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A tradição já não é o que era

por José Meireles Graça, em 04.11.19

Os partidos tradicionais, com excepção do PS, estão-se a esfrangalhar debaixo do nosso nariz.

O PCP era o refúgio dos operários mal pagos que odiavam o Mercedes do patrão, dos velhos intelectuais antifascistas que o regime anterior maltratou e perseguiu, e do lúmpen alentejano que uma terra pobre deixava na miséria. Mas operários há menos, de indústrias mais pequenas e com grande taxa de mortalidade, pertencentes a patrões sufocados por uma fiscalidade voraz e inquisitorial; os velhos estão a morrer, e os novos marxistas são da versão gramsciana porque a da Bayer abriu falência em 1989; e os vários programas para desprotegidos, desempregados e reformados com que a esquerda, e ocasionalmente a direita, compraram fidelidade e votos, mais o reforço dos meios das autarquias locais, que se transformaram em empregadoras-mores, foram lentamente desarmando a bomba do ressentimento, tanto e tão bem que bastiões do PCP se transformaram em bastiões do PS. A actual direcção do partido dos trabalhadores, aterrorizada com o que poderia fazer o fascista Passos, depois de liberto da troica, puxou para cima de si a tampa do caixão, aliando-se ao figadal inimigo PS e afugentando a clientela, que se foi acolher sob as asas protectoras e modernas do Bloco, quando não emigrou para paragens ideológicas mais longínquas.

O Bloco aburguesou-se: disponibilizou um untuoso conselheiro para o Estado e o Banco de Portugal, do seu ventre revolucionário brotou pelo menos um empreendedor de modernidades imobiliárias, fornece habitualmente comentadores para as televisões mainstream e já um ou outro dirigente, se espremido, se confessa social-democrata – está aqui está a distribuir ex-dirigentes por empresas públicas, bancos e grandes grupos do ramo das mercearias e utilities.

O PSD descobriu que tinha dentro de si não apenas tendências, como os outros partidos também têm mas menos barulhentas, mas dois partidos inconciliáveis: um o de Passos e Miguel Morgado, outro o de Rui Rio. O primeiro chegou à conclusão que a social-democracia nórdica, que entretanto até mesmo nos países de origem se tornou num fantasma de si mesma, não casa nem com a demografia actual, nem com a globalização, nem com taxas de crescimento exangues, se é que alguma vez nos conveio; e o segundo amarrou-se a um teimoso impenitente, regionalista primário e obcecado com a Justiça e o jornalismo decadente, cujas diferenças em relação ao novo PS são de estilo e quadros, não de substância, sob o alto patrocínio de um intelectual que não entende hoje, como não entendeu quase nunca, o mundo que o rodeia. Estes dois partidos poriam em surdina as suas divergências se, estando no Poder, houvesse lugares para distribuir. Para lá chegar, porém, precisam de se unir. Não o farão.

O CDS sempre conciliou dentro de si com alguma dificuldade as três capelas que o compõem, e sempre foi obrigado a confiar num líder que, sem ostracizar excessivamente nenhuma delas, tivesse a autoridade bastante para garantir uma unidade estratégica. Partido tradicionalmente minoritário, porque nasceu quando os outros já tinham abarbatado os lugares no aparelho do Estado, e sendo visto inicialmente como o depósito do remanescente vencido da Velha Senhora, nunca teve vida fácil. Daí que quem o dirija tenha muito menos margem para erros tácticos, e mais ainda estratégicos. Assunção navegou sempre à vista, deslumbrou-se com o resultado nas autárquicas em Lisboa, que imaginou projectáveis para o país, o eleitorado não lhe tolerou as hesitações e os erros, e cada uma das capelas concluiu, e trombeteia, em particular a que nega ser, mas é, confessional, que com ela é que o CDS não sei quê.

Quanto aos novos partidos:

O PAN não é bem um partido, é mais uma anedota servida por rousseaunianos demasiado ignorantes para sequer assim se imaginarem, fornecendo uma estrutura reivindicativa e respeitabilizadora para sentimentalismos antropomórficos. Pode servir de muleta para o PS, que lhe comprará alguns dos delírios em troca de apoio, mas o seu moderado sucesso não deve estar longe do limite: o entusiasmo com a legislação protectora dos animais domésticos durará até os respectivos donos se derem conta de que o não são, apenas guardiães forçadamente extremosos (os animais têm uma sorte que não cabe aos velhos exilados em instituições da terceira idade), e logo que bandos de cães ferais ataquem velhos ou crianças; assim como é apenas uma questão de tempo até que os grupos sociais que não subscrevem as pieguices panianas, nem as pulsões ditatoriais em matéria de alimentação e comportamentos, comecem a exigir que esta escumalha demente e imberbe regresse às bolhas das redes sociais, de onde nunca deveria ter saído.

O Livre é um partido pessoal de um radical egocêntrico e palavroso saído das coudelarias do Bloco, e depositário das maluqueiras reviso-esquerdistas que, com origem nos EUA, têm vindo a tomar conta dos campus universitários em todo o mundo. São igualitaristas à outrance, feministas raivosos, internacionalistas, e depositários de conceitos exóticos como a interseccionalidade, óptima para doutoramentos em tretas ininteligíveis, excepto para os Boaventuras Sousa Santos desta vida. São também completamente a favor da liberdade de opinião, desde que de esquerda, e do capitalismo, desde que, por via fiscal, depurado dos seus efeitos até realizada a perfeita igualdade material entre os cidadãos (dito de outro modo, os meios de produção pequenos e médios não devem ser nacionalizados, mas sim o seu rendimento – uma concepção de capitalismo suicidário que o Bloco também partilha, Deus nos dê paciência).

Este Livre é um nado-morto: inaugurou o seu primeiro dia no Parlamento com a entrada triunfante da eleita Joacine, acolitada por um assessor de saias. Ou seja, uma negra que assumidamente acha um triunfo ser eleita por causa da cor da sua pele (ao contrário de Obama, que foi eleito apesar de), como se esse facto não devesse ser uma irrelevância, da sua gaguez, como se ela a recomendasse para o exercício do cargo, e que se fez acompanhar de um homem que se veste de mulher, como se o Parlamento fosse o sítio indicado para estabelecer regras em modas e bordados.

A IL é um caso sério. Sangrou o CDS na sua ala liberal, e com isso enfraqueceu-o (tal como o Chega, por outras razões), mas há motivos para as doutrinas liberais, em Portugal, nunca terem levantado voo (nas últimas décadas; em tempos mais recuados as razões são diferentes): é que o regime saído do 25 de Abril criou, à sombra do Estado, uma mole de dependentes feita de funcionários, reformados, pensionistas, subsidiados, as suas famílias, que constituem hoje o partido do Estado. E naqueles serviços que o eleitor estima, e não dispensa, como o SNS ou a Educação, a propaganda sufocante de esquerda fez passar com sucesso a ideia de que a propriedade pública dos estabelecimentos era indissociável da universalidade e eficiência. Este nó só poderá ser desatado por uma nova crise, ou, se ela tardar, pela constatação melancólica e lenta de que Portugal se atrasa paulatinamente em direcção a todas as caudas. Entretanto, a IL fará, com maior visibilidade, a mesma propaganda e pedagogia que os seus simpatizantes vêm fazendo há muito nas redes sociais. Com que resultados, é cedo para dizer.

O Chega é um partido de protesto contra o politicamente correcto, e tenderá portanto a sobraçar as causas conservadoras e securitárias, ambas ofendidas por toda a sorte de esquerdismos dirigistas e engenharias sociais sortidas. É o partido dos indignados de direita. Espaço tem porque preenche um vácuo; e muito não será, porque Portugal não é a América republicana.

Que sairá deste caldeirão? Que a direita, toda a direita, se deve unir para eleições, em torno de um programa mínimo, deixei escrito noutro texto, largamente apreciado por pelo menos três pessoas, das quais duas com reservas. Isso é certo. Mas, até lá, a tentação será grande para a agressividade:

Dos dois PSDs entre si porque um é de direita e o outro rigorosamente ao centro, isto é, o lugar geométrico de coisa nenhuma, sendo os dois incompatíveis porque um pode, se as circunstâncias o permitirem, aliar-se ao PS, e o outro não.

Do CDS contra a IL e o Chega, porque ambos são concorrentes directos a faixas do seu antigo eleitorado.

Da IL contra os partidos ditos de direita, por terem pactuado em alguns momentos com o PS, e por terem nos seus programas, e nas suas práticas, inclinações dirigistas e intervencionistas, em nome da democracia cristã ou da social-democracia.

Do Chega contra todos porque nasceu em nome da recusa do que está, tudo o que está, a benefício de soluções simplistas para problemas complexos.

Não é impossível que se assista, desde logo no PSD, a uma prática que não tem grande tradição entre nós, e é aliás olhada com suspeita, de mudanças de camisolas partidárias; se o CDS vai conseguir reconquistar eleitorado perdido dependerá do perfil do dirigente que escolher; a IL e o Chega só crescerão e se consolidarão se atraírem novas vagas de desencantados, o que está longe de automático ou garantido; e a reconfiguração da direita, qualquer que seja,  tendo embora o maior interesse para as tribos envolvidas, apenas o terá obrigatoriamente para o país não se mas quando vier a crise.


20 comentários

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De Miguel Madeira a 04.11.2019 às 16:36

Visões alternativas

- O PAN está para durar e vai-se tornar uma espécie de PCP (mais o PCP de décadas do que o atual): um partido ignorado pela comunicação social e entre o hostilizado e o ridicularizado por muita gente, mas com uma base social sólida (com a diferença que ainda vai crescer por uns tempos enquanto que o PCP passou quase toda a sua história em democracia a decrescer), e tem a vantagem de não existir um partido ecologista a sério em Portugal, o que lhe permitiu (ao contrário dos seus similares noutros países europeus) fazer o pivot de partido puramente animalista para partido também ambientalista; sim, a maioria das pessoas rejeita as ideias do PAN, mas a minoria que não as rejeita é suficiente para ele crescer mais, até porque nalguns assuntos o tempo joga a favor deles (p.ex., as matilhas de cães ferais são largamente um problema transitório derivado de os canis ainda não terem estrutura para funcionarem como locais para acolhimento permanente e de promoção de "adoção" em vez de locais de abate - e mesmo os ataques de cães o que fazem é mais reforçar as convicções de cada lado que que fazer alguém mudar de opinião: de um lado uns pensam "é preciso abater os animais nos canis" e do outro outros pensam "é preciso mais medidas contra o abandono dos animais; e a culpa disto deve ser sobretudo dos caçadores...")

- O Livre está dependente do BE, já que são basicamente a mesma coisa; se o BE começar a ter muita gente em administrações de empresas, o Livre ocupa o seu lugar como partido da "esquerda de protesto" e dos "freaks" (o que é irónico porque o Livre surgiu como a tentativa de criar um BE mais dado a compromissos).

- A IL é um nado-morto - a combinação de liberalismo económico com um certo progressismo nos costumes tende a ser a combinação ideológica menos popular na maior parte do mundo, pelo que o mesmo provavelmente ocorrerá em Portugal (e ainda por cima não é hostilizado pela comunicação social - como o Chega - nem nas redes sociais - como o Livre - logo não tem essa publicidade; a única pessoa que faz esse tipo de propaganda à IL é a Maria João Marques, que penso não ter assim tanta audiência).

- O Chega é dos novos partidos o que tem mais potencial para crescer, e creio que facilmente poderá chegar aos dois dígitos; mas tem um problema (e por isso duvido que venha a se tornar o maior partido da direita, como a FN em França, a Liga em Itália e por vezes partidos similares na Escandinávia): é que nós não temos problemas de imigração significativos; os problemas com minorias étnicas em Portugal tendem a envolver sobretudo os ciganos (e foi provavelmente com base nisso que o Chega teve os seus votos). E, no caso dos ciganos, não é muito fácil passar de proclamações verbais para políticas concretas, projetos de lei, etc.: enquanto na imigração é possível defender-se políticas de restringir as entradas, privilegiar países com semelhança cultural, fazer mais expulsões, etc. acho que não há grande margem para propôr políticas para lidar com uma minoria autóctone.
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De Luís Lavoura a 04.11.2019 às 17:43

A IL não é um nado-morto: é um partido político que tem um mercado de votantes potenciais, mercado esse limitado e pequeno é certo, mas real e que não desaparecerá.

Parece-me que há uma contradição na sua avaliação do Chega: diz que poderá facilmente crescer, mas logo a seguir diz (com razão) que não tem grandes causas nas quais pegar, porque os ciganos são uma causa bastante limitada.
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De Miguel Madeira a 04.11.2019 às 18:05

O que eu queria dizer é que pode crescer, mas não tanto como a FN, a Liga ou os Democratas Suecos - ou seja, tem potencial para ter uma força similar ao do Bloco atualmente ou do PCP há uns anos, mas é pouco provável que vá ser um partido com hipóteses de liderar um governo.
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De Luís Lavoura a 04.11.2019 às 18:35

Está a dizer que o Chega pode chegar aos 10%.
Eu diria que não, que o máximo a que chegará serão os 5% - a não ser que as circunstâncias mudem muito e que o Chega possa então agarrar numa nova causa qualquer.
O número de portugueses que vivem incomodados por ciganos e pretos é relativamente pequeno.
As causas fraturantes, tipo casamento homossexual e aborto, foram assimiladas sem dificuldade pela sociedade portuguesa, que convive muito bem com elas. Os homossexuais vivem felizes em Portugal, não chateiam ninguém nem ninguém os chateia. Levantar ondas nesse campo não tem tração (ao contrário do que acontece em Espanha ou em França).
Os imigrantes são poucos e em grande parte dos casos são asiáticos (bengalis, nepaleses) bastante pacíficos. Têm sido bem recebidos em Portugal. Imigrantes potencialmente mais problemáticos (muçulmanos do Norte de África, turcos) são muito poucos.
Em suma, o Chega tem poucas pontas por onde pegue.
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De Anónimo a 05.11.2019 às 05:32

Mais um que pensa que o Chega tem que ver com imigração ou com raças.

O Chega tem que ver com liberdade de expressão, tem que ver com o controlo da linguagem que a esquerda quer fazer e as classes raciais sexuais que a Esquerda quer formar para adicionar/substituir as classes sociais

Se for efectivo pode ser o maior partido contra a esquerda pois nem o PSD, nem o CDS nem a IL combatem os totalitários num dos campos de batalha, -aliás apoiam tacitamente quando não expressamente- o da linguagem onde a Esquerda quer ilegalizar vastas e vastas expressões e depois mais tarde opiniões e ideias.

luclucky
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De Anónimo a 04.11.2019 às 17:01

Severamente ao lado.

Pergunte a muitos trabalhadores a opinião que têm do PCP. Não é bonito.

O Bloco não se aburguesou, o Bloco precisou de passar pelo Governo por momentos para infiltrar ainda mais o Estado, desde a Educação que já praticamente controla, ao Banco de Portugal passando pelas "Grandes Empresas Capitalistas" e como irá ver no futuro às forças de segurança começando pela polícia já hoje pasto de muitas "accões de formação". Se ainda não percebeu o que é a polícia em Inglaterra e nos EUA do Partido Democrata ou em Espanha essa ocasião vai chegar.

O PSD de Passos e Maduro não tem diferenças significativas para Rui Rio, todos eles aumentam os impostos, todos eles aumentam o poder do Estado e aceitam desenhar o Estado pelos Institutos, Entidades e pior ainda Autoridades que são um Estado dentro do Estado. O PSD de Passos até criou impostos consignados para os "artistas"
O CDS é uma cópia do PSD completamente inútil tal como o PSD. Na prática são o PS alternativo quando o outro abusa demais. São o substituto do banco de suplentes entrão aos 85 minutos.
Mas só nisso são tolerados.
Para fingir que vivemos em Democracia
A única discussão que proporcionam é para onde irá o dinheiro de cada vez mais e mais impostos e quem deve definir se podemos comer presunto em 2030.

O Livre é o BE para estender as classes marxistas às raças. Branco não é raça claro. São os racistas.

O PAN é o BE estendo as classes marxistas aos animais.

O IL são fofinhos julgam que terão oxigénio e sequer força para alguma coisa mesmo que tenham uma lei. Não percebem pevas como o poder está apoiado na violência. Da lei e a da rua - ou por outras palavras : Que violência os jornais legitimam? que é o que define que leis podem existir.

O Chega, por vezes parece que alguém disse ao André Ventura para fazer um partido para amortecer os protestos e os controlar, tal como disseram ao Freitas para fazer o CDS. O único mérito que tem embora diga-se não despiciente é manter a Overton Window ainda um pouco aberta. É também a principal vantagem do Trump ou Bolsonaro.

Como ainda não percebeu como a violência política de baixo grau e a ameaça de violência definiram os últimos 20 anos da Democracia em Portugal. A legitimação da violência política de esquerda é hoje feita abertamente por vários jornais e TVs seguindo os congéneres americanos como o NYT, Wpost etc.
Hoje não há democracia em Portugal( e em boa parte do Ocidente) porque um Governo de direita mesmo com a maioria absoluta nunca conseguiria que as suas leis fossem aplicadas.

Significativamente boa parte da "não esquerda" que no Delito e nos comentários está supostamente contra o politicamente correcto teria votado nos partidos "extremistas do centro" que apoiam tacita ou em força o mesmo totalitarismo politicamente correcto. É preciso referi outra vez Passos ou as quotas sexuais em empresas e eleições?
99% da direita das TV's ou da não esquerda teria votado em Hillary que teria aumentado exponencialmente as forças totalitárias do politicamente correcto.
Não passam de Kerenskys na menos má das hipóteses.

lucklucky
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De Anónimo a 04.11.2019 às 18:34

"São o substituto do banco de suplentes entram aos 85 minutos."

correcção.

lucklucky
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De Eu mesmo a 04.11.2019 às 18:00

"Este Livre é um nado-morto".

Humm, não creio, pois vai operar aquilo a que chamo o efeito Obama.

Quando o Obama concorreu à presidência a esmagadora dos negros (creio que 82 ou 85%) votaram Obama, via delegados . Os brancos distribuíram os seus votos pelos Democratas e Republicanos de acordo a distribuição normal. Ou seja, os brancos seguiram as suas convicções políticas. Entre os negros a cor da pele sobrepôs-se às convicções políticas.
Em Portugal o Livre é partido do "negro", via Joacine. Logo os negros tenderão, no futuro, a votar no Livre independentemente das ideias políticas que possam ter.
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De Anónimo a 04.11.2019 às 18:43

Para os negros serem manipuláveis nesse grau é preciso vários jornais Publicos e várias TV's a defenderem a segregação racial, suspeito que o BE atinge a segregação mais depressa pela Escola e Universidades. Mas basta uns 5 anos de repetição para ficarmos parecidos aos EUA.

Note-se no entanto os vários sinais de negros a saírem do Partido Democrata - especialmente homens- Trump tem certamente muito mais apoio nos negros que outros Republicanos.
Ao contrário das mentiras dos jornais portugueses, Trump tem uma história continuada de negócios/conhecimento próximo com negros, por exemplo o Don King do boxe, artistas e produtores etc.

lucklucky
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De Miguel Madeira a 04.11.2019 às 18:50

Os negros norte-americanos não votavam esmagadoramente Democrata desde para aí os anos 70, independentemente da cor da pele do candidato?
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De Eu mesmo a 05.11.2019 às 01:44

Sondagem para o CM publicada no dia 4:

Dos novos partidos no Parlamento, apenas a Iniciativa Liberal piora o resultado. O Chega, de André Ventura, atinge os 2,5% (teve 1,29%), enquanto o Livre, de Joacine Katar Moreira, é agora a maior força das estreias na Assembleia da República, chegando aos 2,7% (1,09%).

O Livre é dos pequenos partidos o que mais cresce. O crescimento não deve ter sido pela mensagem política que a Joacine passou no Parlamento. Apostava mais no efeito Obama que atrás referi.
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De Anónimo a 04.11.2019 às 18:49

O Chega não vai a lado nenhum. É um contestatário de banha da cobra.
A reposição de alguns medicamentos na 'tal' farmácia que os não tinha, se calhar na outra rua já havia, e os 1.000 € RSI, que quis comparar com uma Reforma baixa, ser para uma família de cinco pessoas na pobreza, não diz qual família por os ciganos serem apenas 3% de quem recebe RSI, a questão do violador da freira velhota, que o cmtv reclama em tribunal ser o autor da notícia, não se contabilizam todos meses.
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De Anónimo a 05.11.2019 às 00:08

O fenómeno político só é comentável usando métodos científicos.
Fora isso trata-se de má língua.
Passem bem.
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De José Meireles Graça a 05.11.2019 às 00:27

Sei disso, mas de momento estava com o laboratório ocupado por uma equipa de cientistas.
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De V. a 05.11.2019 às 08:34

O fenómeno político só é comentável usando métodos científicos.

É boa... É exactamente o contrário.
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De Vento a 05.11.2019 às 11:18

Compreender o mundo não é matéria para cientistas, mas para conhecedores.

Os movimentos de esquerda foram vingando no mundo ocidental enquanto este fazia detonar a sua capacidade de gerar capital e riqueza. Como se gerava capital e riqueza e existiam interesses comuns, havia sempre de parte a parte o poder negocial que era capaz de estabelecer consensos e originar melhorias sociais e laborais.

O sindicalismo surgido desta realidade inicial, que durou muito tempo - e que não foi estranho ao mafioso Jimmy Hoffa, que controlou um dos mais poderosos sindicatos norte-americanos (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jimmy_Hoffa) (https://expresso.pt/internacional/2015-07-31-Finalmente-a-verdade-sobre-Jimmy-Hoffa) -, teve o ambiente oportuno para dar um rosto humano e capaz à pujança que o mundo ocidental pôde edificar.

Não obstante a existência de inúmeros desertos a ocidente, o cisma nos movimentos de esquerda ocidentais, que começa a originar-se a partir de 68 - quer em França quer na Polónia com a sublevação dos estudantes -, tem como base o flagelo da invasão da Checoslováquia e origina um breve canto do cisne no eurocomunismo.
Assim, e juntamente com a queda do muro de Berlim (que deu oportunidade ao surgimento do denominado capitalismo selvagem e, consequentemente, à sua ruína) estava delineado o futuro para o surgimento de franjas extremistas e radicalistas ditas de esquerda.
Estas franjas - semelhantes no que respeita ao fenómeno à franja do nazismo na Alemanha, que acaba por alcançar o poder por via eleitoral e toma a mão no poder por via da subversão do estado, legislando sempre a seu próprio favor - constituídas em um período de escassez económica e financeira, e incapazes de formar uma agenda com alternativas a melhorias no progresso económico e financeiro, lançam-se, quais cientistas sem capacidade de solucionar um problema entre mãos, para a solidificação de água com açúcar, procurando assim fazer crer que este doce paliativo é o medicamento que cura a doença de seus pacientes (eleitores). Vai daí, o elemento sólido que não resolve a cura nada mais é que a exaltação do que é disfuncional, mas que permite alguns votos. A expressão "fracturante" é a indicação de que essas fracturas expostas e endógenas são para propagar pelo mercado.
Hitler também começou assim, e Staline não foi de modo diferente. Ainda que os percursos possam vir a ser diferentes - e serão -, o fim, isto é, o seu desaparecimento, está garantido.
Para o efeito, uma simples fórmula bastará para lhes ditar o fim e simultaneamente a conversão: o novo modelo de capitalismo. Sem capital não existe esquerda, tenha ela a cor que tiver. O que têm agora para oferecer em nome de uma suposta esquerda nada mais é que uma religiosidade idolátrica e opressora.
Recordo que a suposta esquerda que habitava a leste fundamentava a sua existência no capitalismo de estado de expressão imperial; e este, tal como hoje acontece com o capitalismo ocidental, também foi ao fundo.

No caso português em concreto: Portugal é uma nação politicamente subsidiária de Bruxelas. Portanto, o partidarismo nacional é uma falácia.
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De Justiniano a 05.11.2019 às 14:36

Apenas, caro M Graça, para o parabenizar e subscrever!! Valente, que lhe não doam os dedos!!
Um bem haja,
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De Anónimo a 06.11.2019 às 16:19

toda a direita, se deve unir para eleições, em torno de um programa mínimo

Hmmm. Isso é querer ganhar através do método de Hondt aquilo que não conseguem ganhar de outra forma.

Repare, José Meireles Graça: a esquerda obtem maioria de deputados concorrendo desunida. A única proposta que você tem para que a direita obtenha maioria de deputados é que ela concorra unida? Não seria melhor ganhar através da ideias, em vez de tentar - ganhar na secretaria?

Ademais, a direita concorrer toda unida levanta o problema de saber como se distribuirão os deputados eleitos: quantos serão liberais, quantos serão social-democratas, quantos serão nacionalistas, quantos serão democrata-cristãos... Será que a distribuição feita na secretaria corresponderá à vontade do eleitorado? E será que o "programa mínimo" cozinhado pelas secretarias partidárias corresponderá, também ele, à vontade do eleitorado?

Olhe, José Meireles Graça: eu votei IL. Mas não votaria em nenhum "programa mínimo" de direita, sabendo, como tenho a certeza, de que tal programa seria certamente iliberal.
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De José Meireles Graça a 06.11.2019 às 16:56

Sejamos práticos: i) Se votou na IL em qualquer outro sítio que não Lisboa, o seu voto não elegeu ninguém; e, se votou no Porto, os votos da IL impediram presumivelmente a eleição de mais um deputado do CDS. Não acho necessariamente mal, qualquer novo partido para se afirmar tem de começar por desperdiçar muitos votos, mas as coisas são o que são; ii) Existe uma maioria sociológica de esquerda, e não existe menos por se ter deixado de falar nisso - as pessoas deixam de apostar no socialismo quando este clamorosamente falha, e não antes, porque acreditam sobretudo no curto prazo, e as ideias correctas sobre economia são contra-intuitivas. Donde, não estaria mal ganhar unicamente através de ideias, mas convirá talvez adquirir um fauteil confortável, por causa da espera; iii) A IL, creio, teria muito mais a ganhar no futuro na influência sobre um programa mínimo das direitas do que na influência que pode, concorrendo isolada, ter no Parlamento; iv) Há sempre tempo para afirmar as diferenças, mas hierarquizando as prioridades a primeira é arredar os socialistas e compagnons do Poder; v) A maioria dos meus amigos é da IL, não do CDS, e da IL do ovo, isto é, do Porto. Espero que não leiam a caixa de comentários, que é por mor de não me torrarem a paciência.
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De Anónimo a 06.11.2019 às 18:20

Respondo a alguns pontos.
(i) Se votar na IL teve como consequência impedir a eleição de um deputado do CDS, então foi um voto bem aproveitado. O CDS é um partido altamente iliberal.
(v) Não sei o que seja "a IL do ovo". A IL nasceu em Lisboa e no Porto ao mesmo tempo, que eu saiba (foi a história que me contaram), ou seja, através da reunião de liberais das duas cidades. Seja como for, os resultados da IL foram muitíssimo melhores em Lisboa (4% dos votos no concelho) do que no Porto (1,5% dos votos no concelho), pelo que, para efeitos práticos, a IL é um partido muito mais lisboeta que portuense.

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