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A semana do desespero.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.15

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Um leitor deste blogue chamou-me a atenção para estas imagens publicadas pelo Observador, demonstrando as filas dos reformados gregos, tentando receber as suas pensões de bancos que têm que estar fechados pois de outra maneira não resistiriam perante os contínuos levantamentos por parte dos depositantes. Os reformados gregos são as vítimas inocentes desta estratégia do Syriza, que de um momento para o outro pode deixá-los sem nada.

 

Isto porque provavelmente estes levantamentos serão os últimos que terão em euros e o novo dracma só pode significar a miséria na Grécia. Diz-se que a saída do euro implicaria em Portugal uma desvalorização de 50% enquanto que na Grécia chegará aos 80%. Ou seja, Portugal entrou no euro com este a valer 200,482 escudos e agora sairia com o novo escudo a valer 1/300 avos de um euro. Já quando a Grécia entrou no euro o dracma foi convertido a €0.0029 e agora seria convertido a €0,00058. Ou seja o novo dracma será equivalente a 1/1724 avos de um euro. Podem naturalmente dar outros valores às novas moedas criadas mas a realidade económica subjacente é esta. 

 

O problema é que isto não vai ficar por aqui, pois como se viu depois do confisco de Collor no Brasil em 1990 ou do corralito argentino de 2001, o resultado destas brincadeiras é sempre uma hiperinflação, com uma alta do custo de vida que destruirá completamente o valor das pensões. Estes reformados já viveram muito e sabem bem o que os espera. O sarilho em que o governo do Syriza fez cair a Grécia vai-lhes custar muito caro.


1 comentário

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De da Maia a 03.07.2015 às 19:55

A posição de Tsipras é suficientemente ambígua para deixar os mercados e os gregos com legítimas dúvidas sobre os tempos seguintes.

No entanto, eu gostaria apenas de lembrar que o período revolucionário 1974-76, ocorrido em Portugal, foi também um "grande sarilho" que desvalorizou o escudo catastroficamente. Acresceu nessa época o enorme sacrifício do meio milhão de retornados que chegou com uma mão à frente e outra atrás.
Porém, depois da instabilidade e até de uma intervenção do FMI, quando Sá Carneiro pegou no país em 1980, notava-se já um sentido de futuro e de propósito... que caiu tão abruptamente quanto o seu Cessna.
Bastaram meia-dúzia de anos para se sair de cabeça erguida do caos revolucionário e da perda de um território maior que a CEE.

Ao contrário do que se pretende vender, o país deixou de ter sentido de futuro e propósito nacional, quando progressivamente foi entregando toda a sua soberania a uma fantasia europeia. Nada a lamentar, até valeria a pena a aposta numa Europa unida, se esta funcionasse como uma união solidária.
Só que esse sonho já ruiu, e os coveiros dessa "união" europeia não foram os gregos. Os gregos apenas tiveram que acordar desse sonho, porque se viram num pesadelo mais cedo que os restantes.

A Grécia poderá entrar em tempos conturbados, e a fuga da prisão europeia pode implicar mergulhar numa fossa de dejectos, só que haverá outros cujo futuro prometido será uma prisão de austeridade prevista até 2030...

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