma eleição num dos seus estados mais fortes. A verdade é que a União Europeia é composta presentemente por 28 países (até à saída do Reino Unido), pelo que poderia perfeitamente perder um ou dois países sem consequências de maior. Só não sucede assim porque a construção europeia é artificial, sendo apenas uma estrutura de domínio dos Estados pequenos pelos grandes. Para inglês ver, lá puseram um parlamento europeu sem iniciativa legislativa onde os deputados falam sozinhos e uma comissão, que deveria ser independente, mas faz tudo o que os Estados grandes mandam. A Europa foi preparada para ser gerida por quatro grandes Estados: Alemanha, França, Reino Unido e Espanha. Por isso, se algum deles sair, como aconteceu com o Reino Unido, e poderia acontecer com a França, a estrutura cai como um castelo de cartas.

 

Vale por isso a pena perguntar se se justifica manter este castelo de cartas. Da minha parte, sempre preferi viver num país livre do que aprisionado numa mentira. Actualmente vivemos com uma moeda que não podemos pagar, beneficiando de compras de dívida feitas pelo Banco Central Europeu, já que, sem isso, os nossos juros disparariam. Corremos permanentemente o risco de que em qualquer eleição ou referendo num dos grandes Estados alguém diga que já basta de financiar os povos do Sul. E perante este risco, dizem apenas que a União Europeia garante a paz na Europa. Bem, Portugal não tem uma guerra no seu território europeu há quase duzentos anos, sendo que só tivemos que participar numa guerra na Europa em 1917 porque a República assim o decidiu e a mesma consistiu apenas numa expedição à Flandres. Mas que hoje a Europa está em guerra, isso ninguém tem dúvidas, como o atentado de Paris demonstra. E que tem feito a União Europeia para resolver esse assunto? Absolutamente nada.

 

Por muito que continue o discurso de fé na construção europeia, a verdade é que a mesma está a ser questionada em todo o lado. Ou a União Europeia sofre uma reforma profunda ou acaba. Só não vê quem não quer.

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10 comentários

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De Vento a 23.04.2017 às 12:29

Os ditos populismos que muitos depreciativamente acusam são precisamente a revelação dessa transformação que está a ocorrer na Europa.

No entanto a Europa não é a Alemanha, França, Reino Unido e Espanha, a Itália tem mais peso e até mesmo em matéria de coesão interna.
Acredito também que se confunde as bases da construção europeia. A União que começou por ser estabelecida com a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço) tinha pressupostos diferentes daqueles que vigoram desde a queda do muro de Berlim. Esses pressupostos visavam superar os conflitos fronteiriços entre a Alemanha e a França, pós II Guerra, pelo acesso aos recursos minerais existentes e que eram determinantes tendo em conta a escassez e o colapso económico que então se vivia na Europa. Para isso estabeceu-se o Plano Schuman que determinava a utilização conjunta desses recursos.
Assim, em 1952 Juntaram-se a Alemanha, França, Itália e os países do Benelux, ainda a França possuía a sua IV República, a Argélia (em 1967 surge a CEE).
Texto parcial da Declaração Schuman:
"A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à medida dos perigos que a ameaçam.
O contributo que uma Europa viva e organizada pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacificas. A França, ao assumir-se desde há mais de vinte anos como defensora de uma Europa unida, teve sempre por objectivo essencial servir a paz. A Europa não foi construída, tivemos a guerra.
A Europa não se fará de uma só vez, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem em primeiro lugar uma solidariedade de facto. A união das nações europeias exige que seja eliminada a secular oposição entre a França e a Alemanha.
Com esse objectivo, o Governo francês propõe actuar imediatamente num plano limitado mas decisivo.

O Governo francês propõe subordinar o conjunto da produção franco-alemã de carvão e de aço a uma Alta Autoridade, numa organização aberta à participação dos outros países da Europa.
A comunitarização das produções de carvão e de aço assegura imediatamente o estabelecimento de bases comuns de desenvolvimento económico, como primeira etapa da federação europeia, e mudará o destino das regiões durante muito tempo condenadas ao fabrico de armas de guerra, das quais constituíram as mais constantes vítimas.
A solidariedade de produção assim alcançada revelará que qualquer guerra entre a França e a Alemanha se tornará não apenas impensável como também materialmente impossível. O estabelecimento desta poderosa unidade de produção aberta a todos os países que nela queiram participar e que permitirá fornecer a todos os países que a compõem os elementos fundamentais da produção industrial em condições idênticas, e lançará os fundamentos reais da sua unificação económica.

Esta produção será oferecida a todos os países do mundo sem distinção nem exclusão, a fim de participar no aumento do nível de vida e no desenvolvimento das obras de paz. Com meios acrescidos, a Europa poderá prosseguir a realização de uma das suas funções essenciais: o desenvolvimento do continente africano. Assim se realizará, simples e rapidamente, a fusão de interesses indispensáveis para o estabelecimento de uma comunidade económica e introduzirá o fermento de uma comunidade mais larga e mais profunda entre países durante muito tempo opostos por divisões sangrentas.

Esta proposta, por intermédio da comunitarização de produções de base e da instituição de uma nova Alta Autoridade cujas decisões vincularão a França, a Alemanha e os países aderentes, realizará as primeiras bases concretas de uma federação europeia indispensável à preservação da paz.

O Governo francês, a fim de prosseguir a realização dos objectivos assim definidos, está disposto a iniciar negociações nas seguintes bases.

A missão atribuída à Alta Autoridade comum consistirá em, nos mais breves prazos, assegurar:
A modernização da produção e a melhoria da sua qualidade;
O fornecimento, em condições idênticas, de carvão e de aço aos mercados alemão, francês e dos países aderentes;
O desenvolvimento da exportação comum para outros países;
A harmonização no progresso das condições de vida da mão-de-obra dessas indústrias...."
O texto continua na página seguinte.
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De Vento a 23.04.2017 às 12:30

Acontece que após o início de todas essas intenções, com particular incidência no pós queda do muro, e escudados em tais boas intenções, surgiram os pelintras dos ditos mercados financeiros, que foram também tomando mão dos governos e dos recursos naturais em várias paragens do globo, secundados por legislação que os apoiava e apoia através das mais diversas organizações supranacionais.
São precisamente estas estruturas que necessitam ser renovadas e reformadas, para que se possa contribuir para uma Paz duradoura e levar a estabilidade às populações de todos os continentes.
Sim, é importante a Fé, mas uma Fé séria e consistente com a matriz desta palavra. Esta matriz também tem vindo a ser banida da Europa e das organizações supranacionais, onde se incluía a ONU. Esta matriz é cristã, e sendo cristã é inclusiva e respeita a diferença sem desvirtuar-se a si mesma. São os governos, a soldo de interesses e personagens encapuçadas, que têm vindo a banir este elemento fundamental, inclusive fazendo cruzadas contra a Cruz nos locais públicos num continente que possui esta matriz.

Não se estranhe portanto que a este fundamentalismo tenham surgido, com sentido e propósitos contrários, algumas facções extremistas e fundamentalistas que semeiam o terror.
A laicidade foi usada para tentar descaracterizar, e até mesmo doutrinar, os elementos essenciais de identidade e união nas nações, per si e em conjunto.
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De Jorge Nunes a 23.04.2017 às 15:20

Peço desculpa por não comentar o corpo da publicação, mas faz-me sempre impressão o esquecimento dos mortos Portugueses em África na I Guerra Mundial, que por acaso até foram mais do que na Flandres. Mas apenas desses as pessoas se lembram.
A I GM também ocorreu em Angola e em Moçambique e foram vergonhosas para as tropas portuguesas essas campanhas. Talvez por isso não se fale delas. Grande parte das mortes ocorridas foram devidas à desorganização. Mortes por fome e doença. O exército Alemão passeou alegremente pelo interior de Moçambique.

Cumprimentos

JDN
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De Luís Lavoura a 23.04.2017 às 17:48

Bom e oportuno comentário.
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De Nebauten a 24.04.2017 às 08:40

Foram vergonhosas todas as campanhas portuguesas. Só contra tribos de lança e escudo nos safámos bem. Na IGG estavamos tal mal equipados que os ingleses nem nos queriam aceitar. Mas a bem da modernidade do regime lá conseguirmos que nos aceitassem
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De lucklucky a 25.04.2017 às 00:11

Excelente Jorge Nunes. Ia mesmo colocar essa informação.
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De V. a 23.04.2017 às 18:00

Subscrevo. E abaixo a República.
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De Vento a 23.04.2017 às 22:41

O Luís está mais optimista agora? França vai ter uma geringonça, e vai resultar.
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De cristof a 24.04.2017 às 04:30

Eu quando ia as reuniões do partido também estava rodeado por militantes por todo o lado; ficava convencido que todos a minha volta eram contra. Nas eleiçõers é que caía na real e via que ermos muitos (0,43 %). Contra a UE também os palhaços que escrevem acham que são muitos, porque falam muito (presumo que na maioria dos casos, mentiras ou dito com mais suavidade , verdades alternativas.
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De lucklucky a 25.04.2017 às 00:15

"Só não sucede assim porque a construção europeia é artificial, sendo apenas uma estrutura de domínio dos Estados pequenos pelos grandes. Para inglês ver, lá puseram um parlamento europeu sem iniciativa legislativa"

Que lógica mais esquisita.
Se o parlamento tivesse iniciativa legislativa os estados grandes ainda dominariam mais pois o voto dos seus habitantes teriam ainda mais impacto.

É o facto de o poder do voto não ser total que impede a vitória sempre dos que têm mais votos.

Pois há diferenças entre países, por isso é que ainda existem.

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